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28/11/2015

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (36) Unintended consequences (X)

Outras marteladas.

Há 25 anos as emissões de obrigações privadas com notação «investimento especulativo» («junk» na gíria) representavam menos de um quarto do total. Actualmente, segundo a S&P, representam metade. Para a Economist esse aumento deve-se a três factores: (1) maior apetência dos investidores por aplicações de maior yield e necessariamente maior risco, devido às baixas taxas de juro; (2) retracção dos bancos em relação aos empréstimos a empresas – particularmente na Europa onde, ao contrário dos Estados Unidos, o financiamento das empresas recorria pouco às emissões; (3) vantagens fiscais do financiamento pelo crédito face ao financiamento pelo aumento de capital – no 1.º caso os juros são custos fiscais, no 2.º o lucro é tributado e os dividendos são-no de novo.

Economist
Os três referidos factores têm sem dúvida influência. Porém, o (3) não é novo, o (2) também não, salvo na Europa onde tem a preferência pelas obrigações tem sido incentivada pelas baixas taxas e o (1), como a Economist reconhece, também resulta das baixas taxas de juro. É claro que o ingrediente indispensável para satisfazer a procura de crédito incentivada pelas taxas baixas é o quantitative easing.

Como repetidamente temos escrito nesta série, estas são algumas das «unintended consequences» do intervencionismo dos bancos centrais combinando alívio quantitativo com baixas taxas de juro.

Quando a bolha de crédito rebentar – e é só uma questão de tempo – desta vez não vai ser outra vez diferente, para citar Rogoff, vai ser igual às outras vezes.

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