23/05/2008

# publicado às 18:31 por O Impertinente

ESTADO DE SÍTIO: as coisas nunca estão tão más que não possam piorar 

Desde há pelo menos 7 anos (para não recuar até ao século XVI) que o país é o paraíso para qualquer jeremias, sobretudo para os jeremias medíocres e pouco imaginativos, visto que as coisas estão habitualmente tão pouco promissoras que se exige apenas um esforço mental evanescente para fazer constatações ou projecções pessimistas, ou mesmo catastrofistas.

Aqui no (Im)pertinências, onde se pratica um jeremismo de excelência, é sentido um vácuo de desafios. É por isso com um certo fastio que aqui se trata amiúde da confirmação que as medidas do costume, aplicadas pelos sujeitos do costume, só podem ter os resultados do costume.

Tudo isto a propósito dos Indicadores de Conjuntura do BdeP, ainda com a tinta fresca, a que nem os valorosos esforços do ministro anexo doutor Constâncio conseguem transmitir o ânimo que certamente o senhor engenheiro Sócrates espera da instituição.

Ele é o indicador coincidente mensal da actividade económica que volta a portar-se mal em Abril. Ele é o indicador coincidente mensal do consumo privado que lhe segue o exemplo. Ele é a confiança dos consumidores que continua pasmada, a confiança na indústria transformadora, na construção e no comércio a retalho que estão na mesma ou pioraram. Ele é o saldo do comércio externo que voltou a agravar-se. E não, não é só o problema dos combustíveis, porque mesmo excluindo estes as importações aumentaram mais do que as importações.

A única coisa que parece continuar a correr bem é o saque dos sujeitos passivos. O primeiro quadrimestre viu a receita de impostos directos aumentar 7,2% e a do IVA aumentar 5%. A despesa corrente primária do Estado aumentou 3,6%, mais de 1 ponto percentual acima da inflacção, evidenciando a boa saúde do monstro que o professor Cavaco recebeu dos seus antecessores, alimentou com zelo e legou aos seus sucessores. Estes, honra lhes seja feita, têm-se portado à altura da insaciável voracidade do Moloch.

Etiquetas: , ,

22/05/2008

# publicado às 12:07 por O Pertinente

Pensamento do dia (2) 

Vivemos cada vez mais, perseguimos a quimera do amor por toda a vida, liquidámos o casamento para toda a vida e fugimos à inevitabilidade do fim do emprego para toda a vida.

Etiquetas:

21/05/2008

# publicado às 20:30 por O Impertinente

BREIQUINGUE NIUZ: j'aime le béton, il a dit 

Prenunciado pelo doutor Nazaré, que por seu turno, fora prenunciado pelo doutor Constâncio, «Mário Lino diz que, até aqui, se desvalorizou a importância do sector da construção no crescimento económico, na criação de emprego e no combate do défice orçamental e equilíbrio das contas públicas. E fala de "preconceito" e "interesses partidários" naqueles que invocam a sua "política de betão"

Durante décadas de salazarismo, de marcelismo, de cavaquismo, a política de betão foi vilipendiada por preconceito e interesses partidários, como todos sabemos. O doutor Lino disse ontem na Conferência da AECOPS «Jamais avec moi. Ça sufit.» e anunciou um ciclo original em que o betão vai ter o lugar que lhe compete.

Etiquetas: ,

19/05/2008

# publicado às 20:10 por O Impertinente

CASE STUDY: o nosso problema é «uma orografia complexa» 

Agitou-se o ministro anexo doutor Constâncio, na sua intervenção de sexta-feira, a clamar contra as «ideias que apontam para a redução do peso do Estado» e logo o doutor Nazaré lhe faz eco esta manhã enaltecendo os méritos do investimento em obras públicas.

Ao contrário do doutor Constâncio cujo argumentário se perde na estratosfera da macroeconomia, o doutor Nazaré recorre a argumentos mais terrenos. Alguns deles parecem à primeira vista argumentos para os adversários do seu pensamento.

Exemplo deste último tipo de argumentos é a sua tese da evidente falta de resultados dos fundos comunitários torrados na formação profissional demonstrar implicitamente que o caminho a seguir é torrar outros fundos comunitários e o dinheiro dos contribuintes em auto-estradas, IPs e ICs que ninguém usa.

Para o doutor Nazaré esse investimento em vias rodoviários permitirá contornar «uma orografia complexa, uma mobilidade humana limitada e uma assimetria gritante entre o litoral e o interior, largamente ditada por séculos de isolamento geográfico». Segundo o doutor Nazaré «a admiração que alguns estrangeiros exprimem perante o descongestionamento de algumas das nossas auto-estradas é ilusória». A leitura do quadro seguinte extraído do relatório da Brisa permite perceber a admiração de alguns estrangeiros e a ilusão do doutor Nazaré, que teve a sorte de não nascer na Suiça (nem na Irlanda).

[Clicar para ampliar]

Etiquetas: ,

# publicado às 18:41 por O Pertinente

Pensamento do dia 

Se um dia lhe disserem que o seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se que a Arca de Noé foi construída por amadores. Quem construiu o Titanic foram profissionais.

Etiquetas:

18/05/2008

# publicado às 18:00 por O Impertinente

SERVIÇO PÚBLICO: o doutor Teixeira dos Santos dá um tiro no pé 

No final do ano passado a AR aprovou o Regime da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado e Demais Entidades Públicas (Lei 67/2007 de 31 de Dezembro). O diploma teve a ameaça de veto do PR, que levou a introduzir alterações no projecto inicial, e certamente terá tido o beneplácito do governo.

O novo regime, além de redefinir a responsabilidade do estado, estabelece (artigo 8.º n.º 1) que «os titulares de órgãos, funcionários e agentes são responsáveis pelos danos que resultem de acções ou omissões ilícitas, por eles cometidas com dolo ou com diligência e zelo manifestamente inferiores àqueles a que se encontravam obrigados em razão do cargo». É difícil não concordar com uma disposição que responsabiliza quem causa voluntariamente ou por incúria danos aos sujeitos passivos, vítimas do arbítrio do estado napoleónico-estalinista.

Como seria de esperar neste país de fazedores de leis «avançadas» e não aplicadas, ninguém pensou seriamente nas consequências de tal ejaculação do órgão legislativo. Passados 5 meses, perante o risco de redução do saque dos contribuintes, resultado do cagaço dos funcionários fiscais, fiéis executores da política do pague primeiro e reclame depois, , o governo pela boca do ministro das Finanças vem agora corrigir a pontaria com uma patacoada dita «à entrada de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia».

«O Estado vai de facto constituir um seguro que permite cobrir a sua [dos funcionários] responsabilidade civil extracontratual", disse hoje Fernando Teixeira dos Santos, em Bruxelas» (Público). Não explicou o ministro como pode o governo «constituir um seguro», nem como irá o governo compelir legalmente as seguradoras a praticá-lo e a subscrevê-lo, nem quem irá pagar o respectivo prémio.

Também não explicou como irá o governo fintar o quadro legal da actividade seguradora que considera «como contrários à ordem pública os contratos de seguro que garantam ... Responsabilidade criminal ou disciplinar» (artigo 192.º do Decreto-Lei n.º 94-B/98 de 17 de Abril).

Etiquetas: ,

16/05/2008

# publicado às 19:11 por O Pertinente

Their son of a bitch 

Não fico espantado quando ouço o que dizem ou escrevem (os mais afoitos) adeptos do FCP, numa linha estratégica tortuosa de desculpabilização, os mais assanhados, ou de relativização, os mais envergonhados, de Pinto da Costa e dos seus pit bulls no caso Apito Dourado e nas outras trapalhadas mafiosas em que se envolveram. Afinal tratando-se dum presidente dos lampiões ou dos lagartos, uns e outros adoptariam, seguramente os primeiros, provavelmente os segundos, a mesma estratégia. Há apenas uma diferença de tom. No caso do FCP, dum tom ressabiado ridiculamente provinciano.

Espanta-me um pouco mais que luminárias liberais tripeiras afinem pelo mesmo diapasão. Ocorre-me o que se diz que o presidente Franklin D. Roosevelt terá dito em 1939 a propósito do apoio ao ditador Somoza: «he may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch». A mesma frase foi reiteradamente aplicada para justificar as cumplicidades da administração americana com muitos outros ditadores, um pouco por todo o mundo.

Etiquetas:

15/05/2008

# publicado às 20:50 por O Impertinente

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: será a doutora Manuela Ferreira Leite o dom Sebastião do PSD? 

Secção Padre Anchieta

Questionada pelo Público sobre o que pensava sobre o casamento das bichas e dos sapatões, a doutora Manuela aos costumes disse nada. Também disse nada a todas as outras questões que o Público colocou aos candidatos a presidente do PSD.

Tudo indica que a doutora Manuela, e com com ela muitos dos seus apoiantes, considera que a único atributo relevante para o candidato é o seu carácter, particularmente a sua putativa integridade, presumindo-se que a sua é inquestionável, não se podendo dizer o mesmo da dos outros, em particular do menino guerreiro.

Por este critério, se eu votasse nessas eleições, proporia a ressureição, seguida de candidatura, de várias figuras que por esse critério mereceriam mais o meu voto do que a doutora Manuela. Por falta de tempo indico apenas o venerando professor doutor António de Oliveira Salazar, que além de ter sido incorruptível, sabia mais de Finanças Públicas e de gestão do orçamento do estado, como se viu.

Enquanto aguardo a ressureição do venerando, ofereço à doutora Manuela mais 3 chateaubriands, pela sua convicção inabalável, e 2 bourbons pela sua inabalável convicção.

Etiquetas: ,

This page is powered by Blogger. Isn't yours?