Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

25/10/2014

Ressabiados do regime (11) - O facto de uma luminária não ter um pingo de sentido de humor não faz dela uma pessoa intelectualmente séria

O Pacheco Pereira que há 7 meses defendeu com fervor «o manifesto dos 70 signatários a pretexto da reestruturação da dívida, uma posição expressa em termos prudentes e moderados por um vasto grupo de pessoas qualificadas, quase todas também prudentes e moderadas ... não tendo assinado ... apenas por incúria ... em responder a tempo ao convite ... feito» e que há anos tece laudas semanalmente ao ungido do regime António Costa no «Quadratura do Círculo» (com um ar de criador embevecido com a sua criatura) é o mesmo Pacheco Pereira que guardou um prudente prudente silêncio quando o mesmo Costa deixou cair tudo do manifesto - a renegociação, a reestruturação, o haircut e a mutualização - e ficou a com audição pública?

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Os líderes políticos não são pagos para nos fazerem felizes mas para nos dizerem as verdades


«Despite what voters will tell opinion pollsters, they want more from their leaders than to have their own opinions repeated back at them. A great leader is one who is at least willing to try to sell a hard and unpopular message that is in the country's best interests.»

Simon Baptist, Chief Economist and Asia Regional Director, The Economist/Intelligence Unit

24/10/2014

Pro memoria (203) – Atropelado pelo princípio da realidade e esmagado pela insustentável leveza do peso da dívida

Depois de 3 anos de retórica fácil sobre a austeridade, o crescimento e a dívida, António Costa começa a ser encurralado pela maldita realidade e tenta fazer gradualmente a transição para a retórica difícil, empurrando os problemas com a barriga para a frente e propondo uma «audição pública para avaliação do impacto da dívida pública e das soluções para o problema do endividamento».

Costa reuniu-se no parlamento a semana passada com uma legião de prosélitos da economia mediática, entre os quais cinco que foram ajudantes de Sócrates (um deles, Campos e Cunha, saiu a tempo do comboio em andamento). Conclusões? Nem renegociação, nem reestruturação, nem haircut, nem mutualização. «O problema da dívida pública não é um problema exclusivamente português, sendo essencial uma solução à escala europeia» diz o projecto de resolução do PS sobre a dívida que sublinha ainda «a necessidade de lançar um grande programa europeu de estímulo ao investimento como forma de apoiar a recuperação económica». Onde param os estímulos ao consumo?

E onde param as esquerdas e as direitas quando Costa diz na sua plataforma de propaganda «Quadratura do Círculo»: «não é uma questão de esquerda ou de direita, é uma questão de boa economia». Mas então não há uma economia socialista e de esquerda e a outra?

Costa será tudo menos estúpido e com o aproximar do muro das eleições e de uma provável e desejada entrada para S. Bento, a criatura começa a tentar meter o Rossio das promessas que já fez, das que ainda há-de fazer e das hipotecas ao socratismo e ao soarismo, tudo devidamente lubrificado com conversa fiada, na Betesga do espartilho orçamental sob os olhares perscrutadores da troika e dos credores em geral.

Como não podia deixar de ser, e como acontece com todas as propostas desertas de ideias e ensopadas por dilúvios de palavras, que propõem que se discutam mais propostas, foi ontem aprovado sem votos contra no parlamento o projecto de resolução para «desencadear um processo parlamentar de audição pública … de personalidades relevantes, especialistas na matéria, tendo como objectivo a identificação de soluções responsáveis e exequíveis para o problema do endividamento, que permitam simultaneamente um crescimento sustentado da economia do país».

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (95) - O foragido deu à costa apareceu ao Costa

«Brasil descobre foragido em festa de Costa», titulou o Observador, citando uma notícia de um jornal brasileiro com o título igualmente sugestivo «Ex-vice-cônsul foragido no Brasil aparece contente em televisão portuguesa», referindo-se a Adelino Vera-Cruz Pinto, «vice-cônsul português em Porto Alegre nomeado em 2010 por influência da ligação com o PS», um passarão «foragido internacional» cujo paradeiro era até agora desconhecido, acusado do desvio de 2,5 milhões de reais da Arquidiocese de Porto Alegre, que apareceu inopinadamente a abraçar o putativo futuro primeiro-ministro durante a sua consagração.

Não pretendo associar Costa ao passarão. Talvez Costa nem sequer conheça o passarão. Notável é a liberdade de movimentos que o passarão parece desfrutar nos eventos do PS.

23/10/2014

Pro memoria (202) – BES, vê-se melhor de longe

Há alguns meses tenho encalhados no meu desktop dois links para artigos sobre o BES de Frances Coppola no Pieria, um jornal online de uma rede de economistas. O primeiro, «Espirito Santo: complexity, opacity and moral hazard», de 17 de Julho, descreve com maior detalhe e exactidão a teia de aranha do GES do que ainda hoje, três meses depois, a imprensa portuguesa consegue fazer.

No segundo, «How to rip off a bank, Espírito Santo style», de 3 de Agosto, isto é datado do próprio dia em que Carlos Costa anunciou a resolução, a situação do BES é escalpelizada com inesperado rigor para quem só tem acesso à informação pública. Nos dois primeiros parágrafos Frances Coppola escreveu:

«I have been going through Banco Espírito Santo's half-year 2014 results. They make pretty grim reading. No, actually it's worse than that. They read like an instruction manual on how to rip off a bank.

I can't work out if the BES management at the time was stupid, naïve, complacent or criminal. Probably all four. No matter – it has now been entirely replaced. Well, I say “no matter” - but actually such abysmal management DOES matter. Those responsible for audit, risk and compliance have been guilty of incompetence so gross it borders on the criminal. And the former CEO and vice-chairman, Ricardo Espírito Santo Salgado – a member of the Espírito Santo family – has been arrested on suspicion of money laundering and tax evasion. But I suspect he has done more than that: he was also chairman of ESFG, which – as will become apparent shortly – systematically drained the bank and its other subsidiaries. If he didn't know what was going on, he was incompetent: if he did, then he was a party to corruption and, perhaps, fraud on a simply massive scale. Exactly how massive is not yet clear. But I think we are talking billions of Euros.
»

Pro memoria aqui ficam registados os links.

22/10/2014

DIÁRIO DE BORDO: estórias do outro mundo (4) – Alf, Suárezz e os alienígenas de Kepler-186f

[Outras estórias do outro mundo: (1), (2) e (3)]

Conheci Alf, aka Gordon Shumway, em pessoa, por assim dizer, no Verão de 2002, quando passava férias com os Tanners na Quinta da Balaia. A primeira vez que o vi teria uns 245 anos e corria atrás de um gato, um dos muitos que lhe atribuíram ter comido nas redondezas.

A última vez que Alf telefonou foi a propósito do manifesto de um grupo de lunáticos a exigir «saber quem são os credores» (da dívida pública). Após quase três anos de silêncio, voltou ontem a contactar, desta vez através do Skype que em Melmac se chama Skalpe.

O tema foi mais uma das suas teorias conspiratórias. Que se dizia em Melmac ter Mário Soares (que ele pronuncia Suárezz) sido raptado quando passeava na praia do Vau (conhecida de Alf no Verão de há 12 anos) por alienígenas de uma civilização avançadíssima do planeta Kepler-186f do sistema solar Kepler-186 da constelação de Cisne. Soares após várias experiências nos laboratórios de Kepler-186f teria sido devolvido mais tarde à família com um comportamento estranho. Segundo Alf, algo correu mal - deu como exemplo a plástica de Renée Zellweger - e terá sido nessa altura que Soares ameaçou Cavaco de ter um destino semelhante ao de D. Carlos caso não demitisse o governo.

Como assim? interroguei. É certo que nos últimos tempos Soares parece sofrer de reviralhismo, uma doença julgada extinta e epidémica nos tempos do doutor Salazar, mas daí até à Zellweger vai uma grande distância. Cansado do meu cepticismo, Alf encaminhou-me para o artigo de Soares «A crise e Portugal» no DN e cortou a ligação do Skalpe com um amigável «fuck you».

Fui a correr procurar o artigo e li-o sofregamente. E não é que Alf pode ter razão. A primeira coisa a chamar-me a atenção foi a adjectivação de «muito inteligente» a Vítor Constâncio e ao líder socialista espanhol Pedro Sanchez. Seguiu-se a homenagem a Mario Draghi por aliviar o sofrimento dos PIGS, sob o olhar misericordioso de Sua Santidade o Papa Francisco, a decadência da senhora Merkel que não consegue exportar, a mudança total na UE que resultará da substituição de Barroso por Juncker, a Itália dirigida pelo presidente Napolitano que não tem poder executivo, a França dirigida pelo primeiro-ministro italiano Renzi, a direita grega que tem estado contra a austeridade, a descoberta pelos grandes magnatas económicos americanos que a exploração de petróleo e de gás tinha menos importância e valor, o que fez baixar o preço do petróleo, o que é «grave para toda a lusofonia.» Acaba com António Costa a «eliminar» o actual governo.

Lost in translation (214) – «Licença sabática»

Respondendo ao coro de petições para antecipar as eleições, a pretexto de garantir o OE 2016 aprovado antes do fim de 2015, Passos Coelho recusou-se a colaborar e recomendou que quem estivesse cansado do governo tirasse «licença sabática», com grande escândalo do jornalismo de causas e das forças vivas do país, como se chamavam nos tempos da outra senhora.

E não é caso para menos porque:
 (1) este governo não tem legitimidade para governar conforme já foi decretado pelo Dr. Soares;
(2) quanto muito, este governo poderia ser um governo de gestão enquanto o PS não dispusesse de um líder à altura;
(3) o PS já tem um líder ungido para o lugar;
(4) não faria sentido que esse líder aguardasse um ano para tomar posse do lugar que é seu por direito;
(5) só por essa razão Passos Coelho deveria demitir-se, como fez Santana Lopes permitindo a Sampaio dissolver o parlamento três meses depois da eleição de José Sócrates como líder do PS;
(6) sem isso, o futuro primeiro-ministro ficará exposto durante um ano a ser incomodado com perguntas inconvenientes sobre as políticas que irá adoptar;
(7) não colhe o argumento de Passos Coelho «a Constituição prevê exactamente quando devem ocorrer as eleições» porque a Constituição apenas dispõe «a legislatura tem a duração de quatro sessões legislativas» e, como um dia disse o Eng. Guterres quando lhe perguntaram quanto era o PIB, «é só fazer contas»;
(8) feitas as contas, as quatro legislaturas com mais os prazos para convocar eleições e a temporada de praia atiram lá para Setembro ou Outubro;
(8) o que implicaria o ungido ficar quase um ano a dizer «a seu tempo se verá» e isso, sim, ofenderia os princípios da Constituição, ofensa que o Tribunal Constitucional não deixaria por certo de considerar.

21/10/2014

A maldição da tabuada (19) - Sol na eira e chuva no nabal

A oposição critica a proposta de OE 2015 por não ter cumprir o PAEF (défice de 2,5% em 2015 em vez de 2,7%, para já não falar do MoU que tinha como objectivo 3% em 2013), pelo aumento dos impostos, por comprometer o Estado Social e pelo irrealismo das previsões de crescimento.

Que fazer? Para baixar o défice orçamentado é preciso aumentar ainda mais os impostos e/ou comprometer ainda mais o Estado Social e/ou partir de previsões de crescimento mais irrealistas. Para baixar os impostos é preciso derrapar ainda mais no défice e/ou cortar ainda mais na despesa e/ou mais irrealismo nas previsões.

SERVIÇO PÚBLICO: Um país só pode ser tão bom quanto os mídia que tem


«Seria fácil supor que o verdadeiro inimigo da política democrática é a censura das notícias - e que, portanto, a liberdade de dizer ou publicar alguma coisa seria um aliado natural da civilização. Mas o mundo moderno está a ensinar-nos que há dinâmicas ainda muito mais insidiosas e cínicas do que a censura, como esvaziar as pessoas de vontade política. Isto implica confundir, maçar e distrair a maioria das pessoas da política apresentando os acontecimentos de tal forma desorganizados, fraturados e intermitentes que a maioria da audiência é incapaz de seguir o fio dos assuntos mais importantes. Um ditador contemporâneo não precisaria de banir as notícias: bastaria que fizesse as empresas de media difundirem um fluxo de boletins com tom aleatório, em grande quantidade e com pouca explicação de conteúdo. Isto, no contexto de uma agenda que fosse sempre mudando sem indicar a relevância dos assuntos que parecia m há pouco indispensáveis, tudo isto intercetado por atualizações constantes sobre pormenores coloridos sobre assassinos e estrelas de cinema. Isto seria suficiente para arruinar a capacidade da maioria elas pessoas para alcançarem a realidade política - bem como qualquer pretensão que possam ter tido de alterá-la.»

Entrevista do Expresso a Alain de Botton a pretexto do seu livro «As notícias: um manual de utilização»

Um dia como os outros na vida do estado sucial (19) – Da falta de recursos

No domingo um homem morreu na queda de um parapente na serra da Arrábida. «Na encosta onde a vítima caiu estiveram seis veículos e 14 operacionais, entre bombeiros voluntários e sapadores, INEM e GNR» (DN). A ASAE parece não ter estado presente. Quem falou na morte do estado sucial por falta de recursos?

Uma escola de Paços de Ferreira quer contratar uma professora de Educação Visual do ensino básico que tenha «obras publicadas, no regime de autor ou coautor, de carácter pedagógico ou científico». Uma outra de Odemira procurar um professor de matemática que domine o espanhol. (DN) Quem falou em descentralização do recrutamento de professores?

A RTP contratou serviços de segurança que custam 2 milhões de euros (CM). É um duplo desperdício. Se a estação fosse destruída poupavam-se mais de 200 milhões dos fundos públicos e perdia-se pouco mais do que as homilias do animal feroz ao domingo e The Voice Kids.

20/10/2014

SERVIÇO PÚBLICO: Se não se fazem as reformas a tempo só resta a austeridade

«Pregunta. Europa no encuentra la vía para superar la crisis.

Respuesta. Algunos países, como los del sur, necesitan reformas que les den credibilidad. Del mercado de trabajo, de pensiones, de organización del Estado... Alemania las hizo, los escandinavos también. Como Canadá o Australia. En el sur de Europa hicieron poco. Se han hecho en Grecia o en España, pero ya con el cuchillo en el cuello. Y eso ha tenido costes. En Alemania no esperaron al último momento. Las hicieron en 2002 y 2003.

P. No cita a Francia. ¿Qué reformas necesita Francia?

R. Muchas. El mercado de trabajo, por ejemplo. No se puede sostener con estas tasas de paro. No se puede sacrificar así a los jóvenes. No se puede mantener un gasto público tan elevado. Supone demasiadas cargas para el Estado, para los empresarios... Sale muy caro. Y resulta muy difícil ganar competitividad en estas circunstancias.

P. ¿Es posible mantener el euro sin una unión política, sin una unión económica?

R. Se necesita más Europa, sin duda, pero la Europa del norte es cada vez más reticente hacia la del sur. Es un tema para hablarlo durante horas.

P. En Francia hay muchas resistencias a las reformas.

R. Sí, en la opinión pública y entre los políticos. Pero la degradación económica es profunda y hay que actuar. Hay un ejemplo claro: la tasa sobre el carbono. La medida la tomó la derecha y todo el mundo estaba de acuerdo. Ahora, la mayoría de la clase política está en contra. Es un síntoma de que tenemos un Estado débil. Los lobbies tienen una gran influencia en Francia.

P. En todo caso, usted mantiene que Francia no es un país en declive, en decadencia.

R. No, porque tiene muchos valores. Eso sí, conviene no perderlos demasiado deprisa.

P. ¿Cómo ve la batalla entre París y Bruselas por el elevado déficit francés?

R. El déficit actual por encima del 4% no es una excepción. El problema de Francia es que desde hace cuatro décadas no tiene un presupuesto equilibrado. Incluso en periodos de bonanza aumenta el déficit y no hace reformas. La austeridad es complicada para la economía, pero si no se hacen reformas a tiempo, es la única solución.»


Excertos da entrevista de El País a Jean Tirole, o novo Nobel da Economia. A entrevista tem o título «En España o Grecia se han hecho las reformas con el cuchillo en el cuello»

Pro memoria (201) – Atropelado pelo princípio da realidade e pelas leis de Parkinson

António Costa candidato a primeiro-ministro, cujos bolsos estão cheios de soluções de crescimento para o país, reconheceu que «não existe solução» para um problema deveras mais simples que são as inundações na cidade da qual é presidente da câmara.

É claro que solução, do tipo «solução final», para o problema das inundações, não existe. Nem para qualquer outro problema dessa natureza e magnitude. Por isso, Costa não pode ser responsabilizado pela falta de «solução final». Contudo, há medidas de mitigação do problema pela falta das quais Costa pode e deve ser responsabilizado.

E, por maioria de razão, deve ser responsabilizado por decisões que eliminaram medidas de mitigação como a manutenção preventiva dos colectores, ao extinguir em 2011 o departamento de obras de infra-estrutura e saneamento da CML reduzindo os seus 130 elementos a menos de metade e integrando-os em outros departamentos. Ao mesmo tempo que extinguia esse departamento mantinha nos quadros da câmara (ver este post do Impertinente):
  • 330 arquitectos 
  • 101 assistentes sociais 
  •  73 psicólogos 
  •  104 sociólogos 
  •  146 licenciados em marketing 
  •  260 engenheiros civis 
  •  156 historiadores 
  •  303 juristas, cujo serviço se supõe que deve ser dar parecer sobre os pareceres que a CML encomenda a gabinetes de advocacia privados, incluindo um a quem a câmara pagou 75 mil euros por um ano e 10 meses.

E tudo isto apesar de ter sido alertado há 4 anos para «uma situação de muito perigo, que é a degradação da rede de saneamento (que se encontra) num estado deplorável». E quem fez esse diagnóstico? O mesmo António Costa que pelos vistos sofre de um sério problema de dupla personalidade.

[Fonte: «Câmara desmantelou serviços de saneamento», Paulo Paixão no Expresso]

19/10/2014

ARTIGO DEFUNTO: Se eles ao menos lessem os jornais onde escrevem (4)

O que é um facto para um escritor que faz jornalismo de causas? Depende de quem é o escritor mas é provável que seja ficção. Exemplo: para Miguel Sousa Tavares o «Facto 5.» é «depois a ministra das Finanças confessar que já não é possível cortar mais a despesa do Estado (que continua a subir), ficou claro para todos que nunca haverá qualquer alívio fiscal, pois que está morta e enterrada qualquer veleidade de fazer o ajustamento por via da despesa e não da receita».

Duas páginas antes daquelas elucubrações há um artigo cujo título se lido por MST seria só por si suficiente para não escrever asneiras: «Despesa só cortou metade do défice». Se fosse para além do título, MST ficaria ainda a saber que

«De acordo com os cálculos do Expresso, a redução de 8,4 pontos percentuais no défice entre 2010 e 2015 é explicada em 4,4 pontos por diminuição dos gastos e os restantes quatro pontos como resultado de aumento de receita.

Neste cinco anos, o défice contabilizado com as novas regras europeias (SEC 2010) passou de 11,2% do produto interno bruto (PIB) em 2010 para 2,7% previstos para o próximo ano. A despesa recuou de 51,8% para 47,4%, enquanto a receita aumentou o peso de 40,6% para 44,6% do PIB.
»

DIÁRIO DE BORDO: Roubo inventivo

Great Wall, uma espécie de IBM XT (Museu de Tecnologia de Shenzen)