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01/07/2016

Lost in translation (272) - Manifestações de paranóia/esquizofrenia (17) – O síndrome de Schäuble

Numa conferência em Berlim na passada 4.ª feira, Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças disse, citado pela Reuters em língua alemã, algo que poderia ser assim traduzido:
«Portugal está a cometer um erro grave se não cumprirem os seus compromissos. Terão que pedir um novo programa de resgate e tê-lo-ão.» Logo a seguir, respondendo a um pedido de esclarecimento disse: «os portugueses não o querem e não precisam dele se cumprirem as regras da UE. Caso contrário, terão sérios problemas.» O ministro Schäuble deixou claro que não pensa actualmente que haverá tal programa, acrescenta a Reuters.
Neste vídeo (via Insurgente) pode confirmar-se que a citação da Reuters está correcta.

M de La Palice, se tivesse dito o que segundo a lenda se diz que disse, não diria melhor. É claro que houve quem percebesse perfeitamente, como Helena Garrido no Observador.

Vejamos então a reacção da geringonça e de alguns seus prosélitos:
  • «É por estas e por outras que, infelizmente, há cada vez mais cidadãos europeus que se revelam contra essa arrogância persistente e insensata», Carlos César, presidente do PS;
  • «… comportamento, igualmente irresponsável e insensato, mas também incendiário», João Galamba, membro emérito da Mouse School of Economics e porta-voz do PS;
  • «O Ministério das Finanças esclarece que não está em consideração qualquer novo plano de ajuda financeira a Portugal», comunicado;
  • «Schäuble lança segundo resgate sobre Portugal durante meia hora», título de uma jornalista do Negócios;
  • «O inimigo da Europa é o incendiário Schäuble», Daniel Oliveira, título no Expresso Diário

Hesito como classificar clinicamente esta reacções. Os leitores decidirão:
  • «Esquizofrénico é alguém que perde a capacidade de pensar de uma forma lógica e, consequentemente, de comunicar e de se relacionar, passando a viver num mundo paralelo e sem as normas pelas quais se regem as pessoas ditas normais» 
  • Paranóia: «ocorrência de pensamentos delirantes, geralmente persecutórios, que levam o paciente a adoptar uma atitude de permanente desconfiança em relação aos que o rodeiam.»

2 comentários:

Unknown disse...

Vigaristas é o que eles são, em vez do foro clínico recomenda-se o penal

Anónimo disse...

Claro que são vígaros. E pensam que são os maiores, sobretudo no intelecto, aonde ficam à frente, por larga margem, de minhocas e percevejos.