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27/12/2003

DIÁRIO DE BORDO: O colectivismo em altura.

Não tenho uma opinião definitiva sobre a construção em altura. Nuns casos parece-me uma agressão à paisagem e ao ecossistema urbano, noutros não. Mesmo que fosse pecado, a ausência de pecado não faz a virtude, como se pode ver pelas monumentais devastações urbanas que as nossas cidades são com os seus prédios de 2 ou 3 andares amontoados anarquicamente.
Mas não é isso que está em causa com a recente polémica dos 35 andares das torres de Alcântara que a actual câmara pretende autorizar contra a oposição que, quando foi executivo, autorizou os 28 andares do World Trade Center alfacinha em Sete Rios.
O que está em causa é a cultura política lusitana presente em qualquer dos partidos que povoam a cena política que têm sempre diferentes critérios para avaliar o nós e o eles.
Não admira, diz a minha amiga doutora Ana, antropóloga nas horas vagas, pois uma das dimensões dominantes na cultura lusa é o colectivismo, o espírito de grupo (família, amigos, clube, partido, etc.) que leva o português a ter dois pesos e duas medidas com a maior naturalidade, sem mesmo se dar conta.

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