As clássicas podem até tardar um pouco. Aquelas a que temos assistido na vizinhança asiática: quando Pequim se aborrece com um problema geopolítico castiga economicamente, com boicotes, o Estado que a aborreceu. Mas há outras que podem vir mais cedo.
Três exemplos muito breves: Portugal, como, aliás, o resto da Europa, é dependente tecnologicamente dos Estados Unidos e da China. Não há inovação, mas também já não há alternativa a viver fora da crescente “digitalização”, anunciada, em si só, como um bem para a humanidade. Mas é um bem que põe parte da humanidade entre a espada e a parede, até porque as grandes potências em confronto têm vindo a desenvolver tecnologias alternativas e incompatíveis entre si. Quando for preciso fazer escolhas – e elas estão para breve –, estará Portugal em condições de escolher em liberdade?»
Excerto de A história interminável do controlo chinês, Diana Soller no Observador
Antes de perguntar «estará Portugal em condições de escolher em liberdade?», eu perguntaria previamente estão os portugueses interessados em escolher a liberdade?