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17/01/2013

Pro memoria (88) – A deriva antidemocrática

Por muito que frequentemente me escasseie a pachorra para escutar ou ler os bramantes contra austeridade, depois de um silêncio ensurdecedor de décadas face às políticas que tornaram a austeridade insubstituível, obrigo-me a reconhecer que o preço de os ouvir é apenas mais um custo da democracia.

Pela mesma razão, lhes dou razão nos protestos contra «as declarações … sobre a Constituição como "entrave à governação", ou … no mesmo sentido de considerar que o Governo devia ter a liberdade de tomar as medidas que entender "para salvar o país", mesmo que elas fossem ilegais à luz do Estado de direito encimado pela Constituição


Dou-lhes razão. Porém, hesito entre concluir que a minha memória me está a atraiçoar ou que os bramantes não bramaram e não viram nenhuma «deriva antidemocrática» quando o actual inquilino de Belém se queixava, por muito menos em S. Bento, das «forças de bloqueio» que incluíam desde o maquiavélico Soares em Belém até Sousa Franco no Tribunal de Contas, passando pela oposição, e exigia indignado «deixem-me trabalhar!».

1 comentário:

Maria disse...

E que tal se o Presidente deixasse o TC trabalhar em paz? A sua tentiva de influência do TC é a maior deriva anti-democrática e nenhum dos bramantes dirá alguma coisa sobre isso.