Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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26/12/2003

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: A diferença fundamental não é óbvia (outra vez) seguido de É melhor não perguntar.

Intróito
Talvez ainda por efeito das rabanadas, continuei as minhas leituras da Única. Desta vez da semana seguinte, isto é da passada. Pousei na Crónica Feminina de Inês Pedrosa e na Pluma Caprichosa de Clara Ferreira Alves, duas senhoras suportavelmente feministas e politicamente correctas, cuja produção croniqueira frequento regularmente, não digo com o prazer que leio o João Pereira Coutinho, mas também sem o esforço (que não faço) para ler o inefável doutor Eduardo Prado Coelho.

Secção George Orwell
Na crónica “Donas de casa e donos do mundo”, Inês Pedrosa protesta contra “a publicidade dos brinquedos (que) continua na Idade das Trevas do Sexismo Absoluto” impingindo action men aos meninos e barbies às meninas, cavando assim pela educação a maldita divisão de géneros, coisa que, como todos sabemos, só existe por via da mente depravada dos criativos e dos copywriters.
A nossa Inês descobre, mais adiante, a propósito da homossexualidade, que “a orientação sexual não se define através da educação”. Ficamos a saber que um rapaz homossexual, que talvez brinque com barbies até aos 12 anos, nasce homossexual, mas um rapaz heterossexual, talvez nasça heterossexual, mas só brinca com action men depois de sofrer a lavagem ao cérebro.
Poupo a prosa, remetendo para o post impertinente A diferença fundamental não é óbvia?
Dois chateaubriands para Inês Pedrosa, ficando três de reserva para o caso de manter o seu ponto de vista, depois de ter dois ou três filhos de cada género (talvez um bastasse, mas as probabilidades da genética pregam-nos partidas).

Secção Perguntas impertinentes
Em “O ser português” a Pluma Caprichosa expressa o seu desgosto, horror, desprezo por este país merdoso afundado em escândalos de pedofilia, onde a riqueza sem vergonha convive lado a lado com a medonha pobreza, os telejornais rascas são o reino da estupidez, a miséria espiritual do novo-rico enche as revistas cor de rosa.
Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta o que podes fazer pelo teu país, conclui a Pluma, revelando a sua costela kennedyana.
É caso para perguntar, porquê tanto as elites como a choldra só fazem a primeira pergunta?
Dois afonsos para a doutora Clara, que, apesar de não ter respondido a esta pergunta, ainda assim mostrou que está aonde não devia estar.

Post scriptum:
A propósito da Pluma Caprichosa, vou aviar O’Neill nos próximos 10 écrans:
Estou aonde não devia estar
Estou no grande medo instintivo de minha mãe

...

Nota do editor:
O Impertinente, que tem uma fixação no Abrupto, pediu para publicar na sua ausência este post. Cortei o resto do poema, porque era só para mostrar erudição e não adiantava nada.
Assinado
Gordon Shumway

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