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11/01/2013

DIÁRIO DE BORDO: A língua portuguesa tem muitas subtilezas…

… e o meu ofício não é o de escriba. Só por isso, não me admirei dos mal-entendidos que o meu post sobre a performance de Carlos Moedas suscitou junto de amigos comuns. Tentando reparar o que, espero, não seja irreparável, vou remeter para a leitura de uma peça de Pedro Sousa Carvalho, no Económico, com o significativo título de «O sorriso de Carlos Moedas», que escreve com mais jeito uma parte do que queria dizer e de onde respigo estes dois parágrafos:

«Moedas, que é um tecnocrata, se calhar ficou embevecido e deslumbrado com tantos números, gráficos e tabelas do relatório do FMI. E se o relatório trouxesse uma folha de Excel anexada e um simulador ‘online' seria um portento e um prodígio. Mas a fisionomia de Moedas pouco interessa aos portugueses que estão assustados com o que aí vem. O que interessa é que Moedas tem razão pelo menos numa coisa: o relatório do FMI, independentemente de algumas omissões e um ou outro dado desactualizado, é um autêntico compêndio sobre como se pode cortar nas despesas do Estado e serve para aquilo que foi feito, para lançar a discussão sobre a reforma do Estado.

O erro de Moedas, que para político tem pouco jeito, foi não ter explicado de forma clara aos portugueses que a catrefada de medidas propostas pelo FMI não é para ser executada na íntegra. Aliás, se somarmos o impacto de todos as propostas do FMI chegaríamos a um corte de despesa exorbitante de cerca de dez mil milhões de euros, quando o Governo já disse que a intenção é apresentar à ‘troika' um plano de redução permanente de despesa de quatro mil milhões de euros.»

Só falta acrescentar que, não se tratando de uma tese sobre despedir 50 mil professores, reduzir os salários dos funcionários públicos, as pensões, etc., só poderia ser o primeiro-ministro a falar pela primeira vez ao país sobre um conjunto de medidas de enorme impacto político, social e económico, sugerido por uma das organizações que tutela o país. Ao não fazê-lo e enviar um obscuro secretário de estado adjunto, uma das explicações possíveis é de fugir com o rabito à seringa e meter um cabrito no fosso dos crocodilos antes de ele entrar lá o mais tarde possível.

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