Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético, heterodoxo (e homofóbico). Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: No país do faz de conta, a culpa costuma morrer solteira e a responsabilidade morre virgem.

18/05/2013

Chávez & Chávez, Sucessores (7) – A revolução chávista chegou ao traseiro do povo

«A revolução trará ao país o equivalente a 50 milhões de rolos de papel higiénico, para que nosso povo se tranquilize e não se deixe manipular pela campanha mediática que fala em escassez».

«Alejandro Fleming, ministro do Comércio da Venezuela, informando que o governo decidiu importar 50 milhões de rolos de papel higiênico não por haver escassez do produto, mas porque a demanda aumentou depois que a imprensa decidiu mostrar tudo o que Hugo Chávez fez e Nicolás Maduro anda fazendo com o país.» (Revista Veja)

17/05/2013

SERVIÇO PÚBLICO: Pobres e mal pagos (2)

Se já estávamos mal, pior ficámos.


Fonte: European Payment Index 2012, intrum justitia
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@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (9)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Monstros Que Comem Flores

(Continua)

16/05/2013

Desta vez não foi diferente

Fonte: TSF
Rebeldes sem causa mostram a sua falta de educação e convicções democráticas impedindo Vítor Gaspar de apresentar «Desta vez é diferente: Oito séculos de loucura financeira», ontem no El Corte Inglés. São rebeldes do grupo «Que se lixe a troika», protestando com atraso por nos terem sido emprestados de favor 80 mil milhões de euros a taxas de juros de favor, sem os quais os rebeldes teriam tido de ir cavar batatas para o interior para não passarem fome.

Lost in translation (176) – Caminhar para o abismo é a nossa especialidade, queria o camarada significar

«Como está à vista, ..., este é um caminho para o abismo económico, para o retrocesso económico e para a hipoteca do futuro do país como nação desenvolvida e soberana» disse o camarada Jorge Cordeiro, dirigente do PCP, com a autoridade imanente aos comunistas pelas suas performances domésticas e nos paraísos socialistas da URSS e restantes países do Comecon e, ainda hoje, em Cuba e Coreia do Norte.

15/05/2013

TRIVIALIDADES: A cada um segundo as suas posses, a Nossa Senhora de Fátima está do nosso lado e a fé é que nos salva

«Passos e Sócrates regressaram de Paris no mesmo avião mas em classes diferentes.» PPC em económica e JS em executiva. (Negócios)

«Eu penso [no fim da sétima avaliação] como uma inspiração - como já a minha mulher disse várias vezes - da nossa Senhora de Fátima, do 13 de maio"» suspirou Cavaco Silva, segundo o Expresso.

Enquanto isso, o ex-ministro das Finanças Silva Lopes, hipoteticamente inspirado por N. Senhora, acha muito bem o corte nas pensões porque «não há outro remédio» e «a geração grisalha não pode estar a asfixiar a geração nova da maneira como tem feito até aqui.» Mais um para juntar à lista dos inimigos do povo.

Aditivos:

Possivelmente também inspirado em N. Senhora, Vítor Gaspar, o abençoado, para uns, e amaldiçoado, para outros, ministro das Finanças, garantiu que «relativamente à questão muito importante dos depósitos bancários, foi absolutamente claro que a garantia de depósitos abaixo dos 100 mil euros é sacrossanta, reforçando que a expressão que foi usada e repetida é sacrossanta.» Deve ser matéria de fé, porque se o sistema bancário se desmorona, com a dívida pública nas alturas em que se encontra, e sempre a crescer, só mesmo N. Senhora poderia compensar com indulgências as largas dezenas de milhões de euros aos depositantes.

Se para uns é matéria de fé, o caso das capacidades preditivas dos economistas tele-evangélicos da Louçã School of Economics que antecipam que a Holanda se afundará colapsando o euro, é mais matéria leiga, talvez inspirada pelo oráculo de Delfos. Que outra fonte poderia ser a de quem não conseguiu antecipar a falência do Estado português e a atribuiu às mesmas causas do sindicato dos motoristas de táxis: capitalismo de casino, agências de rating, Alemanha, troika e, mais recentemente, àquele último senhor das garantias sacrossantas?

Mitos (110) - O sofrimento dos jovens

No Expresso de sábado passado, escrevia-se a propósito do desemprego: «os jovens é que sofrem mais» por terem uma taxa de desemprego superior a 40%. O jornalista que escreveu essa asserção piedosa deve saber coisas que eu não sei. Vejamos alguns números.

Dos 1.147 mil indivíduos no escalão etário 15-24 anos, grosso modo, 229 mil estão empregados e 166 mil estão desempregados ou inactivos. A taxa de desemprego de 42% não é medida em relação ao número total de jovens no escalão etário (1.147 mil), como aparentemente o articulista de causas imagina, mas em relação aos 394 mil activos. Estão matriculados no ensino secundário 441 mil e 396 mil no ensino superior, a maior a maior parte de uns e outros pertencerão ao escalão 15-24. (Dados do Censo 2011 e da Pordata)

Quantos dos 1.147 mil jovens sofrem? Os cerca de 750 mil não activos não me parece que estejam em estado de sofrimento – vejam-se as festas académicas que mobilizaram centenas de milhares (mais do que todas as manifs contra o desemprego), onde se consumiram uns milhões de litros de cerveja e se torraram milhões de euros; veja-se assiduamente as discotecas cheias e as muitas dezenas de festivais de música (só a Blitz seleccionou 22 melhores entre os festivais de verão) com dezenas ou centenas de milhares de espectadores cada um (em 2008 foram mais de 4 milhões de espectadores), onde se consumirão muitos milhões de litros de cerveja. Quanto aos menos de 15% desempregados, vivem à conta dos e em casa dos pais, aliás como a maioria dos restantes.

Talvez os que mais «sofrem» sejam afinal os 229 mil empregados que têm horários e obrigações profissionais. Além destes «sofredores», quem mais sofrerá? Talvez muitos dos pais dos restantes que os sustentam e muitos dos avós para quem os pais não estão disponíveis, de tão ocupados a cacarejarem à volta dos seus frágeis rebentos.

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (8)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.


Luas Dorminhocas
(Continua)

14/05/2013

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (61) – Um executivo bushista?

O fisco americano (IRS) está a ser investigado pelo Departamento de Justiça e pelo FBI por suspeita de discriminação abusiva e intimidação de grupos conservadores (Tea Party e outros). Está também em curso uma outra investigação por apreensão ilegal por investigadores federais de gravações de telefonemas de jornalistas da Associated Press.

Quem diria que este é um executivo de Santo Obama. Mais parece um executivo bushista, segundo a narrativa obamófila.

Actualização:
Entretanto, Steven Miller, o chefe do IRS, foi forçado a demitir-se por ter tido conhecimento de discriminação de grupos conservadores como o Tea Party que requereram isenção de impostos, em que podem ter estado envolvidos dezenas de funcionários do IRS. Se estes rigores estivessem em vigor por cá durante os anos dos governos de Cavaco Silva, teria havido uma purga na Direcção Geral de Finanças pelos seus rigores selectivos em relação aos desalinhados, segundo constava.

ESTÓRIAS E MORAIS: Para ser o principal não é preciso ser o maior

Estória

«A posição do Governo (sobre a “TSU dos pensionistas”) desde o princípio tem sido a mesma, conforme foi dito quer pelo senhor primeiro-ministro, quer pelo líder do principal partido da oposição e que faz parte da coligação do Governo, o dr. Paulo Portas, nas comunicações que fizeram já há uns dez dias», disse distraidamente Marques Guedes, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, atribuindo erradamente ao CDS o atributo de «principal».

Moral

Com a verdade me enganas.

Pro memoria (113) – A multiplicação dos custos das PPP

Para se ter uma ideia das consequências da criminosa gestão socrática das infraestruturas rodoviárias usando as parcerias público-privadas como instrumento de desorçamentação à custa do adiamento dos custos e do consequente empolamento da dívida, veja-se o resultado da negociação deste governo com os concessionários.

Segundo o relatório da Unidade Técnica de Acompanhamento das PPP, citado pelo económico, os encargos líquidos do Estado com as PPP rodoviárias baixaram de 1.521 milhões em 2011 para 676 milhões em 2012, ou seja uma redução de 56%. Que se saiba, os concessionários não foram ameaçados de prisão, nem sequer houve recurso aos tribunais, e por isso tem sentido deduzir continuarem as concessões a ser negócios razoavelmente lucrativos. Que outra coisa podemos concluir do que estarmos perante um caso de dolo, ou pelo menos de negligência grosseira, na negociação pelos governos socialistas de 80 das 86 PPP existentes? Se não estamos, parece.

E como explicar que esse desperdício foi teoricamente caucionado pelo modelo econométrico de Marvão Pereira e Jorge Andraz no estudo "O impacto económico e orçamental do investimento em SCUT" publicado em 2006 onde estimaram que por cada milhão de euros que o governo investisse em infraestruturas rodoviárias o efeito acumulado no PIB seria de 18 milhões de euros, a longo prazo? O efeito acumulado no PIB foi obviamente negativo, de modo que o multiplicador das luminárias keynesianas aplicou-se não ao PIB mas à dívida.

Na época em que o estudo foi publicado, para além do (Im)pertinências, de O Insurgente e de mais meia dúzia de criaturas providas de desconfiómetro, alguém se lembra de luminárias, ou mesmo de humildes economistas ou, vá lá, de alguém que soubesse fazer contas, a pôr em causa, ou pelo menos em dúvida, o fundamento científico destes delírios? No país do faz de conta, a culpa costuma morrer solteira e a responsabilidade morre virgem.

13/05/2013

Dúvidas (16) – A economia paralela só prejudica o Estado?

«A ideia que um país perde com a economia paralela é profundamente errada. Portugal, definido como o conjunto dos portugueses, não perde nada com a economia paralela. Um dos actores da economia portuguesa, o estado, perdeu.

A economia não existe porque temos um Estado para alimentar. As pessoas exercem actividades porque têm que se vestir, alimentar, viver e adquirir tudo aquilo que cada cidadão considera essencial para si próprio, famílias e todos aqueles com quem pretende ser altruísta e ainda para suportar todas as ambições de investimento, poupança ou esbanjamento que passem pela sua cabeça e que estejam ao seu alcance.

Se 20% da economia não é tributada, os cidadãos no seu conjunto não perderam. Uns receberam mais, outros menos, mas no agregado ganharam, porque conseguiram obter mais bens e serviços consumindo os mesmos recursos. No limite, usando o pressuposto absurdo de considerar que não há nenhum desperdício no estado, Portugal ficaria na mesma.

Confundir a economia de um país com as suas finanças públicas é um erro crasso que está imbuído em muitos raciocínios, tanto à direita como à esquerda – mas principalmente à esquerda para quem o estado é tudo.»

Lido em «A Esquerda Não Sabe Fazer Contas», um post de jcd no Blasfémias.

Vendo a coisa um pouco mais de perto, não só o Estado perde com a economia paralela. Perdem também os contribuintes que suportam o custo incorrido pelo Estado com todos os serviços públicos prestados a preços inferiores ao custo a que se acede independentemente de rendimentos declarados. Como no caso da saúde, educação, justiça, segurança ou a utilização de infraestruturas públicas, serviços aos quais os «paralelos» têm acesso nas mesmas condições mas em cujo custo não comparticipam, o que gera uma iniquidade para os que contribuem.

SERVIÇO PÚBLICO: Efeito Gaspar



«O tempo político de Vítor Gaspar terminou» como decretou Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD?

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (7)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5) e (6)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Flores Voadoras
(Continua)

12/05/2013

Um governo à deriva (13) - Uma coligação destas dispensa a oposição (II)

Uma espécie de 2.º acto desta peça.

Esperava-se que o guião que há 3 meses Paulo Portas se prontificou a preparar para a reforma do Estado viesse um dia, mais tarde ou mais cedo, a ficar pronto. Ficámos agora a saber, segundo o Expresso, ter o «guião» sido transmutado em «argumentário político que dê sentido ao emagrecimento» e, de acordo com o ditado que o jornalista de causas escreveu, não será um programa de cortes é para «garantir que, apesar das restrições orçamentais, é possível ter um Estado eficiente sem perder equidade». Onde é que é já ouvi isto? Em vários sítios, várias vezes e há muitos anos.

Enquanto o inefável Portas vai com vagar destilando o seu «argumentário», o conselho de ministros está a serrar presunto neste santo domingo por causa do «braço de ferro» da nova taxa sobre as pensões.

Tudo isto parece bastante um número do Paulinho dedicado aos velhinhos e a colocar o rabinho de fora, perante a falta de firmeza de Passos Coelho, esgotado por tanta tergiversação, avanços, recuos e balões de sonda para apalpar o terreno, enquanto a marcha implacável do tempo lhe vai corroendo o módico apoio popular e reduzindo as alternativas.

Se fosse só para Porta brilhar nesse número, Passos Coelho bem poderia fazer como Guterres, e Portas como o outro inefável professor Marcelo, que coreografaram a performance da «Pena Máxima para a Colecta Mínima», aqui recordada, que limpou a face do segundo e safou o primeiro de um chumbo do orçamento. Por aqui se vê a falta que fazem os senadores no governo e na oposição.

Aditamento: Depois de muitos cozinhados, a nova taxa sobre as pensões foi aprovada pelo CDS como «opção de ultimo recurso» - querendo significar só se faz se não houver outra solução, o que todos sabem não costuma haver.

BREIQUINGUE NIUZ: Acabou o período de graça do Papa Francisco?

«Numa mensagem aos fiéis na Praça de São Pedro, o Papa Francisco apelou a que o ser humano seja respeitado desde o primeiro momento da sua existência através da "garantia da proteção jurídica do embrião"».

Lá se vai a benevolência da esquerdalhada e parece comprometida a esperança politicamente correcta de o Papa encarnar a teologia da libertação, aceitar a ordenação de gays e pôr fim ao celibato dos sacerdotes.