Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
25/11/2015
SERVIÇO PÚBLICO: A man's got to do what a man's got to do
«Cavaco nomeou Costa e isso foi uma vitória da esquerda. Porquê? Porque Cavaco tentou não nomear Costa. Porquê? Porque nomeou primeiro o vencedor das eleições! Porquê? Porque era o costume... Pois, a linha de argumentação não é grande coisa.
De qualquer modo, é uma vitória da esquerda. Porquê? Porque Cavaco demorou muito tempo a dar posse a Costa. 25 dias! Inacreditável. É certo que outros Presidentes, em situações menos complexas, demoraram mais. Mas Cavaco, caramba! é Cavaco. É um “gangster”, é “nojento” (ouvi há pouco um telespetador dizer), é uma “múmia”.
Seja como for é uma vitória da esquerda. Porquê? Porque Cavaco colocou dúvidas a Costa. É certo que Sampaio colocou condições muito mais duras a Santana e que os presidentes podem colocar dúvidas e condições aos primeiros-ministros. Mas colocá-las a Costa é uma afronta! Vejam como Jerónimo ameaçou logo com a rua, colocando condições a todos nós. E se há quem perceba de afrontas é o PCP.
Cavaco não aceita os resultados de 4 de outubro, eis o que dizem. Mas os resultados de 4 de outubro não deram a vitória a Costa, nem a ninguém. Em primeiro ficou Passos, sem maioria. Em segundo lugar ficou Costa, que arranjou acordos separados com partidos com que o PS jamais se havia coligado e que se manifestaram sempre contra a NATO, contra a integração europeia e com muitas dúvidas sobre o Euro, além de exigirem a reestruturação da dívida. Qual é o espanto? Na verdade isto não tem mal nenhum, afirmam, é da maior normalidade do mundo.
De qualquer modo, é uma vitória da esquerda. Porquê? Porque Cavaco demorou muito tempo a dar posse a Costa. 25 dias! Inacreditável. É certo que outros Presidentes, em situações menos complexas, demoraram mais. Mas Cavaco, caramba! é Cavaco. É um “gangster”, é “nojento” (ouvi há pouco um telespetador dizer), é uma “múmia”.
Seja como for é uma vitória da esquerda. Porquê? Porque Cavaco colocou dúvidas a Costa. É certo que Sampaio colocou condições muito mais duras a Santana e que os presidentes podem colocar dúvidas e condições aos primeiros-ministros. Mas colocá-las a Costa é uma afronta! Vejam como Jerónimo ameaçou logo com a rua, colocando condições a todos nós. E se há quem perceba de afrontas é o PCP.
Cavaco não aceita os resultados de 4 de outubro, eis o que dizem. Mas os resultados de 4 de outubro não deram a vitória a Costa, nem a ninguém. Em primeiro ficou Passos, sem maioria. Em segundo lugar ficou Costa, que arranjou acordos separados com partidos com que o PS jamais se havia coligado e que se manifestaram sempre contra a NATO, contra a integração europeia e com muitas dúvidas sobre o Euro, além de exigirem a reestruturação da dívida. Qual é o espanto? Na verdade isto não tem mal nenhum, afirmam, é da maior normalidade do mundo.
24/11/2015
Lost in translation (257) - Com a verdade se engana
Nunca pensei vir a estar quase de acordo a este respeito com uma frase completa escrita por Mariana Mortágua - a última da sua peça de agitprop «Cavacabou-se». Trata-se, possivelmente, de um equívoco, talvez devido às suas dificuldades de expressão. Não sei se terá sido o mais longo engano, mas indigitar António Costa é o maior engano da vida política portuguesa dos últimos anos.
Dir-se-à que Cavaco não tinha outra saída. Talvez tivesse, mas reconhecidamente estaria acima do que ele é capaz - a renúncia ao mandato prevista no artigo 131.º da Constituição.
SERVIÇO PÚBLICO: A Internacional da Indignação (4)
Talvez porque o marxismo puro e duro, e ainda menos o leninismo, tinham poucas hipóteses de aceitação na sociedade americana – o Partido Comunista americano nunca passou de um grupúsculo –, foi na variedade marxismo cultural, sob a forma do movimento politicamente correcto, que a propaganda comunista em ponto pequeno, como o caracterizou Theodore Dalrymple, se instalou nas universidade americanas e se propagou a partir daí um pouco por todo o mundo.
Frequentemente, o politicamente correcto assume formas tão definitivamente ridículas que se torna o veículo ideal para a imbecilização dos universitários, sobretudo na área das «ogias» (sociologia et aliae) onde as práticas «científicas» muitas vezes pouco se diferenciam da feitiçaria.
Exemplo de ridículo terminal foi o caso recente da universidade Yale, alma mater de milhares de luminárias em todo o mundo, que enviou por ocasião do Dia das Bruxas um e-mail aos estudantes pedindo-lhes para não se fantasiarem com vestuários que outros estudantes pudessem considerar ofensivos e, assim, tratando uns e outros como crianças ou retardados mentais.
Reagindo a esse infantilizante e-mail, uma professora respondeu com bons modos interrogando-se se faria sentido a universidade tentar controlar dessa maneira o comportamento dos seus estudantes. A resposta foi uma carta assinada por centenas de estudantes protestando e exigindo a demissão de dois professores que concordavam com esse controlo das mentes.
De onde se pode concluir que o politicamente correcto já alcançou um notável sucesso na imbecilização dos universitários americanos, até na Liga da Hera.
ACREDITE SE QUISER: A produção da música pop é como o fabrico de salsichas
These inventions shifted the balance of power from performers to production teams. Today, the process starts with producers laying out beats and chords. They then recruit “topliners”, who are often women, to try out melodies and vocal snippets and see what sticks. Lyrics are an afterthought. The finished product is shopped around to star singers, who do their best to “preserve the illusion” of authorship. “I get this feeling of a big painter’s studio in Italy back in the 1400s,” one Swedish artist says in the book. “One assistant does the hands, another does the feet...and then Michelangelo walks in and says, ‘That’s really great, just turn it slightly...Next!’” The book is full of cautionary tales of singers whose careers went off the rails when they rebelled against their labels and demanded creative control.
The second engine of change in “The Song Machine” is cultural globalisation. The Cole Porters of today hail primarily from Scandinavia: Max Martin, a Swedish über-producer, has written more chart-topping hits than the Beatles. Mr Seabrook thinks it is no accident that American listeners have become hooked on tunes from abroad. Although white artists borrowed from African-American blues in the early days of rock, by the 1990s black music had moved on to spoken, beat-focused hip-hop, while white bands like Nirvana screeched with dissonant grunge rock.
By contrast, Sweden, the country that produced ABBA, never lost its appetite for soaring melodies. Its government offered free music education. Moreover, its artists were not constrained by racial boundaries in American music, and could produce “a genre-bursting hybrid: pop [white] music with a rhythmic R&B [black] feel”. And because English was not their first language, they were free to “treat English very respectless”, as Ulf Ekberg of Ace of Base, a band, says, “and just look for the word that sounded good with the melody”.
«Bopping brilliant», sobre «The Song Machine» de John Seabrook
O processo descrito de produção da pop fez-me lembrar Bismarck de quem se diz (*) ter comparado a feitura das leis nos parlamentos ao fabrico de salsichas: quando menos se souber como são feitas, melhor, disse. Quantos fãs resistiriam e continuariam a consumir as suas salsichas pop se soubessem como são feitas?
(*) Neste comentário coloca-se em dúvida a autoria. Com toda a razão e, por ser duvidoso, escrevi «de quem se diz». Ainda assim, é coisa que o Otto bem poderia ter dito se se tivesse lembrado.
The second engine of change in “The Song Machine” is cultural globalisation. The Cole Porters of today hail primarily from Scandinavia: Max Martin, a Swedish über-producer, has written more chart-topping hits than the Beatles. Mr Seabrook thinks it is no accident that American listeners have become hooked on tunes from abroad. Although white artists borrowed from African-American blues in the early days of rock, by the 1990s black music had moved on to spoken, beat-focused hip-hop, while white bands like Nirvana screeched with dissonant grunge rock.
By contrast, Sweden, the country that produced ABBA, never lost its appetite for soaring melodies. Its government offered free music education. Moreover, its artists were not constrained by racial boundaries in American music, and could produce “a genre-bursting hybrid: pop [white] music with a rhythmic R&B [black] feel”. And because English was not their first language, they were free to “treat English very respectless”, as Ulf Ekberg of Ace of Base, a band, says, “and just look for the word that sounded good with the melody”.
«Bopping brilliant», sobre «The Song Machine» de John Seabrook
O processo descrito de produção da pop fez-me lembrar Bismarck de quem se diz (*) ter comparado a feitura das leis nos parlamentos ao fabrico de salsichas: quando menos se souber como são feitas, melhor, disse. Quantos fãs resistiriam e continuariam a consumir as suas salsichas pop se soubessem como são feitas?
(*) Neste comentário coloca-se em dúvida a autoria. Com toda a razão e, por ser duvidoso, escrevi «de quem se diz». Ainda assim, é coisa que o Otto bem poderia ter dito se se tivesse lembrado.
23/11/2015
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (52) – Os amanhãs que cantarão no Portugal Novo
Em entrevista ao Público, Marisa Matias, eurodeputada e candidata a PR pelo Bloco de Esquerda, assegura-nos que «há um Portugal novo que está a nascer, não sabemos qual vai ser».
Com 39 anos, Marisa Matias por alturas do PREC seria ainda um embrião. Fosse ela então uma adulta provida de maturidade e lucidez e teria mais obrigação de perceber que, na jangada de pedra com quase 9 séculos não há nenhum Portugal novo para nascer e faz pouca diferença que uns quantos lunáticos esquerdistas chantageiem um governo. No máximo poderão ajudar a mais uma bancarrota - seria a quarta desde que a menina Marisa nasceu - e esse resultado já sabemos qual vai ser.
Com 39 anos, Marisa Matias por alturas do PREC seria ainda um embrião. Fosse ela então uma adulta provida de maturidade e lucidez e teria mais obrigação de perceber que, na jangada de pedra com quase 9 séculos não há nenhum Portugal novo para nascer e faz pouca diferença que uns quantos lunáticos esquerdistas chantageiem um governo. No máximo poderão ajudar a mais uma bancarrota - seria a quarta desde que a menina Marisa nasceu - e esse resultado já sabemos qual vai ser.
BREIQUINGUE NIUZ: Se até um simples tabelião tem obrigação de verificar o conteúdo da escritura…
… o supremo tabelião do regime tem obrigação de se certificar de alguns pormenores. Por exemplo:
«a) aprovação de moções de confiança;
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016;
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária;
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva;
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País;
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa.»
No lugar dele, omitiria as alíneas a) (afinal os divórcios acontecem até - sobretudo - em grandes paixões), e) (afinal o recurso ao CPCC é ou não legalmente vinculativo?) e f) (o que é que ele quer dizer com isso?).
«a) aprovação de moções de confiança;
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016;
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária;
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva;
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País;
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa.»
No lugar dele, omitiria as alíneas a) (afinal os divórcios acontecem até - sobretudo - em grandes paixões), e) (afinal o recurso ao CPCC é ou não legalmente vinculativo?) e f) (o que é que ele quer dizer com isso?).
BREIQUINGUE NIUZ: Derrotado o social-corporativismo subtropical da família Kirchner
O conservador Mauricio Macri derrotou Daniel Scioli, o afilhado de Kirchner, e ganhou as eleições presidenciais argentinas, pondo fim ao social-corporativismo subtropical da família Kirchner.
É uma boa notícia, sob reserva de o social-corporativismo subtropical em si, na sua modalidade justicialista, continuar vivo e boa saúde na Argentina, hoje como nos últimos 70 anos.
É uma boa notícia, sob reserva de o social-corporativismo subtropical em si, na sua modalidade justicialista, continuar vivo e boa saúde na Argentina, hoje como nos últimos 70 anos.
Chávez & Chávez, Sucessores (36) – O herdeiro governará a «bem ou a mal»
Depois de anos a publicar estatísticas de causas, o governo de Maduro deixou há meses de as publicar de todo. Segundo o FMI, este ano a inflação atingirá quase 200% (Mario «what ever it takes» Dragui bem poderia enviar uma missão à Venezuela para aprender como acabar com a deflação) e o PIB cairá 10%.
As importações caíram mais de 40% em 3 anos. Não admira pois que popularidade de Maduro esteja tão em falta como o papel higiénico, o que de resto não desencoraja o sucessor do coronel de governar porque, segundo ele, a revolução triunfará «como sea». Para já o governo ajeitou as circunscrições eleitorais de modo a mais de metade do eleitorado em zonas urbanas maioritariamente desafecto do regime chávista eleger apenas 64 deputados, enquanto os restantes elegerão 100.
À cautela, para o caso do ajeitamento não ser suficiente, o governo impediu sete líderes da oposição de se candidatarem e os tribunais ao seu serviço condenaram o oposicionista mais popular a 14 anos de prisão com uma acusação forjada – confessada por um dos procuradores que entretanto fugiu do paraíso bolivariano.
Em desespero, se todos os expedientes não resultarem, Nicolás Maduro está disposto a «governar com o povo», isto é ignorar o parlamento e abdicar da camuflagem que esconde uma ditadura de facto.
(Fonte: «By hook or by crook»)
As importações caíram mais de 40% em 3 anos. Não admira pois que popularidade de Maduro esteja tão em falta como o papel higiénico, o que de resto não desencoraja o sucessor do coronel de governar porque, segundo ele, a revolução triunfará «como sea». Para já o governo ajeitou as circunscrições eleitorais de modo a mais de metade do eleitorado em zonas urbanas maioritariamente desafecto do regime chávista eleger apenas 64 deputados, enquanto os restantes elegerão 100.
À cautela, para o caso do ajeitamento não ser suficiente, o governo impediu sete líderes da oposição de se candidatarem e os tribunais ao seu serviço condenaram o oposicionista mais popular a 14 anos de prisão com uma acusação forjada – confessada por um dos procuradores que entretanto fugiu do paraíso bolivariano.
Em desespero, se todos os expedientes não resultarem, Nicolás Maduro está disposto a «governar com o povo», isto é ignorar o parlamento e abdicar da camuflagem que esconde uma ditadura de facto.
(Fonte: «By hook or by crook»)
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Allahu Akbar
«Podemos ver e ouvir online a vaia monumental quando os jogadores observaram um minuto de silêncio pelos mortos de Paris. O jogo era amigável e histórico, entre os velhos inimigos Turquia e Grécia. Na assistência, estavam o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, e o primeiro- ministro grego, Alexis Tsipras. O estádio era em Istambul, a cidade mais cosmopolita e europeia da Turquia, e estava cheio de fãs turcos. E de nacionalismo. Quando o minuto de silêncio começou, uma vaia brutal saiu das gargantas à mistura com gritos de Allahu Akbar. Convém ouvir esta vaia quando começarem a falar em invadir a Síria e o Iraque com tropas e proceder à remoção do Daesh e de Assad. Convém ouvir esta vaia quando repetirem pela milionésima vez que o terrorismo do século XXI nada tem a ver com o Islão. E que o Islão é uma religião de paz. A expansão do islamismo, a mais rápida da História, nunca teve nada a ver com a paz. Foi uma expansão militar. E não terminou com a morte do profeta. Ao contrário de outras religiões, que entraram na modernidade abandonando a catequização e conversão forçadas e o missionarismo militar (característico da expansão colonial portuguesa e espanhola), o islamismo retomou o Islão como bandeira política e processo identitário. Digo o islamismo, que tem várias seitas e fações e interpretações, e não apenas o islamismo radical. O islamismo está, para recuperar prestígio, numa fase de proselitismo que a guerra entre sunitas e xiitas acentua. É neste contexto que aquela vaia deve ser entendida. E antes de o Ocidente e as democracias liberais pensarem em sacrificar soldados nos campos explosivos do Médio Oriente devem planear e antecipar.»
Clara Ferreira Alves, a Pluma Caprichosa, a fazer esquecer a entrevista do «chefe democrático que a direita sempre quis ter» e outros delírios, na Revista do Expresso
22/11/2015
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (3)
Outras avarias da geringonça.
Prosseguindo o aprofundamento da unidade PS-BE-PCP, depois de apanhar o PS de calças na mão no caso da reposição dos feriados a pretexto de a preceder de um debate público, o PCP apresentou sem dar cavaco aos costistas duas iniciativas legislativas não previstas no «acordo» visando o sector empresarial público, mercado-alvo dos comunistas:
Prosseguindo o aprofundamento da unidade PS-BE-PCP, depois de apanhar o PS de calças na mão no caso da reposição dos feriados a pretexto de a preceder de um debate público, o PCP apresentou sem dar cavaco aos costistas duas iniciativas legislativas não previstas no «acordo» visando o sector empresarial público, mercado-alvo dos comunistas:
- Reposição dos complementos de pensão dos reformados das empresas públicas;
- Reversão da privatização da TAP.
ARTIGO DEFUNTO: A renacionalização da TAP vista por um «jornal de referência»
Título de chamada na 1.ª página do caderno principal do Expresso:
«EXCLUSIVO: DOCUMENTOS REVELAM
Interroguei-me: teríamos voltado ao PREC com os bancos a substituírem o MFA?
Título na 1.ª página do caderno Economia:
Título no artigo na página 8
Excerto do texto do artigo:
«EXCLUSIVO: DOCUMENTOS REVELAM
Bancos têm poder para mandar nacionalizar a TAP»
Interroguei-me: teríamos voltado ao PREC com os bancos a substituírem o MFA?
Título na 1.ª página do caderno Economia:
«Estado garante dívida e risco da TAP»
Título no artigo na página 8
«Risco da dívida da TAP fica no Estado»
Excerto do texto do artigo:
«As negociações de última hora deram aos bancos a segurança de que, se for necessário, o Estado repõe a garantia pública à dívida bancária. Em causa estão quase € 770 milhões, que incluem uma dívida bancária de € 646,7 milhões e € 120 milhões adicionais pedidos pelo consórcio comprador para financiamento corrente.»Repare-se como se começa na 1.ª página com os bancos a poderem mandar renacionalizar a TAP e se acaba por admitir se tratar de uma garantia vulgar de Lineu que quem vende uma empresa tecnicamente falida com capitais próprios negativos de mais de 500 milhões e passivos de mais de mil milhões dificilmente poderia deixar de prestar ao comprador a não ser que recapitalizasse previamente a empresa.
21/11/2015
Dúvidas (132) - «De que é que o PSD está à espera para apoiar Marcelo?»
Pergunta retoricamente Manuela Ferreira Leite, pressupondo que o seu compadre (figurativamente) Marcelo Rebelo de Sousa tem um lugar que lhe foi predestinado em Belém.MFL e MRS podem estar redondamente enganados porque, como escreveu Helena Matos no Observador, uma coisa é a audiência cativa de MRS, um milhão e picos, que inclui devotos mas também gente que apenas se diverte com as suas palhaçadas e o seu catavento, outra é o seu potencial eleitorado.
Pode ser que tenha uma grande surpresa. Para começar, segundo as sondagens da Eurosondagem (cuja fiabilidade costuma deixar muito a desejar) o que pareciam ser favas contadas deixaram de o ser e apenas 38,2% dos inquiridos se mostram dispostos a votar nele – cheira-me que a distribuição proporcional de indecisos pode não lhe ser favorável porque quem não vota por impulso num catavento, se pensar duas vezes não vota mesmo.
Ou estou completamente equivocado (o que acontece com alguma frequência) ou perante esta sondagem o catavento vai agitar-se ainda mais para capturar os ventos da esquerdalhada o que, suspeito, só irá piorar as coisas, porque não ganha os votos que são de Maria de Belém e de Nóvoa, já nem falo do ex-padre do PCP e da menina berloquista, e perde mais alguns do eleitorado da coligação sem pachorra para tanta manobra.
ESTADO DE SÍTIO: A diferença entre «social-democracia» e «neo-liberalismo» é a falta de dinheiro
«Em Portugal, como noutros países, o Estado social tem um ciclo composto de duas fases: uma de ascensão da despesa, e outra de desaceleração ou declínio. É este pára-arranca que cria a ilusão de variedade ideológica. O sistema nunca muda, mas os seus períodos de ascensão são considerados “sociais-democratas”, e os de declínio “neo-liberais”. Neste jogo, o PS conseguiu reservar-se o papel de acelerador e obrigar o PSD a desempenhar o papel de travão, isto é, de “neo-liberal”.
O PS não foi servido apenas pela sorte. Em 2004, logo que Santana Lopes declarou o fim da austeridade, o presidente Jorge Sampaio desmontou-o, reservando para os socialistas o direito de gozar no poder o crédito barato do euro. Este ano, quando o PSD e o CDS se preparavam para mostrar outra face, mais simpática, depois de quatro anos de ajustamento, foi uma manobra parlamentar que lhes demonstrou que o PS governa quando ganha, mas também quando perde eleições. Em suma, se Costa e os seus “acordos” negativos passarem os testes do presidente, lá vai o PSD ser impedido mais uma vez de fazer de social-democrata. E com esta certeza: quando voltar a sua vez, é porque não há dinheiro. Mísera sorte, estanha condição…»
Rui Ramos no Observador
O PS não foi servido apenas pela sorte. Em 2004, logo que Santana Lopes declarou o fim da austeridade, o presidente Jorge Sampaio desmontou-o, reservando para os socialistas o direito de gozar no poder o crédito barato do euro. Este ano, quando o PSD e o CDS se preparavam para mostrar outra face, mais simpática, depois de quatro anos de ajustamento, foi uma manobra parlamentar que lhes demonstrou que o PS governa quando ganha, mas também quando perde eleições. Em suma, se Costa e os seus “acordos” negativos passarem os testes do presidente, lá vai o PSD ser impedido mais uma vez de fazer de social-democrata. E com esta certeza: quando voltar a sua vez, é porque não há dinheiro. Mísera sorte, estanha condição…»
Rui Ramos no Observador
Etiquetas:
eu diria mesmo mais,
vida para além do orçamento
20/11/2015
De boas intenções está o inferno cheio (41) – A religião é a política por outros meios? (XIV)
Se não vê televisão há mais de 20 anos, não usa a internet e só lê um jornal tem de concluir-se que o papa Francisco «se está a tornar o novo prisioneiro do Vaticano numa prisão de maus conselhos e falta de informação». (Fonte: Catholic Herald, via Portugal Contemporâneo)
Se for assim, percebo melhor a pletora de tontices que lhe tenho apontado.
Se for assim, percebo melhor a pletora de tontices que lhe tenho apontado.
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (2)
Outras avarias da geringonça.
As peças da geringonça PS, PCP, BE e PEV faltaram ontem à reunião sobre o 25 de Novembro, convocada a pedido da coligação, para organizar uma sessão parlamentar comemorativa do 40.º aniversário do 25 de Novembro de 1975, dia em que foi contido o assalto de comunistas e esquerdistas ao aparelho de Estado e a democracia foi reposta. Pela mão de Costa e dos seus cúmplices o PS está a ser arrastado para o outro lado da barricada. Pode ser que isso não avarie directamente a geringonça, mas certamente avaria o PS e compromete a geringonça.
Segundo escreve Pedro Santos Guerreiro no Expresso, o «PS tem garantido em reuniões à porta fechada com agentes económicos que governará ao centro e sem radicalismos de esquerda. Acordos com PCP e BE servem para viabilizar o governo, mas não comprometem o PS para o futuro.»
Não sei o que admirar mais, se a suprema nonchalence e inigualável ingenuidade do jornalista, se a duplicidade do costismo, ou se, em alternativa, devo admirar a imbecilidade do costismo acreditar que os seus parceiros na geringonça são completamente imbecis ou admirar a imbecilidade dos parceiros do costismo se estes não perceberem a duplicidade do costismo.
Entretanto, mostrando que os parceiros do costismo não são completamente imbecis, o omnipresente professor doutor Louçã, numa das suas numerosas declarações, entrevistas, mesas redondas e quadradas, puxou as orelhas do putativo ministro das Finanças, que disse depender dos custos a reversão dos processos de privatização: «Mário Centeno não leu o acordo (...) porque o acordo garante que a reversão de concessão será feita. Não é uma hipótese, é uma certeza.
As peças da geringonça PS, PCP, BE e PEV faltaram ontem à reunião sobre o 25 de Novembro, convocada a pedido da coligação, para organizar uma sessão parlamentar comemorativa do 40.º aniversário do 25 de Novembro de 1975, dia em que foi contido o assalto de comunistas e esquerdistas ao aparelho de Estado e a democracia foi reposta. Pela mão de Costa e dos seus cúmplices o PS está a ser arrastado para o outro lado da barricada. Pode ser que isso não avarie directamente a geringonça, mas certamente avaria o PS e compromete a geringonça.
Segundo escreve Pedro Santos Guerreiro no Expresso, o «PS tem garantido em reuniões à porta fechada com agentes económicos que governará ao centro e sem radicalismos de esquerda. Acordos com PCP e BE servem para viabilizar o governo, mas não comprometem o PS para o futuro.»
Não sei o que admirar mais, se a suprema nonchalence e inigualável ingenuidade do jornalista, se a duplicidade do costismo, ou se, em alternativa, devo admirar a imbecilidade do costismo acreditar que os seus parceiros na geringonça são completamente imbecis ou admirar a imbecilidade dos parceiros do costismo se estes não perceberem a duplicidade do costismo.
Entretanto, mostrando que os parceiros do costismo não são completamente imbecis, o omnipresente professor doutor Louçã, numa das suas numerosas declarações, entrevistas, mesas redondas e quadradas, puxou as orelhas do putativo ministro das Finanças, que disse depender dos custos a reversão dos processos de privatização: «Mário Centeno não leu o acordo (...) porque o acordo garante que a reversão de concessão será feita. Não é uma hipótese, é uma certeza.
Dúvidas (131) - Costa com «obra feita» em Lisboa. Amanhã em Portugal? (11)
Outras obras feitas de Costa.
«Mais de 1500 pessoas deram o seu voto, em 2011, para que a câmara decidisse fazer, com o dinheiro do Orçamento Participativo, uma obra por ela avaliada em 800 mil euros. Afinal a obra custa 480 mil euros e é paga pela EDP. O dinheiro do OP foi para fazer outras coisas na mesma zona.»
Leia a descrição da trapalhada no artigo de António Cerejo no Público.
![]() |
| Cada tiro cada melro |
Leia a descrição da trapalhada no artigo de António Cerejo no Público.
19/11/2015
Mitos (214) – Take Another Plane ou Take Another Plan? (VI)
«Os trabalhadores da TAP reuniram-se hoje em plenário durante cerca de duas horas e meia tendo o encontro, segundo a Comissão de Trabalhadores, chegado a reunir 300 pessoas.
Este plenário contou com a presença de deputados do Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda e Verdes, que defendem a reversão da privatização da companhia, assim como da Associação Peço a Palavra e da central sindical CGTP.
Os trabalhadores da TAP reuniram-se hoje em plenário durante cerca de duas horas e meia tendo o encontro, segundo a Comissão de Trabalhadores, chegado a reunir 300 pessoas.
Este plenário contou com a presença de deputados do Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda e Verdes, que defendem a reversão da privatização da companhia, assim como da Associação Peço a Palavra e da central sindical CGTP.» (Observador)
Resumo para pessoas normais: uma parte «tendo chegado» a 3% dos cerca de 10 mil empregados da TAP aprovou uma proposta de renacionalização inspirada por um pelotão de apparatchiks do agitprop.
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (1)
Esta é uma nova série de posts dedicada à vida - que se espera breve, para bem de Portugal e dos portugueses, ao menos dos portugueses desafectos do Partido do Estado – da «geringonça» (*) constituída pelo PS, BE e PCP destinada a servir o prolongamento da carreira de António Costa, a dar alento às esperanças das meninas do BE e a adiar a agonia do PCP.
Para começar, considere-se o preço inicial da geringonça (estimativas do Expresso) que Costa facturará aos contribuintes:
Ontem, quarta-feira, o PCP apanhou o PS e o BE de calças na mão e anunciou que não quer aprovar já a medida patriótica de reposição dos feriados e prefere precedê-la de um debate público. São trocos, dirão. Pois são, e é por isso é que quando se falar de dinheiro a sério os gatos se engalfinharão dentro do saco.
(*) Apesar da minha comprovada falta de simpatia por Paulo Portas, reconhecendo o talento criativo do Salta-Pocinhas, adopto o termo «geringonça» por ele cunhado para designar o ser polimorfo resultante da união de facto espúria ou união espúria de facto, como preferirem, do PS com o BE e o PCP com aquela outra coisa pendurada que dá pelo nome de PEV.
Aditamento:
Ainda ontem, o tele-evangelista Louçã, o guru das meninas berloquistas, exaltou a harmonia que impregna a geringonça criticando o PCP por não ter ido ao mesmo notário do BE.
Para começar, considere-se o preço inicial da geringonça (estimativas do Expresso) que Costa facturará aos contribuintes:
- Eliminação dos cortes salariais a um ritmo de 25% ao trimestre durante 16 trimestres (€450 milhões, mais €250 milhões do que na versão original socialista)
- Redução da sobretaxa em dois anos (€400 milhões por ano)
- Reposição da regra de actualização de pensões que assegura aumento das reformas até €600 (€66 milhões em 2016)
- Descida gradual da TSU para salários até €600 (€109 no próximo ano, menos €524 do que na versão original de descida para empresas e trabalhadores)
- IVA na restauração a 13% (€350 milhões)
- Renovação das políticas de mínimos sociais (€108 milhões).
Ontem, quarta-feira, o PCP apanhou o PS e o BE de calças na mão e anunciou que não quer aprovar já a medida patriótica de reposição dos feriados e prefere precedê-la de um debate público. São trocos, dirão. Pois são, e é por isso é que quando se falar de dinheiro a sério os gatos se engalfinharão dentro do saco.
(*) Apesar da minha comprovada falta de simpatia por Paulo Portas, reconhecendo o talento criativo do Salta-Pocinhas, adopto o termo «geringonça» por ele cunhado para designar o ser polimorfo resultante da união de facto espúria ou união espúria de facto, como preferirem, do PS com o BE e o PCP com aquela outra coisa pendurada que dá pelo nome de PEV.
Aditamento:
Ainda ontem, o tele-evangelista Louçã, o guru das meninas berloquistas, exaltou a harmonia que impregna a geringonça criticando o PCP por não ter ido ao mesmo notário do BE.
ACREDITE SE QUISER: Mme Le Pen, presidente do Soviete Supremo
Se a ditadura do proletariado fosse instituída em França o partido do proletariado seria a Frente Nacional e Marine Le Pen presidente do Soviete Supremo.
No caso de dúvida, consultar «Les intentions de vote pour l’élection présidentielle de 2017» do IFOP, acabadinho de publicar, onde se pode verificar que Mme Le Pen tem 48% de intenções de voto nos ouvriers, seguida a longa distância por François Hollande (PS com 16%), Jean-Luc Mélenchon (Parti de gauche, dissidência do PS, com 13%), Nicolas Sarkozy (UMP com 12%) e François Bayrou, (MoDem, sucessor da UDF de Giscard d’Estaing, com 9%).
Os restantes quatro candidatos dividem entre si 2% das intenções de voto. Nicolas Dupont-Aignan (ex-UMP, Debout la France) com 2% leva tudo e os restantes três cujas intenções não têm significado estatístico incluem Cécile Duflot (Groupe écologiste), a Apolónia gaulesa sem o colo do PCP, e a versão berloquista representada por Nathalie Arthaud, (Lutte ouvrière, trotskista) e Philippe Poutou (Nouveau Parti Anticapitaliste, trotskista).
No caso de dúvida, consultar «Les intentions de vote pour l’élection présidentielle de 2017» do IFOP, acabadinho de publicar, onde se pode verificar que Mme Le Pen tem 48% de intenções de voto nos ouvriers, seguida a longa distância por François Hollande (PS com 16%), Jean-Luc Mélenchon (Parti de gauche, dissidência do PS, com 13%), Nicolas Sarkozy (UMP com 12%) e François Bayrou, (MoDem, sucessor da UDF de Giscard d’Estaing, com 9%).
Os restantes quatro candidatos dividem entre si 2% das intenções de voto. Nicolas Dupont-Aignan (ex-UMP, Debout la France) com 2% leva tudo e os restantes três cujas intenções não têm significado estatístico incluem Cécile Duflot (Groupe écologiste), a Apolónia gaulesa sem o colo do PCP, e a versão berloquista representada por Nathalie Arthaud, (Lutte ouvrière, trotskista) e Philippe Poutou (Nouveau Parti Anticapitaliste, trotskista).
18/11/2015
Curtas e grossas (30) - «É claro que há uma relação com o Islão»
«Uma coisa é dizer que todos os muçulmanos são potenciais terroristas, outra coisa é recusar ver ligações entre os grupos terroristas e o Islão. A primeira é um excesso de raiva, a segunda é um excesso de cobardia que dura há quinze anos. É claro que existe relação entre o terrorismo islamita e o Islão, até porque Maomé, ao invés de Jesus ou Buda, foi um líder militar que matou com as próprias mãos. Mas não é este islamismo wahhabita ou qutbista uma versão truncada do Islão? Vamos assumir que sim. Seja como for, é uma versão considerada legítima por uma parte considerável das populações muçulmanas. Não é por acaso que o mundo muçulmano está em guerra em todas as suas fronteiras, ataca Paris e Mumbai, mata crianças na Nigéria, mata universitários no Quénia, mata tudo no Paquistão. Se a memória não me falha, dos dez maiores grupos terroristas do mundo só dois não têm filiação islamita. É no Islão que encontramos o maior quinhão de impulsos antidemocráticos, anti-gays, anti-mulheres, anti-ciência e, acima de tudo, anti-liberdade religiosa de outras pessoas. Erigir uma igreja nas arábias é como desafiar a lei da gravidade.»
Henrique Raposo no Expresso
Henrique Raposo no Expresso
QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (35) – Aliviar, alivia, de momento alivia o crescimento no Japão (VI)
Outras marteladas. Continuação de (I), (II), (III), (IV) e (V)
Da adopção do quantitative easing pelo Japão, como parte da Abenomics de Shinzo Abe, que incluiu também (tímidas) reformas estruturais e (não tão tímidos) incentivos pela despesa pública, tem resultado até agora na melhor hipótese em quase deflação e quase estagnação e na pior em deflação e recessão, como no 3.º trimestre onde a economia contraiu -0,8% depois de ter contraído -0,7% no 2.º semestre (dados anualizados).
Não admira que com crescimento anémico e despesa pública pletórica a dívida pública já tenha ultrapassado dois PIB.
Provavelmente o estado da economia japonesa assim continuará enquanto o governo e o BoJ acreditarem que é preciso tomar mais da mesma medicina.
Da adopção do quantitative easing pelo Japão, como parte da Abenomics de Shinzo Abe, que incluiu também (tímidas) reformas estruturais e (não tão tímidos) incentivos pela despesa pública, tem resultado até agora na melhor hipótese em quase deflação e quase estagnação e na pior em deflação e recessão, como no 3.º trimestre onde a economia contraiu -0,8% depois de ter contraído -0,7% no 2.º semestre (dados anualizados).
Não admira que com crescimento anémico e despesa pública pletórica a dívida pública já tenha ultrapassado dois PIB.
![]() |
| Fonte: Economist |
Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (51) – He’s hopeless
![]() |
| Backward, comrades! |
Desta vez, porém, o James teve de enfrentar a reacção dos (muitos, apesar de tudo) deputados trabalhistas que não se alienaram ao relativismo de Corbyn. Por isso, como escreve a Economist, «the last few days matter for Labour because they have moved the party a little closer to the recognition that its leader is hopeless».
Etiquetas:
é muito para um homem só,
encalhados,
esquerdalhada
17/11/2015
SERVIÇO PÚBLICO: Mário Centeno e o aumento do salário mínimo
«O Governo proporá em sede de concertação social uma trajetória de aumento do salário mínimo que permita atingir os 600€ em 2019: €530 em 2016; €557 em 2017; €580 em 2018; e €600 em 2019. Esta evolução permitirá ganhos reais do salário mínimo em todos os anos da legislatura, e um aumento real acumulado superior a 10% (tendo em conta a inflação estimada para os próximos anos.)» (Lista de medidas acordadas entre PS, BE e PCP)
«Globalmente os resultados apontam para um efeito negativo de aumentos do salário mínimo do emprego de trabalhadores com baixos salários, que tem como contrapartida pequenos ganhos salariais.» Esta foi a conclusão de Mário Centeno no estudo publicado no Boletim Económico do Outono de 2011 do BdeP de que é co-autor «O IMPACTO DO SALÁRIO MÍNIMO SOBRE OS TRABALHADORES COM SALÁRIOS MAIS BAIXOS». (Via Insurgente)
«Globalmente os resultados apontam para um efeito negativo de aumentos do salário mínimo do emprego de trabalhadores com baixos salários, que tem como contrapartida pequenos ganhos salariais.» Esta foi a conclusão de Mário Centeno no estudo publicado no Boletim Económico do Outono de 2011 do BdeP de que é co-autor «O IMPACTO DO SALÁRIO MÍNIMO SOBRE OS TRABALHADORES COM SALÁRIOS MAIS BAIXOS». (Via Insurgente)
Dúvidas (130) - «Costa Rica não sabe o que fazer com migrantes cubanos»?
«Só na semana passada chegaram à Costa Rica 1700 cubanos que pretendiam atravessar o país na sua rota para os Estados Unidos. As autoridades não sabem o que fazer para deter o fluxo migratório». (Expresso)
Não sabe o que fazer? Perguntem ao PCP e ao BE, parceiros do PS no governo em formação, que eles saberão o que fazer com os traidores que fogem do paraíso comunista da família Castro.
Não sabe o que fazer? Perguntem ao PCP e ao BE, parceiros do PS no governo em formação, que eles saberão o que fazer com os traidores que fogem do paraíso comunista da família Castro.
Etiquetas:
comunismo,
verdade inconveniente
SERVIÇO PÚBLICO: A Internacional da Indignação (3)
Indignação a propósito da hipotética discriminação de sexo género em relação a militantes do partido Berloque de Esquerda «equivalent to Greece’s anti-austerity Syriza party», a pretexto das patetices de Pedro Arroja, vibrantemente assumida pelo Guardian, um bastião do pensamento britânico politicamente correcto:
Se não fosse pedir muito, seria possível a Dr.ª Mortágua tomar umas lições de inglês técnico para explicar ao jornalista do Guardian que a tradução de «esganiçada» não é «hysterical»? Sendo certo que as histéricas são geralmente esganiçadas, nem todas as esganiçadas são histéricas, pelo menos fora do Berloque de Esquerda.
«I didn’t feel a lot of sexism during the campaign, but now it’s worse. It’s much worse to hear someone calling us hysterical on TV,” says Mariana Mortágua. She cites one rant from a commentator on cable TV, who railed against “those four hysterical women. They’re always going against something or someone. I wouldn’t marry any of them, even if for free. I wouldn’t be able to stand such a woman.»Excerto de um artigo do Guardian com o título «Women who conquered macho world of Portuguese politics prepare for power»), ilustrado por um foto de uma das «Women who conquered macho world of Portugueses Politics» que o Guardian imagina estarem todas no BE porque nunca viu outras.
Se não fosse pedir muito, seria possível a Dr.ª Mortágua tomar umas lições de inglês técnico para explicar ao jornalista do Guardian que a tradução de «esganiçada» não é «hysterical»? Sendo certo que as histéricas são geralmente esganiçadas, nem todas as esganiçadas são histéricas, pelo menos fora do Berloque de Esquerda.
Etiquetas:
berloquismo,
esquerdalhada,
Internacional da Indignação,
jornalismo de causas,
newspeak,
Óropa
16/11/2015
A mentira como política oficial (11) - Costa por ele próprio
Uma sugestão do leitor Fernando Tavares
Manifestações de paranóia/esquizofrenia (12)
«Alguém confronta o PR com a necessidade urgente de termos governo que governe também por causa da ameaça terrorista?!» twitou a nossa indignada institucional Ana Gomes, pegando fogo à rede de imbecis que a seguem.
Pro memoria (276) – A memória selectiva
Citando Miguel Botelho Moniz de O Insurgente:
«Em debate na SIC Notícias, Helena Roseta acaba de dar o exemplo da votação da Constituição como exemplo de cooperação e harmonia da esquerda, para rebater o argumento de José Matos Correia de que o PCP foi o principal inimigo do PS durante décadas. Afirmou-o enquanto deputada à Constituinte (pelo PSD, então PPD), dizendo que tem memória. E fez isto, ironicamente, no dia em que fazem exactamente 40 anos em cima do cerco a São Bento, quando o PCP ensaiava os passos para impedir o estabelecimento de uma democracia em Portugal.»
Não foram precisos mais do que 15 anos para Helena Roseta se ter esquecido do «exemplo de cooperação e harmonia da esquerda» que referiu em 13-11-2000 ao Público que a cita sobre os acontecimentos de Novembro de 1975:
«Em debate na SIC Notícias, Helena Roseta acaba de dar o exemplo da votação da Constituição como exemplo de cooperação e harmonia da esquerda, para rebater o argumento de José Matos Correia de que o PCP foi o principal inimigo do PS durante décadas. Afirmou-o enquanto deputada à Constituinte (pelo PSD, então PPD), dizendo que tem memória. E fez isto, ironicamente, no dia em que fazem exactamente 40 anos em cima do cerco a São Bento, quando o PCP ensaiava os passos para impedir o estabelecimento de uma democracia em Portugal.»
Não foram precisos mais do que 15 anos para Helena Roseta se ter esquecido do «exemplo de cooperação e harmonia da esquerda» que referiu em 13-11-2000 ao Público que a cita sobre os acontecimentos de Novembro de 1975:
«O cerco da Constituinte (em 12 e 13) foi o ensaio civil, o 25 de Novembro foi o ensaio militar.»
«A Constituinte era um lugar onde se reflectia toda a situação política do país, era um reflexo verdadeiro do que se estava a passar no país. Toda a luta política passava por aqui. Havia uma grande ligação entre a Constituinte e a rua.»
DIÁRIO DE BORDO: Shunga é arte erótica sem ser chunga
Se quereis ver uma exposição de Shunga até 23 de Dezembro apressai-vos a dar um pulinho ao Museu Eisebunko a 15 minutos a pé da estação Edogawabashi da linha Yuraku-cho do metro de Tóquio. Em vez disso, podeis fazer como eu e ver a informação aqui). Aqui fica como appetizer um exemplo suave da arte Shunga.
15/11/2015
Pro memoria (275) – A fé inabalável do pastorinho da economia dos amanhãs que cantam, vista por um espírito inquieto
Num texto no caderno de Economia do Expresso com o título «Será que o Dr. Centeno é inepto e irresponsável?», Nicolau Santos propõe-se «contribuir para acalmar tantos espíritos inquietos colocando-lhes três questões». A primeira dessas questões é que está no título e que vou comentar. As outras duas questões referem-se ao Dr. Costa e ao seu presumível conhecimento das consequências do descontrolo das contas públicas e do grau de dependência de Bruxelas e são puramente retóricas, na precisa medida em que o Dr. Costa não foi movido pelo conhecimento ou desconhecimento dessas coisas. O Dr. Costa foi movido pelo conhecimento de que a sua carreira política estaria acabada se não fosse empossado como o Futuro Primeiro-Ministro de Portugal pelo que para a salvar se dispôs a alienar a carreira do PS e a do país.
Interroga-nos o Dr. Nicolau:
«Consideram V. Exas. que o dr. Mário Centeno, doutorado em Harvard, quadro do Banco de Portugal e putativo ministro das Finanças de um eventual e futuro governo do PS é completamente inepto e/ou irresponsável? Consideram V.Exas. que o dr. Centeno pactuará com disparates orçamentais que coloquem em causa o défice e as metas acordadas com Bruxelas, mas também a sua própria reputação?»Não vou elaborar sobre o grau de inépcia e/ou de irresponsabilidade do Dr. Centeno, vou apenas sugerir a V. Exas. que substituam no texto citado Centeno por Teixeira dos Santos e doutorado em Harvard por doutorado na Universidade da Carolina do Sul e recordem o que o Dr. Nicolau escreveu durante o consulado do Dr. Sócrates sobre a gestão orçamental do Dr. Teixeira dos Santos e o resultado final desse consolado.
DIÁRIO DE BORDO: O Céu visto da terra (8)
[Outros céus vistos de outras terras]
![]() |
| "Law of spectral radiation," 2011 SEB JANIAK Gallery Image (Wired) |
14/11/2015
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: MST está a ter surtos de lucidez
[Outros surtos: aqui e acoli]
«Lendo o acordo, compreende-se por que razão o PCP o assinou: para, através dele, garantir ou readquirir a manutenção da influência da CGTP no sector público empresarial e, em especial, no crucial sector dos transportes públicos - o exército privado da CGTP e do PCP. António Costa, certamente ciente do que fazia, deu-lhes de bandeja o recuo nas privatizações, a garantia do pagamento da continuada ruína dos transportes públicos e até o regresso de indecentes privilégios que mesmo o TC tinha deixado extinguir, como a "reposição integral" do complemento de reforma nas empresas estatais, que pode chegar a 70% da pensão normal. Assim se garante a disponibilidade de uma tropa capaz de paralisar o país quando quer e assim se garante a morte à nascença de qualquer tímida tentativa de reformar a administração pública. Coisa que, aliás, nunca esteve nos planos de Costa. O seu plano é outro: chegar ao poder a qualquer preço, e o país que aguente. Quanto ao histórico PS, terá, mais tarde ou mais cedo, o que mereceu.»
Miguel Sousa Tavares na sua crónica no Expresso
«Lendo o acordo, compreende-se por que razão o PCP o assinou: para, através dele, garantir ou readquirir a manutenção da influência da CGTP no sector público empresarial e, em especial, no crucial sector dos transportes públicos - o exército privado da CGTP e do PCP. António Costa, certamente ciente do que fazia, deu-lhes de bandeja o recuo nas privatizações, a garantia do pagamento da continuada ruína dos transportes públicos e até o regresso de indecentes privilégios que mesmo o TC tinha deixado extinguir, como a "reposição integral" do complemento de reforma nas empresas estatais, que pode chegar a 70% da pensão normal. Assim se garante a disponibilidade de uma tropa capaz de paralisar o país quando quer e assim se garante a morte à nascença de qualquer tímida tentativa de reformar a administração pública. Coisa que, aliás, nunca esteve nos planos de Costa. O seu plano é outro: chegar ao poder a qualquer preço, e o país que aguente. Quanto ao histórico PS, terá, mais tarde ou mais cedo, o que mereceu.»
Miguel Sousa Tavares na sua crónica no Expresso
Etiquetas:
bons exemplos,
eu diria mesmo mais,
momentos fugazes de lucidez
13/11/2015
SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (15)
(Uma espécie de continuação da saga de Teixeira dos Santos)
No princípio de Setembro, Mário Centeno, o Futuro Ministro das Finanças de Portugal, considerava que atingir a meta do défice deste ano «não é verosímil dado o que temos estado a observar na execução orçamental, nem em termos da despesa, nem em termos da receita» porque «impõem sobre défice do segundo semestre um esforço absolutamente titânico para se cumprir os 2,7%».
Dois meses e meio depois, já a caminho do Terreiro do Paço, em entrevista à Renascença, Centeno disse a Henrique Monteiro, que o revelou no Expresso da Manhã, esperar um défice de 3% este ano. É certo que 3% não é o mesmo de 2,7%, contudo, considerando que não estamos no domínio da física atómica e o seu antecessor e correligionário Teixeira dos Santos ter falhado estrondosamente todos os défices, nomeadamente o de 2009 que começou em 2,2% e acabou em 10,0%, não deveria Mário Centeno admitir que falhando até as suas previsões avant la lettre dos défices alheios seria melhor a nação preparar-se para a repetição da tradição socialista nos défices próprios?
Entretanto, tirando partido do Facebook tele-evangelista, recapitulemos o «momento Zen» de Centeno onde já são visíveis as suas dificuldades com os números.
No princípio de Setembro, Mário Centeno, o Futuro Ministro das Finanças de Portugal, considerava que atingir a meta do défice deste ano «não é verosímil dado o que temos estado a observar na execução orçamental, nem em termos da despesa, nem em termos da receita» porque «impõem sobre défice do segundo semestre um esforço absolutamente titânico para se cumprir os 2,7%».
Dois meses e meio depois, já a caminho do Terreiro do Paço, em entrevista à Renascença, Centeno disse a Henrique Monteiro, que o revelou no Expresso da Manhã, esperar um défice de 3% este ano. É certo que 3% não é o mesmo de 2,7%, contudo, considerando que não estamos no domínio da física atómica e o seu antecessor e correligionário Teixeira dos Santos ter falhado estrondosamente todos os défices, nomeadamente o de 2009 que começou em 2,2% e acabou em 10,0%, não deveria Mário Centeno admitir que falhando até as suas previsões avant la lettre dos défices alheios seria melhor a nação preparar-se para a repetição da tradição socialista nos défices próprios?
Entretanto, tirando partido do Facebook tele-evangelista, recapitulemos o «momento Zen» de Centeno onde já são visíveis as suas dificuldades com os números.
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (126) - Estamos a falar do mesmo partido?
«Entre 2011 e 2015, o governo da XII legislatura usou o programa de ajustamento negociado com a troika como pretexto para implementar uma agenda radical e experimentalista, que foi muito além do que o programa previa, não por necessidade, mas por uma consciente e deliberada opção ideológica.» (Moção de rejeição apresentada pelo PS)
Recorde-se que a moção foi escrita por gente de um partido que levou o país à bancarrota e assinou o Memorando de Entendimento. Reinvocar o mito do «para além da troika», só pode ser um insulto à inteligência feito por quem acusou, e bem, neste caso, o governo PSD-CDS de não ter alcançado as metas do Memorando.
Recorde-se que a moção foi escrita por gente de um partido que levou o país à bancarrota e assinou o Memorando de Entendimento. Reinvocar o mito do «para além da troika», só pode ser um insulto à inteligência feito por quem acusou, e bem, neste caso, o governo PSD-CDS de não ter alcançado as metas do Memorando.
12/11/2015
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XLII) – Bebendo a própria cicuta
Outros purgatórios a caminho dos infernos.
Lembram-se das greves e tumultos que incendiaram Atenas promovidos pelo Syriza antes de ser governo para combater a «austeridade de direita»? Não, a imagem acima não é desse tempo. É de hoje, dia em que as greves e tumultos visam a «austeridade de esquerda», que não por acaso é consideravelmente mais pesada do que a «austeridade de direita». Dia em que, segundo título feliz do Público, «Tsipras enfrenta primeira greve geral, que o próprio Syriza apoia».
Entretanto, depois do PIB ter crescido o ano passado e ainda no 1.º semestre deste ano, a CE estima que a recessão continuará este ano e no próximo a economia contrairá 1,3%. A dívida pública aumentou de 177.1% em 2014 para 195% este ano e chegará aos 200% no próximo. Continua pendente de acordo uma tranche de 2 mil milhões que só será libertada quando o governo Syriza adoptar as medidas que aceitou tomar.
Tendes aqui uma possível antevisão do que seria (será?) um governo socialista com políticas berloquistas.
| Fonte: ekathimerini |
Entretanto, depois do PIB ter crescido o ano passado e ainda no 1.º semestre deste ano, a CE estima que a recessão continuará este ano e no próximo a economia contrairá 1,3%. A dívida pública aumentou de 177.1% em 2014 para 195% este ano e chegará aos 200% no próximo. Continua pendente de acordo uma tranche de 2 mil milhões que só será libertada quando o governo Syriza adoptar as medidas que aceitou tomar.
Tendes aqui uma possível antevisão do que seria (será?) um governo socialista com políticas berloquistas.
Lost in translation (256) - «Eu não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada»
«Aqui entre nós que ninguém nos ouve, eu não queria nenhuma daquelas mulheres - já tenho pensado - eu não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada. Nem dada! Porquê? Porque eu não conseguiria com elas, com uma delas, com uma mulher assim, construir uma comunidade, uma família. Elas estão sempre contra alguém ou contra alguma coisa. E lá em casa só havia dois tipos de pessoas, ou os filhos, ou o marido. O mais provável é que elas se pusessem contra o marido. Todas as noites, todos os dias, durante o dia no Parlamento, à noite com o marido: 'Porque tu é que tens a culpa disto!'. Com o tempo ia-me pôr fora de casa... e eu saía! E eu saía! E estou a imaginar o sentimento de alívio que sentiria nesse dia. 'Estou livre! Estou livre dela!»
As dirigentes berloquistas descritas por Pedro Arroja no Porto Canal de forma não politicamente correcta
As dirigentes berloquistas descritas por Pedro Arroja no Porto Canal de forma não politicamente correcta
Etiquetas:
até vi estrelas,
Ridendo castigat mores,
verdade inconveniente
NÓS VISTOS POR ELES: Trindade profana
Unholy trinity: a power play in Portugal
«Another left turn in the south of the euro zone. But how sharp? António Costa, leader of Portugal’s Socialist Party (PS), is poised to become prime minister; an odd alliance of his own, moderate bunch, the Communist Party and the radical Left Bloc toppled the minority centre-right government on Tuesday, its 12th day in office. Bitter foes for years, the three parties have found common cause in opposing austerity and forcing out Pedro Passos Coelho, who saw Portugal through a tough international bail-out. Mr Costa’s critics accuse him of recklessness in allying with the far left to gain power, despite losing last month’s general election. (The centre-right won most votes, but lost its majority.) A PS government will depend on the votes of parties that would like to restructure debt and quit NATO. Mr Costa has sworn to keep to the narrow path of fiscal consolidation, but can expect serious elbowing from his left.»
The Economist Espresso
«Another left turn in the south of the euro zone. But how sharp? António Costa, leader of Portugal’s Socialist Party (PS), is poised to become prime minister; an odd alliance of his own, moderate bunch, the Communist Party and the radical Left Bloc toppled the minority centre-right government on Tuesday, its 12th day in office. Bitter foes for years, the three parties have found common cause in opposing austerity and forcing out Pedro Passos Coelho, who saw Portugal through a tough international bail-out. Mr Costa’s critics accuse him of recklessness in allying with the far left to gain power, despite losing last month’s general election. (The centre-right won most votes, but lost its majority.) A PS government will depend on the votes of parties that would like to restructure debt and quit NATO. Mr Costa has sworn to keep to the narrow path of fiscal consolidation, but can expect serious elbowing from his left.»
The Economist Espresso
Etiquetas:
esquerdalhada,
eu diria mesmo mais,
vida para além do orçamento
11/11/2015
Rússia, um Estado Pária
| O czar aplicando um Tomoe-Nage ao embaixador americano |
Para quem tivesse dúvidas o relatório da World Anti-Doping Agency descreve o doping dos atletas como um processo sistemático promovido pelo Estado russo e recomenda a suspensão da participação da Rússia das federações mundiais, a sua exclusão das provas dos próximos jogos olímpicos e o afastamento para sempre do desporto de cinco atletas, quatro treinadores e um dirigente.
Sem surpresa, os porta-vozes do camarada Putin alegam uma conspiração do ocidente.
Etiquetas:
apparatchik,
é muito para um homem só,
Ridendo castigat mores
DIÁRIO DE BORDO: O céu visto da terra (7)
Outros céus vistos de outras terras.
Agora que caminhamos para ser desgovernados pela troika da esquerdalhada, em vez de a terra vista do céu é melhor o céu visto da terra.
Agora que caminhamos para ser desgovernados pela troika da esquerdalhada, em vez de a terra vista do céu é melhor o céu visto da terra.
![]() |
| "Dyauh" 2009 SEB JANIAK Gallery Image (Wired) |
10/11/2015
ESTADO DE SÍTIO: O governo não caiu. Não chegou a estar de pé
![]() |
| A transmutação do voto |
![]() |
| Pronto, já está. Agora é só esperar. |
Sem esquecer a «Petição para que António Costa se mantenha líder do PS quando esta experiência chegar ao fim».
Etiquetas:
democracia asmática,
esquerdalhada,
unintended consequences
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Coisas que outros escreveram sobre Costa, as quais, por isso, já não precisam de ser escritas (27)
«Depois de António Costa ter enganado os eleitores (com uma coligação de que não se sabia), ter enganado o PSD e o CDS (com reuniões que não queria) e ter enganado o presidente da República (com um acordo que não havia), resta uma única esperança para Portugal: que António Costa prossiga a sua admirável senda de aldrabice política e consiga no futuro próximo enganar igualmente o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista. As intrujices de Costa nunca deveriam ter chegado tão longe, mas já que chegaram, é rezar para que continuem, na expectativa patriótica de que quem vira quatro vezes à esquerda acabe por regressar à direcção certa.»
«Um acordo reaccionário», João Miguel Tavares no Público
«Um acordo reaccionário», João Miguel Tavares no Público
BREIQUINGUE NIUZ: Valha-nos isso
Segundo um estudo da Vision Europe Summit, 46,8% dos portugueses preferem a redução dos benefícios para tornar sustentável o sistema de segurança social e apenas 29,5% preferem o aumento dos impostos ou das contribuições - a percentagem mais baixa dos 8 países onde o estudo foi realizado.
Lost in translation (255) - O PC ignorante pode ser do género Homo mas não da espécie H. Sapiens
A frase talvez mais frequentemente saída da boca ou do teclado de um activista/indignado politicamente correcto (PC) é «igualdade de género» (cerca de 160 mil resultados na pesquisa Google). Se o bando PC já é insuportável pelos equívocos do que defende, ainda mais insuportável se torna pelo ridículo e modo erróneo como descreve a sua doutrina e os seus objectivos.
Copiando mimeticamente o PC ianque, que usa a palavra inglesa «gender» em vez de «sex» quando se trata de promover a «igualdade», o PC luso-saloio usa a palavra «género» em vez de «sexo» para evitar usar a palavra proibida «sexo». Os saloios ignoram que «género» em português ou bem é a «propriedade que os substantivos têm de representar os sexos» ou bem é o termo de taxonomia usado na classificação de organismos para designar um conjunto de espécies.
Se a tropa do PC ianque quisesse usar o termo equivalente a «género» em português teria utilizado a palavra inglesa «genus» (do latim «genus», raça, família, origem, etc.) e não «gender». Ainda que a origem latina de «genus» e «gender» seja a mesma, o percurso foi diferente: genus (latim) -> gendre (francês antigo) -> gender (inglês).
Copiando mimeticamente o PC ianque, que usa a palavra inglesa «gender» em vez de «sex» quando se trata de promover a «igualdade», o PC luso-saloio usa a palavra «género» em vez de «sexo» para evitar usar a palavra proibida «sexo». Os saloios ignoram que «género» em português ou bem é a «propriedade que os substantivos têm de representar os sexos» ou bem é o termo de taxonomia usado na classificação de organismos para designar um conjunto de espécies.
Se a tropa do PC ianque quisesse usar o termo equivalente a «género» em português teria utilizado a palavra inglesa «genus» (do latim «genus», raça, família, origem, etc.) e não «gender». Ainda que a origem latina de «genus» e «gender» seja a mesma, o percurso foi diferente: genus (latim) -> gendre (francês antigo) -> gender (inglês).
09/11/2015
LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: O apoio do PCP explicado às criancinhas
«PS no Governo sempre fez uma política de direita» disse Jerónimo de Sousa há menos de 3 meses - parece uma eternidade.
«Objectivo do acordo de esquerda é afastar a direita mais trauliteira do poder», explicou hoje à TSF Carlos Carvalhas, ex-líder e actual membro do CC do PCP.
A direita menos trauliteira, terá pensado Carvalhas, será afastada a seu tempo.
«Objectivo do acordo de esquerda é afastar a direita mais trauliteira do poder», explicou hoje à TSF Carlos Carvalhas, ex-líder e actual membro do CC do PCP.
A direita menos trauliteira, terá pensado Carvalhas, será afastada a seu tempo.
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (125) – quando o mentiroso compulsivo fala a verdade é uma «confusão efectiva»
«Porque verdadeiramente o que parece é que já nem é preciso fazer uma acusação porque o mal está feito, o PS já perdeu as eleições» disse José Feroz Sócrates no sábado passado em Vila Real numa sessão de propaganda para justificar a teoria da conspiração que construiu para limpar a sua folha, confirmando assim o diagnóstico do Pai do PS quando disse «isto é uma confusão efectiva».
DIÁRIO DE BORDO: Disparates do mundo (7)
«A educação livre não existe; porque quem deixa as crianças em liberdade não está a educá-las. Quer então dizer que não há distinção nem diferença entre os mais preconceituosos defensores das convenções e os mais brilhantes e bizarros inovadores? Que não há diferença entre um pai peso-pesado e uma tia solteira imprudente e especulativa? Há sim. A diferença é que o pai peso-pesado é, apesar de tudo, um democrata. Não impõe uma coisa pelo simples facto de lhe passar pela cabeça que ela deve ser feita; impõe- na porque (usando uma admirável fórmula republicana) «toda a gente faz assim». Ao contrário da autoridade não convencional, a autoridade convencional reclama para si um mandato popular.»
G. K. Chesterton
G. K. Chesterton
Etiquetas:
delírios pontuais,
eu diria mesmo mais
08/11/2015
Curtas e grossas (28) – Querem chucha e biberão? Muitos. Nem todos
A semana passada citei João Vieira Pereira, a explicar no Expresso o silêncio dos empresários portugueses face à troika em construção PS-BE-PCP-BE pela adoração do sonho socialista e o gosto pelo colinho do Estado.
Como todas as generalizações, também esta se arriscava a ser injusta para com os empresários que têm pesadelos socialistas e e falta de gosto pelo colinho do Estado. Não serão muitos mas pelo menos são 115, tantos quantos os que assinaram o Manifesto das Empresas Familiares, cuja leitura se recomenda.
Num país em que a cobardia é endémica e a frontalidade é a mais rara das virtudes, devemos valorizar esta iniciativa de gente que já fez e faz mais pelo país do que jamais farão os exércitos de apparatchiks, de políticos de vão-de-escada, de funcionários de partidos, de profissionais do sindicalismo.
Como todas as generalizações, também esta se arriscava a ser injusta para com os empresários que têm pesadelos socialistas e e falta de gosto pelo colinho do Estado. Não serão muitos mas pelo menos são 115, tantos quantos os que assinaram o Manifesto das Empresas Familiares, cuja leitura se recomenda.
Num país em que a cobardia é endémica e a frontalidade é a mais rara das virtudes, devemos valorizar esta iniciativa de gente que já fez e faz mais pelo país do que jamais farão os exércitos de apparatchiks, de políticos de vão-de-escada, de funcionários de partidos, de profissionais do sindicalismo.
Curtas e grossas (27) - O governo unipessoal de Costa
«... podemos discutir os méritos e deméritos de um governo de esquerda mas, será que discutimos esse governo ou a hipótese de Costa ser PM? Porque são coisas diferentes. Digamos de outra forma: se, por um terrível infortúnio, um piano caísse sobre António Costa esta tarde, haveria ainda alguma discussão sobre o tal governo de esquerda? Ou é o tal governo o projecto unipessoal de saída de um indivíduo que não tem escapatória excepto disparar em frente contra tudo e contra todos?»
Vítor Cunha no Blasfémias
Vítor Cunha no Blasfémias
07/11/2015
ACREDITE SE QUISER: Colocando as coisas em perspectiva
Sem surpresa (já tinha verificado aqui que o meu VW estava endrominado) recebi esta madrugada um email do concessionário VW que rezava assim:
«Lamentamos profundamente que a sua confiança tenha sido quebrada.No meu lugar, possivelmente 9 em cada 10 portugueses ficariam indignados. Não fiquei por várias razões que passo a explicar a quem possa estar interessado:
De acordo com as informações fornecidas pela Volkswagen AG, o motor a gasóleo montado no seu veículo está afetado pelo software que otimiza as emissões de óxidos de nitrogénio durante os ensaios no dinamómetro.
Compreendemos que esta situação possa causar-lhe preocupação mas gostaríamos de lhe transmitir que a Volkswagen AG garante que o seu veículo é tecnicamente seguro e está em perfeitas condições de circular, tal como as autoridades alemãs certificaram no passado dia 15 de outubro.
A Volkswagen AG está a trabalhar, com a maior celeridade, nas medidas a aplicar aos veículos afetados, e submeteu um plano de ação às autoridades alemãs a 7 de outubro. Este plano prevê atualizações do software mas também soluções de hardware, quando necessárias.»
1.º Comprei o veículo livremente, sem qualquer compulsão da VW, por um preço que achei justo para as suas características e qualidade;
2.º Depois de 4 anos, o veículo funciona adequadamente, não me deu quaisquer preocupações, e deu-me poucas ocupações porque quase não precisa de manutenção;
3.º É certo que, pelos vistos emite muito mais óxido de azoto do que o falsamente anunciado pela VW o que, segundo o ambientalismo esdrúxulo, já terá contribuído para matar não sei quantas criaturas - certamente muito menos do que as que se suicidaram pela prática da sodomização;
4.º É igualmente certo que, nem por isso, as práticas fraudulentas da VW são menos condenáveis, até porque se trata de um grupo semipúblico controlado pelo governo do Bundesland da Baixa Saxónia que já foi presidido pelo líder do SPD (o partido socialista alemão) Gerhard Schröder, que nessa qualidade fez parte do conselho geral do Grupo VW.
Chegado a este ponto, e por falar em governos, devo ainda explicar porquê, em termos relativos, seria difícil uma vítima da extorsão pelo Estado português, como eu, indignar-se. Vejamos o meu caso:
a) Durante uma década e meia o Estado português na sua versão fascista extorquiu-me uma parte significativa do salário, alistou-me compulsivamente e obrigou-me a cumprir 39 longos meses de serviço militar, entre várias outras sevícias;
b) Durante as quatro décadas seguintes o Estado português na sua versão socialista extorquiu-me uma parte ainda mais significativa do salário que, considerados todos os impostos e contribuições para a SS, chegou em certos anos a atingir ¾ (três quartos) do salário, faz-me pagar por vários serviços que uso pouco ou nada, incluindo um serviço manhoso de saúde - mantenho um seguro de saúde -, violou todas as garantias sobre pensões de reforma, sujeitou-me à suprema humilhação de ser governado por gente de má qualidade – incluindo um suspeito de vários crimes –, gente que conduziu o Estado à bancarrota, se prepara para o conduzir novamente, e, a pretexto da bancarrota, fez-me extorsões extraordinárias que se prepara para repetir em breve;
c) Depois de tudo isto, o Estado português não me pediu desculpa, não lamentou nada, não me deu quaisquer garantias de que posso continuar a circular, não se comprometeu a substituir o hardware e prepara-se para substituir software por outro ainda com mais bugs.
Porque deveria indignar-me com a fraude da VW?
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: O marido da mulher do presidente dos EU
Hillary Clinton e o seu marido Bill almoçando num restaurante em New Haven onde Hillary se graduou na Yale Law School:
- Hillary: Imaginas Bill, que namorei com o dono deste restaurante quando estudava na YLS?
- Bill: Não sabia. Imagina o que teria sido a tua vida se tivesses casado com ele.
- Hillary: Já imaginei. Teria sido a mulher do presidente dos Estados Unidos.
[A partir de uma estória ouvida num episódio da 6.ª temporada da série Justified]
- Hillary: Imaginas Bill, que namorei com o dono deste restaurante quando estudava na YLS?
- Bill: Não sabia. Imagina o que teria sido a tua vida se tivesses casado com ele.
- Hillary: Já imaginei. Teria sido a mulher do presidente dos Estados Unidos.
[A partir de uma estória ouvida num episódio da 6.ª temporada da série Justified]
Etiquetas:
delírios pontuais,
Iguais mas diferentes
06/11/2015
DIÁRIO DE BORDO: Contra as inevitabilidades marchar, marchar (2)
[Inesperada continuação de (1)]
«O meu grande problema com a actual esquerda nasce do desespero perante a impossibilidade de estabelecer os factos que deveriam preceder qualquer discussão. Refiro-me a factos objectivos, relacionados com a nossa capacidade de produzir riqueza, de pagar a dívida, de influenciar o rumo político em Bruxelas, de enfrentar a crise demográfica ou a sustentabilidade da Segurança Social. Estes factos não deveriam ter cor política. Deveriam ser neutros, e a ideologia começaria a ser debatida a partir do seu assentamento: temos estes números e estes problemas, agora vamos definir as políticas – mais à esquerda ou mais à direita – para lhes dar resposta.»
O parágrafo anterior é um excerto de «O meu problema com a esquerda» de João Miguel Tavares no Público, um texto de uma rara combinação entre lucidez e humor que aponta a brincar a dificuldade de a esquerda (e de uma parte da direita, reconheça-se) lidar com a realidade e os factos. Devemos acrescentar que não é só a esquerda. É uma boa parte dos portugueses e é, também por isso, que as várias tendências da esquerda (com mais diferenças entre si do que as diferenças entre algumas tendências de esquerda e de direita) têm um acolhimento tendencialmente maioritário no eleitorado.
É também por isso, mas não só. Há uma outra razão: o pendor colectivista e corporativista da cultura portuguesa, a aceitação da asfixia da sociedade civil pelo estado, o ódio ao mercado e à concorrência, a preferência pelos direitos adquiridos em prejuízo das liberdades, pendor que é partilhado por quase toda a esquerda (e uma boa parte da direita).
Nessa dificuldade de lidar com a realidade e os factos se radica, possivelmente, a inclinação psicótica para uma indignação fundada na ignorância, no preconceito e na negação da realidade que percebi pela primeira vez há uns 40 anos – antes de ter nascido a maioria dos indignados, como aqui relatei.
«O meu grande problema com a actual esquerda nasce do desespero perante a impossibilidade de estabelecer os factos que deveriam preceder qualquer discussão. Refiro-me a factos objectivos, relacionados com a nossa capacidade de produzir riqueza, de pagar a dívida, de influenciar o rumo político em Bruxelas, de enfrentar a crise demográfica ou a sustentabilidade da Segurança Social. Estes factos não deveriam ter cor política. Deveriam ser neutros, e a ideologia começaria a ser debatida a partir do seu assentamento: temos estes números e estes problemas, agora vamos definir as políticas – mais à esquerda ou mais à direita – para lhes dar resposta.»
O parágrafo anterior é um excerto de «O meu problema com a esquerda» de João Miguel Tavares no Público, um texto de uma rara combinação entre lucidez e humor que aponta a brincar a dificuldade de a esquerda (e de uma parte da direita, reconheça-se) lidar com a realidade e os factos. Devemos acrescentar que não é só a esquerda. É uma boa parte dos portugueses e é, também por isso, que as várias tendências da esquerda (com mais diferenças entre si do que as diferenças entre algumas tendências de esquerda e de direita) têm um acolhimento tendencialmente maioritário no eleitorado.
É também por isso, mas não só. Há uma outra razão: o pendor colectivista e corporativista da cultura portuguesa, a aceitação da asfixia da sociedade civil pelo estado, o ódio ao mercado e à concorrência, a preferência pelos direitos adquiridos em prejuízo das liberdades, pendor que é partilhado por quase toda a esquerda (e uma boa parte da direita).
Nessa dificuldade de lidar com a realidade e os factos se radica, possivelmente, a inclinação psicótica para uma indignação fundada na ignorância, no preconceito e na negação da realidade que percebi pela primeira vez há uns 40 anos – antes de ter nascido a maioria dos indignados, como aqui relatei.
Dúvidas (128) – Quem manda na troika? Já acabou a austeridade?
Perante a torrente de comunicações da berloquista Catarina Martins, falando em nome da «troika em construção constituída por PS, BE e PCP», como a baptizou o Impertinente, ter-lhe-á Costa, o ainda líder formal do PS, passado o bastão de comando?
Face às medidas anunciadas pela líder de facto daquela troika, devemos acreditar nas conclusões de José Manuel Fernandes e declarar acabada a austeridade?
Face às medidas anunciadas pela líder de facto daquela troika, devemos acreditar nas conclusões de José Manuel Fernandes e declarar acabada a austeridade?
05/11/2015
Pro memoria (274) – A legitimidade democrática para governar depende de quem ganha as eleições
«O novo quadro parlamentar não confere a nenhum partido uma maioria absoluta. (...) Mas isso não significa que as eleições não tenham tido um partido vencedor (...). Este é, portanto, um Governo com inteira legitimidade democrática para governar.»José Sócrates, em 2009, na apresentação do Programa do XVIII Governo Constitucional, aqui recordado por Ricardo Ferraz que, como eu, parece ainda não ter percebido que a legitimidade democrática para governar depende de quem ganha as eleições
De boas intenções está o inferno cheio (40) – A religião é a política por outros meios? (XIII)
Vatican ragged: angels and demons
«Details of two forthcoming books on the Vatican’s ever-controversial finances are dribbling out, but already two of their alleged sources (both ex-members of a papal commission on reform) have been arrested. A PR executive, Francesca Chaouqui, was merely detained overnight in a nunnery; a senior Vatican official, Lucio Ángel Vallejo Balda, is still held at the papal Gendarmerie headquarters. He could face eight years in prison for breaching confidentiality. Like two earlier books based on leaked documents, the latest works portray a church leadership wholly at odds with its founder’s teachings—and with Pope Francis’s humble style. One book quotes the pope asking despairingly how the church can safeguard souls when it can’t safeguard its charitable funds. The other alleges (among other things) that the Vatican Bank is hiding cash from the taxman and that a fund for sick children paid for works on a senior prelate’s penthouse. Next up: the novel.»
The Economist Espresso
Se a igreja católica está a ficar parecida com um partido, o Vaticano está a ficar parecido com Palermo. Mais uma razão para o papa Francisco dar prioridade a uma operação Mani pulite antes de um aggiornamento de inspiração duvidosa e em vez de uma equívoca denúncia da «invisível tirania do mercado», como se preferisse a visível tirania do Estado na falta de mercado.
«Details of two forthcoming books on the Vatican’s ever-controversial finances are dribbling out, but already two of their alleged sources (both ex-members of a papal commission on reform) have been arrested. A PR executive, Francesca Chaouqui, was merely detained overnight in a nunnery; a senior Vatican official, Lucio Ángel Vallejo Balda, is still held at the papal Gendarmerie headquarters. He could face eight years in prison for breaching confidentiality. Like two earlier books based on leaked documents, the latest works portray a church leadership wholly at odds with its founder’s teachings—and with Pope Francis’s humble style. One book quotes the pope asking despairingly how the church can safeguard souls when it can’t safeguard its charitable funds. The other alleges (among other things) that the Vatican Bank is hiding cash from the taxman and that a fund for sick children paid for works on a senior prelate’s penthouse. Next up: the novel.»
The Economist Espresso
Se a igreja católica está a ficar parecida com um partido, o Vaticano está a ficar parecido com Palermo. Mais uma razão para o papa Francisco dar prioridade a uma operação Mani pulite antes de um aggiornamento de inspiração duvidosa e em vez de uma equívoca denúncia da «invisível tirania do mercado», como se preferisse a visível tirania do Estado na falta de mercado.
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (124) - Ainda antes da consumação com casamento com o PCP, Costa já apanhou o vírus leninista-golpista
«Francisco Assis desmarcou o encontro agendado para este sábado com os militantes socialistas descontentes com as opções políticas de António Costa. Isto acontece depois de o secretário-geral ter convocado todos os conselheiros nacionais para uma reunião no sábado, às 15h30, precisamente à hora em que estaria a decorrer o almoço na Mealhada.» (Observador)
Etiquetas:
ética republicana,
incorrigível,
trilema de Žižek,
verdade inconveniente
04/11/2015
Títulos inspirados (50) - São possíveis umas coisas, mas não outras
Dois títulos do DN, sob a batuta de Proença de Carvalho, o Mefistófeles do regime:
«Nobel, professor e ex-atriz porno apontam caminho para a felicidade»
Título anunciando o Fórum do Futuro no Porto em que participam John C. Mather, físico que defende que «o nosso destino é incrível, interessante e fascinante» e mostra que é possível ser um Nobel e ser um lírico, Aaron Ahuvia, especialista em marketing que defende que é possível ser feliz sem dinheiro, e Sasha Grey, actriz porno, que é um exemplo de ser possível ter sexo sem amor.
«Nino e Roland querem casar-se. Mas aos olhos da lei são pai e filho»
Título para um artigo sobre o drama de Nino Espositode 78 e Roland Bosee de 68 anos, dois gays que vivem juntos há 40 anos, que querem casar mas não podem porque o primeiro adoptou e é legalmente pai do segundo, o que mostra que por enquanto não é possível ser marido do filho.
«Nobel, professor e ex-atriz porno apontam caminho para a felicidade»
Título anunciando o Fórum do Futuro no Porto em que participam John C. Mather, físico que defende que «o nosso destino é incrível, interessante e fascinante» e mostra que é possível ser um Nobel e ser um lírico, Aaron Ahuvia, especialista em marketing que defende que é possível ser feliz sem dinheiro, e Sasha Grey, actriz porno, que é um exemplo de ser possível ter sexo sem amor.
«Nino e Roland querem casar-se. Mas aos olhos da lei são pai e filho»
Título para um artigo sobre o drama de Nino Espositode 78 e Roland Bosee de 68 anos, dois gays que vivem juntos há 40 anos, que querem casar mas não podem porque o primeiro adoptou e é legalmente pai do segundo, o que mostra que por enquanto não é possível ser marido do filho.
Pro memoria (273) – O acordo para a venda da Vivo e compra da Oi pela Telecom visto por José Sócrates in illo tempore
«Esse acordo que foi hoje anunciado é um excelente acordo… em primeiro lugar para a Portugal Telecom… para os accionistas, mas principalmente um excelente acordo porque permite defender aquilo que é o interesse estratégico de Portugal que o governo defendeu quando utilizou a golden share na assembleia geral…»
O vídeo com as declarações de José Sócrates no dia 29-07-2010 está disponível aqui (por enquanto, porque suspeito que irá ser suprimido um dia destes).
Para conferir a dimensão do desastre resultante do «excelente acordo» de que José Sócrates em parelha com Lula, sob a batuta de Ricardo Salgado, foi um dos principais protagonistas, revejam-se as dezenas de posts que o (Im)pertinências publicou a esse respeito. O primeiro desses posts foi publicado no mesmo dia em que o então primeiro-ministro vendia ao país a excelência do acordo e numa altura em que a imbecilidade e parcialidade dos opinion dealers lambiam as botas do animal feroz.
O vídeo com as declarações de José Sócrates no dia 29-07-2010 está disponível aqui (por enquanto, porque suspeito que irá ser suprimido um dia destes).
Para conferir a dimensão do desastre resultante do «excelente acordo» de que José Sócrates em parelha com Lula, sob a batuta de Ricardo Salgado, foi um dos principais protagonistas, revejam-se as dezenas de posts que o (Im)pertinências publicou a esse respeito. O primeiro desses posts foi publicado no mesmo dia em que o então primeiro-ministro vendia ao país a excelência do acordo e numa altura em que a imbecilidade e parcialidade dos opinion dealers lambiam as botas do animal feroz.
ACREDITE SE QUISER: Coisas que fazem mal à saúde
A acreditar nos mídia, só nas últimas semanas concluiu-se que são nocivas à saúde as carnes vermelhas, as carnes processadas, os enchidos, o cozido à portuguesa, o óxido de azoto emitido pelos motores diesel da VW, entre outras coisas que já esqueci, e tudo isso já matou não sei quantos milhares. Escreveu-se igualmente que «o elevado consumo de peixe em Portugal também pode ser um problema ambiental».
Curiosamente, segundo a agenda do politicamente correcto não é permitido falar de uma das práticas insalubres mais mortais no planeta: a sodomização. De facto, no caso dos EUA, os homens gays e bissexuais são aproximadamente 2% da população mas representam 57% das pessoas com HIV diagnosticado, ou seja a probabilidade a priori de um gay estar infectado é 65 vezes maior do que um não gay. Práticas de muito maior risco e com terapêuticas muito mais caras: o custo total do tratamento da AIDS durante a vida está estimado nos EUA em quase 400 mil dólares.
Assim, para tratar uma doença auto-infligida gasta-se milhares de vezes mais do que para tratar uma doença como a malária: o tratamento de um episódio grave de malária custa entre 16 e 138 dólares. É claro que o lóbi gay tem acesso e está infiltrado em todas as instâncias do poder e o lóbi das vítimas de malária nem sequer existe.
Curiosamente, segundo a agenda do politicamente correcto não é permitido falar de uma das práticas insalubres mais mortais no planeta: a sodomização. De facto, no caso dos EUA, os homens gays e bissexuais são aproximadamente 2% da população mas representam 57% das pessoas com HIV diagnosticado, ou seja a probabilidade a priori de um gay estar infectado é 65 vezes maior do que um não gay. Práticas de muito maior risco e com terapêuticas muito mais caras: o custo total do tratamento da AIDS durante a vida está estimado nos EUA em quase 400 mil dólares.
Assim, para tratar uma doença auto-infligida gasta-se milhares de vezes mais do que para tratar uma doença como a malária: o tratamento de um episódio grave de malária custa entre 16 e 138 dólares. É claro que o lóbi gay tem acesso e está infiltrado em todas as instâncias do poder e o lóbi das vítimas de malária nem sequer existe.
03/11/2015
DIÁRIO DE BORDO: «Komentariado»
Estive tentado a incluir no Glossário das Impertinências o termo «Komentariado» cunhado por Vasco Pulido Valente no seu artigo do Público onde escreveu: «a televisão, o Komentariado, a internet e os jornais não fazem outra coisa senão discutir o sentido do voto de 4 de Outubro».
Porém, se o Komentariado de VPV for como que um Komintern (a III Internacional Comunista que preconizava a ditadura do proletariado e os sovietes) dos comentadores, o termo não me parece muito apropriado porque deixaria de fora socialistas de várias extracções, trotskistas da IV Internacional e todo o resto da tralha de comentadores, sem esquecer ressabiados de várias famílias, que defendem a tomada do palácio de S. Bento pela troika em construção constituída por PS, BE e PCP.
Foi por isso que não inclui o termo no Glossário e também porque, afinal de contas, já lá estava um que me parece mais apropriado para cobrir a gama de comentadores no mercado doméstico da opinião, a saber:
Opinion dealers
Opinion makers cujo modo de vida consiste em vender opiniões por conta de outrem. Friedrich Hayek no seu artigo «The Intellectuals and Socialism», adoptou a seguinte definição para designar intelectuais: «professional secondhand dealers in ideas». Estamos a falar de coisas parecidas.
CASE STUDY: Os caminhos-de-ferro britânicos
Mais de metade dos britânicos mostram-se insatisfeitos com os preços (aumentaram 24% em termos reais desde 1995) e a qualidade (22% e 16% dos passageiros nas zonas de Londres e Manchester, respectivamente, ficam em terra por falta de lugar) dos caminhos-de-ferro privados desde 1994 e querem a sua nacionalização. Não admira que o Old Labour de Corbyn já tenha adoptado a palavra de ordem «People’s Railway»,
Têm os britânicos razão quanto ao problema. Terão razão quanto à solução? Possivelmente não - depois da nacionalização a seguir à guerra e até à sua reprivatização em 1994 a ineficiência dos caminhos-de-ferro públicos foi proverbial. De resto, vejam-se no diagrama os volumes de passageiros transportados durante esse período.
Talvez se possa concluir é quando se trata de serviços públicos que partilham uma infra-estrutura comum, como os caminhos-de-ferro ou as comunicações, não há soluções milagrosas e pouco se resolve só com a mudança do proprietário.
![]() |
| Fonte: Economist |
Talvez se possa concluir é quando se trata de serviços públicos que partilham uma infra-estrutura comum, como os caminhos-de-ferro ou as comunicações, não há soluções milagrosas e pouco se resolve só com a mudança do proprietário.
DIÁRIO DE BORDO: Disparates do mundo (6)
«Pode-se dizer que esta instituição - a casa de família - é a única instituição verdadeiramente anárquica; que o mesmo é dizer que é mais antiga que a lei e que está fora do alcance do Estado. É uma instituição que, pela sua natureza, é revigorada ou corrompida pelas indefiníveis forças do costume e da parentela. Não significa isto que o Estado não tenha autoridade sobre as famílias; a autoridade do Estado é e deve ser invocada em muitos casos anómalos. Mas o Estado não tem nada que ver com a maioria dos casos normais de alegrias e tristezas familiares; nem é tanto que a lei não deva intervir- é que não pode intervir.»
G. K. Chesterton
G. K. Chesterton
Etiquetas:
delírios pontuais,
eu diria mesmo mais
02/11/2015
ARTIGO DEFUNTO: O descongelamento
![]() |
| Títulos do Diário de Notícias e Observador, respectivamente |
Etiquetas:
artigo defunto,
berloquismo,
central de manipulação,
jornalismo de causas
Chávez & Chávez, Sucessores (35) – O socialismo bolivariano vs o socialismo socrático
«O procurador federal venezuelano Franklin Nieves - que fugiu da Venezuela no dia 19 de outubro depois de, segundo ele, viver uma crise de consciência - revela os detalhes da perseguição política que levou o opositor Leopoldo López para cadeia em fevereiro de 2014. Nievez revela como o governo da Venezuela atuou para forjar provas que levaram López a ser condenado a mais de treze anos de prisão. Por telefone, ele concedeu a VEJA.com a entrevista a seguir…»
A diferença entre a justiça do socialismo bolivariano e a justiça do socialismo socrático é que a primeira forja provas para acusar a oposição e a segunda destrói provas para não acusar o governo.
![]() |
| Recordando os queridos líderes, o investigado e o falecido, respectivamente (Outra concessão pontual à demagogia) |
A maldição da tabuada (27) – A multiplicação dos emigrantes (II)
Um dos mitos mais propagados pela esquerdalhada e pelos jornalistas de causas e opinion dealers seus porta-vozes é a dos exércitos de emigrantes que o governo neoliberal maldosamente expulsou do país. Os delírios variam, consoante o grau de paranóia/esquizofrenia. Por exemplo, a deputada do PS Ana Catarina Mendes e a líder berloquista Catarina Martins referiram recentemente estimativas de 500 mil «pessoas expulsas» nos últimos quatro anos.
Desconheço de onde extraem estas almas as suas estatísticas de causas, mas o certo é que a estimativa que no (Im)pertinências se referiu em Agosto (199 mil em quatro anos) foi confirmada pelos números publicados na 6.ª feira pelo INE: 199.314.
Já que falo em paranóia/esquizofrenia, pergunto-me: será boa ideia confiar o governo do país a gente tão atreita a delírios?
Desconheço de onde extraem estas almas as suas estatísticas de causas, mas o certo é que a estimativa que no (Im)pertinências se referiu em Agosto (199 mil em quatro anos) foi confirmada pelos números publicados na 6.ª feira pelo INE: 199.314.
Já que falo em paranóia/esquizofrenia, pergunto-me: será boa ideia confiar o governo do país a gente tão atreita a delírios?
01/11/2015
SERVIÇO PÚBLICO: A tradução de «Ease of Doing Business» não é facilidade de fazer «negócios»
Se a tradução fosse essa, depois do colapso do GES, estaríamos a descer no ranking do World Bank.
![]() |
| DOING BUSINESS Measuring Business Regulations 2016, World Bank Group |
![]() |
| Fonte: DOING BUSINESS, 2008-2016, World Bank Group |
Curtas e grossas (26) – Querem chucha e biberão
«Só que os empresários portugueses não são liberais. Pelo contrário. Adoraram o sonho socialista que os levou ao colinho durante tanto tempo. Gostam de ter a figura materna que alguns políticos assumem e para onde correm a refugiar-se quando levam porrada no recreio que é a economia.
Nada como ter um governo que os apaparica, protege e dá muito a ganhar (atenção, não estou a falar daqueles que se viraram para o mercado externo). Em quatro anos descobriram que essa coisa do mercado dá muito trabalho. E que há muitos empresários que são melhores e têm mais dinheiro. A concorrência é tramada. Aqueles que dependem do mercado interno enquanto defendem o mercado sonham secretamente com a capacidade socialista de os proteger. Os empresários não querem apenas a chucha de volta. Querem um biberão cheio de leitinho momo. Com um pouco de açúcar, se for possível.»
João Vieira Pereira, a explicar no Expresso o silêncio dos empresários portugueses (que não se viraram para o mercado externo) perante a ameaça de um «governo refém da extrema-esquerda» destruir em pouco tempo os modestos progressos dos últimos 4 anos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)























