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28/11/2014

Dúvidas (65) – A propósito dos Processos de Investigação Em Curso

O que esperavam encontrar «catorze magistrados do Ministério Público, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, dois peritos deste departamento e duas centenas de elementos da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária (PJ) e da Autoridade Tributária (AT), entidades que coadjuvam o Ministério Público» que andaram ontem a vasculhar a sede do BES e 34 domicílios, incluindo o de Ricardo Salgado, 4-meses-4 depois da detenção deste? Não será um insulto à inteligência esperteza dos alegados criminosos?

Porquê Rui Rio só vê risco de a «democracia se perder para sempre», agora que estão sob investigação as acções de duas das criaturas que mais contribuíram para um Estado clientelar próprio de democracias limitadas? E quando o mesmo Rui Rio agora entende que Portugal «está num dos pontos mais baixos da reputação internacional» isso significa que Portugal estava num ponto alto enquanto a corrupção e o compadrio lavravam impunes?

Porquê Jorge Sampaio, nunca apreensivo durante a caminhada do país para a bancarrota, nem enquanto a corrupção e o compadrio lavravam impunes, quando questionado sobre a prisão de José Sócrates se diz «muito apreensivo com o que se passa em Portugal»?

Quando o director do Expresso e irmão de António Costa, escreve «além de partir com onze meses de avanço … com muitas provas e documentos acumulados, a acusação tem esse tempo para preparar bem a acusação e solidificar o caso», estará Ricardo Costa a preconizar que a investigação (e não a acusação - um lapso freudiano?) só deveria ter começado a investigar depois de comunicar por carta registada a José Sócrates?

[Fontes citadas: Jornal de Negócios e Observador, para os dois primeiros, o terceiro e o último parágrafo, respectivamente]

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