Um referendo só assegura indiscutivelmente a agregação. A diversidade de opinião e a independência dificilmente são asseguradas por campanhas altamente manipulatórias vulgares nos referendos – veja-se o caso do Brexit. Mesmo sem campanha, são múltiplos os exemplos dos preconceitos que contaminam a opinião pública até em aspectos relativamente objectiváveis. Alguns exemplos americanos e britânicos (extraídos daqui e daqui):
- Os americanos pensam que os imigrantes representam um terço da população – na realidade são 14%;
- Os britânicos julgam que um quarto da população é muçulmana – na realidade são 5%;
- Há mais britânicos que pensam que é na ajuda externa que o governo gasta mais do que nas pensões ou na educação – na realidade a ajuda externa representa apenas 1% do total;
- Os americanos acham que um quarto das adolescentes engravidam todos os anos – na realidade são 3%;
- Mais de três quartos dos americanos pensam que estão preparados para a reforma mas apenas cerca de 60% fazem poupanças com esse propósito;
- Só metade dos americanos sabe que os fundos de investimento não garantem rendimento;
- Quatro em cada dez americanos subestimam a esperança de vida dos reformados em 5 ou mais anos;
- A propósito da morte recente de uma criança por um jacaré na Disney World em Orlando, o jacaré foi considerado um animal perigoso – na realidade causou apenas uma morte no período 2001-2013; nesse período o maior número de morte foi causado por insectos e em terceiro e quarto lugares encontravam-se cães e vacas.
- Só 56% dos respondentes americanos de um inquérito foram capazes de dizer quanto receberia cada um de 5 acertadores num jackpot de 2 milhões;
- Só um quarto dos britânicos foi capaz de calcular a probabilidade de duas caras (ou coroas) em dois lançamentos consecutivos de uma moeda.