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23/01/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (15)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13) e (14)]

Para um país que está ligado ao ventilador da troika há quase dois anos, o sucesso do leilão desta manhã de OT a 5 anos com um yield ponderado de 4,9% e uma procura 5 vezes superior aos 2,5 mil milhões colocados com 70% mais de 90% das ordens do estrangeiro tem de considerar-se um passo positivo, a confirmar o que costumo escrever nestas ocasiões: os portugueses andam tão ocupados a queixar-se, indignar-se, revoltar-se e a tentar chutar para o lado e para a frente a factura da festa que acreditam menos nos resultados das políticas de consolidação do que os credores que arriscaram e arriscam o seu dinheiro torrado na festa. É um passo positivo, até pelos vistos surpreendente para o guru Roubini que ainda ontem tinha dúvidas sobre se iria acontecer em breve.

Evidentemente, positivo é o crescendo de credibilidade face aos credores e negativo é o facto de serem mais 2,5 mil milhões a somar aos mais de 200 mil milhões do stock de dívida pública, mas para os países ligados ao ventilador não há positivo sem negativo, porque não há (ainda?) capacidade de usar a nova dívida para amortizar a dívida antiga. Por isso, não é sem dúvida o momento de deitar foguetes, como também não é o momento do desespero e da chico-espertice de António José Seguro, nem o do doentio ressabiamento de Pacheco Pereira.


Fonte: Bloomberg
 
Actualização: ver a press release do IGCP que desta vez é um modelo de transparência.


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