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13/10/2010

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime (3)

[Continuação de (1) e 2)]

Conforme já havia sido pré-anunciado por Santos Ferreira, o comissário do polvo no BCP, a transferência das responsabilidades futuras (*) pelas pensões dos bancários está a caminho da Segurança Social. Transferência que por artes da providência socialista ajudará a tapar os buracos no OE e a abrir outros buracos na sustentabilidade do sistema de pensões que passa a ser financiado no que respeita aos bancários por 31,61% dos salários = 23,61% dos bancos e 8% dos bancários contra os 34,75% = 23,75% + 11% do regime geral. É o preço que o governo fará pagar aos contribuintes futuros do sistema.

Enquanto isso, percebe-se porquê outras rameiras do regime (CGD e BES) passaram da intransigente defesa do interesse estratégico da PT na Vivo para as delícias de receberem um cheque da Telefonica que ajudará a suportar a dor da perda. Ao mesmo tempo que uma outra rameira (PT) perde a vergonha de reconhecer que partilha a cama com outra rameira (BES) e resolve comprar ao fundo de pensões que, como rameira acabada, aceitou transferir para a Segurança Social, uma participação de 2,6% na segunda rameira (BES) que considera estratégica. Fica por explicar em que consiste o interesse estratégico dum grupo de telecomunicações ter uma participação num banco. Enfim, talvez seja o princípio do chaebol Granadeiro e Bava.

(*) Responsabilidades futuras e não, como escrevi no n.º 1 desta série, os fundos, isto é as responsabilidades por com serviços passados dos activos e por pensões dos reformados. Isso fica de reserva para tapar os inevitáveis buracos em 2011 ou 2012.

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