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03/07/2016

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (42) Unintended consequences (XII) – A punição dos aforradores

Outras marteladas.

Uma das consequências perversas do intervencionismo dos bancos centrais com taxas de juro negativas ou próximas de zero é punir os aforradores e desincentivar a poupança. É claro que a punição dos aforradores só tem impacto social se houver aforro significativo. Por isso, a política do BCE não preocupa os países onde a poupança é desprezível – não por acaso os países onde a bancarrota teve mais impacto e a recessão foi mais violenta -, países cujos eleitorados são constituídos por uma maioria esmagadora de devedores a quem as taxas de juros baixas permitem empurrar com a barriga os seus débitos.

Economist
Ao contrário, os eleitorados aforradores como a Alemanha e a Holanda (poupança em percentagem do rendimento disponível de 17% e 14% respectivamente) não apreciam a situação e apreciam-na ainda menos quando consideram os baixos rendimentos dos seus fundos de pensões que no caso da Holanda atingem 1,3 biliões de euros ou quase o dobro do seu PIB. Compare-se com o montante pífio do nosso Fundo de Estabilização da Segurança Social de 13,5 mil milhões (2014) ou 7,8% do PIB que cobrem menos de 14 meses de pensões.

Os defensores do intervencionismo monetário fintam a questão com a lengalenga de que os alemães e os holandeses adoram poupar e vêem os empréstimos como imorais – o argumento definitivo é que, em alemão como em holandês (uma língua muito próxima do alemão), uma das palavras para designar dívida é culpa.

Por muito que se finte a questão, as fintas deparam-se com a dura realidade: sem poupança não há investimento e sem investimento não há crescimento.

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