Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

06/02/2016

Lost in translation (263) – Herr Costa tende juízo


«O antecessor de António Costa conduziu Portugal por um período bastante conturbado, não foi fácil, mas na verdade foram conseguidas coisas impressionantes e deve-se fazer tudo para continuar este caminho bem sucedido.»

Angela Merkel para António Costa no final do encontro em Berlim

CASE STUDY: A situação portuguesa é diferente da irlandesa, mas nem sempre para melhor (8)

Outros episódios da mesma série.

Por alturas de Novembro de 2010 publiquei o primeiro post desta série onde comecei por citar três luminárias agora retiradas ou em vias de se retiraram. Vou citá-las de novo para ficar patente porquê nós estamos onde estamos, tratados com a medicina que estas e outras luminárias que as seguiram aplicaram, e a Irlanda está onde está:
  • Cavaco - «Há muito tempo que eu afirmei que o problema da Irlanda era muitíssimo mais grave que o português»;
  • Sócrates - «Quem acompanha esses mercados sabe que hoje subiram os juros da Irlanda, que bateram novo recorde – e nós já descolámos da Irlanda nesse domínio»;
  • Teixeira dos Santos - «Portugal é diferente da Irlanda e que traçou um caminho de consolidação e de políticas de reformas».
Cinco anos e três meses mais tarde, façamos um ponto de situação comparativa do tigre celta e do tareco lusitano. Pelo lado do tareco andamos embrulhados com a novela do orçamento da geringonça e com os multiplicadores de Costa-Centeno. Pelo lado do tigre as coisas têm o aspecto que os diagramas seguintes mostram:

Fonte:Trading Economics (Clicar para ampliar)


É claro que por detrás destes resultados houve alguma sorte no passado - eles são irlandeses e não foram governados pelo PSD-CDS – e muito mais sorte para o futuro – eles continuam a ser irlandeses e não têm o par Costa- Centeno e, principalmente, não têm uma gerigonça, so far.

05/02/2016

ESTÓRIA E MORAL: A outra «história a não perder»

Estória

Ontem foi a estória dos Alkhamis «felizes e integrados». Hoje é a história dos «pelo menos 27 refugiados menores de idade (que) desapareceram em Portugal em 2015. Segundo o SEF, alguns casos podem estar relacionados com tráfico humano e exploração sexual. Estavam no centro de acolhimento para crianças refugiadas, em Lisboa.»

Moral

No Portugal dos Pequeninos tão depressa se manda uma caravana e uma jornalista para trazer um sírio como se deixam umas dezenas de crianças à mercê de traficantes e pedófilos.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Eles não estão malucos»

«Não, eles não estão malucos.

Maluco estava quem acreditou que o PS sofria apenas do mal da oposição, mas que lhe bastaria chegar ao governo para sentir outra vez a responsabilidade, compreender os limites, reconhecer os constrangimentos. Doce ilusão. Durante quatro anos, os líderes do PS renegaram o memorando que o seu próprio governo negociou, atribuíram todas as dificuldades do país a uma conspiração “neo-liberal”, e cultivaram com esmero um ódio teológico à “direita”. Talvez não tenha chegado para convencer o eleitorado, mas chegou para se convencerem a si próprios de que valia tudo para afastar a maioria PSD-CDS, e que inverter as suas políticas era necessário, mesmo que não fosse realista. Que poderia um líder do PS fazer, depois de quatro anos de anti-austeridade?

Não, eles não estão malucos.

Maluco estava quem pensou que o apoio do PCP e do BE não teria consequências, nem custos. Era apenas o “alargamento da democracia”, iria finalmente comprometer comunistas e radicais na governação e iniciá-los na responsabilidade e na sensatez. Pouca gente quis admitir que o PCP e o BE não chegaram ao poder por terem mudado de ideias ou de métodos, mas unicamente porque um líder do PS derrotado nas eleições precisou dos seus votos para ganhar no parlamento. Se alguém teve de mudar até agora, foi o PS, como se viu no caso da educação, onde já quase renegou todo o seu passado governativo. É óbvio que conservar o braço sindical do PCP tem um preço, e é óbvio que o BE precisa de uma guerra com a “Europa”, até para justificar algumas votações. Mas que alternativa tem António Costa, depois de perder as eleições?»

Excerto de «Eles não estão malucos», Rui Ramos no Observador

Lost in translation (262) – Questões técnicas e questões políticas

Este é o meu contributo para esclarecer algumas dificuldades linguísticas à volta da discussão do OE 2016.
  • Questão técnica: é uma questão de aritmética elementar, salvo se for uma questão política; exemplo: se a despesa aumenta 2 e a receita diminui 1, o défice aumenta 3, salvo se o aumento da despesa for considerado one-off
  • Questão política: é uma questão para os políticos discutirem; exemplo: despesa recorrente é uma despesa que se repete todos os anos mas que no quadro de uma discussão política pode ser considerada one-off, isto é uma despesa irrepetível que se repete todos os anos. 
Esclarecida a hermenêutica, estamos agora em condições de interpretar o texto seguinte, da autoria de Ricardo Costa (podia ser outro qualquer das dezenas que dizem a mesma coisa):
«Há, assim, um claro desfasamento entre as críticas técnicas – muito duras – e algum otimismo político, que parece estranho e ainda é pouco tangível neste contexto. 
Embora a negociação seja eminentemente técnica, há questões sobre a forma de contabilizar certas operações que só podem ser desbloqueadas politicamente. E parece ser aí que o executivo socialista está a apostar todas as fichas.»

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XLIX) – «A mesma linha»

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Greek Reporter

António Costa. "Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha" (Fonte)

04/02/2016

Títulos inspirados (55) – Agarrem-me, se não vou-me a eles!

Diário de Notícias

ESTÓRIA E MORAL: «Felizes e integrados» no nosso jardinzinho à beira-mar prantado

Estória

«Outra história a não perder esta semana é a de Ali Alkhamis, o sírio trazido para Portugal em dezembro pelo grupo Famílias como as Nossas. A jornalista Rosa Ruela, que acompanhou a caravana que transportou a família, foi ver como estão instalados e adaptados nas suas novas vidas em Ovar. “Connosco está tudo bem”, traz Ali escrito num papel para começo de conversa. Tem emprego numa fábrica de confeções, recebe apoio de um grupo de voluntários e as meninas até já arranham o português. Regressar à Síria é cada vez menos uma hipótese.»
(«Felizes e integrados» na anteVisão da Revista Visão)

Moral

Vós, ó boches arrogantes, podeis ter centenas de milhar de refugiados ou imigrantes, sejam lá o que forem, mas nós temos os Alkhamis a quem fomos buscar com uma caravana e que estão felizes e integrados neste nosso Portugal dos Pequeninos.

Mitos (220) – Os chineses só investem em países endividados (3)

Outros mitos da mesma família: (1) e (2)

Relembrando o mito: os chineses só investem em países endividados, aproveitando os saldos e com o propósito de controlarem essas economias vulneráveis. É um mito cultivado pela esquerdalhada doméstica em geral (que, como se sabe, cultiva 99% dos mitos inventariados), pelo PS (enquanto está na oposição) e até por alguns empresários que não gostam dos chineses (por exemplo Soares dos Santos).

Continuando as aquisições chinesas na Europa, a China National Chemical Corp, uma empresa do Estado chinês, gerida por membros do Partido Comunista, anunciou a compra por USD 43 mil milhões de uma participação dominante na Syngenta, uma empresa suíça de sementes e pesticidas. Ironicamente, a Syngenta recusou várias vezes propostas da Monsanto, uma empresa americana e a maior do mundo nesta área, em parte por recear a não aprovação pelas autoridades suíças da concorrência.

03/02/2016

ACREDITE SE QUISER: Um dos poucos exemplos restantes de indefectibilidade

Neste post de ontem referi Nicolau Santos como um dos poucos exemplos restantes de indefectibilidade à geringonça. Como se houvesse dúvidas, o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que cantam favorito escreveu também no Expresso Curto desta manhã esta bela peça de retórica laudatória e imagética patriótica:

«Dos mangas de alpaca que emigraram todos para Bruxelas. Dos contabilistas que ficaram por cá. Dos que pensam que um orçamento não é mais do que duas colunas de números e não um documento que expressa opções políticas.
A elaboração e apresentação do Orçamento do Estado para 2016 está em contagem decrescente. Ontem houve ping-pong entre Bruxelas e Lisboa, com propostas e contrapropostas para lá e para cá. Há quem entenda que os lusitanos estão a ser vergados. Mas o certo é que se começa a vislumbrar a possibilidade da Comissão Europeia dar o seu aval aos novos esforços que o Governo liderado por António Costa colocou em cima da mesa para se aproximar do que lhe é exigido. E o que se percebe é que o caminho está a ser feito dos dois lados e não apenas de um. Cabe por isso perguntar: queres ver que o dr. Costa vai conseguir provar que não existe apenas a TINA (There Is No Alternative)? Queres ver que o dr. Costa vai conseguir a quadratura do círculo: repor salários e pensões, reduzir a carga fiscal, ter mais investimento e mais crescimento, e ao mesmo tempo manter a tendência da descida do défice orçamental (agora para 2,4%) e do défice estrutural (agora reduzido em 0,4 pontos)? Queres ver que o dr. Costa consegue agradar aos gregos (sem ofensa para os gregos!) de Bruxelas e aos troianos de Bloco de Esquerda e do PCP?
»

Enquanto houver jornalistas de causas como Nicolau e pensadores como Artur Baptista da Silva, a Lusitânia não soçobrará aos ditames dos mangas de alpaca e dos contabilistas que nos querem impor a aritmética mais rasteira e destruir os nossos sonhos dos multiplicadores de Costa-Centeno.

Pro memoria (295) – A Terceira Via do PS português (3/3)

[Continuação de (1) e (2)]

«Mas o Partido Socialista propõe um terceiro caminho, que não é nem o da economia liberal de concorrência nem o do Estado repressivo. Esse caminho consiste em fazer pagar o consumo nacional pelo capitalismo internacional por meio de empréstimos.

DIÁRIO DE BORDO: A vingança de Plutão

Plutão despromovido
Como é sabido, Plutão era o planeta preferido do (Im)pertinências até ser despromovido por motivos definitivamente pueris. Um tal Dr. Brown descobriu em 2005 um objecto espacial na cintura de Kuiper do tamanho de Plutão, o que levou no ano a seguinte a União Astronómica Internacional a considerar que, por isso, Plutão não merecia o estatuto de planeta.

Nove anos mais tarde, o mesmo Dr. Michael Brown acolitado por um tal Konstantin Batygin concluiu, por razões difíceis de compreender pelas criaturas menos dotadas, que com uma elevada probabilidade pode existir um planeta excêntrico que, existindo, seria o 9.º em substituição do Plutão despromovido.

Plutão também era um planeta excêntrico mas no sentido de «extravagante» que continua a ser - esta ninguém lhe tira. O novo planeta, existindo, será excêntrico no sentido de longe do centro, já que a sua órbita será muitíssimo mais afastada do Sol do que a de Plutão.

Pois será mais «excêntrico» e terá uma massa muito maior (várias vezes superior à da Terra, assim do tamanho de Neptuno ou mais), mas para mim nunca substituirá Plutão.

02/02/2016

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XLVIII) – «A mesma linha»

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Greek Reporter

António Costa. "Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha" (Fonte)

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: «Centeno ou sem tino?» O período de graça mais curto desde Dona Maria II

Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro 

 Não foram precisos mais de 2 meses desde a tomada de posse para ver este governo pelas ruas da amargura com a «boa imprensa» de que Costa dispôs durante 2 anos desaparecida em combate. É hoje difícil encontrar um plumitivo com uma apreciação positiva da governação de Costa e, em particular, do desempenho do seu ministro das Finanças. Difícil mas não impossível: Nicolau Santos, o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que cantam favorito, é um dos poucos exemplos restantes de indefectibilidade.

Alguém imaginaria que neste curto período, durante o qual Costa e Centeno só têm anunciado o maná celestial, um jornalista pudesse fazer um título como «Centeno ou sem tino?» e escrever no Expresso Curto «em poucas semanas Mário Centeno passou de herói do cenário macroeconómico a mago da contabilidade criativa»? É certo que João Vieira Pereira não é um jornalista de causas, mas ainda assim.

Por estas e por outras já abundantemente autopsiadas no (Im)pertinências, atribuo cinco chateaubriands a Costa, por ter confundido as suas larachas com soluções para o país e quatro a Centeno por ter confundido os multiplicadores nas suas folhas Excel com a economia mais carecida de iniciativa a norte do paralelo 37. Atribuo ainda cinco ignóbeis a Costa, por razões que não carecem de explicação, e quatro urracas a Centeno, por ainda não ter seguido o exemplo de Campos e Cunha que deixou Sócrates a falar sozinho.

Pro memoria (294) – A Terceira Via do PS português (2/3)

[Continuação de (1)]

«No segundo caminho, a acumulação do capital pelo Estado não se pode obter pelo estímulo da concorrência, mas só por uma disciplina rigidamente imposta com a ajuda de um aparelho policial eficiente. Obrigam-se os trabalhadores a produzir mais e a consumir menos, aniquilam-se os obstáculos a esta disciplina militar, a começar pelas liberdades públicas. Teoricamente é um caminho, na prática é duvidoso que ele leve ao resultado procurado. Os resultados da economia de Estado na Rússia, apesar da faraónica repressão estalinista, deixam muito a desejar quando comparados com os da Norte-América, os da Suécia, os da Alemanha, os do Japão. No mesmo período de tempo, Cuba, que aliás antes de Fidel Castro não tinha propriamente um sistema capitalista nacional, não conseguiu realizar, sob a ditadura castrista, grandes progressos económicos; basta dizer que neste país se mantém há muitos anos o racionamento, e que ele não conseguiu arrancar-se ao atoleiro da monocultura do açúcar, característica de países colonizados. E não falamos já dos países chamados do Terceiro Mundo que adoptaram o modelo da economia de Estado sem daí retirarem qualquer benefício económico, a não ser o que lhes advém do crescimento do mercado mundial capitalista.

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Há uns insultos melhores do que outros

ELE: De onde é?
ELA: Diamond Escorts. (*)
ELE: Não, refiro-me à língua. É português, não é?
ELA: Temos insultos melhores.

Diálogo entre um polícia chamado a intervir num episódio de violência doméstica, que afinal era uma briga entre uma prostituta brasileira e o seu chulo a quem acabara de chamar «filho da p*t@)» (sic), do episódio 3 da temporada 1 de «Shades of Blue», uma série que decorre no meio policial de NY,

(*) Uma agência de call girls.

01/02/2016

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (130) – UE, uma URSS sem KGB, segundo o Dr. Silva

«Nós corremos o risco de que a União Europeia se transforme numa União Soviética sem KGB» disse o filósofo Porfírio Silva, conselheiro de António Costa, em entrevista ao ionline, porque, explica, a UE «acaba na prática a ser gerida por uma ideologia dominante que não aceita alternativas e mesmo por uma espécie de novo partido dominante.»

O risco que nós corremos é sermos insultados pelo filósofo, que à época do colapso da URSS já tinha idade para ter juízo, de quem não são conhecidos estados de alma a respeito daquele paraíso socialista, nem protestos quando uma outra ideologia dominante de uma espécie de outro partido dominante dominava a política europeia, com a mesma legitimidade do novo partido dominante.

Aditamento (uma dúvida impertinente):
Terá a sanha anti União Europeia do filósofo sido desencadeada pelo processo disciplinar que foi movido o ano passado pelos soviéticos de Bruxelas à sua esposa Dr.ª Margarida Marques?

Pro memoria (293) – A Terceira Via do PS português (1/3)

Com o conjunto de 3 posts, que com este se inicia, de textos de António José Saraiva sobre as vias alternativas que então, como agora, se nos colocam, termino a série que dediquei aos «Filhos de Saturno», uma colectânea inspirada no Portugal dos anos 70 cuja herança ainda hoje pesa sobre nós.

«Há dias, numa emissão televisiva, o jornalista resumia mais ou menos nestes termos o problema do Orçamento: «Resta saber se é preferível ter défice ou ter as contas equilibradas com o sacrifício e a fome do povo português.»

Custa a crer como num órgão tão importante para a opinião portuguesa passam «opiniões» tão infantis. O jornalista parece julgar que o equilíbrio entre o que se gasta e o que se ganha é uma etiqueta mundana e que uma pessoa tem o direito a exigir o que lhe apetece sem dar em troca o equivalente a esse consumo. Infelizmente, a infantilidade está muito generalizada neste país, e sobretudo nos intelectuais que se habituaram a ser sustentados pelos papás ou a viver de expedientes, mas que realmente nunca trabalharam com o suor do seu rosto. Parece que os nossos jornalistas têm todos quintas no Alentejo e vivem do rendimento da cortiça regada com a chuva que cai do céu. Quando o que é preciso é explicar a todo o nosso povo que quanto maior for o nosso défice tanto maiores serão os sacrifícios por que passaremos.

ACREDITE SE QUISER: Quando o que subiu desce, o que desceu pode não subir e o que não desceu pode subir

Recordemos que quando o governo PSD-CDS aumentou o IVA da restauração de 13% para 23% a oposição antecipou uma onda de falências e despedimentos e prometeu desde logo a «reversão» avant la lettre dessa medida. Para uma retrospectiva das habituais confusões ligada às dificuldades com a tabuada, recomenda-se este post da época.

A ferramenta analítica do PS
Quase quatro anos depois, a geringonça volta a ter problemas com a tabuada e difere a «reversão» e reduz o seu âmbito, por ter constatado que afinal a coisa tem «custos "muito superiores" à previsão inicial do Governo [PS], de 350 milhões de euros».

Constatação tardia que se segue às conclusões de um grupo de economistas do PS a trabalhar com uma «ferramenta analítica» que lhe permitiu avaliar que a descida do IVA da restauração de 23% para 13% «pode tonificar o PIB em mais 0,2%». A avaliar pelas encrencas orçamentais em curso, a única certeza é a redução do IVA «muito superior», mas quanto ao tónico nem FMI, nem a OCDE, nem o BCE, nem o Banco de Portugal, nem Comissão Europeia, nem a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), nem o Conselho de Finanças Públicas, parecem acreditar.

Depois de um inquérito a meia dúzia de tascas, o Expresso concluiu que da «descida no IVA na restauração  (resultará) que «os preços não descem, emprego talvez aumente». O «talvez» exige muita fé porque se os preços não descem a procura não vai subir. Se a procura não sobe não há razão para o emprego subir, a não ser que a restauração resolva fazer filantropia. Por isso, se o IVA desce e os preços se mantêm, a única coisa que acontece é aumentarem as margens de lucro.