Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

20/11/2014

SERVIÇO PÚBLICO: Vícios públicos e vícios privados (3)

Por diversas vezes (por exemplo aqui e aqui) escrevi que se fala muito do tamanho pantagruélico da dívida pública e se esquece a dimensão ainda mais pantagruélica da dívida privada, incluindo famílias e empresas não financeiras. Já é assim desde os anos loucos de Sócrates – em 2007 já tínhamos uma das maiores dívidas privadas da UE – e assim continuamos. Por falar disso, não vale a pena vir com a conhecida treta e a Irlanda bla bla? porque a Irlanda já partiu para outra dimensão - um dia deste falarei disso.

The euro crisis - Back to reality, Economist
No que respeita às empresas cotadas batemos todos os recordes de endividamento: um quarto das empresas têm dívidas superiores a 5 vezes o EBITDA.

Alguém se admira por estarem a ser vendidas empresas portuguesas a capitais estrangeiros? Alguém ainda não percebeu que a maioria das empresas portuguesas cotadas ou não cotadas que ainda valem alguma coisa irá ser vendida? Não que, em meu entender, isso constitua em si mesmo um grande problema, mas são contas de outro rosário e fica para mais tarde.

1 comentário:

murphy V. disse...

Caro Impertinente, acha que a dívida de uma Mota-Engil ou de uma EDP, nomeadamente, a dívida contraída nos investimentos ligados e financiados pelos contratos PPP (rodoviárias e energia), são "divida do sector privado"?

Formalmente serão, mas qual a diferença em relação à dívida contraída por entidades do perímetro orçamental público?

Cumprimentos.