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16/11/2014

Dúvidas (61) - Costa com «obra feita» em Lisboa. Amanhã em Portugal? (5)

A viagem de António Costa ao colo da boa imprensa desde a Praça do Município até S. Bento, via Largo do Rato, está a ser um pouco mais atribulada do que se esperava. Vão emergindo, aqui e ali das sombras protectoras projectadas pelo jornalismo de causas, exemplos da «obra feita» de Costa. Eis mais alguns.


Durante 4 longos anos a CM Lisboa torrou uma bela maquia (130 mil euros) a desenvolver um software para a Polícia Municipal tratar as coimas por excesso de velocidade que haveriam ser às resmas com as centenas de radares semeados pela cidade. Acontece que as coimas não foram às resmas porque a maioria dos radares não está em condições funcionar. Acontece que, mesmo que o radar estivesse a detectar milhares de infracções, o software que as trataria nunca chegou a ficar concluído, nem ficará porque desde 2010 existe um software usado pela PSP e pela GNR que poderia ter sido usado, mas não foi, e irá ser usado a partir de Janeiro, dizem-nos, altura em que os radares já estarão operacionais, dizem-nos.

Entretanto, ao abortar o negócio Feira Popular/Parque Mayer fechado por Santana Lopes, Costa já aceitou indemnizar a Bragaparques em 102 milhões a pagar em dez anos (juros de 29,5 milhões) por acordo parcial que deixou de fora vários litígios e tem agora uma acção de mais 350 milhões por um deles.

Também ficámos a saber qual a estratégia de Costa para reduzir os quase dez mil funcionários da Câmara: transferir 1.400 deles para as juntas de freguesia que passarão a pagar-lhe o mesmo salário. Se aplicarmos esta estratégia reformista aos exércitos de funcionários públicos podemos ver os funcionários da administração central a emigrarem en masse para a administração local.

E ainda confirmámos como Costa cumpre o que diz ao aplicar a taxa de 1 euro sobre as entradas e dormidas dos turistas um ano depois de ter garantido à Associação da Hotelaria de Portugal que não o faria.

PS: Não é preciso dizerem-nos. A nossa ementa ultimamente tem-se feito bastante à custa de António Costa. Não temos nada contra a criatura, que é simpática, bem-falante e não é pior do que a média dos nossos políticos de topo (até é melhor). Porém, daí a ter condições de cumprir as expectativas milagreiras que tem vindo a alimentar com a ajuda benevolente de legiões de jornalistas, comentadores, analistas, senadores e outros, vai uma enorme distância.

Aliás, ao que parece, não são só os descrentes que descrêem das virtualidades regeneradoras de Costa. Começa a ser perceptível um sentimento de desencanto entre os seus prosélitos e até audível da parte dos ex-bloquistas que saíram do BE para apanhar o comboio socialista em direcção ao poder, comboio que agora duvidam consiga chegar ao destino.

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Não desacreditem o daosebastiao Costa. Agora que meia população anda animada com o fim da austeridade e crise, não deitem um balde de agua fria, ao pobre povo.