Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

25/11/2014

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (5) Depois de 5 anos de medicação, ainda não se sabe

Apesar dos triliões de dólares que a impressora da Fed injectou na economia americana os resultados em termos de crescimento tardaram e não são prodigiosos. Em qualquer caso, o crescimento é agora visível ainda que não impressionante, só não se sabe se foi por causa da medicina ou simplesmente porque quase sempre quase tudo aquilo que desce acaba por subir e vice-versa.

O foco das preocupações dos «alivistas» passou agora das ameaças de recessão para as ameaças de deflação. Ora leia-se o que escreve «The Economist Espresso via e-mail»:

«Brace yourself for more hand-wringing over deflation. Economists think American consumer prices, which the government reports today, fell by 0.1% in October, thanks to cheaper petrol. The annual inflation rate should fall to 1.6% from 1.7%. Core prices (excluding food and energy) probably rose slightly: the numbers imply an annual rate of around 1.5% using the Federal Reserve’s preferred index. That’s too low: the Fed’s target is 2%. Inflation may remain under pressure, because petrol prices have fallen in November too. Depressed expectations of inflation can be a drag on the economy, which is why the Fed wants a rate nearer to its target. For now, it is more concerned about disappearing slack in the labour market. But if inflation expectations slip further, it may consider keeping interest rates at zero beyond mid-2015

Podemos então esperar mais injecções de triliões para debelar a maleita imaginada pelos «alivistas». No final, não devemos ficar admirados de vermos as unintended consequences do que pode ser uma década de decisões de consumo e de investimento baseadas em inundações de dólares e taxas reais de juros negativas em 1,5% ou mais. Ou desta vez será diferente?

Sem comentários: