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25/11/2014

Ressabiados do regime (12) – Era para ser um louvor pelo intermezzo de Pacheco Pereira

Este post era para ser uma espécie de louvor a Pacheco Pereira por uma espécie de intermezzo entre os vários episódios de ressabiamento que o têm atacado desde que os objectos dos seus ódios de estimação foram plantados no governo.  O intermezzo  foi constituído pela sua prestação ontem na SIC perorando sobre a prisão preventiva de José Sócrates nos poucos minutos tive a pachorra de o ouvir.

Ao contrário de Miguel Sousa Tavares, esgrimindo argumentação jurídica para fundamentar a ilegitimidade, senão mesmo a ilegalidade, da decisão e ao contrário da loura do regime Clara Ferreira Alves, cuspindo a erudição do costume bla bla não é preciso forensics bla bla isto não é uma Crime Scene Investigation bla bla isto é fácil é só ver as contas bancárias bla bla (o que não fácil é ultrapassar esta blending, para dizer como ela diria, de ignorância, vacuidade e pesporrência), Pacheco Pereira ancorou-se no bom senso (talvez mais senso comum, diria) para justificar a decisão dos juízes de instrução.

Era para ser uma espécie de louvor até me ter lembrado do ódio de estimação que Pacheco Pereira nutre há anos por José Sócrates – por más razões, por falta de pedigree e de erudição, suspeito – ódio sem o qual provavelmente diria baboseiras semelhantes às dos seus companheiros de debate. Por isso, vou apenas louvá-lo pela fidelidade aos ódios de estimação. Nos tempos que correm não é pouco.

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