Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

24/04/2014

Vivemos num estado policial? (6)

Numa louvável acção patriótica «Polícias vão avisar turistas nos aeroportos que políticas do Governo colocam em causa segurança do país», segundo o Público, ele próprio um produtor muito patriótico de notícias de causas.

O aviso parece dever-se à escassez de recursos policiais que é uma coisa que nem carece de demonstração uma vez que, segundo os números da UNODC, somos o terceiro estado mais policiado da Europa apenas ultrapassados por Malta e pela Irlanda do Norte, pudera! (ver os outros posts desta série).

Nas notícias de causas nunca houve uma sobre a iniciativa dos senhores agentes da PSP se terem proposto avisar a seu tempo os turistas que as políticas adoptadas durante duas décadas por vários governos (principalmente socialistas) colocariam em causa a própria soberania do país. O que, aliás se percebe, porque até então ainda nenhum desses governos se tinha lembrado de testar o patriotismo das forças de segurança cortando-lhes o subsídio de fardamento .

É uma iniciativa a todos os títulos demonstrativa do dinamismo dos senhores agentes da PSP que se propõem abandonar o conforto das suas esquadras, de onde até os mais atrevidos bandidos têm dificuldade em fazê-los sair, e mostrar os seus uniformes aos turistas estrangeiros que por cá dificilmente terão outra oportunidade de os ver, a menos que visitem as esquadras onde eles tomam conta das ocorrências.

Outros casos de polícia: (1), (2), (3), (4) e (5).

23/04/2014

Ressabiados do regime (5) – O caso notável do professor Freitas do Amaral (outra vez)

(Uma espécie de continuação daqui)

Depois deste post do Impertinente fiquei sem motivação para seviciar o professor doutor Freitas do Amaral, mas não resisto a citar uns excertos das sevícias perpetradas ao emérito por Camilo Lourenço no Negócio.

«Freitas chegou, ao fim de 40 anos de política (se descontarmos as ligações ao anterior regime), ao zénite da imbecilidade: participou num dos piores governos da Democracia, de onde saiu empurrado, e nos anos mais recentes vem-se desdobrando em intervenções a roçar a indigência.

Estranho destino este, o de um político que comandava o único partido que teve a coragem de votar contra a Constituição de 1976 (a falta que fazes, Amaro da Costa). Um político que defendeu a eleição do general Soares Carneiro, que pretendia convocar um referendo para mudar a Constituição (contra a própria CRP). Porque essa Constituição era socialista. O mesmo socialismo que Freitas defende agora.»

ESTÓRIA E MORAL: Já se têm ganho batalhas em guerra perdidas

Estória

«Portugal realizou, hoje, um leilão de dívida de longo prazo, através de um aumento da emissão já existente para Fevereiro de 2024. Torna se relevante referir que esta foi a primeira emissão de divida de longo prazo após o pedido de ajuda financeira, sem o apoio de um sindicato bancário.

O montante desta operação ascendeu a 750 milhões de euros, o valor máximo do intervalo inicialmente indicado pelo Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), de 500 a 750 milhões de euros. A taxa de juro implícita situou se nos 3.575%, o valor mais baixo pago em emissões comparáveis desde 2005 (3.436%). De referir, ainda, que o último leilão de dívida de longo prazo não sindicado realizado pelo Estado português ocorreu em Janeiro de 2011, meses antes do pedido de ajuda externa, com a yield média da emissão a situar se nos 6.72%.

De referir que a procura por esta emissão superou a oferta de forma significativa, com o rácio bid to cover a situar se em 3.5 vezes.

Por último, torna se relevante referir que, no mercado secundário, as yields da dívida soberana portuguesa mantêm a tendência de redução, com a maturidade a 10 anos a transaccionar nos 3.64%, o valor mais baixo dos últimos oito anos (2006).»

(Fonte: newsletter do BPI)

Moral da estória

Não deitemos foguetes antes de tempo porque a procissão ainda vai no adro.

Declaração de interesse

Só quem denunciou as políticas suicidas de endividamento, não embarcou na ilusão dos governos socialistas de que as taxas baixas resultavam da saúde financeira do Estado, não inventou teorias da conspiração acerca das agências de rating, da dona Merkel, dos ianques and so on, como os contribuintes do (Im)pertinências, entre não muitos outros, tem legitimidade para referir-se ao acesso aos mercados desta maneira.

Quem andou anos a viver de mitologias e a inventar teorias da conspiração terá de:  1.º reconhecer a sua burrice e/ou falta da honestidade intelectual; 2.º bater com a cabeça na parede e pedir desculpa aos visados; 3.º estudar estas matérias e, só então, 4.º escrever sobre elas com a humildade que os ignorantes e/ou arrependidos devem demonstrar.

ESTÓRIA E MORAL: O arrependido (continuação)

Estória (mais um episódio)

Anunciando a tempestade socrática
Depois de ter lido estas declarações em mais um congresso de jarretas do cristão-democrata, rigorosamente centrista, social-democrata, socialista, visionário de tempestades socráticas, social-frentista Freitas do Amaral, pensei escrever sobre ele mais uma catilinária.

Mudei de ideias, não que ele não merecesse ser desancado, mas porque já o fiz tantas vezes nos posts do (Im)pertinências que uma mais não acrescenta verrina.

Vou, por isso, apenas continuar um post do fim de 2011, a propósito de mais um dos seus inúmeros flip-flops, acrescentando a minha inesgotável surpresa por uma criatura que conviveu sem problemas de consciências com o antigo regime na versão Marcello Caetano atormentar-se agora com o governo «mais à direita nos últimos 40 anos».

Moral (a mesma)

«O nosso arrependimento não é tanto um remorso pelo mal que fizemos, mas um receio das suas consequências». (La Rochefoucauld)

22/04/2014

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Le communisme est mort et le socialisme se meurt. Pour l'instant en France.

Alain Minc, economista desalinhado, antigo conselheiro de Sarkozy, sobre o fim do comunismo e o princípio do fim do socialismo em França, numa entrevista a L’Express:

«Les socialistes, pour la première fois, reconnaissent le monde tel qu'il existe. Avant, ils se comportaient d'une manière qui montrait qu'ils l'avaient compris, mais ils ne voulaient pas l'assumer idéologiquement. C'était la "parenthèse", même au moment où Pierre Bérégovoy menait une politique si intelligemment libérale.

C'était toujours la parenthèse lorsque Lionel Jospin nous inventait son : "Oui à l'économie de marché, non à la société de marché." Là, les choses sont dites. Au fond, Mitterrand nous avait débarrassés du communisme, Hollande nous débarrasse du socialisme. C'est, pour la France, un pas en avant gigantesque

[A partir de um post de Joaquim Couto]

ACREDITE SE QUISER: O mistério do voo 370 - a melhor explicação é muitas vezes a mais simples


Um simples fogo de origem eléctrica que inutiliza vários sistemas, a mudança súbita de rumo para um aeroporto alternativo e as prioridades dos pilotos profissionais - aviate, navigate, and lastly, communicate – podem explicar quase tudo, sem necessidade de teorias da conspiração.

A ler: «A Startlingly Simple Theory About the Missing Malaysia Airlines Jet» por Chris Goodfellow, um comandante experiente

21/04/2014

Dúvidas (38) – Terá o eleitorado um resíduo de bom senso?

Surpreendentemente, pelo menos para mim, segundo uma sondagem CM/Aximage, o PS ainda continuava com intenções de voto inferiores às do conjunto PSD-CDS (36,1% contra 37,6%). Surpreendentemente porque várias sondagens recentes mostravam o PS à frente.

Ainda mais surpreendente, à pergunta «em quem tem maior confiança para primeiro-ministro?» 38,4% responderam Passos e 35,5% Seguro.

Se as coisas continuarem assim para o Tozé, não tarda é comido por todos inimigos internos (Churchill dixit). A menos que nenhum dos challengers antecipe em 2015 uma vitória do PS suficiente para governar – nesse caso é bem possível que o deixem ficar a torrar.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again

Fonte: Bloomberg
Para encontrar uma yield das OT a 10 anos inferior à do fecho de sexta-feira (3,736%) é preciso recuar 8 anos. Porém, não é caso para embandeirar em arco por várias e sensatas razões.

Desde logo porque há 8 anos as yields baixas resultavam mais do contexto dos mercados do que da confiança que a nossa situação inspirasse aos investidores. Nessa altura, o crescimento da economia era já medíocre, apesar do endividamento externo galopante, e ainda mais se à taxa de crescimento deduzíssemos a taxa de crescimento da dívida externa, como aqui fez Mário Amorim Lopes no Insurgente.

Ora se as nossas yields caíram para metade desde Setembro do ano passado, nuns escassos 7 meses, isso não se deve às nossas modestas realizações, quase todas perfeitamente reversíveis a curto prazo, nem se deve às profundas reformas que não fizemos, mas deve-se à procura de aplicações rentáveis por parte dos investidores cuja percepção de risco os está a conduzir a desinvestir nos países emergentes que viveram os últimos anos à boleia do boom de matérias-primas agora em fase de esvaziamento.

Expresso
De onde, devemos estar conscientes que a nossa dependência atávica da conjuntura internacional, que nos proporcionou dinheiro fácil e barato durante mais de uma década e nos conduziu a um endividamento pletórico, tem virtualidades de nos deixar enterrados nele remoendo a ilusão de que «desta vez é diferente».

Há vários sinais dessa ilusão, quer no governo, quer nas famílias. O governo prepara-se para aumentar o salário mínimo e afrouxar as reformas, já de si frouxas. As famílias estão a voltar à euforia consumista do passado: a poupança e depósitos estão a encolher; a classe média está a voltar em massa aos ginásios para queimar as banhas; as vendas de automóveis no 1.º trimestre aumentaram mais de 40% face a 2013; as reservas nas agências de viagens cresceram significativamente esta Páscoa. E não é apenas um fenómeno pontual – é a continuação de uma tendência já revelada no 3.º trimestre do ano passado.

20/04/2014

Lost in translation (199) - A acusação mais injusta do PS desde a queda do fascismo

O Acção Socialista Expresso informa os seus militantes leitores que o «PS acusa Governo de querer criar um "Estado mínimo"». É totalmente mentira. O governo procura manter o Estado mais ou menos do tamanho com que o recebeu das mãos do PS.

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.


Rubin (Hurricane) Carter, um grande pugilista, injustamente condenado por
 assassinato a quem um grande cantor e compositor dedicou uma inspirada canção

Um dia como os outros na vida do estado sucial (17) – É uma questão de perspectiva

O Esquerda.net Expresso usou o título «Profissionais de Santa Cruz impedidos de defender o próprio hospital» para publicar a indignação do cabeça de casal dirigente do BE em nome (eles estão sempre a falar em nome de alguém) dos «médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares, administrativos e todos os outros funcionários do Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, (que) estiveram impedidos de utilizar a rede interna para acederem a uma petição na Internet em defesa da unidade hospitalar», ou seja impedidos de aceder através da internet do seu empregador a uma petição para contestar uma decisão do accionista de fechar no hospital a cirurgia cardiotorácica e a cardiologia pediátrica.

Sem surpresa, a presidente do hospital, em vez de dizer algo como os «funcionários são pagos para prestaram serviço aos utentes e não para navegarem na internet», deu a desculpa esfarrapadas de «um problema técnico com consequente bloqueio temporário do acesso».

PUBLIC SERVICE: Keep it cool

Quase em simultâneo com publicação do relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), no princípio deste mês, cientistas agrupados no Nongovernmental International Panel on Climate Change (NIPCC) publicaram um outro relatório com conclusões em vários aspectos divergentes do primeiro.

Joe Bast, um dos cientistas do NIPCC sistematizou no seu blogue Somewhat Reasonable essas divergências:

IPCC: “Risk of death, injury, and disrupted livelihoods in low-lying coastal zones and small island developing states, due to sea-level rise, coastal flooding, and storm surges.”

NIPCC: “Flood frequency and severity in many areas of the world were higher historically during the Little Ice Age and other cool eras than during the twentieth century. Climate change ranks well below other contributors, such as dikes and levee construction, to increased flooding.”

IPCC: “Risk of food insecurity linked to warming, drought, and precipitation variability, particularly for poorer populations.”

NIPCC: “There is little or no risk of increasing food insecurity due to global warming or rising atmospheric CO2 levels. Farmers and others who depend on rural livelihoods for income are benefitting from rising agricultural productivity throughout the world, including in parts of Asia and Africa where the need for increased food supplies is most critical. Rising temperatures and atmospheric CO2 levels play a key role in the realization of such benefits.

IPCC: “Risk of severe harm for large urban populations due to inland flooding.”

NIPCC: “No changes in precipitation patterns, snow, monsoons, or river flows that might be considered harmful to human well-being or plants or wildlife have been observed that could be attributed to rising CO2 levels. What changes have been observed tend to be beneficial.”

IPCC: “Risk of loss of rural livelihoods and income due to insufficient access to drinking and irrigation water and reduced agricultural productivity, particularly for farmers and pastoralists with minimal capital in semi-arid regions.” NIPCC: “Higher atmospheric CO2 concentrations benefit plant growth-promoting microorganisms that help land plants overcome drought conditions, a potentially negative aspect of future climate change. Continued atmospheric CO2 enrichment should prove to be a huge benefit to plants by directly enhancing their growth rates and water use efficiencies.”

IPCC: “Systemic risks due to extreme [weather] events leading to breakdown of infrastructure networks and critical services.”

NIPCC: “There is no support for the model-based projection that precipitation in a warming world becomes more variable and intense. In fact, some observational data suggest just the opposite, and provide support for the proposition that precipitation responds more to cyclical variations in solar activity.”

IPCC: “Risk of loss of marine ecosystems and the services they provide for coastal livelihoods, especially for fishing communities in the tropics and the Arctic.”

NIPCC: “Rising temperatures and atmospheric CO2 levels do not pose a significant threat to aquatic life. Many aquatic species have shown considerable tolerance to temperatures and CO2 values predicted for the next few centuries, and many have demonstrated a likelihood of positive responses in empirical studies. Any projected adverse impacts of rising temperatures or declining seawater and freshwater pH levels (“acidification”) will be largely mitigated through phenotypic adaptation or evolution during the many decades to centuries it is expected to take for pH levels to fall.”

IPCC: “Risk of loss of terrestrial ecosystems and the services they provide for terrestrial livelihoods.”

NIPCC: “Terrestrial ecosystems have thrived throughout the world as a result of warming temperatures and rising levels of atmospheric CO2. Empirical data pertaining to numerous animal species, including amphibians, birds, butterflies, other insects, reptiles, and mammals, indicate global warming and its myriad ecological effects tend to foster the expansion and proliferation of animal habitats, ranges, and populations, or otherwise have no observable impacts one way or the other. Multiple lines of evidence indicate animal species are adapting, and in some cases evolving, to cope with climate change of the modern era.”

IPCC: “Risk of mortality, morbidity, and other harms during periods of extreme heat, particularly for vulnerable urban populations.”

NIPCC: “A modest warming of the planet will result in a net reduction of human mortality from temperature-related events. More lives are saved by global warming via the amelioration of cold-related deaths than those lost under excessive heat. Global warming will have a negligible influence on human morbidity and the spread of infectious diseases, a phenomenon observed in virtually all parts of the world.”

No que respeita aos conflitos de interesses, Joe Bast coloca as coisas nos seguintes termos:

«We know the authors of the IPCC’s reports have financial conflicts of interest, since the government bureaucracies that select them and the UN that oversees and edits the final reports stand to profit from public alarm over the possibility that global warming will be harmful. The authors of the NIPCC series have no such conflicts. The series is funded by three private family foundations without any financial interest in the outcome of the global warming debate. The publisher, The Heartland Institute, neither solicits nor receives any government or corporation funding for the Climate Change Reconsidered series. (It does receive some corporate funding for its other research and educational programs.)»

19/04/2014

Pro memoria (165) – A génese da espiral recessiva


A propósito das «Projeções para a economia portuguesa: 2014-2016» do BdeP resumidas no quadro acima, divulgadas 4.ª feira, pareceu-me oportuno revisitar as previsões da «espiral recessiva» que percorreram um caminho que descrevo a seguir por ordem cronológica.

«Portugal corre o risco de entrar numa espiral recessiva» postulou em Outubro de 2011, Manuela Ferreira Leite, várias vezes ministra em governos anteriores, que parece ter sido a criadora da versão doméstica desta espiral, fazendo o papel de precursora das análises da Mouse Square School of Economics.

«Todos os indicadores económicos e financeiros apontam para que Portugal esteja numa clara e indiscutível espiral recessiva», disse em Janeiro de 2012 Carlos Zorrinho, nessa altura líder parlamentar do PS.

«É a espiral recessiva, estúpido!», titulou num artigo publicado em Novembro de 2012, João Maynard Galamba da Mouse Square School of Economics, talvez o maior teórico nestas matérias.

«Temos urgentemente de pôr cobro a esta espiral recessiva, em que a redução drástica da procura leva ao encerramento de empresas e ao agravamento do desemprego», prescreveu na mensagem de ano novo de 2013, Cavaco Silva, economista da escola do Maynard adoptando assim, com mais de um ano de atraso, o prognóstico da sua amiga MFL.

«Estamos mergulhados numa espiral recessiva», garantiu em Março de 2013 Eugénio Rosa, um especialista em economia soviética.

Passos Coelho colocou o país «nesta crise social e na espiral recessiva», disse em Abril de 2013 António José Seguro, o sucessor de José Sócrates que colocou o país na bancarrota.

«Urge uma inflexão das políticas do Governo porque mais políticas de austeridade agravam a espiral recessiva do país», advertiu em Maio de 2013 Carlos Silva secretário-geral da UGT.

«Portugal está numa espiral recessiva que leva à harmonização no retrocesso e só há uma forma de responder a isto, é vencer o medo, o que implica promover o colectivo e a coesão», vaticinou em Janeiro de 2014 Carvalho da Silva, ex-dirigente do PCP, ex-dirigente durante 35 anos da CGTP, putativo proto candidato a presidente da República e promotor do movimento 3D para as eleições europeias.

«Política de desastre nacional, que aumenta o desemprego, a exploração, as injustiças e desigualdades sociais, compromete a soberania e independência nacionais e mergulha o País numa perigosa espiral recessiva», escreveu-se no editorial do Avante em Fevereiro de 2014, com bastante atraso, que devemos relativizar porque ainda hoje, decorrido um quarto de século, os comunistas não se aperceberam do colapso da Pátria do Socialismo e continuam a prescrever a colectivização da economia que os seus homólogos em todo o mundo (excepto, por enquanto, da Coreia do Norte) já abandonaram.

Não é extraordinário que todos estes videntes, e ainda a legião que ficou por citar, tivessem antecipado uma espiral recessiva, que de facto poderia acontecer, e não tivessem antecipado a espiral progressiva da dívida pública e privada?

DIÁRIO DE BORDO: A terra vista do céu (25)

Islândia pela câmara do fotógrafo Emmanuel Coupe-Kalomiris (via Wired)

18/04/2014

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (19) – Os donos do «25 de Abril»

«Uma “revolução” (ou um pronunciamento militar) contra um regime político ilegítimo é, por definição, legítima. Mas dela não deriva uma legitimidade revolucionária. A legitimidade revolucionária não existe. Não passa de um poder de facto.

Desde o primeiro momento que os “capitães de Abril” não perceberam (ou mesmo rejeitaram) esta realidade. Quando saíram à rua, já traziam um “programa” para Portugal, feito não se sabe por quem e largamente copiado do programa do PCP. Não viram, ou viram bem de mais, que estavam assim a substituir a sua vontade à vontade do país. Por outras palavras, que estavam a criar uma nova ilegitimidade. Isto não os comoveu. Os putativos “valores” da “revolução” serviram para justificar qualquer espécie de arbítrio ou de violência.

Sob a tutela, e com a colaboração, do PC e da extrema-esquerda, o MFA descolonizou, nacionalizou, ajudou a ocupar a terra no Alentejo e no Ribatejo, “saneou”, onde o deixaram, personagens que não lhe pareciam, e às vezes não eram, de confiança, censurou a imprensa e a televisão, prendeu a torto e a direito, sem processo ou mandato, e acabou com uma campanha que se destinava a desprestigiar e a suprimir a Assembleia Constituinte. Em quase tudo, seguiu, letra a letra, o manual de Lenine. Quando, em 2014, as “luminárias” da política, do jornalismo e da cultura e até a dra. Assunção Esteves, a segunda figura do Estado, se esforçam por manifestar aos “capitães de Abril” o seu “carinho”, o seu “afecto” e a sua “gratidão”, esquecem que, entre os primeiros dias do Verão de 1974 e o “25 de Novembro” de 1975, não existiu em Portugal verdadeira liberdade; e que só oito anos mais tarde os portugueses conseguiram abolir a tutela militar do Conselho da Revolução.

O coronel Vasco Lourenço e os seus consócios querem agora falar na Assembleia da República, presumivelmente para defender aquilo a que chamam “ideais” de Abril, que, na sua douta opinião, o Governo anda por aí a trair. Sucede que o Governo foi eleito e que nenhum título assiste aos militares, que se consideram depositários de uma herança hoje desacreditada e morta, para expender no Parlamento as suas frustrações. Verdade que a fúria contra a “austeridade” vai tomando formas cada vez mais dúbias. Mas seria intolerável que a República se comprometesse com um gesto que afectaria gravemente a sua própria legitimidade.
»

«Legitimidades», VASCO PULIDO VALENTE no Público

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Obrigado papá!


- Bom dia, senhoras directoras e senhores directores

- Bom dia, senhor presidente, respondem (quase) todos os directores e directoras

(Pigarro na assistência)

- É com grande prazer que vos anuncio que o conselho de administração, reconhecendo o prestimoso desempenho do Dr. João, que está entre nós há 6 meses, decidiu nomeá-lo vice-presidente

(Pigarro na assistência, algumas palmas tímidas)

- Obrigado papá!

- Parabéns Dr. João, gritam (quase) todos.

(Palmas calorosas)

CASE STUDY: Correlation is not causation. However, nunca fiando…

«Scary 1929 market chart gains traction», Mark Hulbert, Market Watch

É certo que, se estabelecermos um paralelo entre a Grande Depressão de 1929 e a crise de 2008, hoje já não estaríamos em 1929 mas por voltas de 1934. Contudo, também é certo que a impressora do Quantitative Easing da Fed, há 5 anos a funcionar a todo o vapor, não funcionou na crise de 1929.

«The Light At The End Of The Quantitative Easing Tunnel», Jieming See, Seaking Alpha