Num texto no caderno de Economia do Expresso com o título «Será que o Dr. Centeno é inepto e irresponsável?», Nicolau Santos propõe-se «contribuir para acalmar tantos espíritos inquietos colocando-lhes três questões». A primeira dessas questões é que está no título e que vou comentar. As outras duas questões referem-se ao Dr. Costa e ao seu presumível conhecimento das consequências do descontrolo das contas públicas e do grau de dependência de Bruxelas e são puramente retóricas, na precisa medida em que o Dr. Costa não foi movido pelo conhecimento ou desconhecimento dessas coisas. O Dr. Costa foi movido pelo conhecimento de que a sua carreira política estaria acabada se não fosse empossado como o Futuro Primeiro-Ministro de Portugal pelo que para a salvar se dispôs a alienar a carreira do PS e a do país.
Interroga-nos o Dr. Nicolau:
«Consideram V. Exas. que o dr. Mário Centeno, doutorado em Harvard, quadro do Banco de Portugal e putativo ministro das Finanças de um eventual e futuro governo do PS é completamente inepto e/ou irresponsável? Consideram V.Exas. que o dr. Centeno pactuará com disparates orçamentais que coloquem em causa o défice e as metas acordadas com Bruxelas, mas também a sua própria reputação?»Não vou elaborar sobre o grau de inépcia e/ou de irresponsabilidade do Dr. Centeno, vou apenas sugerir a V. Exas. que substituam no texto citado Centeno por Teixeira dos Santos e doutorado em Harvard por doutorado na Universidade da Carolina do Sul e recordem o que o Dr. Nicolau escreveu durante o consulado do Dr. Sócrates sobre a gestão orçamental do Dr. Teixeira dos Santos e o resultado final desse consolado.
