Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

18/04/2014

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (19) – Os donos do «25 de Abril»

«Uma “revolução” (ou um pronunciamento militar) contra um regime político ilegítimo é, por definição, legítima. Mas dela não deriva uma legitimidade revolucionária. A legitimidade revolucionária não existe. Não passa de um poder de facto.

Desde o primeiro momento que os “capitães de Abril” não perceberam (ou mesmo rejeitaram) esta realidade. Quando saíram à rua, já traziam um “programa” para Portugal, feito não se sabe por quem e largamente copiado do programa do PCP. Não viram, ou viram bem de mais, que estavam assim a substituir a sua vontade à vontade do país. Por outras palavras, que estavam a criar uma nova ilegitimidade. Isto não os comoveu. Os putativos “valores” da “revolução” serviram para justificar qualquer espécie de arbítrio ou de violência.

Sob a tutela, e com a colaboração, do PC e da extrema-esquerda, o MFA descolonizou, nacionalizou, ajudou a ocupar a terra no Alentejo e no Ribatejo, “saneou”, onde o deixaram, personagens que não lhe pareciam, e às vezes não eram, de confiança, censurou a imprensa e a televisão, prendeu a torto e a direito, sem processo ou mandato, e acabou com uma campanha que se destinava a desprestigiar e a suprimir a Assembleia Constituinte. Em quase tudo, seguiu, letra a letra, o manual de Lenine. Quando, em 2014, as “luminárias” da política, do jornalismo e da cultura e até a dra. Assunção Esteves, a segunda figura do Estado, se esforçam por manifestar aos “capitães de Abril” o seu “carinho”, o seu “afecto” e a sua “gratidão”, esquecem que, entre os primeiros dias do Verão de 1974 e o “25 de Novembro” de 1975, não existiu em Portugal verdadeira liberdade; e que só oito anos mais tarde os portugueses conseguiram abolir a tutela militar do Conselho da Revolução.

O coronel Vasco Lourenço e os seus consócios querem agora falar na Assembleia da República, presumivelmente para defender aquilo a que chamam “ideais” de Abril, que, na sua douta opinião, o Governo anda por aí a trair. Sucede que o Governo foi eleito e que nenhum título assiste aos militares, que se consideram depositários de uma herança hoje desacreditada e morta, para expender no Parlamento as suas frustrações. Verdade que a fúria contra a “austeridade” vai tomando formas cada vez mais dúbias. Mas seria intolerável que a República se comprometesse com um gesto que afectaria gravemente a sua própria legitimidade.
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«Legitimidades», VASCO PULIDO VALENTE no Público

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Obrigado papá!


- Bom dia, senhoras directoras e senhores directores

- Bom dia, senhor presidente, respondem (quase) todos os directores e directoras

(Pigarro na assistência)

- É com grande prazer que vos anuncio que o conselho de administração, reconhecendo o prestimoso desempenho do Dr. João, que está entre nós há 6 meses, decidiu nomeá-lo vice-presidente

(Pigarro na assistência, algumas palmas tímidas)

- Obrigado papá!

- Parabéns Dr. João, gritam (quase) todos.

(Palmas calorosas)

CASE STUDY: Correlation is not causation. However, nunca fiando…

«Scary 1929 market chart gains traction», Mark Hulbert, Market Watch

É certo que, se estabelecermos um paralelo entre a Grande Depressão de 1929 e a crise de 2008, hoje já não estaríamos em 1929 mas por voltas de 1934. Contudo, também é certo que a impressora do Quantitative Easing da Fed, há 5 anos a funcionar a todo o vapor, não funcionou na crise de 1929.

«The Light At The End Of The Quantitative Easing Tunnel», Jieming See, Seaking Alpha

17/04/2014

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Que se lixem as eleições?» Que se lixe a reforma do Estado!

«Se, do ponto de vista orçamental, a estratégia do Governo ainda não é conhecida, apenas o objectivo de redução do défice público para 2,5% em 2015, e se os cortes nos consumos intermédios não chegam para explicar o que vai suceder, começa a ser mais clara a estratégia política para um ciclo eleitoral que começou esta semana e que Passos, já o disse nas entrelinhas, quer ganhar com as legislativas.

(...)

Vamos por partes: a reforma do Estado terá de passar, necessariamente, por um novo modelo de financiamento de pensões e pela tabela salarial na Função Pública, iniciativas políticas que deverão ser conhecidas, em pormenor, já no final deste mês, com o Documento de Estratégia Orçamental (DEO). Não há reforma sem mudanças nestas duas áreas, o resto é ilusionismo orçamental ou, na melhor das hipóteses, uma repressão da despesa ou cortes temporários. Passos Coelho já garantiu que as alterações às pensões e salários vão aparecer, para substituir os cortes que estão agora em vigor. Com modulações.

É precisamente este pormenor que permite perceber a estratégia política do Governo. Não é possível ganhar eleições contra o ‘partido do Estado', contra dois milhões de pensionistas, contra meio milhão de funcionários públicos, contra as respectivas famílias, e todos votam. Por isso, será aqui, na reforma da Segurança Social e na nova tabela salarial que Passos vai usar a margem de manobra, limitada, que tiver em 2015. Para recuperar parte destes votos, os que o levaram ao poder em 2011. A entrevista desta semana tinha esse objectivo, não foi bem conseguido, mas tinha claramente a intenção de falar para pensionistas e funcionários públicos, para lhes dizer que a vida vai melhorar a partir de 2015. Será um factor de pressão sobre a reforma do Estado, uma limitação, mas, para alguns, pelo menos, quando o primeiro-ministro sublinhou a enorme progressividade das medidas de corte e de aumento de impostos que estão em vigor, o crescimento económico vai ter consequências práticas.»

António Costa no Económico

O que é aceitável se esperarmos que Passos Coelho actue como (mais um) líder de um partido que procura o interesse dos seus militantes, é inaceitável se esperarmos que Passos Coelho actue como um estadista prosseguindo o interesse do país.

ARTIGO DEFUNTO: A arte de bem titular (5)

«Passos escutado dez vezes a falar com Ricciardi no processo Monte Branco» foi o título fabricado pelo Expresso para uma notícia onde informa que «as escutas estão relacionadas com alegados crimes de tráfico de influências, corrupção e informação privilegiada no caso das privatizações da REN e da EDP. Passos Coelho não era o alvo das escutas, nem é suspeito de qualquer crime e o que o Ministério Público investiga é uma alegada tentativa de pressão do banqueiro sobre o primeiro-ministro.»


A notícia em si podia ter vários títulos adequados ao conteúdo, como, por exemplo, Ricciardi escutado dez vezes a falar com Passos no processo Monte Branco, mas não seriam eficazes a titilar as meninges dos leitores.

SERVIÇO PÚBLICO: A concertação social é desconcertante (2)

Como a querer confirmar a tese, que subscrevi aqui, de José Ferreira Machado de as associações empresariais cujos associados pagam acima ou muito acima do salário mínimo defenderem o seu aumento com um propósito que só pode ser o de criar uma barreira artificial à entrada de concorrentes sem capacidade para pagar salários mais elevados, o Barómetro Kaizen/RH Magazine apurou que quase 90% dos directores de recursos humanos de 76 grandes empresas ou instituições concordaram com uma subida do salário mínimo para mais de 500 euros.

Faça-se o mesmo estudo nas micro empresas e nas PME (que não têm directores de RH) e vejam-se as conclusões.

16/04/2014

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (83) – Agora é oficial. Se ele o diz, podeis crer.

«O governo apresentou um acto de ilusionismo orçamental». Duvidais? Podeis crer. Quem assim o diz é uma das maiores autoridades em ilusionismo orçamental: o professor doutor Teixeira dos Santos. O mesmo professor doutor principal ajudante de José Sócrates no caminho para a insolvência, a quem, em particular, foi creditada a maior derrapagem orçamental a norte do paralelo 35º desde dona Maria II: o défice de 2009 que foi passando sucessivamente de 2,2% até chegar a 10,0%.

Pro memoria (164) – O passado reconstruído à medida do presente

Qualquer pessoa que tenha atingido a idade adulta por alturas do PREC lembrar-se-á que a facção militar de inspiração comunista-esquerdista, dominante a partir do golpe falhado de 11 de Março de 1975, fez tudo o que pôde para se agarrar ao poder com procuração do PCP e dos grupelhos esquerdistas. Essa facção teve que ser varrida por outra facção mais moderada de inspiração socialista e social-democrata (na altura considerada direita) no golpe de 25 de Novembro.

Por seu turno, a facção militar moderada agarrou-se igualmente ao poder instalando-se no Conselho da Revolução para tutelar a classe política, o que fez até à extinção desse órgão com a revisão constitucional de 1982. Apesar ser bastante óbvia a necessidade de tutela por parte dos tutelados, como se viu mais tarde com 3 intervenções do FMI, os tutores em causa não eram certamente os mais indicados. Finalmente, com grande desgosto por parte de muitos dos seus cabecilhas, os  militares conformaram-se com o regresso aos quartéis, não sem alguns episódios próprios de uma república das bananas como o do general Eanes, à época presidente da República, que fabricou, ou deixou fabricar em seu nome, um partido – o celebrado PRD que partindo com mais de um milhão de votos nas eleições de 1985 se desintegrou nas eleições de 1991 com 35 mil.

Houve dois líderes políticos determinantes no desmantelamento do PREC que empurraram os militares para fora dos centros de decisão política: Francisco Sá Carneiro, até à sua morte no final de 1980, e, principalmente, Mário Soares, a quem devemos uma parte significativa de não sermos hoje uma espécie de Venezuela na Europa do Sul e, em particular, não termos no lugar do coronel Chávez o general Eanes, por quem Mário Soares nutria um mal disfarçado ódio de estimação.

Passados trinta anos, seja por um processo de radicalização caracterizável como esquerdismo senil, seja por outra razão qualquer, o Dr. Soares reconstruiu essa parte da história recente portuguesa e hoje (ou melhor na 2.ª feira, na romagem de saudade dos jarretas na Gulbenkian) tece laudas aos «militares de Abril»: «quem fez o 25 de Abril foram exclusivamente os militares» (é verdade, se reduzirmos o «25 de Abril» ao golpe militar dos oficiais subalternos com fins corporativos relacionados com a promoção a capitão dos milicianos que iam dar o couro na guerra colonial); «não foram os civis, nem os partidos políticos»; revelaram «uma enorme tolerância» (se esquecermos os episódios grotescos do general Otelo e do COPCON que pretendia engavetar e fuzilar os reaccionários no Campo Pequeno); «não quiseram o poder político, pelo contrário, abriram a porta aos partidos políticos. Revelaram um desinteresse extraordinário» (na verdade, revelaram um grande apego ao poder ainda hoje visível quando se consideram uma espécie de pais da pátria) e last but not least, surpreendentemente classificou Eanes com «um excelente Presidente da República».

Ao tentar reconstruir o passado, estará o Dr. Soares a tentar a aplicar a segunda parte do postulado de George Orwell («quem domina o presente domina o passado»), na esperança de tirar proveito da primeira («quem domina o passado domina o futuro»)?

15/04/2014

Mitos (166) – O contrário do dogma do aquecimento global (IV)

Continuação de (I), (II) e (III)

LEMA: O contrário do dogma do aquecimento global não é o dogma do não aquecimento global. É a dúvida sistemática sobre a evolução do clima e dos factores que a condicionam.

Uma vez mais se confirma o lema com o último relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) se, como escreveu a Economist, «the final version appears to have been fought over paragraph and comma between those who want to describe dispassionately what they think is happening and those who want to scare the world into taking action.»

ARTIGO DEFUNTO: Se queremos alinhar o salário mínimo com a Óropa devemos diminui-lo

O governo com a sua pequena jogada promocional colocou na ordem do dia a questão do salário mínimo e não foi preciso mais para se levantar um enorme clamor comparando o actual com o de 1974, tentando demonstrar que as «conquistas de Abril» estariam a ser atacadas pelo governo «neoliberal» ou comparando-o com os salários mínimos na Óropa.

Quanto à primeira comparação, o Pertinente já aqui mostrou fazer mais sentido comparar os salários actuais com os dos períodos anteriores de intervenção do FMI, e constatar que o salário mínimo actual é mais alto, em termos reais.

Quanto à segunda comparação, se o jornalismo de causas não fosse, mais uma vez, tão incompetente, não faria tais comparações. Ao fazê-las, sem se dar conta, está a fundamentar uma redução do salário mínimo. Exemplo: quando o Expresso publica este diagrama mostrando que o salário mínimo português era de 86,1% da média europeia e desceu para 83,2% em 2009, arrisca a que alguém publique um diagrama comparando a produtividade portuguesa com a média europeia, como o abaixo.

Fonte: Labour productivity per hour worked (Eurostat)
Ao fazer esta outra comparação, constataria que a produtividade portuguesa já era baixa e ainda diminuiu nos últimos anos, representando em 2012 apenas 52,6% da produtividade média europeia. Dito de outro modo, se queremos alinhar pela Europa devemos reduzir o salário mínimo para 296 euros = (52,6% x 485) : 83,2%).

14/04/2014

Mitos (165) - a pesada herança da longa noite fascista (X)

No lugar do jornalismo de causas e das figuras de cera do regime, pensaria duas ou mais vezes em aproveitar as festividades das comemorações dos 40 anos da queda do Estado Novo para colocar em confronto as suas realizações com as do Estado a Caminho do Socialismo, entretanto reconvertido em Estado Social. Ambos duraram praticamente o mesmo tempo, descontando a diferente duração dos respectivos PRECs com a tropa em destaque em ambos: o PREC fassista durou de 7 anos de 1926 a 1933 e o PREC socialista durou 19 meses.

Em particular, o jornalismo de causas e as figuras de cera do regime não deveriam promover sondagens ao povo ignaro, como estas:

Sondagem i/Pitagórica publicada no ionline

Já agora, não se lembrem de perguntar se a populaça acha mais confiável o general Gomes da Costa ou o general Costa Gomes. Ou se acha mais mentiroso o professor António Oliveira Salazar ou o engenheiro José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: «The women who created the technology industry» (6)

Emmy Noether, matemática judia alemã

Noether, considerada por Einstein a matemática mais criativa de sempre, foi afastada da universidade em 1933 pelo nacional-socialismo. Demonstrou em 1915 o teorema de Noether que relaciona as leis da simetria com as leis da conservação da energia.

 [De uma série de Lyndsey Gilpin no TechRepublic no Women's History Month]

13/04/2014

Mitos (164) - a pesada herança da longa noite fascista (IX)

[Mais heranças: I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII]

Agora que o governo achou que poderia aplacar os sindicatos e tirar o tapete à oposição aumentando o salário mínimo, com os inevitáveis danos colaterais (dificultar a viabilidade de dezenas de milhar de pequenas empresas, proteger da concorrência as empresas que pagam salários mais elevados e não aumentar o emprego, para já não falar da possibilidade real de aumentar o desemprego), o jornalismo de causas tirou da gaveta um novo mote, adequado a época festiva e escreveu em coro: «o salário mínimo vale hoje menos do que em 1974».

Sem se dar conta, o novo situacionismo de hoje está a homenagear o situacionismo do «antigo regime» cujas reservas em ouro e em divisas tornaram possível durante muitos meses continuar a importar os bens essenciais para compensar o que as empresas fechadas ou paralisadas com greves e a população activa inactiva nas manifs não produzia durante o PREC e ainda assim fixar um salário mínimo em 577 euros, a preços actuais.

É uma comparação simpática para o «antigo regime». Simpática mas inadequada porque a comparação objectivamente mais adequada seria a do período de intervenção da troika a partir de Junho de 2011 com os dois períodos anteriores de intervenção do FMI, nos quais os salários mínimos desceram para 419 euros em 1977 e 346 euros em 1984, a preços actuais, valores abaixo 14% e 29%, respectivamente, do salário actual de 485 euros.

Em conclusão, pelo menos do ponto de vista do salário mínimo, os resultados da governação comunista sobre a herança de 40 anos do antigo regime conseguem, apesar de tudo, ser mais danosos do que os resultados de 40 anos de governação de inspiração socialista sobre a herança da governação comunista.

Mitos (163) – No socialismo não há despedimentos

É geralmente verdade. Há subemprego, prateleiras vazias e prisões cheias. A não ser quando a clique dirigente percebe que a situação é insustentável - as prateleiras continuam vazias e as prisões cheias - e despede de uma só vez 100 mil funcionários do ministério da Saúde, como agora em Cuba.

12/04/2014

CASE STUDY: Uma correlação cromática - implantação local da esquerda e parkinsonismo autárquico

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Na infografia da esquerda (fonte: Expresso) estão representados os resultados das eleições autárquicas de 2013 - as cores identificam cada partido. Na infografia da direita (fonte: Negócios) representa-se o rácio do número de funcionários camarários por 1.000 habitantes em 2010 – as cores representam o rácio por ordem crescente: verde, amarelo, rosa e vermelho.

Compare-se primeiro o vermelho nos dois mapas: no da esquerda representando os concelhos ganhos pelo PC e filiais, no da direita os concelhos com aparelhos camarários mais pesados, a maioria com vermelhos, seguida de amarelos-torrados.

Compare-se de seguida o rosa no mapa da esquerda representado o PS, com o amarelo-torrado no mapa da direita. A correspondência não é tão perfeita mas encontramos uma clara maioria de amarelos e amarelos-torrados e até vermelhos.

Se tivéssemos uma coligação PS-PC, essa coligação reinaria em quase todos os concelhos que sofrem de parkinsonismo autárquico. Refiro-me ao parkinsonismo de Cyril Northcote Parkinson, jornalista da Economist que descreveu um fenómeno organizacional conhecido como Lei de Parkinson, e não à doença de Parkinson, pela primeira vez descrita pelo médico James Parkinson - têm de comum serem ambos processos degenerativos.