Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

24/06/2016

ACREDITE SE QUISER: Um milionário pode mudar-se para a habitação social de uma família negra

«If Donald Trump wins the U.S. Presidential Election, it will be the first time in history that a billionaire moves into Public Housing vacated by a black family!»

[Enviado por JARF]

BREIQUINGUE NIUZ: The British exception (3)

Continuação daqui e daqui.

Done!
Fonte: NYT

Mitos (233) – A melhor explicação é quase sempre a mais simples ou de como um crime homofóbico de inspiração religiosa se revela um alegado crime de alegada vingança gay contra alegados gays

Continuação daqui.

A tese oficial do crime de inspiração religiosa em Orlando começou por ser posta em causa pela alegada mulher do alegado criminoso Omar Mateen e ficou reduzida a cacos com a entrevista de um alegado amante de Mateen, que disse ter este conhecido no bar gay dois alegados gays porto-riquenhos com quem teve alegadamente sexo não previsto no Corão, sendo um desses alegados gays alegadamente VIH positivo. O facto de o alegado gay alegadamente VIH positivo não ter alegadamente informado Mateen despertou neste um alegado ódio,

Segundo o alegado amante de Mateen, este era um alegado «bissexual forçado» e pelas referidas razões alegadamente «odiava os gays porto-riquenhos» e teria sido este ódio que alegadamente motivou o alegado massacre no bar gay.

23/06/2016

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (10)

«A França é excepcional, mas nós somos muito melhores, nós somos os melhores», presidente-animador Marcelo em Champigny, um antigo bidonville para onde emigraram nos anos 60 dezenas de milhar de portugueses para trabalhar no bâtiment fugindo do país dos muito melhores.

«Está feito», disse ele. Estamos feitos, dizemos nós.
«Está feito… Vou ver se arrumo a minha vidinha para conseguir assistir ao jogo. Um abraço a Fernando Santos», disse o presidente-comentador desportivo Marcelo, na flash interview para onde foi posar/pousar depois do jogo com a Hungria.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (138) - O difícil convívio com a liberdade de imprensa

Recordando quatro casos recentes (o «não lhe admito» de António Costa, as «bofetadas» de João Soares, o «talibã» de José Magalhães e o «ainda não foi despedida» de Gabriela Canavilhas), João Miguel Tavares conclui:

«O problema está no irresistível impulso do PS para controlar, para rosnar de forma destemperada e para não ter a menor noção do que deve ser a postura de um político face à comunicação social. Estamos a falar de primeiros-ministros, ministros e deputados com intervenções desbocadas em pouco mais de um ano. Isto não é acaso – é estilo. Um estilo que o PS desenvolveu com o caso Casa Pia, elevou ao seu expoente máximo com Sócrates e que, para mal dos nossos pecados, continua bastante viçoso com Costa.»

BREIQUINGUE NIUZ: The British exception (2)


Financial Times
Já havia a «exception française» que os franceses inventaram para justificar aos olhos do resto do mundo as consequências do seu pendor «dirigiste» e do seu entranhado desvelo por «l’État». Temos agora The British exception, de pendor liberalizante, que o primeiro-ministro David Cameron – maldosamente alcunhado pelos seus detractores de «Chamaleon» - conseguiu impingir aos seus pares sob duas ameaças: uma imediata (não os deixar ir dormir), outra a prazo (Brexit).

A British exception consiste essencialmente em três garantias que os outros 27 lhe deram: isenção do compromisso de construção de uma «união cada vez mais estreita»; não discriminação pelos países da Zona Euro e limitação dos benefícios sociais dos emigrantes.

Se os 27 tivessem juízo ter-se-iam concedido a si próprios as mesmas garantias e começariam gradualmente a involuir para uma zona de livre circulação de capitais, bens, serviços e pessoas.

Republicando o post de há 4 meses no dia em que se realiza um referendo que, recorde-se, só por si, não decide nada porque não é vinculativo e é o parlamento inglês que tem poderes para decidir no sentido ou contra o resultado do referendo. E, para retirar um pouco do dramatismo, ainda que no referendo vença a saída da UE e o parlamento a confirme, as negociações que se seguirão podem deixar quase tudo na mesmo, alterando apenas a cosmética... para inglês ver.

22/06/2016

Mitos (232) – A invasão pelos refugiados e migrantes pobres

Segundo as Nações Unidas o número de pessoas deslocadas por conflitos atingiu o seu nível mais alto desde a II Guerra Mundial: mais de 65 milhões, dos quais 12 milhões só em 2015. Mais de metade são provenientes do Afganistão, Somália e Síria. Embora a migração para a Europa tenha sido destacada, segundo as Nações Unidas 86% dos 21 milhões de refugiados internacional encontram-se em países em desenvolvimento. (Fonte: The Economist Espresso)

«O que essas estimativas alarmantes se esquecem de ter em conta é o crescimento da população. Se ajustarmos os números como uma percentagem do total da população, verifica-se que a migração em todo o mundo tem realmente permanecido praticamente no mesmo nível durante as últimas cinco décadas. E o que é esse número mágico? Cerca de 2 a 3 por cento, de acordo com Determinants of International Migration, uma equipa de investigadores do International Migration Institute de Oxford.

Isto é decepcionante para os alarmistas que tentam propagar a narrativa "estamos a ser invadidos", mas também para os idealistas da globalização que previram que o advento da Internet e transportes mais baratos criariam uma onda de migrantes. O que os dados mostram, no entanto, é que a grande maioria da humanidade prefere permanecer em casa, independentemente da facilidade de se deslocar. "Os mídia retratam a migração como uma fuga em massa da pobreza, mas, na verdade, são os que têm mais meios que tendem a migrar, enquanto 97 por cento ficam onde nascem ", diz Diego Acosta, um professor de direito europeu e lei da migração da Universidade de Bristol.

Claro, o que tem aumentado nos últimos anos é o número de refugiados, vindos principalmente da Síria. Mas, mesmo assim, os requerentes de asilo continuam a ser menos de 10 por cento de todos os migrantes. O número actual de chegadas à Europa não é sem precedentes quando comparado com os milhões de pessoas que fugiram das guerras balcânicas no início dos anos 90. Então, por que se sente como se a migração estivesse em ascensão? Bem, isso é provavelmente porque o tipo de migrante mudou. Durante muitas décadas, os países ocidentais foram uma grande fonte de emigração. Mas agora, são o destino para um número crescente de asiáticos, africanos e latino-americanos. Assim, a partir de uma visão ocidental centrada, é fácil supor que migração está aumentando, quando o que está realmente acontecendo é a mudança do perfil do migrante.» («The Good News about the Migration Crisis», Ozy)

21/06/2016

CASE STUDY: Um minotauro espera a PT no labirinto da Oi (19) – os lesados de Sócrates

[Outras esperas do minotauro]

Quatro anos depois do primeiro post de uma série com este sugestivo nome dedicada à génese e às manobras relacionadas com a venda da Vivo e a compra de uma participação da PT na Oi, ficou-se a saber que a Oi, para quem foram transferidas as dívidas da Portugal Telecom, acabou de requerer a recuperação judicial. 26 de Julho é a data do reembolso de uma emissão de obrigações de retalho de 230 milhões de euros detidos por pequenos investidores portugueses que poderão a ficar a ver navios.

Recorde-se que a PT pagou a participação na Oi ao dobro do preço numa operação cozinhada e apadrinhada por Lula e José Sócrates, operação que este último classificou como «um excelente negócio».

Depois da saga dos «lesados do BES», lá teremos mais a saga dos lesados da PT. Aproveitando uma das campanhas do animal feroz, poder-se-ia aplicar o Simplex e passar a abranger todos os endrominados como «LESADOS DE SÓCRATES».

CASE STUDY: O desempenho dos 11, à luz da teoria das probabilidades

Os resultados da selecção parecem estar abaixo das expectativas demasiado altas de um povo a quem quase tudo tem corrido mal (erros meus, má fortuna, dizia Camões) e está a caminho de correr pior, porque as elites são fracas (o fraco rei faz fraca a forte gente, outra vez Camões), povo com esperança que 11 criaturas façam um milagre compensando as frustrações colectivas. Milagre que as nossas elites medíocres, sempre críticas do interesse que o futebol desperta na choldra, não lhe proporcionam porque em nenhum outro sector de actividade temos dois profissionais no topo como Cristiano Ronaldo e José Mourinho.

Ora acontece, para começar, que o teorema de Bernoulli, ou lei dos grandes números, está contra nós e por isso é elevada a probabilidade de serem melhores do que os nossos os 11 dos alemães que são 81 milhões, ou os dos franceses que são 66 milhões, ou os dos italianos que são 60 milhões ou mesmo os dos espanhóis que são 46 milhões, só para dar alguns exemplos.

E se a probabilidade de ter um jogador de topo é baixa, a probabilidade de ter dois ou mais é ainda mais baixa. Suponha-se que em média se encontra um jogador de topo (seja lá o que isso for) em cada 100 milhões de habitantes (incluindo mulheres, crianças e velhotes, para simplificar). Nesse caso, a probabilidade de ter um jogador de topo em Portugal é 0,1 e na Alemanha 0,80 e probabilidade de ter simultaneamente dois é para Portugal de 0,01 e para a Alemanha 0,64 isto é 64 vezes mais. E no caso de três é 0,001 e 0,512, respectivamente, isto é 512 vezes mais.

Deveria ser mais fácil explicar a falta de sucesso do que explicar como Portugal é actualmente a 3.ª selecção no ranking europeu e a 8.ª no mundial

Ainda assim, como foi possível uma equipa de um país com 3% da nossa população conseguir empatar com Portugal? A resposta é probabilidades não são certezas e o resto da explicação está na entrevista do co-seleccionador Heimir Hallgrímsson ao Expresso Diário, que parece ter feito uma análise SWOT às duas equipas, maximizando o S, minimizando o W, aproveitando o O e gerindo o T.

Se a coisa continuar a correr mal, os rapazes e o seleccionador passarão rapidamente, como é hábito, de bestiais a bestas e os figurões, como o presidente-comentador e o primeiro-ministro da geringonça, que se prepararam para cavalgar o hipotético sucesso sairão pela esquerda-baixa a assobiar para o lado.

[Versão corrigida - ver comentários]

20/06/2016

DIÁRIO DE BORDO: Querida, encolhi o povo! (Outra vez)

Segundo os organizadores, a manif da Fenprof para defender o monopólio estatal na educação teria 80 mil manifestantes. Segundo a polícia teria 15 mil. A Dr.ª Gabriela Canavilhas, que serviu como ministra da Cultura num dos governos do Eng. Sócrates, interrogou-se sobre se a jornalista do Público que citou os dois números «ainda não foi despedida por escrever factos falsos?»


Olhando para as duas fotos acima, sabendo que o Marquês de Pombal tem cerca de 25.000 m2, a versão dos organizadores corresponderia a mais de 5 manifestantes por m2 e a da polícia a um manifestante por cada 1,7 m2, pergunto-me: o que está à espera o Dr. Mário Nogueira para convidar a Dr.ª Canavilhas para assessora da Fenprof para o agitprop?

Actualização:
Como que a mostrar que estará à altura do agitprop da Fenprof, a Dr.ª Canavilhas assegurou hoje mesmo a publicação de duas peças no Expresso Diário, uma delas escrita por si, com um título laudatório («Canavilhas não retira uma linha mas teria colocado emojis») e outro premonitório («Um título num jornal de referência é mais eficaz do que uma declaração política»). Sobre o fundo da questão, isto é sobre os «factos falsos», nada.

Dá sempre jeito ter um Expresso acolhedor.

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (36)

Outras avarias da geringonça.

A semana começou com Costa a exortar os professores a emigrar, exortação que foi muito bem acolhida pela Fenprof, pelo presidente-comentador e outras luminárias domésticas, ao contrário da exortação de Passos Coelho há 4 anos, o que mostra que as exortações não são todas iguais.

Compreendem-se essas reacções porque o presidente-comentador e boa parte do país se renderam aos malabarismos de Costa, incluindo os sindicatos, feito que Costa é o primeiro a celebrar: «é preciso recuar umas décadas para ver tantos dias sem greves». Rendição que não evitará que o presidente-comentador protestando inocência salte do comboio logo que seja visível que irá descarrilar e aquela parte do país rendida com os sindicatos controlados pelo PCP à cabeça venha a uivar de indignação depois do descarrilamento.

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (41) O clube dos incréus reforçou-se (VIII)

Outras marteladas.

Lembram-se como aparentemente tudo começou na crise de subprime nos Estados Unidos que foi o início de uma crise muito mais vasta que atingiu a maioria dos países? Escrevi aparentemente porque a crise do subprime foi ela própria o resultado de uma bolha de crédito criada pelas taxas de juro artificialmente baixas e por oceanos de liquidez na economia americana provenientes da poupança chinesa. Pois bem, há vários sinais que as politicas da Fed de juros baixos e quantitative easing estão a forjar a nova crise imobiliária. Começam a ser visíveis os sinais. Leia-se este artigo do MarketWatch com um título assaz significativo: «The seeds of the next housing crisis have already been planted».

Em relação às taxas nulas ou negativas de alguns bancos centrais (Fed, BoE, ECB, BoJ), escreve Satyajit Das que é uma «travessia do Rubicão, .. uma experiência de alto risco ... A intenção é clara: reduzir a dívida pelo confisco e transferência da riqueza dos aforradores para os devedores. Isto é, em última análise uma admissão do falhanço dos meios tradicionais de manter sob controle a dívida excessiva».

Bill Gross, o lendário gestor de fundos de obrigações no Janus Capital Group, não é menos crítico e comparou recentemente num investment outlook as taxas de juros negativas dos bancos centrais ao paradoxo de Zenão.

Howard Davies, economista especialista na regulação financeira e actual presidente do Royal Bank of Scotland questiona-se sobre se os bancos centrais não foram demasiado longe e não terão demasiado poder.

Parece bem que se questionem e coloquem em dúvida a panaceia das taxas de juro negativas e do alívio quantitativo, mas suspeito que pode ser demasiado tarde.

19/06/2016

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (83) – Muito pouco diplomáticos

Outros episódios

Barack Obama acaba o seu segundo mandato com mais detractores do que aqueles com o iniciou e pelo caminho terá perdido alguns obamófilos. É em parte o resultado de ter sido uma espécie de Marcelo ianque.

Numa iniciativa rara e sem precedentes pelo número de assinaturas, mais de 50 diplomatas do departamento de Estado (o equivalente ao ministério dos Negócios Estrangeiros) assinaram um memorando interno, tornado público pelo NYT, criticando duramente a política de Obama na Síria e defendendo que os Estados Unidos levem a cabo ataques militares contra o governo de Bashar al-Assad para impedir as suas constantes violações do cessar-fogo na guerra civil síria.

Mitos (231) – A melhor explicação é quase sempre a mais simples (actualizado)

Desde as origens do homo sapiens que os humanos se matam uns aos outros. Há abundantes vestígios de que isso era corrente nos grupos humanos primitivos. Porque se mata como um acto individual, fora de um contexto de guerra? A maioria das vezes por ódio - do latim odium, rancor, ira profunda, sentimento de repulsão, horror, antipatia, segundo os dicionários. Ódio aos outros ou a si próprio. No passado a explicação era simples. Nunca como hoje foi sentida a necessidade de encontrar teorias conspiratórias elaboradas para explicar o assassínio.

Um muçulmano com tendências gay, segundo a própria mulher, frequentador de um bar gay, possivelmente atormentado por um conflito interior de auto-aversão, se estivesse em França poderia dar umas facadas ou estrangular um gay aos gritos de Allahu Akbar. Estava em Orlando, Florida, nos EU, uns dias antes tinha ido à loja da esquina, comprado uma carabina semi-automática AR-15 e uma pistola de 9 mm. Entrou no bar gay e aos gritos de Allahu Akbar atirou indiscriminadamente sobre os presentes e matou 49.

Do outro lado do Atlântico, um sujeito com passado de distúrbios mentais, simpatizante de causas xenófobas e aparentemente defensor da discriminação racial, grita «Britain First» (o nome de um partido de extrema-direita britânico) esfaqueia e dispara vários tiros sobre uma deputada trabalhista inglesa defensora da integração dos emigrantes e da permanência britânica na UE. Se fosse nos EU, o sujeito teria ido à loja da esquina, comprado uma carabina semi-automática e uma pistola, e esperaria que a deputada estivesse na reunião onde se propunha ir com os seus eleitores e teria disparado matando vários presentes.

Para quê e porquê tentar explicar crimes do foro psiquiátrico, digamos assim, como crimes de motivação religiosa ou política?

Actualização:
Em relação ao atentado em Orlando, novos testemunhos indicam que Omar Mateen seria homossexual praticante e as suas motivações seriam vingar-se de alguns dos seus parceiros. Lá se vão as teorias conspiratórias por água abaixo.

18/06/2016

Estado empreendedor (102) – Controlo público, disse ele (continuando)

Continuação destedeste e deste posts.

Já era bastante extraordinário que depois do presidente Marcelo ter apoiado o governo «na tarefa de defender a Caixa como instituição de controlo público», perante um inquérito do Parlamento - a mais alta instituição de controlo da República – o mesmo presidente que fala pelos cotovelos sobre tudo e mais alguma coisa ter optado pelo silêncio, o PS ter considerado o inquérito «grave e irresponsável» e o PCP ter-se oposto porque seria «criar a ilusão que o banco público é igual aos bancos privados».

Não me admiro que José Sócrates, Armando Vara, Berardo, Ricardo Salgado e Nuno Vasconcelos repudiem um inquérito que possa revelar quem foi quem e fez o quê na instrumentalização da Caixa.

Parece-me extraordinário dois antigos ministros das Finanças que tutelaram a Caixa considerarem essa iniciativa «inoportuna» (Ferreira Leite), quando a Caixa tem agora a oportunidade de receber mais 4 mil milhões de euros, cuja necessidade ainda ninguém explicou, ou «atirar de lama [e] minar a confiança dos portugueses no sistema financeiro» (Bagão Félix), quando a Caixa está submersa na lama e a confiança dos portugueses no sistema financeiro se evaporou, e quando é conhecido que o crédito de risco da Caixa atinge 8,2 mil milhões (11,5% do crédito total) e 2,3 mil milhões são malparados e, desses, quase mil milhões se concentram em nove maiores devedores, incluindo os grupos Espírito Santo, Lena e Efacec e o angolano António Mosquito.

Valha-nos o BCE e a CE, que parece irão exigir uma auditoria antes de autorizarem o pedido de recapitalização. É por estas razões, e por muitas outras, que, apesar de desconfiar da bondade de uma união política, espero que as instituições europeias coloquem um travão às veleidades ditadas pela negligência, a incompetência, a cobardia e a desonestidade das elites indígenas.

Recordando outra vez, a propósito, o lema:
«Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.»