Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

01/01/2004

GLOSSÁRIO DAS IMPERTINÊNCIAS: Novas entradas.

O Glossário das Impertinências ganha no primeiro dia do ano mais duas definições. A primeira tornada necessária pela criatividade do doutor d’Oliveira Martins e a segunda tornada necessária pela criatividade dos arguidos do processo Casa Pia e dos seus advogados.

Secção Com a verdade me enganas
Acontece nas melhores famílias. Distraidamente umas vezes, outras não, falam-se verdades que parecem mentiras, ou vice-versa. Em relação às mentiras, recordo o poeta popular António Aleixo que um dia disse que a mentira para ter alcance e profundidade, tem que trazer à mistura alguma verdade (estou a citar de memória, a minha memória já não é o que foi, e por isso não vale a pena corrigirem-me). Em relação à verdade, a recíproca também parece aplicar-se: a verdade para ter alcance e profundidade, tem que trazer à mistura alguma mentira.

Alibi (juridiquês)
Um expediente que, com o auxílio duma agenda dinâmica, permite ao arguido demonstrar que em qualquer altura se encontrava sempre noutro lugar. Este expediente é, simultaneamente, uma negação experimental dum velho axioma da geometria não euclidiana (no mesmo ponto não podem encontrar-se ao mesmo tempo dois corpos diferentes, mas está visto que podem, pelo menos é essa a tese dos investigadores do caso Casa Pia) e dum velho princípio da física clássica (o mesmo corpo não pode encontrar-se ao mesmo tempo em dois pontos diferentes do espaço, e está visto que pode, se tiver uma boa agenda).

Sem comentários: