Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/07/2014

Pro memoria (185) – A engenharia das obras camarárias é financeira

Uma auditoria realizada pela PwC às contas da câmara de Braga de 2012 e até Outubro 2013, sob a gestão de Mesquita Machado, um dos dinossáurios autárquicos do PS, verificou que faltava contabilizar 111 milhões de euros de passivos, as despesas de manutenção do estádio de Braga multiplicaram-se pelo rácio de derrapagem 5 (também conhecido como multiplicador socialista), entre outras trapalhadas. A mais divertida de todas essas trapalhadas será a doação pela câmara de lugares de estacionamentos comprados à Bragaparques ao Sporting de Braga e a um outro clubelho local, lugares que estes clubes venderam à… Bragaparques por 70 mil euros. (Negócios e ionline)

ACREDITE SE QUISER: Fim do Ramadão, 28-07-2014, 08:30

Belleville, Paris? Largo do Martim Moniz, Lisboa.

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: O patriotismo é um poderoso factor de motivação no futebol mundial


A equipa francesa:
  • Patrice Evra, nasceu no Senegal, pai originário de Cabo Verde 
  • Mamadou Sakho, pais originários do Senegal 
  • Yohan Cabaye, avô de origem vietnamita 
  • Mathieu Valbuena, pai de origem espanhola 
  • Karim Benzema, avós de origem argelina 
  • Rio Mavuba, nascido em Angola 
  • Eliaquim Mangala, avós originários da RD Congo, cidadania belga 
  • Blaise Matuidi, pais oriundos de Angola e RD Congo 
  • Bacary Sagna, avô do Senegal 
  • Moussa Sissoko, pais originários do Mali 
  • Paul Pogba, pais da Guiné 
  • Laurent Koscielny, avós da Polónia 
  • Rémy Cabella, pai de Itália 
E agora a equipa da Argélia :
  • Cédric Si Mohamed, nascido em França 
  • Madjid Bougherra, nascido em França 
  • Faouzi Ghoulam, nascido em França 
  • Carl Medjani, nascido em França 
  • Hassan Yebda, nascido em França 
  • Nabil Ghilas, nascido em França 
  • Sofiane Feghouli, nascido em França 
  • Yacine Brahimi, nascido em França 
  • Medhi Lacen, nascido em França 
  • Nabil Bentaleb, nascido em França 
  • Liassine Cadamuro-Bentaïba, nascido em França 
  • Saphir Taïder, nascido em França 
  • Aïssa Mandi, nascido em França 
  • Riyad Mahrez, nascido em França 
  • Mehdi Mostefa, nascido em França 
  • Raïs M'Bolhi, nascido em França 
Enviado por JARF, nascido em Portugal.

29/07/2014

Pro memoria (184) – a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em 4,5 6,5 7 mil milhões (VIII

Posts anteriores (I), (II), (III), (IV), (V), (VI) e (VII)

Teixeira dos Santos, co-autor com José Sócrates do desastre da nacionalização de um banco que valia 2% do mercado, ainda em 2012, decorridos 4 anos da sua decisão fatídica justificava a inevitabilidade da sua decisão porque a falência do BNP, segundo ele, levaria à quebra do PIB em 4%.

Vamos esquecer que, para quem a nacionalização não custaria nada aos contribuintes e veio a custa 7 mil milhões and counting, a sua previsão de queda do PIB de 4% vale o que vale, isto é nada. Vamos apenas, com a ajuda do «Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...», recordar que o mesmo Teixeira dos Santos face à bomba potencial que representa o BES, maior banco português, diz esta coisa assombrosa: “claro que isto é um caso que está devidamente confinado, que não há riscos de contágio, [deve-se] garantir que "a solução do caso é estritamente privada, isto é, que não haverá intervenção de dinheiros públicos".

Um módico de pudor levaria esta gente a imitar o mítico Conrado e guardar um prudente silêncio. Mas, conceda-se, não há razão para a criatura ficar calada se o seu chefe José Sócrates perora todos os domingos num púlpito pago pelos contribuintes a defender a sua obra – a bancarrota do Estado, com alguma ajuda dos seus antecessores, conceda-se também.

Chávez & Chávez, Sucessores (23) – Poderia ser uma piada do dia das mentiras, mas não é (II)


A imagem refere-se à primeira aparição no dia 1 de Abril do ano passado. Um ano decorrido, Nicolás Maduro jurou outra vez que o pajarito apareceu garantindo que o coronel «está feliz e cheio de amor pela lealdade do seu povo».

Nestas alturas, recordo Albert Einstein que garantiu que havia pelo menos duas coisas infinitas no universo: o próprio universo e a estupidez humana. Contudo, quanto ao primeiro, não tinha a certeza.

28/07/2014

Lost in translation (209) – O efeito Lockheed TriStar nos submarinos, queriam eles dizer

Sob o surpreendente título de «Submarinos permitem investimentos em eólicas», o Expresso noticia que em resultado das contrapartidas negociadas com o consórcio alemão GSC pela aquisição de dois submarinos - que nos faziam tanta falta como as pirâmides de Gizé no Terreiro do Paço - a Ferrostaal que fabricou os submarinos participará em 50% no consórcio Ventinveste para construir quatro novos parques eólicos que nos permitirão oferecer a Espanha energia eléctrica de borla e nos obrigarão a construir mais barragens para armazenar a energia em excesso e a pagar mais custos de compensação às centrais térmicas para produzirem energia quando não há vento.

O título adequado seria «Submarinos obrigam investimentos em eólicas». É o efeito Lockheed em todo o seu esplendor.

ACTUALIZAÇÃO:

«O ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira assumiu hoje, no parlamento, que as contrapartidas negociadas pelos vários governos em nome do Estado português na compra de equipamento militar eram "imaginárias", devido ao seu grau de incumprimento generalizado.
O antigo membro do atual Governo da maioria PSD/CDS-PP admitiu ainda, durante o inquérito parlamentar, em sede de comissão, ter sido aconselhado a "não mexer no dossiê" por se tratar de um assunto com um grande "passivo reputacional".
"O modelo das contrapartidas foi desenvolvido para convencer a opinião pública de que a compra de material militar era neutra", justificou, classificando-as de "imaginárias"

(Fonte: Lusa, via MSN Notícias)

DIÁRIO DE BORDO: Criaturas bizarras (2)

Lucernaria quadricornis; podem ter várias cores: branco, verde leitoso, rosa ou salpicada.
Vivem no Mar Branco, Rússia (Fonte: flickr)

27/07/2014

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O culto do status e a falta de gosto pela iniciativa e pelo risco dos Donos Disto Tudo e Disto Tudo

«Não por acaso, a palavra “indivíduo" é quase um insulto em Portugal, "ali vai o indivíduo", "aquele indivíduo tem a mania que é esperto". Também não é por acaso que os Espírito Santo não são conhecidos pelo risco aplicado em novas indústrias. Não são empresários, não são homens livres no sentido clássico e liberal do termo. São, isso sim, membros da corte. Para quê arriscar na economia real quando se pode fazer uma PPP com o Dr. Paulo Campos?

Quando se lê as memórias da geração anterior (Alçada Baptista, Filomena Mónica) percebe-se que o tal "empreendedorismo" sempre foi o anátema desta velha direita. Criar riqueza com projetos novos não fazia sentido. O jovem de boas famílias só tinha de "viver dos rendimentos". Até podia ser médico ou advogado, mas só por lazer. O pai de Alçada, por exemplo, nunca cobrou dinheiro pelo seu trabalho como médico. Viver dos juros e das rendas era o modo de vida dos grandes. Os rendeiros que empreendessem. Os pobres que empreendessem, sujar as mãos na realidade e na produção de riqueza não era próprio das grandes famílias. A propósito, diga- se que os empreendedores eram vistos como inimigos, porque abanavam a sociedade e colocavam em causa as relações de poder entre os senhores e os humildes que se desbarretavam. Os Espírito Santo ainda são herdeiros desta glorificação da inércia social. Ao contrário do velho Champalimaud, não gostam de fazer coisas, não gostam da trepidação da fábrica ou do cheiro estrumado da herdade. Este desprezo pela produção de riqueza diz muito sobre o nosso "capitalismo" e sobre as nossas grandes famílias.
»

Henrique Raposo, «A redenção dos Espírito Santo», Expresso

ESTÓRIA E MORAL: The Morality of Dishonesty

A few years ago robbers entered a bank in a small town. One of them shouted: "Don't move! The money belongs to the bank. Your lives belong to you.” Immediately all the people in the bank laid on the floor quietly and without panic. This is an example of how the correct wording of a sentence can make everyone change their view of the world. One woman lay on the floor in a provocative manner. The robber approached her saying, "Ma'am, this is a robbery not a rape. Please behave accordingly." 

This is an example of how to behave professionally, and focus on the goal.

While running from the bank the youngest robber (who had a college degree) said to the oldest robber (who had barely finished elementary school): "Hey, maybe we should count how much we stole.?" The older man replied: "Don’t be stupid. It's a lot of money so let's wait for the news on TV to find out how much money was taken from the bank." 


This is an example of how life experience is more important than a degree.

After the robbery, the manager of the bank said to his accountant: "Let's call the cops and tell them how much has been stolen."

"Wait”, said the Accountant, "before we do that, let's add the 800,000 dollars we took for ourselves a few months ago and just say that it was stolen as part of today’s robbery." 


This is an example of taking advantage of an opportunity.

The following day it was reported in the news that the bank was robbed of 3 million dollars.

The robbers counted the money, but they found only 1 million dollars so they started to grumble. "We risked our lives for 1 million dollars, while the bank's management robbed two million dollars without blinking? Maybe its better to learn how to work the system, instead of being a simple robber." 


This is an example of how knowledge can be more useful than power.

Moral: Give a person a gun, and he can rob a bank. Give a person a bank, and he can rob everyone.

26/07/2014

DIÁRIO DE BORDO: Criaturas bizarras (1)

Chaetopterus cautus, um verme dos mares do Japão e da Rússia (Fonte: flickr)

25/07/2014

SERVIÇO PÚBLICO: É possível a paz em Israel?

Uma conversa inteligente e informada de Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto, moderada por José Manuel Fernandes, no Observador, sobre o conflito entre as facções armadas palestinas e o Estado de Israel.

Pro memoria (183) – O défice estrutural de memória das luminárias nacionais (IV)

Continuação de (I), (II), (III) e aqui.

Teixeira dos Santos, ministro das Finanças durante 6 anos de dois governos de José Sócrates, e nessa qualidade um dos maiores responsáveis pela bancarrota que esses governos nos deixaram, bancarrota que tornou inevitável a venda maciça de activos públicos e privados e a consequente e inevitável alienação do poder de decisão, fez algumas perguntas às quais ele seria um dos mais qualificados para responder:

«E os grandes grupos de referência nacional, que se reconstituíram com as privatizações e foram grandes grupos no passado, perguntem e respondam a vós próprios: onde é que eles estão, o que é que lhes aconteceu?»

«Eles a pouco e pouco foram-se esfumando. O que é feito de Champalimaud? Os Mello ainda estão na Brisa mas tiveram de reconfigurar. O Espírito Santo é o que estamos a ver. Reparem que todos esses grandes grupos de referência, que eram os tais centros de decisão e de capitais nacionais, de facto estão a mostrar grandes debilidades em poderem financiar e capitalizar o país.»

24/07/2014

Estado empreendedor (87) - o aeroporto que só abre abria aos domingos (7)

[Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui]


Finalmente o aeroporto de Beja está próximo de cumprir o seu destino: «unidade de desmantelamento de aviões».

Parece mal ser o próprio a realçar as suas capacidades preditivas, mas o certo é que há 5 anos escrevo sobre este paradigma da economia socialista e há 3 anos ilustro os posts com a imagem aqui ao lado.

Dúvidas (46) – Só se toca nos intocáveis, quando perdem o estatuto?

Como explicar que num caso como a Operação Monte Branco que está a ser «investigado» há 2 anos, no qual Ricardo Salgado já foi ouvido várias vezes como testemunha, só agora a PGR se tenha lembrado de o mandar deter para ser ouvido como arguido?

Pode haver várias explicações, mas infelizmente a mais provável é a pior de todas: a justiça portuguesa só toca nos intocáveis quando eles perdem o estatuto. Há um ditado português que caracteriza muito bem esta cobardia atávica: quando um cão é raivoso todos lhe atiram pedras.

«Tinha mais graça ter alguns confrontos com o Dr. Ricardo Salgado quando vocês achavam que ele era dono disto tudo», disse contra a corrente Fernando Ulrich. É coisa de líder. Os carneiros bajulam os poderosos e quando estes caiem são os primeiros a apontar-lhes o dedo.

DIÁRIO DE BORDO: O caso GES parece estar semeado de «unknown unknowns»

«Reports that say that something hasn’t happened are always interesting to me, because as we know, there are known knowns; there are things that we know that we know. We also know there are known unknowns; that is to say we know there are some things we do not know. But there are also unknown unknowns, the ones we don’t know we don’t know

Donald Rumsfeld, secretário da Defesa de Bush, o Tóxico, a propósito de os relatórios sobre as WMD não evidenciarem uma ligação com os terroristas