Agora é definitivo. O assassinato é mesmo um galicismo. Vou ter que expurgar do Impertinências esse substantivo amaricado, distraidamente semeado pelos posts .
A alternativa também não é boa. Assassínio, ensina-nos a doutora Charlotte, parece ser o assassinato cometido pelos bebedores de hasis, ou seja, explica-nos ainda, com infinita paciência, os bebedores de haxixe, que hoje chamaríamos os consumidores de erva, ou de merda, no linguajar do segmento médio-baixo da tribo.
Entre o assassinato, inspirado pelo colaboracionismo francês, e o assassínio, inspirado pelo Bloco de Esquerda do século XI, venha o diabo e escolha.
Eu por mim fico-me por assassinamento, uma palavra sólida que soa bem e que, segundo o meu dicionário de plástico, é uma palavra tão boa como qualquer outra.
Amanhã, com mais tempo, vou acrescentá-la ao Glossário das Impertinências.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
23/04/2004
22/04/2004
BLOGARIDADES: Iletrismo ainda vai. Galicismos é que não. (ACTUALIZADO)
Li com preocupação o que a doutora Charlotte do bomba inteligente nos ensina sobre o substantivo assassinato , que vamos buscar ao inglês em vez de usarmos o nosso assassínio.
Reconheço que tenho maltratado a língua usando amiúde o assassinato. Mas buscar ao inglês? Hum. Como é que o assassination inglês dá o assassinato em português? Na na. Cheirava-me mais ao assassinat indecisivo e capitulacionista desses maricas franceses. O dicionário de plástico que tenho sempre aqui à mão na unidade E: confirma os meus piores receios - a coisa é um «galicismo a evitar».
Com o não saber escrever ainda me conformo. Galicismos é que são imperdoáveis. Prefiro adoptar a tese da doutora Charlotte.
ACTUALIZAÇÃO
Fica prometido. A partir de agora só assassínios. Nada de assassinatos.
Reconheço que tenho maltratado a língua usando amiúde o assassinato. Mas buscar ao inglês? Hum. Como é que o assassination inglês dá o assassinato em português? Na na. Cheirava-me mais ao assassinat indecisivo e capitulacionista desses maricas franceses. O dicionário de plástico que tenho sempre aqui à mão na unidade E: confirma os meus piores receios - a coisa é um «galicismo a evitar».
Com o não saber escrever ainda me conformo. Galicismos é que são imperdoáveis. Prefiro adoptar a tese da doutora Charlotte.
ACTUALIZAÇÃO
Fica prometido. A partir de agora só assassínios. Nada de assassinatos.
ESTÓRIA E MORAL / SHORT STORY AND BIG MORAL: Óleo para untar a burocracia. / Oil-for-Bribe program.
Story
Allegations of Widespread Corruption Involve Saddam Hussein, U.N. Senior Officials told Abc News (via NO PASARAN!).
«Saddam diverted to his personal bank accounts approximately $5 billion from the United Nations Oil-for-Food program»
Saddam? No surprise. Who else could be involved besides the usual suspects? Well, guess who? White Snow and the seven Dwarfs?
How could uncle Saddam divert the money without a little help from his friends? Hard to believe. Who can be such helpful friends of him? Want a cue? Bet on «Benon Sevan, the Cyprus-born U.N. undersecretary general who ran the program for six years» and other U.N. Senior Officials.
Who talked about involving deeply UN staff in transition period? It wasn’t me.
Moral
Birds of a feather flock together.
(O Passarão Chefe, ainda pela hora de Paris / Big Bird in Chief, at Paris time)
Estória
Monumental gamanço escreveu a ABC News (via NO PASARAN!), a propósito das investigações que levam a concluir que o tio Saddam se abotoou com 5 mil milhões de dólares do programa das NU Petróleo por Comida, com a ajuda adivinhem de quem?
Ao que parece de quem tinha a faca na mão e só lhe faltava o queijo - Benon Sevan, subsecretário geral das NU responsável durante 6 anos por esse programa e outros altos funcionários das NU.
Quem anda a pedir um maior envolvimento das NU no Iraque no período de transição? Eu não.
Moral
Aves da mesma pena andam juntas.
Allegations of Widespread Corruption Involve Saddam Hussein, U.N. Senior Officials told Abc News (via NO PASARAN!).
«Saddam diverted to his personal bank accounts approximately $5 billion from the United Nations Oil-for-Food program»
Saddam? No surprise. Who else could be involved besides the usual suspects? Well, guess who? White Snow and the seven Dwarfs?
How could uncle Saddam divert the money without a little help from his friends? Hard to believe. Who can be such helpful friends of him? Want a cue? Bet on «Benon Sevan, the Cyprus-born U.N. undersecretary general who ran the program for six years» and other U.N. Senior Officials.
Who talked about involving deeply UN staff in transition period? It wasn’t me.
Moral
Birds of a feather flock together.
(O Passarão Chefe, ainda pela hora de Paris / Big Bird in Chief, at Paris time)
Estória
Monumental gamanço escreveu a ABC News (via NO PASARAN!), a propósito das investigações que levam a concluir que o tio Saddam se abotoou com 5 mil milhões de dólares do programa das NU Petróleo por Comida, com a ajuda adivinhem de quem?
Ao que parece de quem tinha a faca na mão e só lhe faltava o queijo - Benon Sevan, subsecretário geral das NU responsável durante 6 anos por esse programa e outros altos funcionários das NU.
Quem anda a pedir um maior envolvimento das NU no Iraque no período de transição? Eu não.
Moral
Aves da mesma pena andam juntas.
21/04/2004
TRIVIALIDADES: Da crise das instituições lusas aos tomates de Blair, passando pelos submarinos e o contentamento do doutor Soares.
Volte senhor engenheiro!
Depois do défice e da recessão, depois dos escândalos da pedofilia, da corrupção na BT e de todos os outros escândalos pequenos e médios, chega a vez de três instituições respeitáveis – o exército, o futebol e o poder local, por esta ordem – serem postas em causa na pessoa do senhor major Valentim Loureiro.
Alguém se lembra de se desenterrarem cadáveres e se tirarem esqueletos dos armários durante o consolado do senhor engenheiro Guterres? Bem que ele tinha razão, ao deixar para trás o pântano sujo e partir para o Olimpo.
O governo vai comprar dois submarinos novos por 770 milhões de euros
A marinha é que, por enquanto, não está em causa. Mas dois não é uma boa ideia. Um amigo marinheiro explicou-me que precisamos de 3 submarinos porque, com a falta de verbas, ao fim de algum tempo, a coisa ficará assim: um submarino só emerge, outro só imerge e o terceiro não imerge nem emerge, fica só para as peças.
Durão mergulha em campanha no Alqueva
Esta, sim, é uma boa ideia. Sem submarinos, sem equipamento, o nosso Cherne mergulha no Alqueva, mostrando aos espanhóis que por lá andam a investir, que podem eles investir à vontade, mas quem mergulha somos nós e o resto é conversa. Enquanto mergulha, o nosso primeiro garante-nos «eles não tiram a terra daqui e a levam para outro lado».
Soares «contentíssimo» com opção de Zapatero
A coisa não é para menos. Intermediar o diálogo entre a Órópa e o doutor Being Laden é definitivamente a sua vocação. Já tem que fazer quando terminar o mandato no PE.
Tony Blair desafia britânicos a decidir uma vez por todas
O Tony tem uns tomates à altura das orelhas, é o que é. Haja deus. Numa Órópa de capitulacionistas quase só a jangada de pedra britânica é que não ajoelha. Aqui a tradição ainda é o que foi e o Tony ainda é a alma mais parecida com o defunto Winston.
Depois do défice e da recessão, depois dos escândalos da pedofilia, da corrupção na BT e de todos os outros escândalos pequenos e médios, chega a vez de três instituições respeitáveis – o exército, o futebol e o poder local, por esta ordem – serem postas em causa na pessoa do senhor major Valentim Loureiro.
Alguém se lembra de se desenterrarem cadáveres e se tirarem esqueletos dos armários durante o consolado do senhor engenheiro Guterres? Bem que ele tinha razão, ao deixar para trás o pântano sujo e partir para o Olimpo.
O governo vai comprar dois submarinos novos por 770 milhões de euros
A marinha é que, por enquanto, não está em causa. Mas dois não é uma boa ideia. Um amigo marinheiro explicou-me que precisamos de 3 submarinos porque, com a falta de verbas, ao fim de algum tempo, a coisa ficará assim: um submarino só emerge, outro só imerge e o terceiro não imerge nem emerge, fica só para as peças.
Durão mergulha em campanha no Alqueva
Esta, sim, é uma boa ideia. Sem submarinos, sem equipamento, o nosso Cherne mergulha no Alqueva, mostrando aos espanhóis que por lá andam a investir, que podem eles investir à vontade, mas quem mergulha somos nós e o resto é conversa. Enquanto mergulha, o nosso primeiro garante-nos «eles não tiram a terra daqui e a levam para outro lado».
Soares «contentíssimo» com opção de Zapatero
A coisa não é para menos. Intermediar o diálogo entre a Órópa e o doutor Being Laden é definitivamente a sua vocação. Já tem que fazer quando terminar o mandato no PE.
Tony Blair desafia britânicos a decidir uma vez por todas
O Tony tem uns tomates à altura das orelhas, é o que é. Haja deus. Numa Órópa de capitulacionistas quase só a jangada de pedra britânica é que não ajoelha. Aqui a tradição ainda é o que foi e o Tony ainda é a alma mais parecida com o defunto Winston.
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: «Portugal pode ter uma Nokia?» / Why not a Portuguese Nokia of the Seas?
Summary for the sake of
Can a lunatic question have a wise response? It could, but hardly. So when a journalist inquired a half retired business luminary about our lovely country having a Nokia of the environment or a Nokia of the science of the seas or any other damned Nokia, he got the response «I think so, provided we want it and we put the ingredients needed together». He didn’t mentioned the ingredients, but for sure he would need a lot – Nokia net sales of 36.6 billion USD are about one third of Portuguese GDP and more than the annual exports figure.
É preciso explicar porquê só agora trato do tema. Tudo começou quando limpava ontem à noite, por incumbência da patroa, algumas pratas cá da casa com um produto apropriado e jornais velhos para dar o polimento final como, explicou ela, manda a boa técnica.
Realizava a operação com a preciosa ajuda do semanário do saco de plástico. Ao esfregar a faca de trinchar com uma folha do suplemento Economia reparo na angustiante pergunta no título «Portugal pode ter uma Nokia?».
Foi irresistível. Suspendi o polimento e li sofregamente. A Ordem dos Economistas e o Expresso organizaram um almoço com o engenheiro Murteira Nabo, na sua qualidade de presidente da Cotec, o bastonário da OE e outras luminárias.
Segundo o relato do saco de plástico, por altura das sobremesas, o jornalista pergunta com audácia «Portugal tem capacidade para criar uma Nokia no domínio do ambiente ou das ciências marítimas ou noutro sector?»
A pergunta audaz, audaz resposta. O engenheiro Nabo responde «Eu acho que tem, desde que queira fazê-lo e desde que junte os ingredientes necessários.»
Foi nessa altura que a patroa perguntou o porquê da pausa e do meu ar apalermado. Respondi-lhe «Ó filha temos que ir almoçar a este restaurante. Deve ter uma garrafeira soberba».
Can a lunatic question have a wise response? It could, but hardly. So when a journalist inquired a half retired business luminary about our lovely country having a Nokia of the environment or a Nokia of the science of the seas or any other damned Nokia, he got the response «I think so, provided we want it and we put the ingredients needed together». He didn’t mentioned the ingredients, but for sure he would need a lot – Nokia net sales of 36.6 billion USD are about one third of Portuguese GDP and more than the annual exports figure.
É preciso explicar porquê só agora trato do tema. Tudo começou quando limpava ontem à noite, por incumbência da patroa, algumas pratas cá da casa com um produto apropriado e jornais velhos para dar o polimento final como, explicou ela, manda a boa técnica.
Realizava a operação com a preciosa ajuda do semanário do saco de plástico. Ao esfregar a faca de trinchar com uma folha do suplemento Economia reparo na angustiante pergunta no título «Portugal pode ter uma Nokia?».
Foi irresistível. Suspendi o polimento e li sofregamente. A Ordem dos Economistas e o Expresso organizaram um almoço com o engenheiro Murteira Nabo, na sua qualidade de presidente da Cotec, o bastonário da OE e outras luminárias.
Segundo o relato do saco de plástico, por altura das sobremesas, o jornalista pergunta com audácia «Portugal tem capacidade para criar uma Nokia no domínio do ambiente ou das ciências marítimas ou noutro sector?»
A pergunta audaz, audaz resposta. O engenheiro Nabo responde «Eu acho que tem, desde que queira fazê-lo e desde que junte os ingredientes necessários.»
Foi nessa altura que a patroa perguntou o porquê da pausa e do meu ar apalermado. Respondi-lhe «Ó filha temos que ir almoçar a este restaurante. Deve ter uma garrafeira soberba».
20/04/2004
CASE STUDY: Continuação das reflexões pascais.
Inquietava-se o Impertinências na Páscoa pelo «infortúnio da destruição de valor dos últimos cinco anos» que o BCP tem levado a cabo com notável perseverança. Inquietação gratuita, como se pode ver pelas diligências do engenheiro Jardim Gonçalves aqui relatadas, que o senhor Paolo Borsalino, leitor do Diário Económico, comentou hoje com notável impertinência assim:
Atenção ! Jardim Gonçalves é uma velha raposa .. ! Foi iniciada uma campanha de comunicação bastante agressiva ! Que visa desviar a atenção de todos os accionistas e camuflar os resultados catastróficos do BCP ...! Jardim Gonçalves multiplica os comunicados de imprensa sobre a eventual compra do BCP por um Banco estrangeiro com muito "CAPITAL", querendo fazer acreditar que o BCP é o negócio do século, desta forma alimenta artificialmente o valor das suas acções para travar a todo o custo a queda livre na bolsa das acções BCP, com o anuncio dos péssimos resultados que ai vêm ! Basta dar uma vista de olhos pela imprensa económica holandesa e belga para constatar que a FORTIS não está interessada no BCP !! Bem tentado Jardim, já começas a aprender as velhas técnicas da "Contra-informação" aplicadas pelo velho KGB !!
Atenção ! Jardim Gonçalves é uma velha raposa .. ! Foi iniciada uma campanha de comunicação bastante agressiva ! Que visa desviar a atenção de todos os accionistas e camuflar os resultados catastróficos do BCP ...! Jardim Gonçalves multiplica os comunicados de imprensa sobre a eventual compra do BCP por um Banco estrangeiro com muito "CAPITAL", querendo fazer acreditar que o BCP é o negócio do século, desta forma alimenta artificialmente o valor das suas acções para travar a todo o custo a queda livre na bolsa das acções BCP, com o anuncio dos péssimos resultados que ai vêm ! Basta dar uma vista de olhos pela imprensa económica holandesa e belga para constatar que a FORTIS não está interessada no BCP !! Bem tentado Jardim, já começas a aprender as velhas técnicas da "Contra-informação" aplicadas pelo velho KGB !!
ESTÓRIA E MORAL: A velhice militante.
Estória
Um milhar de velhotes e velhotas, convocados pelos departamentos do Partido Comunista CGTP e MURPI, maninfestaram-se no sábado passado na Praça da Ribeira com uma pertinácia que desmentia o seu alegado estado de reformados. Com enérgicos cânticos, tais como «Grândola Vila Morena», e palavras de ordem inspiradas, tais como "Está na hora, está na hora, do Governo se ir embora" e "Política de Durão, não é solução", estes pensionistas são um exemplo vivo da política errada de reformas que manda para casa os geadas ainda com bom corpo para dar ao manifesto.
Moral
Mal que não tem cura é a velhice e a loucura (ditado popular).
Um milhar de velhotes e velhotas, convocados pelos departamentos do Partido Comunista CGTP e MURPI, maninfestaram-se no sábado passado na Praça da Ribeira com uma pertinácia que desmentia o seu alegado estado de reformados. Com enérgicos cânticos, tais como «Grândola Vila Morena», e palavras de ordem inspiradas, tais como "Está na hora, está na hora, do Governo se ir embora" e "Política de Durão, não é solução", estes pensionistas são um exemplo vivo da política errada de reformas que manda para casa os geadas ainda com bom corpo para dar ao manifesto.
Moral
Mal que não tem cura é a velhice e a loucura (ditado popular).
19/04/2004
ESTÓRIAS E MORAL / SHORT STORIES AND BIG MORAL: Capitulação e mentira. / Surrender and deceit.
Estórias / Stories
(1) Capitulação / Surrender
Zapatero ajoelha para melhor receber o golpe / Spain PM orders Iraq troops home
(2) Mentira / Deceit
Estarão os iraquianos mal informados? / BBC poll finds most Iraqis say their lives are better
Destaques da BBC do inquérito Oxford Research International: / The highlights of the Iraq survey are as follows:
• Overall, 70% of Iraqis say that their life these days is good, compared with 29% who say their life is bad.
• Compared with just before the war in 2003, 57% of Iraqis now say their life is better overall, compared with 19% who say it is worse and 23% who say it is about the same.
• 71% of Iraqis expect their lives to be better in a year from now, compared with 6% who expect life to be worse and 9% who say life will remain about the same.
• Half of Iraqis (49%) believe the invasion of Iraq by the US-led coalition was right, compared with 39% who thought it was wrong.
• Opinion was evenly split on whether the invasion humiliated Iraq (41%) or liberated it (42%). Almost one in five respondents (17%) refused to comment.
(Inquérito do Oxford Research International / Oxford Research International’s survey)
Moral
Não me ocorre nenhuma. / I can remember none.
(1) Capitulação / Surrender
Zapatero ajoelha para melhor receber o golpe / Spain PM orders Iraq troops home
(2) Mentira / Deceit
Estarão os iraquianos mal informados? / BBC poll finds most Iraqis say their lives are better
Destaques da BBC do inquérito Oxford Research International: / The highlights of the Iraq survey are as follows:
• Overall, 70% of Iraqis say that their life these days is good, compared with 29% who say their life is bad.
• Compared with just before the war in 2003, 57% of Iraqis now say their life is better overall, compared with 19% who say it is worse and 23% who say it is about the same.
• 71% of Iraqis expect their lives to be better in a year from now, compared with 6% who expect life to be worse and 9% who say life will remain about the same.
• Half of Iraqis (49%) believe the invasion of Iraq by the US-led coalition was right, compared with 39% who thought it was wrong.
• Opinion was evenly split on whether the invasion humiliated Iraq (41%) or liberated it (42%). Almost one in five respondents (17%) refused to comment.
(Inquérito do Oxford Research International / Oxford Research International’s survey)
Moral
Não me ocorre nenhuma. / I can remember none.
18/04/2004
CASE STUDY: O Estado é incorrigível. / State is hopeless.
Summary for the sake of
Now is public. The huge amount of money of European subsidy for professional training that had flooded during the second half of the 80’s was thrown away into the wrong pockets.
Is this way the old way of handling the res publica? Hardly. There are more recent examples of the same old way. The professional Brazilian managing team hired to recover Portuguese airline state company, who has been performing a pretty good job, is now under pressure of political lobbies to resign.
One can foresee that the same will arise sooner or later with TV state company, also under recover by a professional management team, when new election time will come.
The leftist flock who love state companies and have been using these two success examples to ground their creed, will have their case endangered soon.
Quase vinte anos depois o ministro Bagão Félix vem denunciar o que todos sabíamos. Sob a batuta do salvador da Pátria, professor Cavaco Silva, os seus governos torraram dez mil milhões de euros de subsídios comunitários para formação profissional. Em grande parte esse dinheiro acabou transformado em viaturas TT e vivendas de mau gosto por esse país. Foi um fenómeno só comparável à pimenta das Índias e ao ouro do Brasil.
Não é paradoxal que os portugueses possam ter que escolher na próximas eleições presidenciais entre o professor que nunca tem dúvidas e raramente se engana e o engenheiro que só tem dúvidas e raramente acerta, responsáveis pela dissipação de duas oportunidades históricas para ultrapassar o crónico atraso lusitano?
Não sei se já está confirmado ou não. Mas é fatal. A equipa de Fernando Pinto que pôs termo a quase 30 anos de incompetência e corrupção e iniciou uma recuperação sustentada da TAP irá embora. Ninguém competente tem pachorra para aturar as sacanices de quadros incompetentes instalados em camadas pelos sucessivos comissários políticos, ou as aleivosias dos aparelhos partidários, ou as patacoadas presidenciais do engenheiro cervejeiro.
Lá se vai a penúltima esperança da esquerdalhada de demonstrar que as empresas públicas podem ser viáveis desde que.
Faço aqui o prognóstico que o governo, à medida que se aproximarem as eleições legislativas de 2006, resistirá cada vez menos a utilizar, uma vez mais, a RTP como uma câmara de eco para propagar aos incréus os milagres que semeou durante a segunda metade «social» da sua governação. É difícil imaginar o doutor Almerindo Marques, que não precisa da RTP para demonstrar nada, nem precisa do seu dinheiro, esteja disposto a fazer o frete e a ser chateado pelos seus amigos do PS, desta vez por boas razões.
Lá se irá a última esperança da esquerdalhada de demonstrar que as empresas públicas podem ser viáveis desde que.
Now is public. The huge amount of money of European subsidy for professional training that had flooded during the second half of the 80’s was thrown away into the wrong pockets.
Is this way the old way of handling the res publica? Hardly. There are more recent examples of the same old way. The professional Brazilian managing team hired to recover Portuguese airline state company, who has been performing a pretty good job, is now under pressure of political lobbies to resign.
One can foresee that the same will arise sooner or later with TV state company, also under recover by a professional management team, when new election time will come.
The leftist flock who love state companies and have been using these two success examples to ground their creed, will have their case endangered soon.
Quase vinte anos depois o ministro Bagão Félix vem denunciar o que todos sabíamos. Sob a batuta do salvador da Pátria, professor Cavaco Silva, os seus governos torraram dez mil milhões de euros de subsídios comunitários para formação profissional. Em grande parte esse dinheiro acabou transformado em viaturas TT e vivendas de mau gosto por esse país. Foi um fenómeno só comparável à pimenta das Índias e ao ouro do Brasil.
Não é paradoxal que os portugueses possam ter que escolher na próximas eleições presidenciais entre o professor que nunca tem dúvidas e raramente se engana e o engenheiro que só tem dúvidas e raramente acerta, responsáveis pela dissipação de duas oportunidades históricas para ultrapassar o crónico atraso lusitano?
Não sei se já está confirmado ou não. Mas é fatal. A equipa de Fernando Pinto que pôs termo a quase 30 anos de incompetência e corrupção e iniciou uma recuperação sustentada da TAP irá embora. Ninguém competente tem pachorra para aturar as sacanices de quadros incompetentes instalados em camadas pelos sucessivos comissários políticos, ou as aleivosias dos aparelhos partidários, ou as patacoadas presidenciais do engenheiro cervejeiro.
Lá se vai a penúltima esperança da esquerdalhada de demonstrar que as empresas públicas podem ser viáveis desde que.
Faço aqui o prognóstico que o governo, à medida que se aproximarem as eleições legislativas de 2006, resistirá cada vez menos a utilizar, uma vez mais, a RTP como uma câmara de eco para propagar aos incréus os milagres que semeou durante a segunda metade «social» da sua governação. É difícil imaginar o doutor Almerindo Marques, que não precisa da RTP para demonstrar nada, nem precisa do seu dinheiro, esteja disposto a fazer o frete e a ser chateado pelos seus amigos do PS, desta vez por boas razões.
Lá se irá a última esperança da esquerdalhada de demonstrar que as empresas públicas podem ser viáveis desde que.
17/04/2004
ESTÓRIAS E MORAL / SHORT STORIES AND BIG MORAL: Traição, capitulação e terror. / Treason, surrender and terror.
Estórias / Stories
(1) Traição / Treason
Collaborators released, resistants executed / Colaboracionistas libertados, resistentes executados
(2) Capitulação / Surrender
Terroristas gravaram mensagem com ameaças a Zapatero / Terrorists had recorded a tape with threats to Zapatero
(3) Terror
Hamas leader killed in blast / Morto numa explosão o grão sacerdote do culto da morte
Moral
A traição compensou, desta vez, a capitulação e o terror não compensaram / Treason paid back this time, surrender and terror don’t.
(1) Traição / Treason
Collaborators released, resistants executed / Colaboracionistas libertados, resistentes executados
(2) Capitulação / Surrender
Terroristas gravaram mensagem com ameaças a Zapatero / Terrorists had recorded a tape with threats to Zapatero
(3) Terror
Hamas leader killed in blast / Morto numa explosão o grão sacerdote do culto da morte
Moral
A traição compensou, desta vez, a capitulação e o terror não compensaram / Treason paid back this time, surrender and terror don’t.
16/04/2004
AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: Bla-bla. / Bla-bla. (ACTUALIZADO)
Summary for the sake of
Senõr Zapatero asks for conversation as a way to rule Spain. Talk, talk, and talk. We the Portuguese folks know very well what it truly means – something like former prime minister Mr. Guterres’ flee from the swamp he really filled during his 6 years conversation.
Secção Perguntas impertinentes
Zapatero propõe diálogo como plano de Governo.
Onde é que já ouvimos isto?
Dois ignóbeis, por não pagar os direitos ao nosso engenheiro das correntes frouxas, três urracas, por já se estar a pôr de cócoras e dois chateaubriands por não ter percebido que em Espanha não há vaga para presidente da República e o lugar da Internacional Socialista já está preenchido.
ACTUALIZAÇÃO:
Será isto a pactologia a que se referia o pensador e professor Carrilho,
Senõr Zapatero asks for conversation as a way to rule Spain. Talk, talk, and talk. We the Portuguese folks know very well what it truly means – something like former prime minister Mr. Guterres’ flee from the swamp he really filled during his 6 years conversation.
Secção Perguntas impertinentes
Zapatero propõe diálogo como plano de Governo.
Onde é que já ouvimos isto?
Dois ignóbeis, por não pagar os direitos ao nosso engenheiro das correntes frouxas, três urracas, por já se estar a pôr de cócoras e dois chateaubriands por não ter percebido que em Espanha não há vaga para presidente da República e o lugar da Internacional Socialista já está preenchido.
ACTUALIZAÇÃO:
Será isto a pactologia a que se referia o pensador e professor Carrilho,
ESTÓRIA E MORAL / SHORT STORY AND BIG MORAL: Visão sinistra. / What matters?
Summary for the sake of
If any leftist soul looks at the Brazilian situation with a murder rate of 27 per 100 thousand, and skyrocketing every day, what that soul would say? And what if this rate is tenfold for men in their 15-24 years in Rio de Janeiro? And what about a president who is making his mind to send troops to fight civilian thugs in the «morros»? No wonder that president had seen his net approval rate drop from 60 pct to 15 pct.
Well, perhaps that soul would ask their peers for a demonstration of the whole flock against their former darling Lula.
Would he? I’m not sure. In the end what matters to that sort of souls is who, not what.
(The Economist, April 3rd)
Estória
O que se pode dizer dum país em que «a taxa de vítimas de homicídio cresceu 130% de 11,7 por 100 mil habitantes para 27» em 20 anos, e não pára de crescer? Que «perde, só na década de 90, quase 370 mil pessoas por homicídio». Que numa das suas regiões em 2000 teve «205 homicídios por 100 mil entre os indivíduos do sexo masculino dos 15 aos 24 anos». Um país que tem um presidente que admite enviar a tropa para conter civis amotinados nos bairros pobres da 2ª maior cidade. Um país onde a polícia federal está em greve há mais de um mês.
Não admira que esse presidente tenha visto a sua aprovação em 15 meses de 60% diminuir para 15%.
Quem é este presidente? É José Inácio da Silva, conhecido como Lula, o darling da esquerdalhada, pelo menos até recentemente. Inexplicavelmente eles não convocam nenhuma maninfestação, nem fazem da coisa uma causa.
(Visto com olhos de esquerda – é a visão sinistra, por outras palavras)
Moral
O que importa não é a situação. O que importa é o presidente.
If any leftist soul looks at the Brazilian situation with a murder rate of 27 per 100 thousand, and skyrocketing every day, what that soul would say? And what if this rate is tenfold for men in their 15-24 years in Rio de Janeiro? And what about a president who is making his mind to send troops to fight civilian thugs in the «morros»? No wonder that president had seen his net approval rate drop from 60 pct to 15 pct.
Well, perhaps that soul would ask their peers for a demonstration of the whole flock against their former darling Lula.
Would he? I’m not sure. In the end what matters to that sort of souls is who, not what.
(The Economist, April 3rd)
Estória
O que se pode dizer dum país em que «a taxa de vítimas de homicídio cresceu 130% de 11,7 por 100 mil habitantes para 27» em 20 anos, e não pára de crescer? Que «perde, só na década de 90, quase 370 mil pessoas por homicídio». Que numa das suas regiões em 2000 teve «205 homicídios por 100 mil entre os indivíduos do sexo masculino dos 15 aos 24 anos». Um país que tem um presidente que admite enviar a tropa para conter civis amotinados nos bairros pobres da 2ª maior cidade. Um país onde a polícia federal está em greve há mais de um mês.
Não admira que esse presidente tenha visto a sua aprovação em 15 meses de 60% diminuir para 15%.
Quem é este presidente? É José Inácio da Silva, conhecido como Lula, o darling da esquerdalhada, pelo menos até recentemente. Inexplicavelmente eles não convocam nenhuma maninfestação, nem fazem da coisa uma causa.
(Visto com olhos de esquerda – é a visão sinistra, por outras palavras)
Moral
O que importa não é a situação. O que importa é o presidente.
15/04/2004
14/04/2004
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: O inferno e o céu, por uma vez juntos. / Hell and Heaven together, once.
Summary for the sake of
What can a responsible citizen do to smooth the damned paper work required to accomplish with his bloody tax duties in a country where tax evasion is national sport?
Maybe, while doing so, listen to those delicatessens as Cecilia Bartoli ‘s Vivaldi and Salieri Albums.
Cecilia, you’re breaking my heart, …Oh Cecilia, I’m down on my knees
(A Bela Diva/ The Singing Beauty)
A coisa mais próxima do inferno para um cidadão pontualmente contribuinte num país cujo desporto nacional é a evasão fiscal? Baixar 20 MB da tralha necessária para a declaração electrónica do IRS, fazer as danadas contas e preencher o sacana do m/3.
O inferno propriamente dito? Preencher o m/3 dum profissional liberal a quem nenhum cliente paga uma pataca sem um recibinho verde.
Uma coisa próxima do céu para qualquer cidadão que não seja completamente duro de ouvido? Escutar o Vivaldi Album da Cecilia Bartoli.
Outra coisa igualmente próxima do céu? Escutar o Salieri Album da Cecilia Bartoli.
O céu propriamente dito? Ouvir um e depois o outro.
E o purgatório? Bom, o purgatório é ter que saborear estas delícias com o nariz em frente do écran com o sacana do m/3.
What can a responsible citizen do to smooth the damned paper work required to accomplish with his bloody tax duties in a country where tax evasion is national sport?
Maybe, while doing so, listen to those delicatessens as Cecilia Bartoli ‘s Vivaldi and Salieri Albums.
Cecilia, you’re breaking my heart, …Oh Cecilia, I’m down on my knees
(A Bela Diva/ The Singing Beauty)
A coisa mais próxima do inferno para um cidadão pontualmente contribuinte num país cujo desporto nacional é a evasão fiscal? Baixar 20 MB da tralha necessária para a declaração electrónica do IRS, fazer as danadas contas e preencher o sacana do m/3.
O inferno propriamente dito? Preencher o m/3 dum profissional liberal a quem nenhum cliente paga uma pataca sem um recibinho verde.
Uma coisa próxima do céu para qualquer cidadão que não seja completamente duro de ouvido? Escutar o Vivaldi Album da Cecilia Bartoli.
Outra coisa igualmente próxima do céu? Escutar o Salieri Album da Cecilia Bartoli.
O céu propriamente dito? Ouvir um e depois o outro.
E o purgatório? Bom, o purgatório é ter que saborear estas delícias com o nariz em frente do écran com o sacana do m/3.
CASE STUDY: A contextualidade episódica dos líderes europeus. / Le Penseur’s bullshit.
Summary for the sake of
This is another tribute to the penseur, franchouille kind, and former minister of Culture (something like a minister of the Cult) professor Manuel Maria Carrilho, for his coining of another entry to the Glossary of Impertinence. This time the entry is «Valuing Episodic Contextuality» (the European leaders are valuing), what seems to me something like Saving Their Asses. The context of the Valuing Episodic Contextuality is his article «Terrorism and Democracy», where he also wrote stuff more trivial such as most of the European politicians still strive to enter 21st century.

(O pensador à direita, acompanhado dum concorrrente à esquerda / Le Penseur at right, with a competitor at left)
O professor Carrilho é uma das luminárias domésticas favoritas do Impertinências. Já foi citado um sem número de vezes a propósito do seu site e alvo de cumprimentos e homenagens várias, como aqui pela criação do termo poliquês Pactologia, aqui pela sua posição incontornável no futuro dos alfacinhas.
Uma vez mais o professor derrama o seu pensamento original pelas colunas das suas Contingências no Expresso da Páscoa dedicadas ao tema, também ele incontornável, «Terrorismo e democracia». O professor não se dirige apenas aos leitores do semanário do saco de plástico, ele assume profeticamente o seu destino nacional e recomenda coisas «aos portugueses».
A par dessas verdade eternas, o professor escreve algumas coisas mais próximas da realidade, que o Impertinências percebe e subscreve alegremente, como esta: «uma boa parte da classe política europeia não conseguiu de facto entrar no séc. XXI».
Foi nas colunas do professor que o Impertinências bebeu mais erudição e colheu um novo termo que vai directo ao Glossário:
Valorizar a contextualidade episódica (filosofês-politiquês)
O mesmo que amarrar-se à sela do cavalo do poder, para utilizar uma imagem cara ao general Otelo. Exemplo: «os líderes europeus revelam uma perigosa insensibilidade a este fenómeno (qual fenómeno?), valorizando mais a sua contextualidade episódica do que a sua novidade radical ...» (professor Manuel Maria Carrilho, in Contingências no número da Páscoa de 2004 do semanário do saco de plástico).
This is another tribute to the penseur, franchouille kind, and former minister of Culture (something like a minister of the Cult) professor Manuel Maria Carrilho, for his coining of another entry to the Glossary of Impertinence. This time the entry is «Valuing Episodic Contextuality» (the European leaders are valuing), what seems to me something like Saving Their Asses. The context of the Valuing Episodic Contextuality is his article «Terrorism and Democracy», where he also wrote stuff more trivial such as most of the European politicians still strive to enter 21st century.
(O pensador à direita, acompanhado dum concorrrente à esquerda / Le Penseur at right, with a competitor at left)
O professor Carrilho é uma das luminárias domésticas favoritas do Impertinências. Já foi citado um sem número de vezes a propósito do seu site e alvo de cumprimentos e homenagens várias, como aqui pela criação do termo poliquês Pactologia, aqui pela sua posição incontornável no futuro dos alfacinhas.
Uma vez mais o professor derrama o seu pensamento original pelas colunas das suas Contingências no Expresso da Páscoa dedicadas ao tema, também ele incontornável, «Terrorismo e democracia». O professor não se dirige apenas aos leitores do semanário do saco de plástico, ele assume profeticamente o seu destino nacional e recomenda coisas «aos portugueses».
A par dessas verdade eternas, o professor escreve algumas coisas mais próximas da realidade, que o Impertinências percebe e subscreve alegremente, como esta: «uma boa parte da classe política europeia não conseguiu de facto entrar no séc. XXI».
Foi nas colunas do professor que o Impertinências bebeu mais erudição e colheu um novo termo que vai directo ao Glossário:
Valorizar a contextualidade episódica (filosofês-politiquês)
O mesmo que amarrar-se à sela do cavalo do poder, para utilizar uma imagem cara ao general Otelo. Exemplo: «os líderes europeus revelam uma perigosa insensibilidade a este fenómeno (qual fenómeno?), valorizando mais a sua contextualidade episódica do que a sua novidade radical ...» (professor Manuel Maria Carrilho, in Contingências no número da Páscoa de 2004 do semanário do saco de plástico).
13/04/2004
O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Mais que fazer do que andar a cheirar o bolor e a naftalina.
A propósito do meu post de quinta-feira santa, um detractor do Impertinências insultou-me amavelmente assim: «insinuar que o povo tem mais que fazer do que andar a cheirar o bolor e a naftalina não passa duma impertinência elitista e reaccionária».
Só posso concordar. Em todo o caso, gostaria de acrescentar alguns exemplos de coisas mais importantes que povo tem para fazer.
Beber uns copos. Não falo do milhão de bebedores excessivos e 800 mil alcoólicos com os fígados desfeitos prematuramente por cirroses ou tumores, nem mesmo do excesso de zelo de virar 20 e tal bebidas por dia, como nos diz o doutor Rui Tato Marinho. Falo dos outros, a quem beber uns copos só pode fazer bem à saúde e ao humor.
Empurrar a família para dentro do chaço, sentar a sogra e o seu bigode no banco de trás, a fazer tricô e a tomar conta do puto, ir almoçar fora e, depois do almoço e dos arrotos, fazer o quilo durante o passeio dos tristes, é também uma actividade relevante. Não falo de ter um acidente, mesmo sabendo que o médico Tato Marinho admite que, no mínimo, 40% dos acidentes envolvam condutores alcoolizados. Falo dum passeio higiénico para respirar o ar do campo, temperado pelo escape de todos os automóveis dos portugueses que nessa tarde resolverão fazer a digestão ao volante.
Finalmente, escapar incólume à maior sinistralidade rodoviária europeia, chegar a casa, e sucumbir a uma bela sesta, contrariando a neurologista doutora Teresa Paiva que nos alerta para que os portugueses deitam-se cada vez mais tarde e levantam-se mais cedo e em relação aos espanhóis ... dormem em média menos meia hora (uáu).
Esquecendo os museus, que de resto poderão estar fechados, e seguindo estes meus conselhos, os portugueses ficarão bem menos estressados, melhorando assim a sua posição no ranking europeu do estresse onde tão mal classificados estão (ver Health in the EU under the microscope, STAT/04/34, 8 March 2004).
Só posso concordar. Em todo o caso, gostaria de acrescentar alguns exemplos de coisas mais importantes que povo tem para fazer.
Beber uns copos. Não falo do milhão de bebedores excessivos e 800 mil alcoólicos com os fígados desfeitos prematuramente por cirroses ou tumores, nem mesmo do excesso de zelo de virar 20 e tal bebidas por dia, como nos diz o doutor Rui Tato Marinho. Falo dos outros, a quem beber uns copos só pode fazer bem à saúde e ao humor.
Empurrar a família para dentro do chaço, sentar a sogra e o seu bigode no banco de trás, a fazer tricô e a tomar conta do puto, ir almoçar fora e, depois do almoço e dos arrotos, fazer o quilo durante o passeio dos tristes, é também uma actividade relevante. Não falo de ter um acidente, mesmo sabendo que o médico Tato Marinho admite que, no mínimo, 40% dos acidentes envolvam condutores alcoolizados. Falo dum passeio higiénico para respirar o ar do campo, temperado pelo escape de todos os automóveis dos portugueses que nessa tarde resolverão fazer a digestão ao volante.
Finalmente, escapar incólume à maior sinistralidade rodoviária europeia, chegar a casa, e sucumbir a uma bela sesta, contrariando a neurologista doutora Teresa Paiva que nos alerta para que os portugueses deitam-se cada vez mais tarde e levantam-se mais cedo e em relação aos espanhóis ... dormem em média menos meia hora (uáu).
Esquecendo os museus, que de resto poderão estar fechados, e seguindo estes meus conselhos, os portugueses ficarão bem menos estressados, melhorando assim a sua posição no ranking europeu do estresse onde tão mal classificados estão (ver Health in the EU under the microscope, STAT/04/34, 8 March 2004).
12/04/2004
ESTÓRIA E MORAL / SHORT STORY AND BIG MORAL: Tristezas não pagam dívidas. / Care killed the cat.
Summary for the sake of
In the last Friday Thirteen I told you the depression that are killing Portuguese souls and about several remedies prescribed by our luminaries to cure the disease.
There are ones that explain such sadness with the huge debt of businesses and families’ debts still skyrocketing pushed by holidays and travels on credit.
Surprised? Well, you already know the other three intrusive therapies – spin doctors, cannabis and the third I can’t remember - why not a fourth over the counter prescription?
Why care? If you can’t pay it, forget it and travel far away.
E a estória completa
Porque tarda a retoma? Talvez ajude lembrar que «as empresas portuguesas são as mais endividadas da Europa do euro ... com uma dívida à banca de 105% do produto interno bruto (PIB), quando a média calculada para um grupo de seis das principais economias europeias não ultrapassa os 80%», escreve o DN de hoje.
Sem esquecer que o «endividamento das famílias portuguesas pode chegar aos 130% do rendimento disponível já em 2004» (não contando com cheques pré-datados e leasing), é maior do que as médias dos países europeus (entre os 110% e os 120%), cujas famílias tem um rendimento disponível superior a 50% do português. Nos últimos dois anos o endividamento terá passado de 103% para 130%, escreve ainda o DN.
Preocupava-se o Blasfémias porque, enquanto isso, «o Algarve e a Madeira cheios, voos para as Canárias, Baleares, Brasil e Caraíbas de há muito esgotados», o que talvez seja possível porque «muitos pacotes turísticos já incluem o financiamento “à la longue”».
Não vejo motivo para preocupações. Viajar a crédito é uma terapia bem menos intrusiva do que as outras que já tinham sido propostas, pela Missão: Portugal (terapia: conferências), Bloco de Esquerda (terapia: cannabis) e Compromisso Portugal (terapia ainda em estudo), como tive ocasião de contar na última sexta-feira 13.
Moral
Tristezas não pagam dívidas.
In the last Friday Thirteen I told you the depression that are killing Portuguese souls and about several remedies prescribed by our luminaries to cure the disease.
There are ones that explain such sadness with the huge debt of businesses and families’ debts still skyrocketing pushed by holidays and travels on credit.
Surprised? Well, you already know the other three intrusive therapies – spin doctors, cannabis and the third I can’t remember - why not a fourth over the counter prescription?
Why care? If you can’t pay it, forget it and travel far away.
E a estória completa
Porque tarda a retoma? Talvez ajude lembrar que «as empresas portuguesas são as mais endividadas da Europa do euro ... com uma dívida à banca de 105% do produto interno bruto (PIB), quando a média calculada para um grupo de seis das principais economias europeias não ultrapassa os 80%», escreve o DN de hoje.
Sem esquecer que o «endividamento das famílias portuguesas pode chegar aos 130% do rendimento disponível já em 2004» (não contando com cheques pré-datados e leasing), é maior do que as médias dos países europeus (entre os 110% e os 120%), cujas famílias tem um rendimento disponível superior a 50% do português. Nos últimos dois anos o endividamento terá passado de 103% para 130%, escreve ainda o DN.
Preocupava-se o Blasfémias porque, enquanto isso, «o Algarve e a Madeira cheios, voos para as Canárias, Baleares, Brasil e Caraíbas de há muito esgotados», o que talvez seja possível porque «muitos pacotes turísticos já incluem o financiamento “à la longue”».
Não vejo motivo para preocupações. Viajar a crédito é uma terapia bem menos intrusiva do que as outras que já tinham sido propostas, pela Missão: Portugal (terapia: conferências), Bloco de Esquerda (terapia: cannabis) e Compromisso Portugal (terapia ainda em estudo), como tive ocasião de contar na última sexta-feira 13.
Moral
Tristezas não pagam dívidas.
11/04/2004
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: O Principezinho aviador. / Finding a flying Maquisard.
Summary for the sake of
Al-Jazeera sur Seine told us the finding in Mediterranean sea offshore Marseille of fragments of the wreck of Saint-Exupéry's airplane Lightning P-38 crashed 60 years ago.
This deserves a mention for two reasons. First, Saint-Exupéry’s Le Petit Prince had enlightened my children’s imagination a dozen of evenings. Second, Saint-Exupéry was flying in a reconnaissance mission for the Allies (read Americans) in their fight against Nazis and for that he was a very rare kind of French. At those times of treason (a French specialty), they were mostly of the collaborationist kind. Saint-Exupéry was a flying Maquisard.
Faz no dia 31 de Julho 60 anos, desapareceu o Lightning P-38 de Antoine de Saint-Exupéry, que voava numa missão de reconhecimento ao serviço dos Aliados (leia-se dos americanos). Foram agora encontrados mais destroços comprovadamente pertencentes ao seu avião. A notícia foi dada há dois dias pelo Al-Jazira sur Seine, como lhe chama o Merde in France, que inexplicavelmente deixou passar a efeméride em branco.
Saint-Exupéry alumiou algumas noites dos meus filhos com o seu Le Petit Prince – onde, dizem as más línguas, ele se retrata e conta a estória que teria sido inspirada pela sua fuga a uma amante megera.
Saint-Exupéry figura neste Diário de Bordo pelos seus méritos de candeia dos filhos de imensa gente, e por ser um bom exemplo de francês, raro naqueles tempos de traição (uma especialidade francesa): um maquisard dos ares, um não colaboracionista.
Al-Jazeera sur Seine told us the finding in Mediterranean sea offshore Marseille of fragments of the wreck of Saint-Exupéry's airplane Lightning P-38 crashed 60 years ago.
This deserves a mention for two reasons. First, Saint-Exupéry’s Le Petit Prince had enlightened my children’s imagination a dozen of evenings. Second, Saint-Exupéry was flying in a reconnaissance mission for the Allies (read Americans) in their fight against Nazis and for that he was a very rare kind of French. At those times of treason (a French specialty), they were mostly of the collaborationist kind. Saint-Exupéry was a flying Maquisard.
Faz no dia 31 de Julho 60 anos, desapareceu o Lightning P-38 de Antoine de Saint-Exupéry, que voava numa missão de reconhecimento ao serviço dos Aliados (leia-se dos americanos). Foram agora encontrados mais destroços comprovadamente pertencentes ao seu avião. A notícia foi dada há dois dias pelo Al-Jazira sur Seine, como lhe chama o Merde in France, que inexplicavelmente deixou passar a efeméride em branco.
Saint-Exupéry alumiou algumas noites dos meus filhos com o seu Le Petit Prince – onde, dizem as más línguas, ele se retrata e conta a estória que teria sido inspirada pela sua fuga a uma amante megera.
Saint-Exupéry figura neste Diário de Bordo pelos seus méritos de candeia dos filhos de imensa gente, e por ser um bom exemplo de francês, raro naqueles tempos de traição (uma especialidade francesa): um maquisard dos ares, um não colaboracionista.
10/04/2004
ESTÓRIA E MORAL: O soneto e a emenda do doutor Isaltino.
Estória
O doutor Isaltino de Morais mostrou ser um exemplo do princípio de Peter. Fez um bom trabalho como presidente da câmara de Oeiras, apesar dos fumos de corrupção - dos andares e terrenos que em surdina se comentava lhe iam adornando o património pela mão generosa de promotores e construtores.
Mal chegou a ministro derrapou fatalmente nas suas contas na Suíça, com o dinheiro do seu sobrinho taxista, contou ele. Teve o bom senso de se demitir e ficar calado. Por pouco tempo.
Na sua entrevista a O Independente de quinta-feira passada, o doutor Isaltino conta estórias mirabolantes que não precisavam de ser contadas e diz coisas que não precisavam de ser ditas - «Durão pediu-me para ficar», diz o título. Um pouco de senso, uma boa gestão do silêncio, o relativismo ético dominante e a curta memória do povo permitiriam uma providencial prescrição moral e o regresso pela porta dos fundos, antes das próximas eleições legislativas.
Moral
Pior a emenda do que o soneto.
O doutor Isaltino de Morais mostrou ser um exemplo do princípio de Peter. Fez um bom trabalho como presidente da câmara de Oeiras, apesar dos fumos de corrupção - dos andares e terrenos que em surdina se comentava lhe iam adornando o património pela mão generosa de promotores e construtores.
Mal chegou a ministro derrapou fatalmente nas suas contas na Suíça, com o dinheiro do seu sobrinho taxista, contou ele. Teve o bom senso de se demitir e ficar calado. Por pouco tempo.
Na sua entrevista a O Independente de quinta-feira passada, o doutor Isaltino conta estórias mirabolantes que não precisavam de ser contadas e diz coisas que não precisavam de ser ditas - «Durão pediu-me para ficar», diz o título. Um pouco de senso, uma boa gestão do silêncio, o relativismo ético dominante e a curta memória do povo permitiriam uma providencial prescrição moral e o regresso pela porta dos fundos, antes das próximas eleições legislativas.
Moral
Pior a emenda do que o soneto.
Etiquetas:
lubrificando as engrenagens,
relativismo
09/04/2004
TRIVIALIDADES: Informações inúteis.
Caso tivessem planeado visitar, entre hoje e o domingo de Páscoa, museus, palácios, monumentos e sítios arqueológicos, dependentes do Ministério da Cultura, desistam. Estarão fechados, pelo menos alguns deles, como estiveram nos últimos 14 anos desde que o doutor Santana Lopes, na época em que foi ministro da Cultura e contraiu o síndroma de Chopin, ofendeu os seus direitos adquiridos retirando-lhes o feriado da sexta-feira santa.
Desde então a Federação dos Sindicatos dos Utentes da Vaca Marsupial Pública (FSUVMP) convoca todos os anos uma greve para esta altura.
Greve que não tem grandes consequências porque os nossos museus são o que são, e, ainda que fossem outros, o povo tem mais que fazer do que andar a cheirar o bolor e a naftalina.
E os turistas? Turistas que venham a Portugal para ver museus só podem ser parvos. Sendo parvos, é bem feito que lhes fechem nas trombas as portas dos museus.
Desde então a Federação dos Sindicatos dos Utentes da Vaca Marsupial Pública (FSUVMP) convoca todos os anos uma greve para esta altura.
Greve que não tem grandes consequências porque os nossos museus são o que são, e, ainda que fossem outros, o povo tem mais que fazer do que andar a cheirar o bolor e a naftalina.
E os turistas? Turistas que venham a Portugal para ver museus só podem ser parvos. Sendo parvos, é bem feito que lhes fechem nas trombas as portas dos museus.
08/04/2004
CASE STUDY: Reflexões pascais - W. Buffett, o capitalista impertinente. / Easter rumination - W. Buffett, the Sage of Omaha.
Summary for the sake of
Warren Buffett, chairman of Berkshire Hathaway, is my favorite capitalist. He wasn’t ever caught by bear market, and he seems always riding the bull.
From his Letter to shareholders I have picked in your intention a few excerpts:
«Charlie and I detest taking even small risks unless we feel we are being adequately compensated for doing so. About as far as we will go down that path is to occasionally eat cottage cheese a day after the expiration date on the carton.»
...
«Borsheim’s the largest jewelry store in the country … will have two shareholder-only events. … Borsheim’s operates on a gross margin that is fully twenty percentage points below that of its major rivals, so the more you buy, the more you save – at least that’s what my wife and daughter tell me. (Both were impressed early in life by the story of the boy who, after missing a street car, walked home and proudly announced that he had saved 5¢ by doing so. His father was irate: “Why didn’t you miss a cab and save 85¢?”)»
...
«Charlie and I have a great time at the annual meeting. And you will, too. So join us at the Qwest for our annual Woodstock for Capitalists.»
(A foto do Sage dizendo para os seus botões: crise, qual crise? Só se for uma assim pequenina.. / Sage's photo wondering: Bear market? What bloody thing is that? This size?)
Warren Buffett é o presidente da Berkshire Hathaway e um dos maiores investidores do mundo. Para ele não há bear market. Nos 40 anos de 1964 a 2003 o book value por acção da Berkshire Hathaway aumentou em média mais de 20% por ano. WB, também conhecido como o Sage de Omaha, é desde Outubro passado conselheiro económico de Arnold Schwarzenegger, também conhecido por Arnie e Conan o Bárbaro.
Lembrei-me dele um outro dia quando lia a Palavra do Presidente aos accionistas do BCP, entre os quais, quis o destino, em má hora, que eu me encontrasse, partilhando o infortúnio da destruição de valor dos últimos cinco anos.
Podemos comparar as 3 páginas do «pronunciamento das dificuldades» do engenheiro Jardim Gonçalves com as mais de 20 coloridas páginas da Letter to shareholders do Sage. Para aguçar o apetite, podem ler-se os excertos acima.
Será que se o senhor engenheiro for ao Woodstock for Capitalists ele e os accionistas do BCP ficarão mais animados?
Warren Buffett, chairman of Berkshire Hathaway, is my favorite capitalist. He wasn’t ever caught by bear market, and he seems always riding the bull.
From his Letter to shareholders I have picked in your intention a few excerpts:
«Charlie and I detest taking even small risks unless we feel we are being adequately compensated for doing so. About as far as we will go down that path is to occasionally eat cottage cheese a day after the expiration date on the carton.»
...
«Borsheim’s the largest jewelry store in the country … will have two shareholder-only events. … Borsheim’s operates on a gross margin that is fully twenty percentage points below that of its major rivals, so the more you buy, the more you save – at least that’s what my wife and daughter tell me. (Both were impressed early in life by the story of the boy who, after missing a street car, walked home and proudly announced that he had saved 5¢ by doing so. His father was irate: “Why didn’t you miss a cab and save 85¢?”)»
...
«Charlie and I have a great time at the annual meeting. And you will, too. So join us at the Qwest for our annual Woodstock for Capitalists.»
(A foto do Sage dizendo para os seus botões: crise, qual crise? Só se for uma assim pequenina.. / Sage's photo wondering: Bear market? What bloody thing is that? This size?)
Warren Buffett é o presidente da Berkshire Hathaway e um dos maiores investidores do mundo. Para ele não há bear market. Nos 40 anos de 1964 a 2003 o book value por acção da Berkshire Hathaway aumentou em média mais de 20% por ano. WB, também conhecido como o Sage de Omaha, é desde Outubro passado conselheiro económico de Arnold Schwarzenegger, também conhecido por Arnie e Conan o Bárbaro.
Lembrei-me dele um outro dia quando lia a Palavra do Presidente aos accionistas do BCP, entre os quais, quis o destino, em má hora, que eu me encontrasse, partilhando o infortúnio da destruição de valor dos últimos cinco anos.
Podemos comparar as 3 páginas do «pronunciamento das dificuldades» do engenheiro Jardim Gonçalves com as mais de 20 coloridas páginas da Letter to shareholders do Sage. Para aguçar o apetite, podem ler-se os excertos acima.
Será que se o senhor engenheiro for ao Woodstock for Capitalists ele e os accionistas do BCP ficarão mais animados?
07/04/2004
SERVIÇO PÚBLICO / PUBLIC SERVICE: Eurabia a prostituta e outras informações úteis. / Eurabia the whore, and other profitable information.
Summary for the sake of
Good news and bad news.
Good news such as the Portuguese government’s decision to employ in the cleaning of forests those receivers of public charity aged between 18 and 30 years and provided with 2 arms and 2 legs (head is not mandatory).
Other good news, coming through Merde in France such as the publication of Oriana Fallacy’s "The Strength of Reason" about «Europe becomes more and more a province of Islam» and turning itself into Eurabia, the prostitute.
And bad news such the leftist flock celebrating the Theater’s Day the way they use to. Smokes high, pants down, screams, queers playing with dildos and showing and smelling each other’s genitalia.
QUERES BOLOTA? TREPA.
Ainda não acredito. A coisa já foi despachada, mas olhos que não vêem, coração que não sente. Pode ficar-se por mais uma ejaculação do órgão legislativo. Mas se for em frente, eu e todos os cidadãos que pagam impostos, contrariadamente mas pontualmente, ficaremos aliviados.
De que se trata, afinal? Trata-se de pôr os excluídos que recebem o óbolo dos contribuintes a fazer por se incluírem.
«De acordo com um despacho conjunto dos ministérios da Segurança Social e da Agricultura, o programa ocupacional orientado para a protecção da floresta será promovido pelas autarquias locais, destinando-se sobretudo aos cerca de 20 mil beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) que têm entre 18 e 30 anos e se encontram inscritos nos centros de emprego.»
EURABIA A PROSTITUTA
O Merde in France, sempre atento remete-nos para o novo livro de Oriana Fallaci La Forza della Ragione que nos fala de Eurabia, a antiga Europa e actual província do Islão, «que se vendeu e se vende ao inimigo como uma prostituta». À parte a paixão semi-fundamentalista, a velhota é bem capaz de ter razão.
(A impertinente velhota, quando nova)
DIA MUNDIAL DO TEATRO
O Dicionário do Diabo descreve-nos o que poderia ser sido o Dia Mundial do Teatro ou uma festa de berloquistas.
Pelo seu interesse, transcrevo quase todo o texto, o que nos permite fruir a experiência antropológica do contacto com outras as espécies alienígenas, sem correr os riscos inerentes ao trabalho de campo.
«Havia gente a fumar coisas. Era a festa do Bloco. Depois, mais gente em pé, geralmente nova, de escuro. Penteados problemáticos. Saiotes. Entrei. No palco, gozava-se com as freiras e o Ministério da Cultura. Depois, uma mulher de cabelo azul, com as mamas de fora (mas sem mamas) fez uma arenga zangada contra os EUA, nação criminosa que adora sangue, ossos esmigalhados e petróleo. Depois, houve mais uma chinfrineira. Slides. Um gay com a cara pintada. Um rapaz de rabo de fora filmava tudo. Duas senhoras vestidas de puta conversavam. Mais gozo sobre freiras. Um efebo mostrou a pila (com glande para fora). Um radical com motivos étnicos mostrou a pila (com glande para dentro). E brandiu um dildo. Houve gente a erguer o punho. Gritaram-se palavras de ordem. Mais chinfrineira. Depois, pôs-se tudo a cantar. Com risinhos. Feitos parvos. E acabou-se. Quando saí, houve um maduro que me tentou convencer que aquilo fora um espectáculo do Dia Mundial do Teatro. Naaaaaa. Eu reconheço uma festa do Bloco à légua.»
Obrigado doutor Pedro Mexia por ter estoicamente enfrentado graves riscos para partilhar connosco esta experiência.
Good news and bad news.
Good news such as the Portuguese government’s decision to employ in the cleaning of forests those receivers of public charity aged between 18 and 30 years and provided with 2 arms and 2 legs (head is not mandatory).
Other good news, coming through Merde in France such as the publication of Oriana Fallacy’s "The Strength of Reason" about «Europe becomes more and more a province of Islam» and turning itself into Eurabia, the prostitute.
And bad news such the leftist flock celebrating the Theater’s Day the way they use to. Smokes high, pants down, screams, queers playing with dildos and showing and smelling each other’s genitalia.
QUERES BOLOTA? TREPA.
Ainda não acredito. A coisa já foi despachada, mas olhos que não vêem, coração que não sente. Pode ficar-se por mais uma ejaculação do órgão legislativo. Mas se for em frente, eu e todos os cidadãos que pagam impostos, contrariadamente mas pontualmente, ficaremos aliviados.
De que se trata, afinal? Trata-se de pôr os excluídos que recebem o óbolo dos contribuintes a fazer por se incluírem.
«De acordo com um despacho conjunto dos ministérios da Segurança Social e da Agricultura, o programa ocupacional orientado para a protecção da floresta será promovido pelas autarquias locais, destinando-se sobretudo aos cerca de 20 mil beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) que têm entre 18 e 30 anos e se encontram inscritos nos centros de emprego.»
EURABIA A PROSTITUTA
O Merde in France, sempre atento remete-nos para o novo livro de Oriana Fallaci La Forza della Ragione que nos fala de Eurabia, a antiga Europa e actual província do Islão, «que se vendeu e se vende ao inimigo como uma prostituta». À parte a paixão semi-fundamentalista, a velhota é bem capaz de ter razão.
(A impertinente velhota, quando nova)
DIA MUNDIAL DO TEATRO
O Dicionário do Diabo descreve-nos o que poderia ser sido o Dia Mundial do Teatro ou uma festa de berloquistas.
Pelo seu interesse, transcrevo quase todo o texto, o que nos permite fruir a experiência antropológica do contacto com outras as espécies alienígenas, sem correr os riscos inerentes ao trabalho de campo.
«Havia gente a fumar coisas. Era a festa do Bloco. Depois, mais gente em pé, geralmente nova, de escuro. Penteados problemáticos. Saiotes. Entrei. No palco, gozava-se com as freiras e o Ministério da Cultura. Depois, uma mulher de cabelo azul, com as mamas de fora (mas sem mamas) fez uma arenga zangada contra os EUA, nação criminosa que adora sangue, ossos esmigalhados e petróleo. Depois, houve mais uma chinfrineira. Slides. Um gay com a cara pintada. Um rapaz de rabo de fora filmava tudo. Duas senhoras vestidas de puta conversavam. Mais gozo sobre freiras. Um efebo mostrou a pila (com glande para fora). Um radical com motivos étnicos mostrou a pila (com glande para dentro). E brandiu um dildo. Houve gente a erguer o punho. Gritaram-se palavras de ordem. Mais chinfrineira. Depois, pôs-se tudo a cantar. Com risinhos. Feitos parvos. E acabou-se. Quando saí, houve um maduro que me tentou convencer que aquilo fora um espectáculo do Dia Mundial do Teatro. Naaaaaa. Eu reconheço uma festa do Bloco à légua.»
Obrigado doutor Pedro Mexia por ter estoicamente enfrentado graves riscos para partilhar connosco esta experiência.
06/04/2004
AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: Quem não tem cão, caça com gato. / It could be better, it could be worse.
Summary for the sake of
In the second anniversary of Mr. Durão Barroso’s government, what can we say? It could be better, it could be worse. It could be better, if government happen to have more guts. It could be worse, if Mr. Guterres’ disgraceful government happen to be in office still.
Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro
O governo do doutor Durão Barroso faz hoje dois anos. Faz igualmente dois anos que terminou formalmente o consolado do engenheiro Guterrres, a quem devemos a demonstração que é possível não governar durante 6-anos-6.
Pode-se avaliar a governação do doutor Durão Barroso de diferentes pontos de vista, a saber:
Comparando-a com a não-governação do engenheiro Guterres – é uma comparação desonesta mas, se a fizermos, o governo do doutor Durão Barroso está a ser um sucesso;
Comparando-a com o que gostaríamos que fosse – depende; por mim dava-lhe um medíocre; um adepto do anterior governo deveria dar-lhe um bom menos;
Comparando-a com o programa de governo – poucos o leram e, desses, quase todos o esqueceram.
Apesar da mediocridade da sua acção, há algumas pequenas coisas que temos que levar a seu crédito, tais como:
+ Uma abordagem mais assertiva e voluntarista à governação – parece um aspecto menor, mas não acho que seja, afinal «governar é descontentar» escreveu Anatole France;
+ Um controlo limitado do défice – só pode criticar a insuficiência das medidas quem, como eu, defende uma desparasitação da vaca marsupial pública; a esquerdalhada que sustenta que o papel do governo é dar emprego, deveria meter a viola no saco;
+ Algumas medidas tímidas para racionalizar a administração pública – idem;
+ A reforma bem sucedida de algumas EP’s – a RTP e a TAP (leve-se a crédito do doutor Coelho ter contratado um equipa capaz)
+ O toque rectal no império sem fronteiras dos médicos - genéricos e hospitais SA;
+ Reforma da segurança social – a alteração do regime de pensões adiou a falência do sistema por mais uns anos;
+ Reforma da legislação laboral – uma ligeira lubrificação das dinossáuricas leis do trabalho;
+ Uma mitigação do desbragamento no financiamento do ensino superior – não se ter ajoelhado perante os lóbis universitários e maninfestações da canalha estudantil (que, num mês, gasta em gasolina as propinas dum ano) não é uma coisa menor neste país de songamongas.
Tudo o resto, incluindo as múltiplas ejaculações dos órgãos legislativos, é coisa para esquecer, garantindo a continuidade dos descalabros guterristas.
Não vale dizer que não se avançou na convergência real, porque isso depende quase tanto do governo como a meteorologia – a única coisa que se pode fazer é ter um tecto para nos abrigar do mau tempo.
Em suma, é o governo possível no país possível.
Por tudo isto, merece o governo 2 afonsos, 3 urracas, 4 pilatos e um número indeterminado de chateuabriands. Na segunda parte do mandato arrisca-se apanhar só com bourbons e ignóbeis.
In the second anniversary of Mr. Durão Barroso’s government, what can we say? It could be better, it could be worse. It could be better, if government happen to have more guts. It could be worse, if Mr. Guterres’ disgraceful government happen to be in office still.
Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro
O governo do doutor Durão Barroso faz hoje dois anos. Faz igualmente dois anos que terminou formalmente o consolado do engenheiro Guterrres, a quem devemos a demonstração que é possível não governar durante 6-anos-6.
Pode-se avaliar a governação do doutor Durão Barroso de diferentes pontos de vista, a saber:
Comparando-a com a não-governação do engenheiro Guterres – é uma comparação desonesta mas, se a fizermos, o governo do doutor Durão Barroso está a ser um sucesso;
Comparando-a com o que gostaríamos que fosse – depende; por mim dava-lhe um medíocre; um adepto do anterior governo deveria dar-lhe um bom menos;
Comparando-a com o programa de governo – poucos o leram e, desses, quase todos o esqueceram.
Apesar da mediocridade da sua acção, há algumas pequenas coisas que temos que levar a seu crédito, tais como:
+ Uma abordagem mais assertiva e voluntarista à governação – parece um aspecto menor, mas não acho que seja, afinal «governar é descontentar» escreveu Anatole France;
+ Um controlo limitado do défice – só pode criticar a insuficiência das medidas quem, como eu, defende uma desparasitação da vaca marsupial pública; a esquerdalhada que sustenta que o papel do governo é dar emprego, deveria meter a viola no saco;
+ Algumas medidas tímidas para racionalizar a administração pública – idem;
+ A reforma bem sucedida de algumas EP’s – a RTP e a TAP (leve-se a crédito do doutor Coelho ter contratado um equipa capaz)
+ O toque rectal no império sem fronteiras dos médicos - genéricos e hospitais SA;
+ Reforma da segurança social – a alteração do regime de pensões adiou a falência do sistema por mais uns anos;
+ Reforma da legislação laboral – uma ligeira lubrificação das dinossáuricas leis do trabalho;
+ Uma mitigação do desbragamento no financiamento do ensino superior – não se ter ajoelhado perante os lóbis universitários e maninfestações da canalha estudantil (que, num mês, gasta em gasolina as propinas dum ano) não é uma coisa menor neste país de songamongas.
Tudo o resto, incluindo as múltiplas ejaculações dos órgãos legislativos, é coisa para esquecer, garantindo a continuidade dos descalabros guterristas.
Não vale dizer que não se avançou na convergência real, porque isso depende quase tanto do governo como a meteorologia – a única coisa que se pode fazer é ter um tecto para nos abrigar do mau tempo.
Em suma, é o governo possível no país possível.
Por tudo isto, merece o governo 2 afonsos, 3 urracas, 4 pilatos e um número indeterminado de chateuabriands. Na segunda parte do mandato arrisca-se apanhar só com bourbons e ignóbeis.
TRIVIALIDADES / TRIVIA: Miscelânea. / Miscellany.
SECRET LESBIAN SISTERS
«Lynne V. Cheney is more than just the woman behind the man in the secret bunker. Vice President Dick Cheney's wife is also a writer and a history nut, according to her official White House bio. What you won't find listed there, however, is Sisters, her 1981 novel about feminism in the Old West. According to Publishers Weekly, the pulp romance title packs "lots of turgid prose, heaving bosoms, female characters who are proto-feminists and practice safe sex with multiple partners -- and a juicy lesbian subplot." Fans of racy historical fiction who missed Cheney's book the first time around needn't wait much longer for a fresh blast from the seedy past: Penguin Group USA plans to reissue Sisters next week.»
(Furthermore, Wired News)
ARTISTS’ CORNER
The bones are scarce and the doggies are a legion. Drama, jealousy, libertarian yells, oaths of independency, those are the cruel dilemmas of a smallish milieu of hungry artists and starving penseurs, fiercely fighting for subsidies and show time.
ASSAULTING THE VAULT OF THE POOR ARTISTS
Nothing is so bad that couldn’t get worse. Now writers and musicians suspect that father and daughter crypto-communist managers of authors national association sucked the money since many years and left behind huge debts, including to Social Security. We can’t trust these fellows people’s friends anymore, these days.
Trivialidades são Blogaridades fora da Bloguilha. São conversas para entreter. É o refúgio da preguiça do Impertinências.
O CONTO LÉSBICO DA 2ª DAMA IANQUE
Quem diria? No pior pano, cai a melhor nódoa. Ver o texto original Secret Lesbian Sisters - não estou com pachorra para traduzir.
O CANTINHO DOS ARTISTAS
Quereis saber o que é o Portugal dos Pequeninos Artistas e Intelectuais? Lede na Pluma Caprichosa da nossa doutora Clara Ferreira Alves, na revista do Expresso «Única» (nunca um nome foi tão apropriado), sob o sugestivo título «O Santana, parte II», os dramas, os ciúmes, as disputas das escassas mordomias, o rosnar de dentes apertados nas modestas sinecuras, os gritos libertários, os assomos de independência, enfim os dilemas da nossa intelectualidade e do nosso meio artístico minorca, enfatuado e redundante.
Minorca? Sim, minorca. «As minorcas voejavam dentro das redes com grande espalhafato de suas rémiges pretas e brancas» (Aquilino Ribeiro).
O ASSALTO AO BAÚ DOS ARTISTAS
Já se desconfiava há muito, mas agora há, cada vez mais, menos dúvidas. Os poucos cobres, afora os subsídios, amealhados em direitos de autor pelos nossos artistas da pena e da música podem andar há anos a ser torrados, em benefício próprio e alheio, pela dupla comuno-troglodítica do presidente Luís Francisco Rebello e da directora geral, sua filha. A última auditoria revelou mais uma dívida de 2 milhões de euros à Segurança Social. Para quem defende a ditadura do proletariado, não está mal.
«Lynne V. Cheney is more than just the woman behind the man in the secret bunker. Vice President Dick Cheney's wife is also a writer and a history nut, according to her official White House bio. What you won't find listed there, however, is Sisters, her 1981 novel about feminism in the Old West. According to Publishers Weekly, the pulp romance title packs "lots of turgid prose, heaving bosoms, female characters who are proto-feminists and practice safe sex with multiple partners -- and a juicy lesbian subplot." Fans of racy historical fiction who missed Cheney's book the first time around needn't wait much longer for a fresh blast from the seedy past: Penguin Group USA plans to reissue Sisters next week.»
(Furthermore, Wired News)
ARTISTS’ CORNER
The bones are scarce and the doggies are a legion. Drama, jealousy, libertarian yells, oaths of independency, those are the cruel dilemmas of a smallish milieu of hungry artists and starving penseurs, fiercely fighting for subsidies and show time.
ASSAULTING THE VAULT OF THE POOR ARTISTS
Nothing is so bad that couldn’t get worse. Now writers and musicians suspect that father and daughter crypto-communist managers of authors national association sucked the money since many years and left behind huge debts, including to Social Security. We can’t trust these fellows people’s friends anymore, these days.
Trivialidades são Blogaridades fora da Bloguilha. São conversas para entreter. É o refúgio da preguiça do Impertinências.
O CONTO LÉSBICO DA 2ª DAMA IANQUE
Quem diria? No pior pano, cai a melhor nódoa. Ver o texto original Secret Lesbian Sisters - não estou com pachorra para traduzir.
O CANTINHO DOS ARTISTAS
Quereis saber o que é o Portugal dos Pequeninos Artistas e Intelectuais? Lede na Pluma Caprichosa da nossa doutora Clara Ferreira Alves, na revista do Expresso «Única» (nunca um nome foi tão apropriado), sob o sugestivo título «O Santana, parte II», os dramas, os ciúmes, as disputas das escassas mordomias, o rosnar de dentes apertados nas modestas sinecuras, os gritos libertários, os assomos de independência, enfim os dilemas da nossa intelectualidade e do nosso meio artístico minorca, enfatuado e redundante.
Minorca? Sim, minorca. «As minorcas voejavam dentro das redes com grande espalhafato de suas rémiges pretas e brancas» (Aquilino Ribeiro).
O ASSALTO AO BAÚ DOS ARTISTAS
Já se desconfiava há muito, mas agora há, cada vez mais, menos dúvidas. Os poucos cobres, afora os subsídios, amealhados em direitos de autor pelos nossos artistas da pena e da música podem andar há anos a ser torrados, em benefício próprio e alheio, pela dupla comuno-troglodítica do presidente Luís Francisco Rebello e da directora geral, sua filha. A última auditoria revelou mais uma dívida de 2 milhões de euros à Segurança Social. Para quem defende a ditadura do proletariado, não está mal.
05/04/2004
CASE STUDY: Pior do que ter ido é ter ficado. / I’d rather be a hammer than a nail. (VERSÃO CORRIGIDA)
Summary for the sake of
«Descendants of black American slaves are to sue Lloyd's of London for insuring ships used in the trade ... for ongoing injuries that these people suffer from», BBC News wrote.
A former Portuguese ambassador remarked in Expresso that those who should sue instead are the ones descendants of black Africans whose ancestors were disregarded and not brought to the United States.
By the way, I would remind another reason to entitle that second kind of descendants to be indemnified: they are victims of themselves and of their corrupt and incompetent African leaders. They can’t vote, they only have a few dollars of income per day, they have one-third probability to be infected by AIDS and they neither have Medicaid nor Medicare and they have half of the expectation of life of the slave descendants.
A Lloyd’s Corporation, nascida nas mesas da Coffee House de Edward Lloyd em 1688, é uma das instituições financeiras mais originais e a mais antiga nos seguros do Reino Unido, e do mundo. Ao assumir uma proporção respeitável dos riscos ligados às principais actividades, desde o comércio marítimo até ao lançamento de satélites, passando por quase todos os grandes projectos de engenharia, ajudou a criar o mundo como o conhecemos hoje.
Um dos riscos que a Lloyd’s segurou nos séculos XVII e XVIII foi o do transporte de escravos nos navios negreiros, principalmente para os Estados Unidos, tal como a Fidelidade o fez para Portugal - ainda recentemente, podia ver-se, num dos expositores do seu edifício do Largo do Corpo Santo, um fac-símile dum registo com algumas apólices de seguro de escravos.
Edward Fagan, um advogado americano que representou vítimas no caso do ouro nazi, representa agora (ver BBC News) um grupo de descendentes de escravos numa acção contra várias instituições entre elas a Lloyd’s. A acção em nome de alguns dos 44 milhões de negros americanos que descendem dos escravos baseia-se em «ongoing injuries that these people suffer from».
Um dos queixosos confessa até «I suffer from the injury of not knowing who I am», queixa que, apesar de comovente, não é muito original porque eu e mais 10.238.435 almas lusas residentes queixamo-nos do mesmo.
O embaixador José Cutileiro escreveu, tirando-me as palavras da boca, no seu Mundo dos Outros, no Expresso do passado sábado: «deveriam (as indemnizações) ser pagas não aos descendentes dos escravos trazidos para os Estados Unidos, mas aos descendentes daqueles que os negreiros deixaram ficar em África».
Embora concordando com o embaixador Cutileiro, recordo que, com as finanças públicas arrombadas, esta não é uma boa oportunidade para defender a sua tese. Do ponto de vista das finanças, será melhor aceitar a tese do advogado Edward Fagan.
Será muito mais barato mandar a Fidelidade, agora Fidelidade Mundial, ir sacar aos cofres do seu accionista CDG mais umas massas para ressarcir as almas dos nossos irmãos africanos residentes em Portugal, do que distribuir grana pelos milhões espalhados por essas infindáveis savanas angolanas e moçambicanas. Sem esquecer que que, no caso de Angola, o presidente Eduardo dos Santos tem mais obrigação do que nós e mais dinheiro do que as nossas exauridas finanças.
Seja como for, convém também pensar na oportunidade de nós, os descendentes dos lusitanos, accionarmos os romanos por ainda hoje não sabermos quem somos.
«Descendants of black American slaves are to sue Lloyd's of London for insuring ships used in the trade ... for ongoing injuries that these people suffer from», BBC News wrote.
A former Portuguese ambassador remarked in Expresso that those who should sue instead are the ones descendants of black Africans whose ancestors were disregarded and not brought to the United States.
By the way, I would remind another reason to entitle that second kind of descendants to be indemnified: they are victims of themselves and of their corrupt and incompetent African leaders. They can’t vote, they only have a few dollars of income per day, they have one-third probability to be infected by AIDS and they neither have Medicaid nor Medicare and they have half of the expectation of life of the slave descendants.
A Lloyd’s Corporation, nascida nas mesas da Coffee House de Edward Lloyd em 1688, é uma das instituições financeiras mais originais e a mais antiga nos seguros do Reino Unido, e do mundo. Ao assumir uma proporção respeitável dos riscos ligados às principais actividades, desde o comércio marítimo até ao lançamento de satélites, passando por quase todos os grandes projectos de engenharia, ajudou a criar o mundo como o conhecemos hoje.
Um dos riscos que a Lloyd’s segurou nos séculos XVII e XVIII foi o do transporte de escravos nos navios negreiros, principalmente para os Estados Unidos, tal como a Fidelidade o fez para Portugal - ainda recentemente, podia ver-se, num dos expositores do seu edifício do Largo do Corpo Santo, um fac-símile dum registo com algumas apólices de seguro de escravos.
Edward Fagan, um advogado americano que representou vítimas no caso do ouro nazi, representa agora (ver BBC News) um grupo de descendentes de escravos numa acção contra várias instituições entre elas a Lloyd’s. A acção em nome de alguns dos 44 milhões de negros americanos que descendem dos escravos baseia-se em «ongoing injuries that these people suffer from».
Um dos queixosos confessa até «I suffer from the injury of not knowing who I am», queixa que, apesar de comovente, não é muito original porque eu e mais 10.238.435 almas lusas residentes queixamo-nos do mesmo.
O embaixador José Cutileiro escreveu, tirando-me as palavras da boca, no seu Mundo dos Outros, no Expresso do passado sábado: «deveriam (as indemnizações) ser pagas não aos descendentes dos escravos trazidos para os Estados Unidos, mas aos descendentes daqueles que os negreiros deixaram ficar em África».
Embora concordando com o embaixador Cutileiro, recordo que, com as finanças públicas arrombadas, esta não é uma boa oportunidade para defender a sua tese. Do ponto de vista das finanças, será melhor aceitar a tese do advogado Edward Fagan.
Será muito mais barato mandar a Fidelidade, agora Fidelidade Mundial, ir sacar aos cofres do seu accionista CDG mais umas massas para ressarcir as almas dos nossos irmãos africanos residentes em Portugal, do que distribuir grana pelos milhões espalhados por essas infindáveis savanas angolanas e moçambicanas. Sem esquecer que que, no caso de Angola, o presidente Eduardo dos Santos tem mais obrigação do que nós e mais dinheiro do que as nossas exauridas finanças.
Seja como for, convém também pensar na oportunidade de nós, os descendentes dos lusitanos, accionarmos os romanos por ainda hoje não sabermos quem somos.
04/04/2004
CASE STUDY: As pontes são feitas para cair. / Bridge over troubled waters.
Summary for the sake of
Three years ago, in North Portugal a bridge over river Douro collapsed. Since years inspections had been performed and had been showed evidence of gradual removal by the water flow of the bottom sands embracing the pillars.
One day, in March 2001, the bridge eventually collapsed throwing a bus with sixty people within into the river and killing most of them.
Last week a judge decided that the bridge collapse had natural causes. Possibly he meant that is natural for a bridge to collapse eventually one day.
«O juiz de instrução criminal de Castelo de Paiva concluiu que a ponte Hintze Ribeiro caiu por causas naturais» (ver aqui, por exemplo).
Praticamente todas as forças vivas, como se chamavam no tempo do doutor Salazar, se pronunciaram sobre o assunto invocando escândalos, vergonhas, culpas solteiras, solidariedades, justiças, com a possível única excepção do doutor Mário Soares, ocupado no combate ao fascismo nos Estados Unidos. Única excepção? Não. O Impertinências, ocupado com outros combates, também passou ao lado da ponte.
É agora altura de dizer que todas essas reacções acaloradas são pura retórica, nuns casos, e hipocrisia, noutros.
Concordo com o senhor doutor juiz de Castelo de Paiva. As pontes em Portugal caiem ou cairão algum dia, como qualquer outra obra cai ou cairá, por causas naturais.
Repare-se que o douto juiz não escreveu no seu despacho «caso de força maior», isto é ele não quis dizer «facto cuja verificabilidade não era razoavelmente previsível e cujos efeitos não podiam ser evitados», ou act of god, na doutrina anglo-saxónica. No espírito esclarecido do juiz, deus não era para ali chamado. Ele escreveu causas naturais, mostrando grande sabedoria e um profundo conhecimento da alma nacional.
Toda a gente de bom senso sabe perfeitamente que é da natureza das pontas caírem, mas tarde ou mais cedo. Porque não haveria de cair a de Hintze Ribeiro?
Veja-se o que se passou com as pontes romanas, por exemplo. Das centenas que as legiões construíram, quantas restam hoje?
Three years ago, in North Portugal a bridge over river Douro collapsed. Since years inspections had been performed and had been showed evidence of gradual removal by the water flow of the bottom sands embracing the pillars.
One day, in March 2001, the bridge eventually collapsed throwing a bus with sixty people within into the river and killing most of them.
Last week a judge decided that the bridge collapse had natural causes. Possibly he meant that is natural for a bridge to collapse eventually one day.
«O juiz de instrução criminal de Castelo de Paiva concluiu que a ponte Hintze Ribeiro caiu por causas naturais» (ver aqui, por exemplo).
Praticamente todas as forças vivas, como se chamavam no tempo do doutor Salazar, se pronunciaram sobre o assunto invocando escândalos, vergonhas, culpas solteiras, solidariedades, justiças, com a possível única excepção do doutor Mário Soares, ocupado no combate ao fascismo nos Estados Unidos. Única excepção? Não. O Impertinências, ocupado com outros combates, também passou ao lado da ponte.
É agora altura de dizer que todas essas reacções acaloradas são pura retórica, nuns casos, e hipocrisia, noutros.
Concordo com o senhor doutor juiz de Castelo de Paiva. As pontes em Portugal caiem ou cairão algum dia, como qualquer outra obra cai ou cairá, por causas naturais.
Repare-se que o douto juiz não escreveu no seu despacho «caso de força maior», isto é ele não quis dizer «facto cuja verificabilidade não era razoavelmente previsível e cujos efeitos não podiam ser evitados», ou act of god, na doutrina anglo-saxónica. No espírito esclarecido do juiz, deus não era para ali chamado. Ele escreveu causas naturais, mostrando grande sabedoria e um profundo conhecimento da alma nacional.
Toda a gente de bom senso sabe perfeitamente que é da natureza das pontas caírem, mas tarde ou mais cedo. Porque não haveria de cair a de Hintze Ribeiro?
Veja-se o que se passou com as pontes romanas, por exemplo. Das centenas que as legiões construíram, quantas restam hoje?
03/04/2004
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: Não vá para dentro, lá fora. / Domestic affairs.
Summary for the sake of
Domestic affairs.
Seguindo o mau costume dos políticos domésticos falarem dos assuntos internos no estrangeiro, o presidente da República deu uma indirecta ao governo, num seminário em Cabo Verde com empresários dos dois países. Disse o doutor Sampaio, que Cabo Verde cumpre, «na globalidade, as condições do Pacto de Estabilidade, que tantas dores de cabeça provocam em Portugal, conseguindo, mesmo assim, alcançar taxas de crescimento económico elevadas».
Acontece que aquele país, para o qual tive a oportunidade de trabalhar meia dúzia de anos, e os seus problemas têm tanto a ver com Portugal como um gafanhoto (uma espécie abundante naquelas ilhas) tem a ver com o lince da serra da Malcata (uma espécie da qual os fanáticos do ambiente já só se encontram os excrementos).
Por razões fáceis de compreender (ver, por exemplo, o survey do Banco Mundial sobre Cabo Verde) não faz qualquer sentido comparar com Portugal um país com uma população residente que é metade da cidade de Lisboa, um PIB per capita que é um décimo do português, um rendimento disponível total inferior ao dos eleitores alfacinhas do Bloco de Esquerda, um país cujo consumo privado é 3% superior ao PIB, isto é consome mais do que produz, e que exporta 32% do PIB e importa 68%.
É claro que o orçamento do governo de Cabo Verde é, nalguns anos, equilibrado e até com superavit, porque entre as receitas se incluem donativos da ajuda bilateral e multilateral. Aliás, o total anual destes donativos ultrapassa frequentemente as receitas correntes do governo.
Não haverá ninguém na Casa Civil do presidente da República capacitado para o poupar a fazer figuras tristes?
Domestic affairs.
Seguindo o mau costume dos políticos domésticos falarem dos assuntos internos no estrangeiro, o presidente da República deu uma indirecta ao governo, num seminário em Cabo Verde com empresários dos dois países. Disse o doutor Sampaio, que Cabo Verde cumpre, «na globalidade, as condições do Pacto de Estabilidade, que tantas dores de cabeça provocam em Portugal, conseguindo, mesmo assim, alcançar taxas de crescimento económico elevadas».
Acontece que aquele país, para o qual tive a oportunidade de trabalhar meia dúzia de anos, e os seus problemas têm tanto a ver com Portugal como um gafanhoto (uma espécie abundante naquelas ilhas) tem a ver com o lince da serra da Malcata (uma espécie da qual os fanáticos do ambiente já só se encontram os excrementos).
Por razões fáceis de compreender (ver, por exemplo, o survey do Banco Mundial sobre Cabo Verde) não faz qualquer sentido comparar com Portugal um país com uma população residente que é metade da cidade de Lisboa, um PIB per capita que é um décimo do português, um rendimento disponível total inferior ao dos eleitores alfacinhas do Bloco de Esquerda, um país cujo consumo privado é 3% superior ao PIB, isto é consome mais do que produz, e que exporta 32% do PIB e importa 68%.
É claro que o orçamento do governo de Cabo Verde é, nalguns anos, equilibrado e até com superavit, porque entre as receitas se incluem donativos da ajuda bilateral e multilateral. Aliás, o total anual destes donativos ultrapassa frequentemente as receitas correntes do governo.
Não haverá ninguém na Casa Civil do presidente da República capacitado para o poupar a fazer figuras tristes?
02/04/2004
AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: Esperar e falar não custa. Custa é meter a mão no saco dos lacraus. / Domestic affairs.
Summary for the sake of
Domestic affairs.
Secção Insultos à inteligência
«Os 31 hospitais-empresa realizaram mais 16,3 por cento de cirurgias, mais 9,3 por cento de consultas externas e os seus custos aumentaram, em termos contabilísticos, "apenas 3,9 por cento", no ano passado comparativamente com 2002. A produtividade cresceu 5,1 por cento, de 17,1 para 18 doentes tratados por colaborador», escreveu o Público.
Qual o título adequado para uma notícia destas? «Hospitais-empresa gastaram mais 75 milhões em 2003», evidentemente.
O anterior ministro da Saúde doutor Correia de Campos diz ao Público que «estava à espera de melhores resultados. Estes hospitais estavam folgados, tinham gente a mais e capacidade de produção não aproveitada.»
Esqueceu-se de acrescentar que esses hospitais tinham os problemas que ele e a sua colega doutora Maria de Belém lá deixaram, durante 6 anos que durou a paixão do engenheiro Guterres pela Saúde.
Três ignóbeis para premiar o profissionalismo e objectividade do Público e quatro chateaubriands para premiar a dificuldade do doutor Correia de Campos perceber que «estar à espera de melhores resultados» do seu sucessor é admitir a inutilidade dos dois anos que por lá passou.
Domestic affairs.
Secção Insultos à inteligência
«Os 31 hospitais-empresa realizaram mais 16,3 por cento de cirurgias, mais 9,3 por cento de consultas externas e os seus custos aumentaram, em termos contabilísticos, "apenas 3,9 por cento", no ano passado comparativamente com 2002. A produtividade cresceu 5,1 por cento, de 17,1 para 18 doentes tratados por colaborador», escreveu o Público.
Qual o título adequado para uma notícia destas? «Hospitais-empresa gastaram mais 75 milhões em 2003», evidentemente.
O anterior ministro da Saúde doutor Correia de Campos diz ao Público que «estava à espera de melhores resultados. Estes hospitais estavam folgados, tinham gente a mais e capacidade de produção não aproveitada.»
Esqueceu-se de acrescentar que esses hospitais tinham os problemas que ele e a sua colega doutora Maria de Belém lá deixaram, durante 6 anos que durou a paixão do engenheiro Guterres pela Saúde.
Três ignóbeis para premiar o profissionalismo e objectividade do Público e quatro chateaubriands para premiar a dificuldade do doutor Correia de Campos perceber que «estar à espera de melhores resultados» do seu sucessor é admitir a inutilidade dos dois anos que por lá passou.
01/04/2004
AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: Parece mentira mas é verdade. / It seems a joke, but it is humiliation.
Summary for the sake of
The Portuguese parliament approved unanimously a vote of sorrow for the shoot down of Yassin, the old paralytic terrorist. One could understand the sorrow of the leftist flock as well as the sorrow of troglodyte communists. But how can one understand such sorrow of the other MP’s? Unless they are shitty chicken MP’s.
Secção Albergue espanhol
Se não fosse o Abrupto não me tinha dado conta do voto de pesar por unanimidade do parlamento sobre o acto higiénico dos israelitas, perdão, o assassinato do velhinho tetraplégico pelos lacaios semitas. O Abrupto já escreveu com a pertinência dum insider o que havia a escrever acerca «da Assembleia da República aprovar um voto de pesar pela morte de um terrorista».
Resta-me escrever as impertinências.
Os deputados da esquerdalhada dispersos por vários grupos parlamentares ganham os bourbons do costume, por continuarem a ser iguais a si próprios, e uns quantos ignóbeis, por nem sequer tentarem ser diferentes.
Ficam também convocados para aprovar, durante os próximos fins de semana, feriados e férias parlamentares, um voto de pesar por sessão, em intenção de cada um das centenas de civis israelitas que foram mortos ou feridos gravemente pelas bombas islâmicas ambulantes inspiradas por Yassin, o xeque paralítico.
Os outros deputados ganham cinco urracas e um certificado de estupidez e cobardia políticas.
Uns e outros devem abater dois anos na contagem para a apetecível reforma com 8 anos de frequência do galinheiro semicircular.
The Portuguese parliament approved unanimously a vote of sorrow for the shoot down of Yassin, the old paralytic terrorist. One could understand the sorrow of the leftist flock as well as the sorrow of troglodyte communists. But how can one understand such sorrow of the other MP’s? Unless they are shitty chicken MP’s.
Secção Albergue espanhol
Se não fosse o Abrupto não me tinha dado conta do voto de pesar por unanimidade do parlamento sobre o acto higiénico dos israelitas, perdão, o assassinato do velhinho tetraplégico pelos lacaios semitas. O Abrupto já escreveu com a pertinência dum insider o que havia a escrever acerca «da Assembleia da República aprovar um voto de pesar pela morte de um terrorista».
Resta-me escrever as impertinências.
Os deputados da esquerdalhada dispersos por vários grupos parlamentares ganham os bourbons do costume, por continuarem a ser iguais a si próprios, e uns quantos ignóbeis, por nem sequer tentarem ser diferentes.
Ficam também convocados para aprovar, durante os próximos fins de semana, feriados e férias parlamentares, um voto de pesar por sessão, em intenção de cada um das centenas de civis israelitas que foram mortos ou feridos gravemente pelas bombas islâmicas ambulantes inspiradas por Yassin, o xeque paralítico.
Os outros deputados ganham cinco urracas e um certificado de estupidez e cobardia políticas.
Uns e outros devem abater dois anos na contagem para a apetecível reforma com 8 anos de frequência do galinheiro semicircular.
31/03/2004
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: TV como ADM. / TV as WMD.
Summary for the sake of
In a fresh opinion poll almost two thirds of the people enquired shown strong concern for too much power they feel TV channels have.
However, most of them surprisingly still trust TV news, ranging from 63 pct to a huge proportion of 91 pct for the public channel.
What will be the impact of TV bullshit news in those innocent and unprotected minds? Like a WMD of brains, I guess.
63 por cento dos inquiridos numa «sondagem sobre serviço público de televisão, realizada pela Universidade Católica para a RTP e para o PÚBLICO» , entendem que a televisão tem demasiado poder.
Quem dá esse poder à televisão?
Os próprios espectadores que confiam nas tretas e patacoadas impingidas pelos noticiários de TV nas assombrosas proporções: 91 por cento (RTP1), 88 por cento (2), de 73 por cento (SIC) e 63 por cento (TVI). Apesar de crédulos, alguns espectadores não são parvos, e desconfiam da orgia noticiosa da TVI como se vê no ranking da confiança.
Num país em que a penetração dos jornais é tão baixa, as consequências do quase monopólio do meio TV tem os resultados que se conhecem na formação duma opinião pública esclarecida.
In a fresh opinion poll almost two thirds of the people enquired shown strong concern for too much power they feel TV channels have.
However, most of them surprisingly still trust TV news, ranging from 63 pct to a huge proportion of 91 pct for the public channel.
What will be the impact of TV bullshit news in those innocent and unprotected minds? Like a WMD of brains, I guess.
63 por cento dos inquiridos numa «sondagem sobre serviço público de televisão, realizada pela Universidade Católica para a RTP e para o PÚBLICO» , entendem que a televisão tem demasiado poder.
Quem dá esse poder à televisão?
Os próprios espectadores que confiam nas tretas e patacoadas impingidas pelos noticiários de TV nas assombrosas proporções: 91 por cento (RTP1), 88 por cento (2), de 73 por cento (SIC) e 63 por cento (TVI). Apesar de crédulos, alguns espectadores não são parvos, e desconfiam da orgia noticiosa da TVI como se vê no ranking da confiança.
Num país em que a penetração dos jornais é tão baixa, as consequências do quase monopólio do meio TV tem os resultados que se conhecem na formação duma opinião pública esclarecida.
BLOGARIDADES / BLOGARITIES: Não sendo possível envergonhá-los é melhor despedi-los. / Shame on them? They are shameless. Just fire them.
Summary for the sake of
The Teachers’ Union of Midland announced that they intend take profit of Euro 2004 happening to bring shame on the government because there are one million illiterate folks in Portugal.
O Intermitente is proposing as counter-measure that government bring shame on them instead, inviting foreign followers to attend classrooms in public schools.
I strongly disagree. One can’t bring shame on somebody who doesn’t hold responsibility for the output of his own job. In other words, one can’t bring shame on somebody who is shameless.
Just fire them, instead.
Face ao anúncio do «Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) (que) avançou hoje que irá aproveitar o Euro 2004 para "envergonhar" o Governo com a distribuição de folhetos onde vai revelar que há um milhão de analfabetos no país e 40 mil docentes desempregados», O Intermitente propõe-se «aproveitar o Euro 2004 para envergonhar os professores ... (convidando) os adeptos estrangeiros a assistir a aulas do ensino obrigatório».
Discordo em absoluto. Não é possível envergonhar quem não tem vergonha. Proponho, em vez disso, que, em vista da total irresponsabilidade dos professores do ensino oficial obrigatório na produção de um milhão de analfabetos, eles sejam maciçamente despedidos com justa causa.
The Teachers’ Union of Midland announced that they intend take profit of Euro 2004 happening to bring shame on the government because there are one million illiterate folks in Portugal.
O Intermitente is proposing as counter-measure that government bring shame on them instead, inviting foreign followers to attend classrooms in public schools.
I strongly disagree. One can’t bring shame on somebody who doesn’t hold responsibility for the output of his own job. In other words, one can’t bring shame on somebody who is shameless.
Just fire them, instead.
Face ao anúncio do «Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) (que) avançou hoje que irá aproveitar o Euro 2004 para "envergonhar" o Governo com a distribuição de folhetos onde vai revelar que há um milhão de analfabetos no país e 40 mil docentes desempregados», O Intermitente propõe-se «aproveitar o Euro 2004 para envergonhar os professores ... (convidando) os adeptos estrangeiros a assistir a aulas do ensino obrigatório».
Discordo em absoluto. Não é possível envergonhar quem não tem vergonha. Proponho, em vez disso, que, em vista da total irresponsabilidade dos professores do ensino oficial obrigatório na produção de um milhão de analfabetos, eles sejam maciçamente despedidos com justa causa.
30/03/2004
SERVIÇO PÚBLICO / PUBLIC SERVICE: O que conta é quem mata. / The importance of being murderer.
Summary for the sake of
In the Portuguese press washed by an ocean of 80 pct of leftist militia, someone points out the moral fraud of those left wingers who judge the deaths depending on who kills.
As rare as lucid minds in the press are the clever left wing blogs like A Praia placed on the right side of this blog, who didn’t mourn the old paralytic bastard murdered by the Israelis.
O Blasfémeas estava atento e chamou a atenção dos distraídos, como eu, para o texto Relativismos de Helena Matos no Público de sábado. Numa imprensa saturada de bloquistas, esse texto é tão insolitamente lúcido que se torna leitura indispensável para perceber melhor a duplicidade moral com que a esquerdalhada olha para as mortes, dependendo não de quem morre mas de quem mata.
Se fosse preciso demonstrar que A Praia é um blogue bem parqueado no lado direito do Impertinências, ficaria, uma vez mais, demonstrado com o post A esquerda beata, que se segue ao acolhimento dado ao email delirante e antológico de Paulo Varela Gomes sobre o estupor do velhinho tetraplégico assassinado pelos israelitas, que deixou a esquerdalhada com os olhos rasos de água.
In the Portuguese press washed by an ocean of 80 pct of leftist militia, someone points out the moral fraud of those left wingers who judge the deaths depending on who kills.
As rare as lucid minds in the press are the clever left wing blogs like A Praia placed on the right side of this blog, who didn’t mourn the old paralytic bastard murdered by the Israelis.
O Blasfémeas estava atento e chamou a atenção dos distraídos, como eu, para o texto Relativismos de Helena Matos no Público de sábado. Numa imprensa saturada de bloquistas, esse texto é tão insolitamente lúcido que se torna leitura indispensável para perceber melhor a duplicidade moral com que a esquerdalhada olha para as mortes, dependendo não de quem morre mas de quem mata.
Se fosse preciso demonstrar que A Praia é um blogue bem parqueado no lado direito do Impertinências, ficaria, uma vez mais, demonstrado com o post A esquerda beata, que se segue ao acolhimento dado ao email delirante e antológico de Paulo Varela Gomes sobre o estupor do velhinho tetraplégico assassinado pelos israelitas, que deixou a esquerdalhada com os olhos rasos de água.
O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Não é caso para tanto.
Um leitor e detractor sugeriu, a propósito do CASE STUDY: A democracia segundo Saramago, que o tema deveria ser tratado na Secção Padre Anchieta da AVALIAÇÃO CONTÍNUA e atribuídos ignóbeis a Saramago para juntar ao seu Nobel.
29/03/2004
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: Cada um tem os amigos que merece? / Does one get the friends he deserves?
Summary for the sake of
Merde in France quotes Le Monde (Al Jazeera sur Seine) and inserts my old friend and somewhat senile leftist Brito’s cartoon named Kamikazes. Masoch’s admirers can also watch his Invendus de la semaine.
Hoje o Merde in France ilustra o link ao Monde (Al Jazeera sur Seine) com um cartune do meu velho amigo Carlos Brito, um indefectível membro honorário da esquerdalhada. Os masoquistas podem ainda ver os seus Invendus de la semaine.
Merde in France quotes Le Monde (Al Jazeera sur Seine) and inserts my old friend and somewhat senile leftist Brito’s cartoon named Kamikazes. Masoch’s admirers can also watch his Invendus de la semaine.
Hoje o Merde in France ilustra o link ao Monde (Al Jazeera sur Seine) com um cartune do meu velho amigo Carlos Brito, um indefectível membro honorário da esquerdalhada. Os masoquistas podem ainda ver os seus Invendus de la semaine.
AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: «Negociar» não é negociar. / Mr. Soares shots again - this turn his right foot.
Summary for the sake of
Mr. Mário Soares clarifies now what he really meant when he suggested «negotiation» with terrorists.
He considers himself neither «pacifist» nor «capitulacionist» and because of his strong beliefs he thinks that «negotiate doesn’t mean neither relinquish nor give up», that is to say «negotiate» doesn’t mean negotiate.
He takes the opportunity to mourn the assassinated Hamas’ spiritual leader.
Should this explain the nicknames «Portuguese Kerensky» and «our white Mobotu» he got in 75’ hot summer from his former American friends?
Secção Tiros nos pés
O doutor Mário Soares depois de ter dado um tiro no pé esquerdo ao propor que «para terminar com isso (o terrorismo) tem de se negociar com eles (os terroristas)», vem agora dar um outro no pé direito, ao escrever na sua coluna no Expresso que afinal não é «pacifista» muito menos «capitulacionista» e o que pare ele «negociar não significa ceder nem abdicar», inventando assim um novo significado para o verbo.
Aquele que foi em 1975 o «Kerensky português», para Kissinger ou «our white Mobotu» para outros americanos com mais sentido de humor, aproveita o resto da sua prosa para zurzir os suspeitos do costume.
De caminho lamenta o «assassínio do líder espiritual (tetraplégico) do Hamas» - atenção aos atributos «espiritual» e «tetraplégico».
Venham mais cinco bourbons para o doutor Soares por continuar igual a si próprio e três ignóbeis pela sua emenda que é pior que o soneto.
Mr. Mário Soares clarifies now what he really meant when he suggested «negotiation» with terrorists.
He considers himself neither «pacifist» nor «capitulacionist» and because of his strong beliefs he thinks that «negotiate doesn’t mean neither relinquish nor give up», that is to say «negotiate» doesn’t mean negotiate.
He takes the opportunity to mourn the assassinated Hamas’ spiritual leader.
Should this explain the nicknames «Portuguese Kerensky» and «our white Mobotu» he got in 75’ hot summer from his former American friends?
Secção Tiros nos pés
O doutor Mário Soares depois de ter dado um tiro no pé esquerdo ao propor que «para terminar com isso (o terrorismo) tem de se negociar com eles (os terroristas)», vem agora dar um outro no pé direito, ao escrever na sua coluna no Expresso que afinal não é «pacifista» muito menos «capitulacionista» e o que pare ele «negociar não significa ceder nem abdicar», inventando assim um novo significado para o verbo.
Aquele que foi em 1975 o «Kerensky português», para Kissinger ou «our white Mobotu» para outros americanos com mais sentido de humor, aproveita o resto da sua prosa para zurzir os suspeitos do costume.
De caminho lamenta o «assassínio do líder espiritual (tetraplégico) do Hamas» - atenção aos atributos «espiritual» e «tetraplégico».
Venham mais cinco bourbons para o doutor Soares por continuar igual a si próprio e três ignóbeis pela sua emenda que é pior que o soneto.
28/03/2004
CASE STUDY: A democracia segundo Saramago. / Democracy, but not this kind, a Nobel says.
Summary for the sake of
Saramago, the Portuguese writer Nobel of Literature and also a confessed crypto-communist, revived the well-known Churchill’s vision of the limitation of democracy with some differences. He had done so in his new manifest disguised of a novel wrongly named Essay on Lucidity. The major difference between his vision and Churchill’s is his underlying and not confessed creed that this democracy, which he calls plutocracy, should be replaced by something he didn’t tell us what should be, but we can guess.
For someone who believed is entire life in soviet, Cuban and north Korean versions of democracy, this recent concern with democracy flaws leads me to think he ought to rename his new novel the way he named his last one - Essay on Blindness.
«Miopia autoral» titulou a Veja para o novo manifesto de Saramago, conhecido escritor espanhol que viveu em Portugal alguns anos. Chama-se o manifesto Ensaio sobre a Lucidez, e talvez devesse chamar-se, como o anterior, Ensaio sobre a cegueira.
Não tenho intenção de o ler porque a entrevista de Saramago ao DN me parece suficientemente esclarecedora.
O homem ensaia a tese das limitações da democracia, que para ele já é uma «plutocracia» porque o «poder económico não é democrático» e os «governantes são comissários políticos do poder económico», mas não nos esclarece se continua a pensar que a verdadeira democracia habitou até à era Breznev para lá dos Urais.
Explica-nos que «já não há jornais, há empresas jornalísticas, que não têm autonomia porque são propriedade de grupos industriais, da banca», mas não nos esclarece se ainda considera autonomia o estado do Diário de Notícias quando da sua passagem pela sua direcção em 1975, época em que era costume sanear jornalistas que não reverenciavam o MFA.
Saramago, the Portuguese writer Nobel of Literature and also a confessed crypto-communist, revived the well-known Churchill’s vision of the limitation of democracy with some differences. He had done so in his new manifest disguised of a novel wrongly named Essay on Lucidity. The major difference between his vision and Churchill’s is his underlying and not confessed creed that this democracy, which he calls plutocracy, should be replaced by something he didn’t tell us what should be, but we can guess.
For someone who believed is entire life in soviet, Cuban and north Korean versions of democracy, this recent concern with democracy flaws leads me to think he ought to rename his new novel the way he named his last one - Essay on Blindness.
«Miopia autoral» titulou a Veja para o novo manifesto de Saramago, conhecido escritor espanhol que viveu em Portugal alguns anos. Chama-se o manifesto Ensaio sobre a Lucidez, e talvez devesse chamar-se, como o anterior, Ensaio sobre a cegueira.
Não tenho intenção de o ler porque a entrevista de Saramago ao DN me parece suficientemente esclarecedora.
O homem ensaia a tese das limitações da democracia, que para ele já é uma «plutocracia» porque o «poder económico não é democrático» e os «governantes são comissários políticos do poder económico», mas não nos esclarece se continua a pensar que a verdadeira democracia habitou até à era Breznev para lá dos Urais.
Explica-nos que «já não há jornais, há empresas jornalísticas, que não têm autonomia porque são propriedade de grupos industriais, da banca», mas não nos esclarece se ainda considera autonomia o estado do Diário de Notícias quando da sua passagem pela sua direcção em 1975, época em que era costume sanear jornalistas que não reverenciavam o MFA.
27/03/2004
CASE STUDY: Há coisas piores. / Be starved or be exploited, that’s the question.
Summary for the sake of
The Portuguese Ombudsman blames the government for hiring unemployed people at cheaper wages. Mr. Ombudsman should have studied Joan Robinson, a prominent economist of 20th century, deceased in 1983, who once said or wrote something like (I can’t remember the exact words): the only thing worse than someone explores you it is you have nobody to explore you. This is a brutal and rough true, hard to say in the politically correct time we are living in. But it is a true, still.
Anyway, even if you believe Mrs. Robinson, keep in mind that she also wrote «the purpose of studying economics is not to acquire a set of ready-made answers to economic questions, but to learn how to avoid being deceived by economists.»
O Provedor de Justiça acusa o Estado de empregar desempregados ao abrigo de programas ocupacionais em situações de «exploração institucional de mão-de-obra barata».
Em vez de se preocupar com a justiça abstracta e os direitos adquiridos, o Provedor de Justiça devia estudar economia e ler Joan Robinson, uma notável economista falecida em 1983, que disse ou escreveu (não recordo as palavras exactas) que pior do que ser explorado é não ser explorado.
Seja como for, convém não esquecer que a doutora Robinson também escreveu que «a finalidade de estudar economia não é obter respostas prontas para as questões económicas, mas aprender a não ser enganado pelos economistas».
The Portuguese Ombudsman blames the government for hiring unemployed people at cheaper wages. Mr. Ombudsman should have studied Joan Robinson, a prominent economist of 20th century, deceased in 1983, who once said or wrote something like (I can’t remember the exact words): the only thing worse than someone explores you it is you have nobody to explore you. This is a brutal and rough true, hard to say in the politically correct time we are living in. But it is a true, still.
Anyway, even if you believe Mrs. Robinson, keep in mind that she also wrote «the purpose of studying economics is not to acquire a set of ready-made answers to economic questions, but to learn how to avoid being deceived by economists.»
O Provedor de Justiça acusa o Estado de empregar desempregados ao abrigo de programas ocupacionais em situações de «exploração institucional de mão-de-obra barata».
Em vez de se preocupar com a justiça abstracta e os direitos adquiridos, o Provedor de Justiça devia estudar economia e ler Joan Robinson, uma notável economista falecida em 1983, que disse ou escreveu (não recordo as palavras exactas) que pior do que ser explorado é não ser explorado.
Seja como for, convém não esquecer que a doutora Robinson também escreveu que «a finalidade de estudar economia não é obter respostas prontas para as questões económicas, mas aprender a não ser enganado pelos economistas».
26/03/2004
ESTÓRIA E MORAL / SHORT STORY AND BIG MORAL: Aristide e o Diabo Branco. / Aristide and the White Evil.
Summary for the sake of
Mr. Aristide the leftist priest and former elected president of Haiti (see the shortcomings of democracy?), once returned to power by the American forces sent by Mr. Clinton in 1994, was sent to exile by the rebels with a little help from his friends - a Franco-American intervention force, by the way, classified by Mr. Villepin as «perfect Franco-American co-ordination» (hélas).
Against whom Mr. Aristide fresh arrived in Central African Republic complained in a telephone call? The rebels? France, whose government implored the UN to bless an intervention, since months?
Wrong! «I was forced to leave. They came at night. There were too many ... white American, white military», he said.
The evil was American, military and white. The evil trinity.
It’s easy to find a stick to beat a dog, folks use to say.
Estória
O padre esquerdista Aristide, presidente eleito do Haiti (um exemplo da imperfeição da democracia), já havia sido deposto por um golpe em 1994. Foi então reposto no poder pelas tropas americanas mandadas pelo presidente Clinton.
Foi agora novamente deposto, desta vez pelos rebeldes com a ajuda duma força franco-americana («coordination parfaite franco-americain», d’aprés M. Villepin), intervenção que a França vinha soprando insistentemente aos ouvidos relutantes de George Bush.
Mal chegado à República Centro-Africana, para onde foi provisoriamente exilado, o padre Aristide queixou-se numa entrevista telefónica de ter sido empurrado para fora do país. Porque quem? Perguntareis. Pela sua estupidez? Pelos rebeldes? Pela França que implorava há meses uma intervenção abençoada pelo Conselho de Segurança?
Errado! Pelos militares americanos brancos, disse.
Moral
Preso por ter cão e preso por não ter.
Mr. Aristide the leftist priest and former elected president of Haiti (see the shortcomings of democracy?), once returned to power by the American forces sent by Mr. Clinton in 1994, was sent to exile by the rebels with a little help from his friends - a Franco-American intervention force, by the way, classified by Mr. Villepin as «perfect Franco-American co-ordination» (hélas).
Against whom Mr. Aristide fresh arrived in Central African Republic complained in a telephone call? The rebels? France, whose government implored the UN to bless an intervention, since months?
Wrong! «I was forced to leave. They came at night. There were too many ... white American, white military», he said.
The evil was American, military and white. The evil trinity.
It’s easy to find a stick to beat a dog, folks use to say.
Estória
O padre esquerdista Aristide, presidente eleito do Haiti (um exemplo da imperfeição da democracia), já havia sido deposto por um golpe em 1994. Foi então reposto no poder pelas tropas americanas mandadas pelo presidente Clinton.
Foi agora novamente deposto, desta vez pelos rebeldes com a ajuda duma força franco-americana («coordination parfaite franco-americain», d’aprés M. Villepin), intervenção que a França vinha soprando insistentemente aos ouvidos relutantes de George Bush.
Mal chegado à República Centro-Africana, para onde foi provisoriamente exilado, o padre Aristide queixou-se numa entrevista telefónica de ter sido empurrado para fora do país. Porque quem? Perguntareis. Pela sua estupidez? Pelos rebeldes? Pela França que implorava há meses uma intervenção abençoada pelo Conselho de Segurança?
Errado! Pelos militares americanos brancos, disse.
Moral
Preso por ter cão e preso por não ter.
25/03/2004
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: O mistério. / Something beyond the reach of my mind.
Summary for the sake of
Why Portuguese workers, and their unions, use to strike for keeping their jobs every time the boss, in this case Bombardier, a Canadian company, announces their firing to close a business where they use to work in?
Confesso a maior perplexidade cada vez que leio, como aqui, que os trabalhadores duma empresa que vai fechar, na circunstância a canadiana Bombardier, adoptam a greve como forma de «luta».
Deve haver uma explicação científica, porque a coisa vai ter um plenário ilustrado com a presença do doutor em sociologia Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN.
Why Portuguese workers, and their unions, use to strike for keeping their jobs every time the boss, in this case Bombardier, a Canadian company, announces their firing to close a business where they use to work in?
Confesso a maior perplexidade cada vez que leio, como aqui, que os trabalhadores duma empresa que vai fechar, na circunstância a canadiana Bombardier, adoptam a greve como forma de «luta».
Deve haver uma explicação científica, porque a coisa vai ter um plenário ilustrado com a presença do doutor em sociologia Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN.
24/03/2004
ESTÓRIA E MORAL / SHORT STORY AND BIG MORAL: Memória curta. / Short memory.
Summary for the sake of
Abrupto reminds us that the today Israel enemies, the communist left wing for instance, were at the time of Israeli state creation their best friends. Muslin monarchies enemies at that time, the communist left wing for instance, are today their best friends.
We should remind too that other Israel’s friends for a while, such as France, who had cooperated to build the nuclear bomb, also changed their minds, notoriously.
Estória (lembrada pelo Abrupto aqui)
«Israel foi criado à esquerda e pela esquerda. O primeiro país a reconhecer Israel foi a URSS de Staline. O Avante! saudou a vitória israelita na guerra imediatamente após a independência, como uma “vitória contra as monarquias feudais e reaccionárias” da região. Anote-se que é nessa guerra que se dão as grandes deslocações de população, que fazem hoje parte do caderno reivindicativo palestiniano.
A maioria dos dirigentes religiosos muçulmanos da região, como o Grande Mufti de Jerusalém, colaborara com os nazis durante a guerra e não escondia a sua simpatia pelo holocausto. Cientistas nazis, ideologicamente motivados pelo seu ódio aos judeus, foram um pilar dos programas de armamento de países como o Egipto “socialista” de Nasser.»
Podemos acrescentar que outros amigos de Israel que na época lhe proporcionaram assistência para construir uma central atómica (leia-se bomba atómica), a França por exemplo, também mudaram de campo.
Moral
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Abrupto reminds us that the today Israel enemies, the communist left wing for instance, were at the time of Israeli state creation their best friends. Muslin monarchies enemies at that time, the communist left wing for instance, are today their best friends.
We should remind too that other Israel’s friends for a while, such as France, who had cooperated to build the nuclear bomb, also changed their minds, notoriously.
Estória (lembrada pelo Abrupto aqui)
«Israel foi criado à esquerda e pela esquerda. O primeiro país a reconhecer Israel foi a URSS de Staline. O Avante! saudou a vitória israelita na guerra imediatamente após a independência, como uma “vitória contra as monarquias feudais e reaccionárias” da região. Anote-se que é nessa guerra que se dão as grandes deslocações de população, que fazem hoje parte do caderno reivindicativo palestiniano.
A maioria dos dirigentes religiosos muçulmanos da região, como o Grande Mufti de Jerusalém, colaborara com os nazis durante a guerra e não escondia a sua simpatia pelo holocausto. Cientistas nazis, ideologicamente motivados pelo seu ódio aos judeus, foram um pilar dos programas de armamento de países como o Egipto “socialista” de Nasser.»
Podemos acrescentar que outros amigos de Israel que na época lhe proporcionaram assistência para construir uma central atómica (leia-se bomba atómica), a França por exemplo, também mudaram de campo.
Moral
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
23/03/2004
AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: Jovem, mas sábia. / Literature has no gender, she said.
Summary for the sake of
Ana Eduarda Santos, a 21 years young woman writer made her point when answered there is not a feminine literature to the sacrosanct politically correct question can we differentiate male and female literature? Despite her youth, she showed herself much more sage than grandpa Mr. Soares mourning the death of Pali Psycho Death Cult Hamas 'spiritual' leader murdered yesterday by the hate he had fed during his entire lifetime.
Secção Res ipsa loquitor
Ao contrário do doutor Mário Soares, que já tem idade para ter siso, de luto pela morte do xeque Yassin, a jovem Ana Eduarda Santos, de 21 anos, que aos 16 anos recebeu o prémio Revelação da APE pela sua novela Luz e Sombra, mostrou uma notável lucidez quando respondeu «não vejo que faça sentido falar-se duma literatura feminina» à incontornável pergunta politicamente correcta do Independente.
A Ana Eduarda merece, só por isso, dois afonsos. Ficam três de reserva para depois do Impertinente ler a sua obra.
Ana Eduarda Santos, a 21 years young woman writer made her point when answered there is not a feminine literature to the sacrosanct politically correct question can we differentiate male and female literature? Despite her youth, she showed herself much more sage than grandpa Mr. Soares mourning the death of Pali Psycho Death Cult Hamas 'spiritual' leader murdered yesterday by the hate he had fed during his entire lifetime.
Secção Res ipsa loquitor
Ao contrário do doutor Mário Soares, que já tem idade para ter siso, de luto pela morte do xeque Yassin, a jovem Ana Eduarda Santos, de 21 anos, que aos 16 anos recebeu o prémio Revelação da APE pela sua novela Luz e Sombra, mostrou uma notável lucidez quando respondeu «não vejo que faça sentido falar-se duma literatura feminina» à incontornável pergunta politicamente correcta do Independente.
A Ana Eduarda merece, só por isso, dois afonsos. Ficam três de reserva para depois do Impertinente ler a sua obra.
22/03/2004
ESTÓRIA E MORAL / SHORT STORY AND BIG MORAL: Nem todo o assassinato é terrorismo. / Not all murders are terrorism.
Summary for the sake of
Make no mistake: the murder of sheik Yassin, the mastermind of Hamas terrorist killers, is still a murder. As well as it is murder the killing of his bodyguards and accidentally other Palestinians
But it is not terrorism. See UN’s Proposed Definitions of Terrorism.
Tit for tat, should I say?
Estória
Entendamo-nos: o assassinato do xeque Yassin, chefe dos terroristas do Hamas, é ainda um assassinato. Como é ainda assassinato a morte dos capangas seus guarda-costas e de alguns outros palestinos acidentalmente atingidos.
Mas não é terrorismo de Estado como lhes está a chamar a esquerdalhada. É de Estado, mas não é terrorismo.
No site das ONU pode ler-se nas Proposed Definitions of Terrorism
"Terrorism is an anxiety-inspiring method of repeated violent action, employed by (semi-) clandestine individual, group or state actors, for idiosyncratic, criminal or political reasons, whereby - in contrast to assassination - the direct targets of violence are not the main targets. The immediate human victims of violence are generally chosen randomly (targets of opportunity) or selectively (representative or symbolic targets) from a target population, and serve as message generators. Threat- and violence-based communication processes between terrorist (organization), (imperilled) victims, and main targets are used to manipulate the main target (audience(s)), turning it into a target of terror, a target of demands, or a target of attention, depending on whether intimidation, coercion, or propaganda is primarily sought" (Schmid, 1988).
Moral
Quem com ferro mata, com ferro morre.
Make no mistake: the murder of sheik Yassin, the mastermind of Hamas terrorist killers, is still a murder. As well as it is murder the killing of his bodyguards and accidentally other Palestinians
But it is not terrorism. See UN’s Proposed Definitions of Terrorism.
Tit for tat, should I say?
Estória
Entendamo-nos: o assassinato do xeque Yassin, chefe dos terroristas do Hamas, é ainda um assassinato. Como é ainda assassinato a morte dos capangas seus guarda-costas e de alguns outros palestinos acidentalmente atingidos.
Mas não é terrorismo de Estado como lhes está a chamar a esquerdalhada. É de Estado, mas não é terrorismo.
No site das ONU pode ler-se nas Proposed Definitions of Terrorism
"Terrorism is an anxiety-inspiring method of repeated violent action, employed by (semi-) clandestine individual, group or state actors, for idiosyncratic, criminal or political reasons, whereby - in contrast to assassination - the direct targets of violence are not the main targets. The immediate human victims of violence are generally chosen randomly (targets of opportunity) or selectively (representative or symbolic targets) from a target population, and serve as message generators. Threat- and violence-based communication processes between terrorist (organization), (imperilled) victims, and main targets are used to manipulate the main target (audience(s)), turning it into a target of terror, a target of demands, or a target of attention, depending on whether intimidation, coercion, or propaganda is primarily sought" (Schmid, 1988).
Moral
Quem com ferro mata, com ferro morre.
21/03/2004
AVALIAÇÃO CONTÍNUA / CONTINUOUS APPRAISAL: Depois do socialismo, a democracia na gaveta. / Negotiate he said. Surrender he meant.
Summary for the sake of
Mr. Mário Soares former freedom champion, former socialist leader, former prime minister, former president of the Republic and former owner of a healthy mind, declared a couple of days ago that end terror demands negotiation with terrorists.
He didn’t specify what would be negotiated. Here a half dozen ideas:
+ Introduce sharia in the Portuguese Constitution
+ Mutilate the genital apparatus of Mrs. Ana Gomes, the socialist party speaker for foreign affairs
+ Adopt the Koran in the classrooms of Colégio Moderno, the school owned by Soares family
+ Decorate Mr. Being Laden in June 10th, the Portuguese national holiday
+ Open Al Qaeda’s embassy in Lisbon downtown
+ Empower Mr. Saddam as honorary governor of Algarve (Al Garb, in Arabian) the southern Portuguese region, once part of Granada caliphate.
Secção Still crazy after all these years
O doutor Mário Soares disse há dias do terrorismo que «para terminar com isso tem de se negociar com eles». Vinte anos após ter declarado solenemente, em boa hora, que era preciso meter o socialismo na gaveta, o doutor Soares pretende agora meter a democracia na mesma gaveta.
É difícil encontrar um exemplo mais definitivo de esquerdismo senil. Aqui fica um apelo à família para defender o seu patriarca de si próprio, preservando um módico de respeito que ainda possa merecer a algum português distraído, fora do círculo parkinsoniano da esquerdalhada.
Enquanto isso, dou-lhe cinco bourbons.
Mr. Mário Soares former freedom champion, former socialist leader, former prime minister, former president of the Republic and former owner of a healthy mind, declared a couple of days ago that end terror demands negotiation with terrorists.
He didn’t specify what would be negotiated. Here a half dozen ideas:
+ Introduce sharia in the Portuguese Constitution
+ Mutilate the genital apparatus of Mrs. Ana Gomes, the socialist party speaker for foreign affairs
+ Adopt the Koran in the classrooms of Colégio Moderno, the school owned by Soares family
+ Decorate Mr. Being Laden in June 10th, the Portuguese national holiday
+ Open Al Qaeda’s embassy in Lisbon downtown
+ Empower Mr. Saddam as honorary governor of Algarve (Al Garb, in Arabian) the southern Portuguese region, once part of Granada caliphate.
Secção Still crazy after all these years
O doutor Mário Soares disse há dias do terrorismo que «para terminar com isso tem de se negociar com eles». Vinte anos após ter declarado solenemente, em boa hora, que era preciso meter o socialismo na gaveta, o doutor Soares pretende agora meter a democracia na mesma gaveta.
É difícil encontrar um exemplo mais definitivo de esquerdismo senil. Aqui fica um apelo à família para defender o seu patriarca de si próprio, preservando um módico de respeito que ainda possa merecer a algum português distraído, fora do círculo parkinsoniano da esquerdalhada.
Enquanto isso, dou-lhe cinco bourbons.
20/03/2004
O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES / GIVING DETRACTORS A CHANCE: O macho de Trancoso. / The ultimate Portuguese male.
Summary for the sake of
Once I disagreed with a BlogIsland famous guru’s assertion about the so-called brave maleness of the Portuguese mild male. Now it’s my turn to be disagreed with by a frequent reader and accidental detractor who quotes a presumptive historical record to ground the idea that there are, or at least there was, brave Portuguese males.
This record tells the story of a humble Portuguese priest living in 15th century convicted to be quartered, but later indulged by the King, for fathering almost 300 children from dozens of mothers, including his own and an aunt of him
Credo quia absurdum.
Se o Abrupto continua a dar voz aos seus leitores (quase todos seus admiradores) o Impertinências continua a ir mais longe, dando voz aos seus detractores (quase todos os seus leitores).
Vem isto a talhe de foice do post Macho? Moi?, em que se demonstrou que, longe de serem machos valentões, como se queixava o Abrupto (sempre ele), os machos portugueses são bastantemente mansos.
À semelhança da esquerdalhada, que condena mas compreende o terrorismo, um leitor habitual e detractor acidental escreve que «concorda, mas há excepções».
Como exemplo, aponta o Padre Francisco da Costa, citando a putativa «Sentença proferida em 1487 no processo contra o prior de Trancoso. Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5º, maço 7)», que reza assim:
«Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.
Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres. [agora vem o melhor:] El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo».
Credo quia absurdum.
Once I disagreed with a BlogIsland famous guru’s assertion about the so-called brave maleness of the Portuguese mild male. Now it’s my turn to be disagreed with by a frequent reader and accidental detractor who quotes a presumptive historical record to ground the idea that there are, or at least there was, brave Portuguese males.
This record tells the story of a humble Portuguese priest living in 15th century convicted to be quartered, but later indulged by the King, for fathering almost 300 children from dozens of mothers, including his own and an aunt of him
Credo quia absurdum.
Se o Abrupto continua a dar voz aos seus leitores (quase todos seus admiradores) o Impertinências continua a ir mais longe, dando voz aos seus detractores (quase todos os seus leitores).
Vem isto a talhe de foice do post Macho? Moi?, em que se demonstrou que, longe de serem machos valentões, como se queixava o Abrupto (sempre ele), os machos portugueses são bastantemente mansos.
À semelhança da esquerdalhada, que condena mas compreende o terrorismo, um leitor habitual e detractor acidental escreve que «concorda, mas há excepções».
Como exemplo, aponta o Padre Francisco da Costa, citando a putativa «Sentença proferida em 1487 no processo contra o prior de Trancoso. Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5º, maço 7)», que reza assim:
«Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.
Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres. [agora vem o melhor:] El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo».
Credo quia absurdum.
19/03/2004
CONDIÇÃO MASCULINA / STATE OF MEN: Marta's Vineyard. / She calls the shots.
«Marta Sahagún de Fox, the wife of Mexico's president, Vicente Fox, corrected her husband after he said that she would not be a candidate to succeed him in 2006. “I haven't taken a decision yet,” said Mrs Fox.»
(The Economist, The world this week: Politics 13th - 19th March 2004)
Summary for the sake of (hoje é ao contrário)
Segundo o incontornável Economist, don Vicente, que não manda no México (deixa isso para George W.), também não manda em casa (deixa isso para dona Marta).
Se isto é no México, que na pontuação do Professor Hofstede tem 69 na dimensão masculino/feminino, será que a dona Maria José iria suceder ao doutor Sampaio, concorrendo contra a doutora Maria Cavaco para presidente dum país que tem 31 na dita?
(The Economist, The world this week: Politics 13th - 19th March 2004)
Summary for the sake of (hoje é ao contrário)
Segundo o incontornável Economist, don Vicente, que não manda no México (deixa isso para George W.), também não manda em casa (deixa isso para dona Marta).
Se isto é no México, que na pontuação do Professor Hofstede tem 69 na dimensão masculino/feminino, será que a dona Maria José iria suceder ao doutor Sampaio, concorrendo contra a doutora Maria Cavaco para presidente dum país que tem 31 na dita?
18/03/2004
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: Aterragem / Landing
Summary for the sake of
Back home, coming from nowhere land and being shattered by the announcement of a leftist infestation under the appearance of a demonstration about terrorism (meaning we condemn but we do understand, yeah).
De volta a casa, vindo dos confundó do Judas, abate-se sobre mim o anúncio da maninfestação «contra» o terrorismo que se anuncia, promovida pela esquerdalhada do condenamos (que remédio), mas compreendemos (et pour cause).
Back home, coming from nowhere land and being shattered by the announcement of a leftist infestation under the appearance of a demonstration about terrorism (meaning we condemn but we do understand, yeah).
De volta a casa, vindo dos confundó do Judas, abate-se sobre mim o anúncio da maninfestação «contra» o terrorismo que se anuncia, promovida pela esquerdalhada do condenamos (que remédio), mas compreendemos (et pour cause).
03/03/2004
DIÁRIO DE BORDO / LOG BOOK: Até o Impertinências precisa duma relaxada. / Give peace of mind a chance.
Summary for the sake of
Somewhere around 30ºS 45ºW a worried soul will rest for a while.
Algures 30ºS 45ºW uma alma atormentada repousará algum tempo. (Ainda não é desta o Piton da la Fournaise)
Somewhere around 30ºS 45ºW a worried soul will rest for a while.
Algures 30ºS 45ºW uma alma atormentada repousará algum tempo. (Ainda não é desta o Piton da la Fournaise)
CASE STUDY: Agarrados pelo amor / Addicted to love.
Summary for the sake of
Recent scientific research had confirmed what was known at least since Adam and Eve: love is a matter of chemicals, addiction and gut feelings.
For a start, love «it comes in three flavours: lust, romantic love and long-term attachment». For the good and for the evil, these three flavours come independently, what makes «possible to love more than one person at a time».
Moreover, men and women (or she-men to respect politically correctness guide lines) fall in love differently. «Men are more attracted to youth and beauty, while women are more attracted to money, education and position». No wonder «when an older, ugly man is seen walking down the road arm-in-arm with a young and beautiful woman, most people assume the man is rich or powerful.»
Since most of the folks fall in love from time to time, could we say love is a weapon of mass destruction?
Para ser honesto, os temas sobre os quais mais gosto de escrever são aqueles em a minha ignorância é grande. Por puro gozo, mas também por duas razões práticas. A primeira é que fica mais fácil escolher o tema. A segunda razão é que esta singularidade, sendo tão plural, dá algumas garantias que vou ser perdoado, pelo menos pela legião imensa dos praticantes desta religião.
Vem isto a propósito de «I get a kick out of you», um instrutivo e divertidissimo artigo do incontornável Economist. Apesar das 3 páginas do artigo, a coisa conta-se num terço de página.
Tal como sempre suspeitámos, em matérias de amor, sexo e afecto, é tudo uma questão de química, literalmente - vasopressin e oxytocin são os ingredientes para este tipo de pedradas, diz quem sabe.
É também uma questão de cartografia do cérebro. E aqui a coisa também confirma a sabedoria popular. As zonas do cérebro dedicadas ao amor e ao sexo são consideravelmente mais reduzidas do que as dedicadas à amizade. As áreas afectadas pelo amor e o sexo abrangem as dedicadas aos gut feelings e à «euforia induzida pelas drogas, tais como cocaína». E, como seria de esperar, a ressaca do sexo é semelhante à dos opiáceos.
Como o amor lacto sensu inclui a luxúria (adoro esta palavra), o amor romântico e a ligação de longo prazo, e estes 3 sentimentos são cerebralmente independentes, é possível «amar» ao mesmo tempo diferentes pessoas.
Mas o pior está para chegar. Os dois géneros (sim, os dois géneros, não há terceiro género, há é avarias nos géneros), ou, mais rigorosamente, os cérebros dos dois géneros, têm abordagem diferentes: os homens são mais atraídos pelo juventude e beleza e as mulheres pelo dinheiro, educação e posição.
Qual é a novidade? Sempre soubemos disso. As coisas só começaram a ficar confusas quando o pensamento politicamente correcto começou a contaminar a ciência genuína.
Recent scientific research had confirmed what was known at least since Adam and Eve: love is a matter of chemicals, addiction and gut feelings.
For a start, love «it comes in three flavours: lust, romantic love and long-term attachment». For the good and for the evil, these three flavours come independently, what makes «possible to love more than one person at a time».
Moreover, men and women (or she-men to respect politically correctness guide lines) fall in love differently. «Men are more attracted to youth and beauty, while women are more attracted to money, education and position». No wonder «when an older, ugly man is seen walking down the road arm-in-arm with a young and beautiful woman, most people assume the man is rich or powerful.»
Since most of the folks fall in love from time to time, could we say love is a weapon of mass destruction?
Para ser honesto, os temas sobre os quais mais gosto de escrever são aqueles em a minha ignorância é grande. Por puro gozo, mas também por duas razões práticas. A primeira é que fica mais fácil escolher o tema. A segunda razão é que esta singularidade, sendo tão plural, dá algumas garantias que vou ser perdoado, pelo menos pela legião imensa dos praticantes desta religião.
Vem isto a propósito de «I get a kick out of you», um instrutivo e divertidissimo artigo do incontornável Economist. Apesar das 3 páginas do artigo, a coisa conta-se num terço de página.
Tal como sempre suspeitámos, em matérias de amor, sexo e afecto, é tudo uma questão de química, literalmente - vasopressin e oxytocin são os ingredientes para este tipo de pedradas, diz quem sabe.
É também uma questão de cartografia do cérebro. E aqui a coisa também confirma a sabedoria popular. As zonas do cérebro dedicadas ao amor e ao sexo são consideravelmente mais reduzidas do que as dedicadas à amizade. As áreas afectadas pelo amor e o sexo abrangem as dedicadas aos gut feelings e à «euforia induzida pelas drogas, tais como cocaína». E, como seria de esperar, a ressaca do sexo é semelhante à dos opiáceos.
Como o amor lacto sensu inclui a luxúria (adoro esta palavra), o amor romântico e a ligação de longo prazo, e estes 3 sentimentos são cerebralmente independentes, é possível «amar» ao mesmo tempo diferentes pessoas.
Mas o pior está para chegar. Os dois géneros (sim, os dois géneros, não há terceiro género, há é avarias nos géneros), ou, mais rigorosamente, os cérebros dos dois géneros, têm abordagem diferentes: os homens são mais atraídos pelo juventude e beleza e as mulheres pelo dinheiro, educação e posição.
Qual é a novidade? Sempre soubemos disso. As coisas só começaram a ficar confusas quando o pensamento politicamente correcto começou a contaminar a ciência genuína.
02/03/2004
AVALIAÇÃO CONTÍNUA/CONTINUOUS APPRAISAL: A 3ª e 4ª estão mortas. Viva a 5ª Internacional./The Orphans Founding Fathers of the 5th International.
Summary for the sake of
A few years ago, the remains of communism, in Stalinist, Trotskyite and Maoist versions of theirs, had gathered together and with the queer congregation to launch a new creature of their dead minds named Bloco de Esquerda (Left Block).
In a dinner to commemorate the 5th anniversary of such alien creature, the orphans of the 3rd International, the orphans of 4th International, and the just orphans, inescapably, produced a lot of noisy flatulencies, such as the idea, to name one, of creation of a new anti-globalization International (the 5th, I guess).
Secção Padre Anchieta
O comício gastronómico do Bloco de Esquerda no passado Sábado foi pródigo em flatulência, de que se citam apenas duas e meia, com a respectiva tradução para leitores não versados em bloquês.
«Ao contrário do nacional-comunismo do PCP, o Bloco entende que os destinos e as tarefas da sociedade são indissociáveis do movimento internacional por uma globalização alternativa», disse o professor Fernando Rosas, que por um pouco não foi nosso presidente da República. Recordando com saudade os seus anos de maoísmo, continua a rejeitar o social-fascismo (era esse o nome em vigor que o professor, quando aluno, chamava às múmias comunistas) e, novidade, quer agora construir a 5ª Internacional. Para quem não se recorde, a 3ª foi extinta pelo José Estaline, pai deles todos, excepto dos adeptos da 4ª, que foi criada pelo pai do tele-evangelista, Leão Trotsky, que, por sua vez, foi mandado matar pelo exterminador da 3ª.
O professor Rosas ainda teve tempo de esclarecer os fiéis que «acabou com os tiques do centralismo democrático, com os dogmas da vanguarda, criando um movimento plural», que, diria eu, é um movimento mais singular do que plural.
«A Forza Italia do primeiro-ministro italiano Berlusconi, de um magnata que instrumentalizou o povo italiano e está a pôr a toque de caixa toda a comunicação social. É esta a fonte de inspiração de quem agora decidiu que Portugal precisa de força. Mas não passarão», disse o doutor Miguel Portas, qual Pasionaria de calças, querendo significar que o povo italiano é completamente estúpido, os jornalistas italianos um cambada de vendidos e que alguém decidiu alguma coisa no nosso país, mas que ele, doutor Portas, e os outros bloquistas, muitos deles jornalistas, interporão os seus corpos no caminho dos putativos decisores.
Podemos dormir descansados.
Para estes dois ilustres representantes da esquerdalhada vão 5 bourbons e outros 5 chateaubriands, os primeiros para premiar as almas das duas criaturas, encalhadas algures numa qualquer década do século passado, e os segundos para premiar a confusão em que estão ensopadas.
A few years ago, the remains of communism, in Stalinist, Trotskyite and Maoist versions of theirs, had gathered together and with the queer congregation to launch a new creature of their dead minds named Bloco de Esquerda (Left Block).
In a dinner to commemorate the 5th anniversary of such alien creature, the orphans of the 3rd International, the orphans of 4th International, and the just orphans, inescapably, produced a lot of noisy flatulencies, such as the idea, to name one, of creation of a new anti-globalization International (the 5th, I guess).
Secção Padre Anchieta
O comício gastronómico do Bloco de Esquerda no passado Sábado foi pródigo em flatulência, de que se citam apenas duas e meia, com a respectiva tradução para leitores não versados em bloquês.
«Ao contrário do nacional-comunismo do PCP, o Bloco entende que os destinos e as tarefas da sociedade são indissociáveis do movimento internacional por uma globalização alternativa», disse o professor Fernando Rosas, que por um pouco não foi nosso presidente da República. Recordando com saudade os seus anos de maoísmo, continua a rejeitar o social-fascismo (era esse o nome em vigor que o professor, quando aluno, chamava às múmias comunistas) e, novidade, quer agora construir a 5ª Internacional. Para quem não se recorde, a 3ª foi extinta pelo José Estaline, pai deles todos, excepto dos adeptos da 4ª, que foi criada pelo pai do tele-evangelista, Leão Trotsky, que, por sua vez, foi mandado matar pelo exterminador da 3ª.
O professor Rosas ainda teve tempo de esclarecer os fiéis que «acabou com os tiques do centralismo democrático, com os dogmas da vanguarda, criando um movimento plural», que, diria eu, é um movimento mais singular do que plural.
«A Forza Italia do primeiro-ministro italiano Berlusconi, de um magnata que instrumentalizou o povo italiano e está a pôr a toque de caixa toda a comunicação social. É esta a fonte de inspiração de quem agora decidiu que Portugal precisa de força. Mas não passarão», disse o doutor Miguel Portas, qual Pasionaria de calças, querendo significar que o povo italiano é completamente estúpido, os jornalistas italianos um cambada de vendidos e que alguém decidiu alguma coisa no nosso país, mas que ele, doutor Portas, e os outros bloquistas, muitos deles jornalistas, interporão os seus corpos no caminho dos putativos decisores.
Podemos dormir descansados.
Para estes dois ilustres representantes da esquerdalhada vão 5 bourbons e outros 5 chateaubriands, os primeiros para premiar as almas das duas criaturas, encalhadas algures numa qualquer década do século passado, e os segundos para premiar a confusão em que estão ensopadas.
01/03/2004
BLOGARIDADES / BLOGARITIES: Fusão liberal na Bloguilha. / M&A in liberal BlogIsland.
Summary for the sake of
Mergers & Acquisitions happen everywhere, even in the Portuguese BlogIsland. The newcomer Blasfémias (Blasphemes) is welcome hopping it inherits the attributes of the deceased Cataláxia, MATA-MOUROS and Cidadão Livre.
Até na Bloguilha as fusões acontecem.
Perdem-se os Blogues Impertinentes Cataláxia e MATA-MOUROS e ainda o Cidadão Livre (prazer em conhecer) e ganham-se as Blasfémias, que entram directamente para o mesmo departamento, à custa das referências daqueles dois e da produção do primeiro dia, apesar da receita do cozido à portuguesa falhar, inexplicavelmente, nos enchidos.
Mergers & Acquisitions happen everywhere, even in the Portuguese BlogIsland. The newcomer Blasfémias (Blasphemes) is welcome hopping it inherits the attributes of the deceased Cataláxia, MATA-MOUROS and Cidadão Livre.
Até na Bloguilha as fusões acontecem.
Perdem-se os Blogues Impertinentes Cataláxia e MATA-MOUROS e ainda o Cidadão Livre (prazer em conhecer) e ganham-se as Blasfémias, que entram directamente para o mesmo departamento, à custa das referências daqueles dois e da produção do primeiro dia, apesar da receita do cozido à portuguesa falhar, inexplicavelmente, nos enchidos.
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