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02/11/2014

A maldição da tabuada (20) – Expliquemos a coisa devagar aos deputados e aos jornalistas de causas

Num outro país em que muitos políticos e jornalistas de causas não sofressem de inumeracia (ou de falta de escrúpulos) em estado terminal não deveria ser necessário explicar, mas neste em que vivemos foi necessário a ministra das Finanças explicar que a dívida de um ano é igual à dívida do ano anterior adicionada do défice do ano anterior e dos eventuais ajustamentos do perímetro das administrações públicas e das eventuais correcções de exercícios de contabilidade criativa no passado - ajustamentos e correcções bastante pesados em 2011 e 2012 depois da equipa de José Sócrates ter deixado o país na bancarrota.

Em resultado dessa explicação no parlamento, seria normal que tivesse ficado entendido:

  • Considerando «a evolução dos números da dívida pública em base comparável, … entre 30 Setembro de 2009 e 30 Junho de 2011, a dívida pública aumentou mais de 54 mil milhões de euros (54.944 milhões de euros), tendo o rácio sobre o PIB sido agravado em 29,2 pontos percentuais» e 
  • «Durante os três anos do actual Governo, considerando o período entre 30 de Junho de 2011 e 30 de Junho de 2014, a dívida nominal subiu cerca de 28,5 mil milhões de euros (28.561 milhões), tendo o rácio da dívida subido 20,1 pontos percentuais». 
A ministra ainda explicou que «temos dinheiro nos cofres ao contrário do que acontecia quando chegámos ao Governo», mas no lugar dela e tendo pela frente o saco de lacraus (foi assim que o único deputado da UDP nos tempos do PREC apelidou o parlamento), eu teria acrescentado dois pormaiores:


No Banco de Portugal        12.104.588.536,53
Nas caixas e outros bancos  5.752.826.543,65
Total                                17.857.415.080,18

  • Secundo, o dinheiro nos cofres deixando pelo governo de Sócrates em 31-03-2011 era 8% (oito por cento) do saldo actual e daria para 3 ou 4 dias de despesa):

No Banco de Portugal                1.000.000,71
Nas caixas e outros bancos  1.411.407.914,54
Total                                  1.412.407.915,25

[Para mais pormenores sobre o estado de secura da tesouraria de Sócrates, veja-se este post do Impertinente]

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Quem gosta de falar a sério e sem ficções sabe que as dividas após passarem patamares de insustentabilidade ainda aumentam durante uns anos após as medidas correctivas serem tomadas.Não se entende é porque os trolls que apoiam o PSD ainda se perdem em sarabandas em vez de desmontarem sem agressividades de esquerda/direita estes factos. Os ministros não são comentadores ou analistas não se lhes pode pedir isso.