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17/07/2016

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A fábula do surto inventivo que nos assola (11)

[Outros posts sobre a mesma fábula: 08-08-2010; 28-11-2010;28-11-2012; 08-12-2013; 16-12-2013; 26-12-2013; 17-01-2014; 25-02-2014; 11-03-2014; 08-04-2015; 18-05-2015; 23-05-2015, 04-08-2015]

Se há mitos recorrentes no socialismo lusitano um dos mais notórios é o da multiplicação do dinheiro torrado há décadas em doutoramentos e em subsídios à investigação. Enfim, é um caso particular do multiplicador da despesa pública - recordem-se os delírios do multiplicador do professor doutor Alfredo Marvão Pereira que transformava 1 milhão de euros de alcatrão em 18 milhões de PIB - talvez os valores do multiplicador e do resultado estivessem certos; talvez fosse apenas um equívoco quanto à espécie do resultado que foi aumento da dívida em vez de aumento do PIB.

A crença na multiplicação da despesa em Investigação e Desenvolvimento (I&D), que em Portugal não passa de uma classificação contabilística dentro da qual cabem coisas que nada tem a ver com I&D, é um fenómeno de fé - embora este traga à mistura os interesses das corporações que vivem dessas rendas. Como todos os fenómenos de fé não se alimenta de factos e abomina a realidade.


Abominação que se compreende porque a realidade mostra que os resultados do dinheiro gasto e do exército de 10 mil «investigadores» (mais de 50% da média europeia em relação à população) são de uma pobreza franciscana, como mais uma vez se confirma no Painel Europeu de Inovação 2016 que Portugal caiu mais uma posição e «tem um desempenho abaixo da média comunitária na maioria dos indicadores analisados, com excepção dos recursos humanos»,

Que outra coisa poderia ser se a tónica de todos os governos socialistas tem sido engordar a tropa de «investigadores» que não investigam nada, como se pode confirmar pelo número de patentes no European Patent Office, apenas 18% da média da UE, e pelas receitas por venda e por licenciamento que é de apenas 3% da média da UE (ver este post).

2 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Para quando teremos eleitores que deixam de acreditar em lendas ou crenças ?

Anónimo disse...

Desde 1960/1970 que não vi investigação em medicina neste país. Claro que conheço os três casos de excepção à regra que existiram.
No início de 1970, para um trabalho para doutoramento calculava-se que se gastaria 500 contos (500.000 Esc) em 2 a 4 anos de trabalho. O ordenado de assistente andava pelos 3.000 Esc.
Agora com uns empenhos consegue-se o tal doutoramento 'cum laude'. O estado oferece o cacau mas não oferece tratamento para colunas vergadas.