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05/12/2003

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o fauno, as calças arreadas e os inimigos com aspas.

Secção Insultos à inteligência
Segundo o DN, o secretário regional das Finanças do Reino do doutor Alberto João, contornou o problema do endividamento zero da Madeira, a que tinha sido condenado pela doutora Manuela. Condenação que ela impôs por não conseguir arranjar dinheiro para tirar do prego as pratas de família que o engenheiro Guterres durante o seu consolado lá foi pendurando, com a ajuda preciosa de vários ministros das Finanças, incluindo um mestre escola chamado doutor Oliveira Martins.
Como é que o jovem e talentoso secretário regional contornou o incontornável? Ou dito por outras palavras, fintou a chefe doutora Manuela?
Segundo o DN, devido à semântica, porque só estavam proibidos novos empréstimos, não estavam proibidos reforços dos velhos.
Segundo o Impertinente, o jovem secretário contornou porque não há incontornáveis para o fauno do Atlântico, que manda mais no governo do que qualquer ministro, incluindo a patroa doutora Manuela.
Um dia o Impertinente ainda vai preparar um case study sobre o fauno, mas por agora dá-lhe um afonso pelo atrevimento e reserva 2 urracas para a doutora Manuela e 3 pilatos para o doutor Durão Cherne Barroso. Qualquer protesto do PS leva, por antecipação, 3 pilatos para premiar o arrear de calças com que sempre premiou o fauno, ou Bokassa, como lhe chamou um dia o peixe de águas profundas doutor Jaime Gama.

Secção Perguntas impertinentes
Segundo o Público, citando um comunicado do Exército em Bagdade, as forças norte-americanas mataram dois "inimigos" e capturaram mais de 60. Note-se a subtil distinção que o jornalista faz: ele não escreve inimigos, ele refere “inimigos”, isto é inimigos, mas com aspas.
Seria caso para perguntar qual é a diferença entre um “inimigo” e um inimigo. Ou entre um jornalista e um “jornalista”?
Sem ouvir a resposta, o Impertinente resolve atribuir, não ao jornalista do Público, mas ao “jornalista” do mesmo jornal, não um “chateaubriand”, mas 3 chateaubriands.

Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro
Na quarta-feira, o Conselho de Ministros concluiu que a anunciada introdução de portagens pagas é inviável nas Scut da Beira Interior e do Algarve. Dizem as más-línguas que o governo arreou as calças ao lóbi dos caciques locais.
É mais um exemplo do destino dos governantes portugueses desde o Marquês de Pombal. Não têm ombros para carregar as pesadas heranças que recebem dos seus antecessores: o doutor Salazar a pesada herança da rebaldaria jacobina da I República, o Conselho da Revolução a pesada herança do Botas, e assim por diante até aos nossos dias.
Três urracas para o Conselho de Ministros colocar em cima da pesada herança do consolado do doutor Guterres.

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