Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

06/07/2015

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (10) - Sumário executivo das conclusões da reunião dos amigos de Alexis

«O lirismo dominou o encontro "A crise europeia à luz da Grécia", debate também realizado na sexta-feira e abrilhantado pela ausência de divergências. O calibre dos nomes envolvidos explica o estilo e o consenso: Louçã, Pacheco Pereira, Manuel Alegre, o Prof. Freitas, um economista da CGTP e, claro, os imparáveis deputados do BE. A bem da síntese, eis o tom geral: a Europa é uma ditadura (valha-nos Deus); a Grécia simboliza a democracia (desde tempos imemoriais, para não falar do velho esclavagismo e da pedofilia clássica); os gregos resistem ao poder do dinheiro (excepto quando é dado); os gregos, à imagem dos jogadores da bola, levantam a cabeça (excepto para pedir); os gregos são dignos (na medida em que o parasitismo é um critério de dignidade); os gregos, em suma, são patriotas - já os alemães que preferem a Alemanha ou os portugueses que preferem Portugal são traidores. Seja em que país for, patriota é o sujeito que dá a vida ou, vá lá, levanta um cartaz pela Grécia.»

Patriotas e parasitas, por ALBERTO GONÇALVES no DN

ESTADO DE SÍTIO: Próximo passo - respeitemos a democracia.


Referendo nos 19-1 sobre o 3.º resgate e o 2.º perdão ao um. Espera-se uma vitória da democracia.

Curtas e grossas (19) – São ambos marxistas

Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis são ambos confessadamente marxistas. O primeiro no género Lenine e o segundo no género Groucho. E por falar em Groucho, uma citação,
«A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todos os lados, diagnosticá-los incorrectamente e aplicar as piores soluções.»
Actualização:
Em substituição do marxista género Groucho, que hoje se demitiu via Twitter com o estrondo habitual próprio do seu ego super-expandido, surge Euclid Tsakalotos, um outro marxista talvez do género Trotsky. É a troca da palhaçada pelo maquiavelismo. A vida não ficará mais fácil para as múmias paralíticas bruxelenses.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: A via rápida grega

Três posts de O Insurgente muito úteis para se perceber como os gregos chegaram onde se encontram:

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (42) – Hoje como há 600 anos

«History seems to repeat itself these days. The heated debate about Grexit from Europe may have deeper roots than one realizes. Here is what Aeneas Sylvius Piccolomini, humanist and future pope (1405-1464), wrote about the Council of Basel (c.1435) in his Commentaries: 
 “At that time the Greeks had promised the Council that they would come to Latin territory to discuss the question of union. Being a poor nation, with a talent for begging, they asked to be reimbursed for their expenses. To that end they demanded some 70,000 gold florins. In order to scrape together such a sum the Council promised plenary indulgences and remission of all their sins to those who would contribute money to the cause.”»
«A poor nation, with a talent for begging - Fifteenth-century echoes in a 21st-century Grexit», Marcello Simonetta no Politico

05/07/2015

SERVIÇO PÚBLICO: Se a Grécia sair da Eurozona, como ficam os 19-1?

Abreviadamente: muito melhor. As únicas consequências negativas são: ficamos com menos azeite e menos praias. A seguir os detalhes calculados pelo WSJ:
  • A população diminui 3,2% e a idade média também diminui 
  • O PIB diminui 1,8% para o PIB per capital aumenta 1,5% 
  • A dívida total diminui 3,4% e a dívida privada diminui 0,9% 
  • A produção de azeite diminui 24,5% 
  • Os cristãos ortodoxos diminuem 84% 
  • Os casamentos diminuem 4,1% e os divórcios 2% 
  • A área diminui 4,6% e a linha da costa 31,3% 
  • A altitude média diminui 157 metros 
  • O número de fumadores diminui 4,8%

ARTIGO DEFUNTO: A arte do cartoon segundo o jornalismo de referência


Este cartoon do Expresso é um vómito sectário e discriminatório. Não por acaso, António coloca na locomotiva duas carruagens do comboio recoveiro, a pretexto de as humilhar, e deixa de fora a França (et pour cause) - o maior responsável pela «construção europeia» - e uma dezena de países da Europa do Leste que sobreviveram ao colapso do seu saudoso império soviético.

Citando o Malomil, para dizer as coisas de uma forma educada, «é o mesmo que fazer um cartoon racista sobre Obama ou um cartoon sexista sobre Hilary Clinton. Aqui utiliza-se um handicap físico de uma pessoa como motivo de gozo ou pretexto para ironia fácil.»


ACREDITE SE QUISER: A nódoa cai em qualquer pano

«Afinal, o cabeça-de-lista do Livre/Tempo de Avançar no Porto é Ricardo Sá Fernandes. O advogado ficou em terceiro lugar nas eleições primárias da candidatura cidadã mas as suspeitas de irregularidades nos votos atribuídos a Daniel Mota, até agora o candidato a deputado mais votado, levaram à recontagem dos votos e à reorganização da lista. 

A decisão foi tomada na Comissão de Ética e Arbitragem do Livre/Tempo de Avançar após a entrada de várias queixas dando conta das suspeitas que recaiam sobre a votação em Daniel Mota. A Comissão Eleitoral, presidida por Luís Moita, procedeu então à recontagem dos votos, considerando inválidos os votos por correspondência que tinham como primeira opção o candidato Daniel Mota.» (Jornal SOL)

Não é surpreendente que tenham ocorrido fraudes nas primeiras eleições de uma organização de dissidentes da esquerdalhada que quer promover a unidade de todos os dissidentes actuais e potenciais e purificar as práticas políticas? Não.

Dúvidas (109) - O referendo grego é um plebiscito ilegal?

Diz o El País que a Grécia converteu o referendo num plebiscito ilegal. De facto, o que dizer de um «referendo» em que o governo faz campanha para o eleitorado responder negativamente à seguinte pergunta hermética até para os deputados:
«Deve aceitar-se a proposta de acordo apresentada pelas instituições no Eurogrupo de 25 de Junho, que consta de duas partes e que formam uma só proposta?»
E a seguir informa quais as «partes»:
«Reformas para a finalização do programa em vigor» e «Análise preliminar da sustentabilidade da dívida» 
E o que dizer de um «referendo» que incide sobre matéria fiscal e é anunciado com uma semana de antecedência quando a Constituição grega (tal como a portuguesa) proíbe referendos sobre essa matéria (por razões facilmente compreensíveis – imagine-se um referendo a perguntar se os impostos não deveria ser abolidos…) e fixa um prazo de um mês para a convocação?

Talvez devêssemos perguntar àquela praga de constitucionalistas de ocasião que justificou os acórdãos de inconstitucionalidade do TC sobre as medidas de cortes orçamentais baseados em etéreos princípios dos quais se poderia inferir quase tudo.

@RTISTAS CONVIDADOS: Eric Ravilous (5)

The Lifeboat

04/07/2015

Dúvidas (108) – E se, de repente, um cliente da Uber fosse assaltado…

(Uma espécie de continuação daqui)

… «e sequestrado … vítima de uma golpada, seduzido por uma desconhecida no Cais do Sodré, … depois, uma terceira pessoa entrou no veículo, e obrigou-o ir a uma caixa multibanco. Aí foi forçado a levantar 200 euros. ... depois de tudo, ainda foi levado para outro local e fechado na bagageira … , enquanto os assaltantes levantavam mais dinheiro. Ao todo, foi roubado em 600 euros. A noite terminou com a vítima abandonada na via rápida

Seria certamente um levantamento nacional, com o futuro presidente da Nóvoa e o futuro primeiro-ministro de Portugal a juntarem as suas vozes ao coro dos indignados, os tambores do jornalismo de causas a rufarem, todos exigindo a prisão do motorista, a expulsão da Uber e o mais que lhes aprouvesse.

Como tudo aconteceu num táxi devidamente licenciado, conduzido por um motorista devidamente dotado dos conhecimentos técnicos e devidamente dotado dos requisitos de urbanidade indispensáveis para lidar com o público, a coisa é normal.

Lost in translation (244) – Guerra civil, disse ele

O Dr. Domingues de Azevedo é o bastonário dos técnicos oficiais de contas ou TOC para os iniciados. Não se pense por isso que é uma pessoa cinzenta possuída pelo que os socialistas costumam apelidar depreciativamente uma «mentalidade de contabilista». De modo algum, ele é um tribuno sempre à frente das grandes causas, a apontar novos caminhos e a criticar a governação com uma linguagem colorida (veja esta entrevista do jornal i), inesperada em quem lida com o deve, o haver e as partidas dobradas.

«Vamos assistir a uma guerra civil» (a propósito das declaração de IRS em 2016) ou «É uma vergonha o que se passou e o que se continua a passar. É a conceptualização de uma política espectáculo, sem dignidade. É um abandalhar.» (a propósito do sorteio das facturas) são exemplos da sua visão de militante de causas.

Se já tínhamos o jornalismo de causas, fazia-nos falta a contabilidade de causas.

03/07/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XXX) – Uma tragédia, por agora uma comédia antes de ser de novo uma tragédia

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

O diagrama que reproduzo foi extraído do research «Greece and the Euro - Moving Towards Capital Controls» da Morgan Stanley. Mostra opções geralmente conhecidas, pelo menos de quem ainda retém um módico de racionalidade e não se deixou possuir pelos delírios do syrizismo ou pelas alergias ao syrizismo.


Do diagrama ressalta o trilema que o governo Syriza-Anel grego tem pela frente e recorda-me um outro trilema formulado por Slavoj Žižek: sob um regime de constrangimento ideológico como o comunismo, são incompatíveis as virtudes de honestidade, inteligência e adesão sincera a esse regime.

É uma muleta mental a que recorro, uma vez mais, com o alibi de ser inteiramente aplicável a um regime em que governa uma coligação comunista-chauvinista, quando as meninges já estão a ver-se gregas para acompanhar esta comédia que talvez tenha sido uma tragédia em tempos e que voltará a sê-lo num futuro próximo.

SERVIÇO PÚBLICO: O que é afinal a Grécia?

«Grécia: não é esquerda ou direita, é máfia»


Henrique Raposo no Expresso

«Grécia tem sido pintada pela esquerda como uma espécie de Palestina a sofrer invasões diárias dos exércitos sionistas que, neste caso, têm a forma de cifrões capitalistas criados pelos sábios de Sião. O espetáculo é confrangedor porque a Grécia não é de esquerda ou de direita. Aquilo que existe na Grécia não é um estado social, mas sim um estado mafioso. Os gregos não são preguiçosos como tantas vezes se diz, mas vivem dentro de um estado corrupto que transformou o clientelismo mafioso numa ferramenta legítima. Nem por acaso, tudo gira em torno de duas famílias, os Papandreou e os Karamanlis, os padrinhos desta história. As lealdades na Grécia nada têm que ver com diferenças ideológicas entre Pasok e Nova Democracia, mas com meras dependências pessoais em relação aos Papandreou e Karamanlis. É feudalismo, e não liberalismo versus socialismo. Alguns historiadores, como Nicolas Bloudanis, garantem que esta realidade ainda é uma herança do Império Otomano, que dominou a Grécia entre o século XV e o século XIX. A Grécia não é a patriarca da democracia ocidental, é apenas um produto tardio de um império oriental caído há cem anos.

Mas como é que esta oligarquia mafiosa funcionava? Num texto publicado na "Open Democracy", Manos Matsaganis recorda que autorizou a criação de 865 mil novos empregos no funcionalismo público em apenas cinco anos (2004-2009); em cima do Estado gigantesco que já existia, Karamanlis edificou outro Estado. É por isso que os dois défices da Grécia aumentaram para mais do dobro (o externo: 14,9%; o estatal: 15,4%). É por isso que o Estado empregava cerca de 45% da população ativa. Lamento, mas isto nada tem que ver com política no sentido a que estamos habituados. Isto não é política democrática, isto são famílias políticas a criar laços mafiosos com clientelas através do dinheiro do estado que -atenção -passou a set financiado pelos contribuintes europeus. Eu também estou a pagar esta farsa. E, seja qual for a alegada importância geopolítica da Grécia, não estou disponível para continuar a financiar a máfia política grega. O empréstimo de dinheiro tem de servir para uma reforma profunda desta forma de fazer política.

Caso contrário, não vale a pena. Há que olhar para Costas Simiris, o socialista que em 2001 tentou reformar o estado e o insolúvel sistema de pensões que já valia 17% do PIB. Claro que as clientelas vieram para a rua em nome do "estado social" e Simitis perdeu as eleições em 2004 para os homens que autorizaram 865 mil novos empregos no funcionalismo público. A Grécia precisa de um novo Simicis, caso contrário não vale a pena continuar com esta "never ending story" para adultos.

Em termos históricos, o Syriza não tem culpas neste cartório, mas agora parece capturado pelo mesmo clientelismo. Nem por acaso, Tsipras entrou em choque com o FMI pelo seguinte: o fundo não quer aumento de impostos, mas sim reformas neste estado corrupto; ao invés, o Syriza está disponível para aumentar impostos, mas recusa fazer as cais reformas, porque a velha clientela cominua a exigir as velhas regalias. É por isso que grande parte dos gregos querem uma coisa e o seu contrário, querem continuar no Euro mas não querem cumprir as exigências do Euro. Mas, verdade seja dita, se eu fosse grego também estaria a dar este espetáculo de incoerência. Porquê? Reparem na relação que os governos gregos têm mantido com o cidadão normal: para começar, o governo dá emprego à pessoa x em croca de um voto, transformando assim o estado num mecanismo mafioso de compra de lealdades; como se isto não fosse suficiente, o governo depois garante que o estado não vai importunar a pessoa x através do sistema fiscal. Ou seja, os governos estão há décadas a dizer o seguinte ao eleitor grego: "olha, tu e a tua família votam em mim e, em troca, dou-te emprego e, ora essa, também não pagas impostos!". Se eu fosse grego, também estava nas ruas a dizer que não queria mudanças. É que isto é a perfeita quadratura do círculo alimentada pelo dinheiro dos outros.
»

02/07/2015

Títulos inspirados (44) – Os amanhãs que cantam dos ratos

«Enquanto dormem, os ratos “sonham” com um amanhã mais radioso» titulou o Público, insuspeito a respeito de piadas de mau gosto sobre os amanhãs radiosos e o Largo do Rato. Ou será o Público suspeito?

ACREDITE SE QUISER: Com uns copos vêem-se melhor

Há dias para tudo. Até para os OVNI. É hoje comemorado o aniversário da queda em Roswell do imaginado disco voador. Pelos vistos são vistos cada vez mais, sobretudo no Verão, à noite e às sextas-feiras, segundo o National UFO Reporting Centre citado pelo Economist Espresso.

Dúvidas (107) - Você quereria este homem como primeiro-ministro?


«Would you buy a used car from this man?» perguntou JFK no célebre debate na televisão em 26 de Setembro de 1960 usando sem escrúpulos o body language desajeitado de Richard Nixon (em contraste com o seu discurso muito mais consistente do que os lugares comuns de JFK). No caso de Costa não se trata de body language desajeitado (matéria em que Costa é aliás bastante ajeitado), trata-se de piruetas que indiciam o pior sobre a sua confiabilidade, pelo que a pergunta adequada seria: você quereria este homem como primeiro-ministro?

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XXIX) – Exortação solidária

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Exortação aos adeptos da sucumbência à chantagem da coligação Syriza-Anel 


Clique aqui para provar a sua solidariedade
Abri os cordões às vossas bolsas e mostrai a vossa «solidariedade» enviando o vosso dinheiro para a coligação comunista-chauvinista comprar os apoios para continuar a levar povo grego para a baderna e a miséria.

01/07/2015

Pro memoria (246) - Se o FMI tivesse uma armada…

HMS Duke of Wellington circa 1850
Hoje o governo grego entrou em default no empréstimo de 1,5 mil mihões de euros do FMI, tornando-se a Grécia o primeiro «país desenvolvido» (no caso da Grécia eu diria «país em vias de subdesenvolvimento») a incumprir com o FMI,  juntando-se a um clube de que são sócios honorários o Zimbabué e o Sudão. Fica agora demonstrada a justeza da comparação que fiz anteontem da Grécia com a República Centro-Africana e o Zimbabué.

Felizmente para a Grécia (ou talvez não, se nos lembrarmos do que é a aliança Syriza-Anel), o FMI não dispõe de uma armada e, ainda que quisesse, não poderia mandar garantir a dívida arrestando navios gregos e outros activos, como fez a Royal Navy a mando de Her Majesty Queen Victoria em 1850.

ACREDITE SE QUISER: Uma reforma municipal segundo Relvas

Se Miguel Relvas for um paradigma do escol dos nossos políticos Portugal não terá redenção. E não é por causa da licenciatura a martelo. Dessa miudeza já se encarregou o jornalismo de causas que escarafunchou o que havia para escarafunchar.

É por causa do seu livro «O Outro Lado da Governação» que já não tinha intenção de ler e depois de ler as referências publicadas nos jornais transformei a não intenção em decisão de não ler.

Respigo duas passagens dessas referências. A queixa das pressões da troika «para deixar os municípios portugueses falirem à boa maneira de Detroit … que teve alguns adeptos dentro do próprio Governo» é um bom exemplo do pensamento «reformista» de Relvas (e de muitos outros).

Sendo certo que a visão dominante na sociedade portuguesa não é compatível com deixar falir um município sem rupturas dolorosas e talvez socialmente insustentáveis, não é menos certo que um político que se cola ao atavismo colectivista dessa sociedade não lhe passa pela cabeça fazer qualquer reforma digna desse nome.

A segunda referência confirma isso mesmo quando Relvas critica a «visão de contabilista liberal» da troika  - uma crítica com formulação tipicamente socialista - e imagina ter feito uma reforma municipal fundindo um quarto das mais de 4 mil freguesias e deixando intactas as mais de 300 câmaras, algumas delas com menos de 10 mil munícipes, num país que tem uma população da ordem de grandeza de qualquer grande cidade mundial. Estamos conversados.

@RTISTAS CONVIDADOS: Eric Ravilous (4)

Wiltshire Landscape

30/06/2015

DIÁRIO DE BORDO: Sucumbir à chantagem

«Se o euro falhar, a Europa falha», disse Angela Merkel a propósito de uma eventual saída da Grécia da Zona Euro e Jean-Claude Juncker propõe «um acordo de última hora» ao governo grego

Ocorre-me um Jean-Claude alcoólatra (não é precisa muita imaginação) perante uma ameaça de extorsão por um chantagista Alexis (ainda é precisa menos imaginação) de divulgar publicamente o seu alcoolismo crónico, a implorar-lhe: «Alexis, imploro-te, não digas a ninguém. Isso arruinaria a minha carreira».

Convocar um referendo para decidir se o eleitorado aceita ou rejeita medidas de austeridade é a continuação da chantagem sobre a troika, irremediável demagogia, manipulação em estado puro e falta de coragem de submeter a verdadeira escolha que é permanecer ou sair da Zona Euro.

Pro memoria (245) – «A forma mais democrática de expressar a vontade popular são eleições não um referendo»


Adivinhe quem disse a propósito do referendo grego:
«You know better than me that if the Greek Prime Minister himself tries to have the people face such dilemmas, the real default will be inevitable, and the Greek banks and the Greek economy will collapse before we even reach the voting booth. Just because of the possibility that the people may face such a dilemma, they might vote “No.” »
O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras himself em Outubro de 2011 na sua encarnação de líder do Syriza, a propósito do referendo que o primeiro-ministro da época Papandreou pretendia convocar.

Continuando a citar o Greek Reporter:
«The current Prime Minister of Greece had then accused Papandreou of despair and had characterized his announcement of a referendum as a “disaster for the Greek economy” and a “harbinger of bankruptcy,” considering it a trick used by the Greek government in its effort to buy more time in power. And he had come into the following conclusion: “The most democratic way of expressing the popular will is elections, not a referendum

De boas intenções está o inferno cheio (35) – A religião é a política por outros meios? (VIII)

Outros posts sobre a religião como a política por outros meios.


É certo que a ONU reconheceu o direitos dos bolivianos a mastigar a folha de coca, mas até mesmo para um papa como Francisco a coisa é um bocadinho esotérica ou sou eu, agnóstico, que estou a ver mal?