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19/12/2011

Chocados com o óbvio ululante

Questionado sobre os professores excedentários, Passos Coelho disse um óbvio ululante: «Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa».

O óbvio ulula nos 2 quadros seguintes mostrando os «clientes» a diminuirem de 1/3 nos últimos 50 anos e os «fornecedores» a aumentarem 5 vezes. Até os «fornecedores» do ensino já obrigatório há mais de 50 anos aumentarem de 1/3.

População residente 1960=100 (Pordata)


Docentes 1961= 100 (Pordata)

Com o lunatismo ou a estupidez ou a hipocrisia (cortar o que não for aplicável) habituais, o inefável professor doutor Marcelo, o calimero líder do PS, e muitas outras luminárias reagiram chocadas e o óbvio ululante de Passos Coelho tornou-se o leit motiv da indignação nacional, o desporto mais popular entre nós. Exagero? Nem por isso. Veja-se esta pesquisa do Google Notícias – nas últimas 24 horas apresenta mais de 50 mil resultados.

Se este imbróglio diz alguma coisa sobre a falta de jeito de Passos Coelho, diz muito mais sobre a cultura portuguesa do faz de conta e da conversa da treta e diz ainda mais sobre a falta de qualidade de elites sempre em bicos de pés para engraxarem as corporações, os coitadinhos e a populaça.

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