Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

19/12/2014

ACREDITE SE QUISER: A polícia brasileira da democracia é mais mortífera do que os militares da ditadura

Foi recentemente publicado o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade sobre as violações de direito humanos levadas a cabo durante os 22 anos de 1964 a 1985 do período da ditadura militar brasileira. O relatório de mais de 4 páginas identifica 377 pessoas como responsáveis dos 434 assassinatos e desaparecimentos, incluindo entre responsáveis os 8 presidentes militares do Brasil dessa época.

Sem pretender minimizar ou relativizar a gravidade desses crimes, infelizmente dificilmente puníveis por terem sido quase todos amnistiados pela lei de 1997, o certo é que a ditadura militar brasileira foi muito menos cruel do que as do Chile e Argentina que deixaram um rasto de 2 a 3 mil e 10 a 30 mil mortos e desaparecidos, respectivamente.

Contudo, o maior paradoxo comparativo é com o massacre que a polícia brasileira nos tempos da democracia leva a cabo todos os anos. Só no ano passado, a polícia matou 2.200 pessoas o que a esse ritmo significaria durante o período da ditadura militar teriam sido mortos mais de 48 mil pessoas ou, dito de outro modo, a polícia mostra ser 111 vezes mais mortífera do que a ditadura militar.

18/12/2014

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Coisas que outros escreveram sobre Costa, as quais, por isso, já não precisam de ser escritas (9)

Outras coisas: «Para mim Costa não é um mistério», (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8).

«A forma como António Costa tem vindo aos poucos a erguer um cordão sanitário em redor de José Sócrates, procurando proteger-se a si próprio e ao PS dos riscos de contaminação, é uma das mais impressionantes manobras políticas a que eu me lembro de assistir. Nem Francisco George foi tão eficaz no combate à Legionella.

Primeiro, foi o SMS enviado aos militantes socialistas a 22 de Novembro, escassas 10 horas após Sócrates ter sido detido no aeroporto (…) Sete dias depois, foi a Lei da Rolha que Costa (…) Três semanas depois (…) esvaziou o balão afirmando numa manchete do Expresso que iria certamente lá no Natal, “a título pessoal” (…)

Finalmente – cereja envenenadíssima em cima de um bolo já azedo –, António Costa decide conceder esta semana uma entrevista à CMTV, o que visto da perspectiva de José Sócrates deve fazer tanto sentido quanto Harry Potter convidar Voldemort para ir jantar lá a casa. (…)

António Costa tem de ter cuidado. Há um momento em que muito calculismo passa a ser calculismo a mais.»

«António Costa e José Sócrates», João Miguel Tavares no Público

E, por falar no diabo, confirme-se o calculismo no elogio ao Bloco Central, logo seguido da correcção de pontaria para o elogio a Soares e a Ernâni Lopes (que teria sido vilipendiado pelas medidas de austeridade não fora elas serem o seguro de vida política à época para Mário Soares) e seguida ainda de outra correcção.

E repare-se na fidelidade canina da Lusa que duas horas depois do título «Costa considera Bloco Central PS/PSD exemplo de Governo que repôs a confiança» o alterou para «Costa elogia liderança de Soares no Bloco Central para defender confiança».

Pro memoria (214) - De como as memórias são como as cerejas

«Os russos dizem que “a Rússia é um país com um passado imprevisível” para sublinhar que a história pode ser reescrita ao sabor dos desejos do senhor no poder. O problema é que o passado é revisto, na maior parte das vezes, para justificar os devaneios do presente.

Quando eu estava na Faculdade de História da Universidade de Moscovo, um professor mais ousado e aberto da disciplina de História do Partido Comunista da União Soviética decidiu mostrar-nos como é que isso se fazia na prática. Trouxe-nos três livros sobre o mesmo tema: a revolução comunista de 1917, escritos entre 1918 e 1929. No primeiro, os principais mentores e realizadores do golpe são Vladimir Lenine e Lev Trotski, aparecendo José Estaline num lugar insignificante; no segundo, Trotski desaparece, passando Lénine a ser acompanhado na direcção por Estaline e, no terceiro, Trotski passa a adversário, Estaline a figura central e Lenine a ajudante do ditador soviético

Ao ler este artigo, de onde extraí o excerto citado, de José Milhazes no Observador ocorreu-me George Orwell que inspirado nesses exemplos escreveu no «1984» «quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado». E, como que a confirmar esta associação, as autoridades russas da região de Kaluga decidiram banir a palavra crise: «é possível que a crise exista, mas proibimos o uso dessa palavra» disse Anatoly Artamonov, o governador da região (via Insurgente).

E ao evocar Orwell e o seu newspeak, lembrei Alfred Kahn, que inspirou ao Impertinente o princípio com o seu nome, por várias vezes citado no (Im)pertinências, «economista e regulador que desregulou o transporte aéreo americano e com isso mudou o mundo». Assessor económico do presidente Carter foi por este repreendido por ter-se referido publicamente em 1978 a uma possível depressão da economia americana. Na sua intervenção seguinte, Alfred Kahn disse que «we're in danger of having the worst banana in 45 years».

17/12/2014

YOU TOOK THE WORDS RIGHT OF MY MOUTH: Alcoholics Bankers Anonymous

«Bankers, like alcoholics, must first admit they have a problem


The temptation to circumvent the rules might prove irresistible, writes Philip Augar  

They really can’t help it, can they? Like alcoholics in a liquor store, the investment banks cannot resist an illicit swig whenever they think nobody is looking. That is the conclusion from the fines imposed on 10 US investment banks last week for breaking the rules designed to manage conflicts of interest in initial public offerings.

The shock is that the event in question occurred in 2010, a mere seven years after rules were passed to clean up the IPO market in the wake of the dotcom crash. Back then Eliot Spitzer, then New York State attorney-general, had led an investigation that showed how investment banks’ analysts had been puffing new issues. It was a scandal that blew Wall Street’s claim to be a trusted adviser out of the water. Ten investment banks paid $1.4bn to settle the matter and signed up to new rules restricting analysts’ involvement in IPOs.»

DIÁRIO DE BORDO: A propósito dos equívocos sobre a TAP


Go, go, go, said the bird: human kind
Cannot bear very much reality.
Time past and time future
What might have been and what has been
Point to one end, which is always present.


T. S. Eliot, Burnt Norton (No. 1 of  Four Quartets)

16/12/2014

Lost in translation (216) – there is no such thing as flag carrier

Se eu fosse maldizente, poderia insinuar que a aprovação da greve da TAP pela parte de Miguel Sousa Tavares por ser a favor de «qualquer medida que se possa tomar contra a privatização da TAP» decorreria de um outro favor do governo socialista de há 8 anos, chefiado pelo seu ídolo José Sócrates, agora na cadeia de Évora, ao seu compadre Ricardo Salgado mandando a TAP comprar-lhe a sua participada PGA Portugália.

Não sendo maldizente, atribuo o favor de MST à sua dificuldade de lidar com os números e com a realidade em geral, dificuldade que o torna imune a factos como a TAP se fosse uma empresa privada estaria condenada à falência pelo Código das Sociedades Comerciais, já que o seu capital pífio de 15 milhões está totalmente consumido, os seus capitais próprios eram em 2013 negativos de 373 milhões (agora devem chegar aos 500 milhões negativos) e a coisa não tem remissão com um EBITDA de 44 milhões, já em si miserável para um volume de negócios de 2,7 mil milhões, insuficiente para pagar os juros de um passivo total de 2 mil milhões de euros (60% do qual passivo de curto prazo).

E em cima de uma situação crónica de falência temos greves recorrentes convocadas pela dúzia de sindicatos que protegem os direitos adquiridos das corporações lá instaladas. E não temos nenhuma evidência de inconvenientes nas dúzias de países prósperos que não têm uma coisa chamada «companhia de bandeira» - «there is no such thing as flag carrier» teria dito Margaret Thatcher se lhe perguntassem se a British Airways Plc deveria comprar a Iberia aos espanhóis.

Para uma retrospectiva da saga Take another plane veja a etiqueta TAP.

Pro memoria (213) – A privatização da TAP e o défice de memória de Costa

08-02-2001 - «A TAP vai ser privatizada no segundo semestre de 2001, garantiu Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social».

03-05-2011 - «The plan targets front-loaded proceeds of about €[5.5] billion through the end of the program, with only partial divestment envisaged for all large firms. The Government commits to go even further, by pursuing a rapid full divestment of public sector shares in EDP and REN, and is hopeful that market conditions will permit sale of these two companies, as well as of TAP, by the end of the 2011». (Memorandum of Understanding on Specific Economic Policy Conditionality assinado pelo governo socialista de José Sócrates)

03-02-2012 - «António Costa defende integração da TAP numa grande companhia latino-americana»

11-12-2014 - «António Costa defendeu um “aumento de capital na empresa através da bolsa» (SIC)

13-12-2014 - «Ao contrário do que diz o primeiro-ministro, o que estava no memorando de entendimento com a troika [assinado pelo PS] não era a previsão de uma privatização a 100% da TAP. Não, o que estava no memorando de entendimento era que a TAP só seria privatizada parcialmente e nunca na sua totalidade», garantiu Costa e disse ainda que «A TAP é fundamental. Na era da globalização, tem a importância que as caravelas tiveram na era dos Descobrimentos», colocando-se na dianteira para ganhar o prémio da maior idiotice do ano.

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Mais uma demonstração prática que não chegam eleições para fazer uma democracia

«24 detidos é o balanço de um raide realizado ontem pela polícia turca contra os media que o presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, diz estarem alinhados com um imã que o quer derrubar do poder e vive exilado nos Estados Unidos - Fethullah Gulen. Entre eles há jornalistas, produtores, guionistas e, de acordo com a BBC, até um chefe de polícia do leste da Turquia.» (DN)

15/12/2014

Pro memoria (212) - Professor Marcelo, o troca-tintas do regime (II)

Quem não tem défice de memória pode lembrar-se que o professor Marcelo quando era líder do PSD fez uma fita de independência e chegou a contestar o intervencionismo de Ricardo Salgado. Só até começar a ser convidado para férias no Brasil e mais tarde o DDT lhe ter levado a namorada Drª. Rita Cabral, primeiro para a comissão de vencimentos e depois para fazer número na administração do BES.

Antes de se meter com um sujeito teso como José Maria Ricciardi, o professor Marcelo deveria ter-se lembrado do estado pouco apresentável do seu underware. Fê-lo com duas mentiras, como as classificou Ricciardi, e levou o merecido troco pela «mágoa em não poder continuar a passar as suas habituais e luxuosas férias de fim de ano na mansão à beira-mar no Brasil do Dr. Ricardo Salgado».

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (26) – De união em união até à divisão final

Depois de uma operação de M&A há 14 anos que fundiu a UDP, o PSR-LCI, a Política XXI e mais umas miudezas, o negócio atingiu o seu apogeu em 2009 e, desde então, o conglomerado entrou em decadência, perdeu quota de mercado, o CEO, o tele-evangelista Louçã, resignou, designando como sucessores um casal, e sucederam-se as operações de spin off.

A última dessas operações é promovida por Joana Amaral Dias, aquela menina com o ar enfastiado e pesporrente, e mais uns amigos que acreditam que juntos podem. (*) Com alguma surpresa, encontra-se entre esses amigos um tal Carlos Antunes, nome que para os menores de 50 anos não deve dizer nada. Trata-se de uma múmia bombista revolucionária dos anos 70 que se julgava na reforma. É mais um equívoco. Só pode acabar mal.

(*) A patetice inerente a estas iniciativas mostra-se desde o baptismo: os espanhóis do «Podemos» não encontraram melhor inspiração do que o «Yes, We can» de Obama; os amigos da Joana, com «Juntos Podemos», ao copiar a cópia, mostraram a mais profunda identificação com os costumes pátrios de adoptar as modas quando já estão a sair de moda.

SERVIÇO PÚBLICO: Vícios públicos e vícios privados (4)

Outros vícios.

aqui fiz referência ao endividamento das empresas cotadas na bolsa portuguesa que batem todos os recordes. Aproveito um diagrama publicado no Expresso para confirmar o pesado grau de endividamento em termos absolutos e comparativamente com 7 outros países da Zona Euro, incluindo os dois outros que foram resgatados: Irlanda e Grécia.


De onde resulta, mesmo que o problema da dívida pública fosse resolvido com um haircut, sempre ficaríamos com o problema da dívida privada que realisticamente num cenário de crescimento moderado só se irá resolvendo com a continuação da venda de empresas.

14/12/2014

Pro memoria (211) – O mistério é sério e anda tudo trocado

Face ao aumento homólogo do emprego no 3.º trimestre de 2,5%, muito acima do crescimento do PIB no mesmo período (0,9%), os maiores crânios económicos do país coçaram os respectivos invólucros interrogando-se: como é isto possível? Até que os geniais economistas do BdP fizeram uma descoberta surpreendente: o emprego suplementar criado foi resultante dos estágios profissionais ou, como titulou o Diário Económico, «Banco de Portugal desvenda mistério da queda do desemprego».

E porque é surpreendente a descoberta? Simplesmente porque a explicação vem sendo publicada há mais de 2 anos no Diário da República, cuja leitura, como se sabe, é rigorosamente desaconselhada aos economistas. No mandato deste governo foram aprovados pelo menos os seguintes diplomas relacionados com estágios:
  • Medidas Passaporte Emprego, Passaporte Emprego Economia Social, Passaporte Emprego Agricultura e Passaporte Emprego Associações e Federações Juvenis e Desportivas 
  • Programa de Estágios Profissionais na Administração Pública 
  • Programa de Estágios Profissionais 
  • Passaporte Emprego Industrialização, Passaporte Emprego Inovação e Passaporte Emprego Internacionalização, e aprova o Regulamento Específico Passaportes Emprego 3i 
  • Programa de Estágios Profissionais na Administração Central do Estado (PEPAC) 
  • Apoios a conceder pela administração regional autónoma ao funcionamento do mercado social de emprego na Região Autónoma dos Açores 
  • Medida Estágios Emprego 
A minha surpresa pela descoberta surpreendentemente tardia pelos maiores crânios económicos do país da explicação para o aumento do emprego só foi superada pela minha surpresa pelos protestos indignados após a referida descoberta por parte de um coro que inclui esses maiores crânios, os comentadores do regime e o jornalismo de causas, cujas reacções foram do tipo «assim não vale», «assim também nós» e até «isso é uma mistificação».

E porquê a minha surpresa? Porque estaria à espera que tal indignação viesse por parte das pouquíssimas criaturas liberais deste país e não por parte da legião de cultores do Estado e em particular de keynesianos indignados pelo governo, por eles acusado de «neoliberal» (uma acusação despropositada que deve em partes iguais à estupidez e à falta de princípios), tomar o tipo de medidas que a legião de cultores do Estado defende e que no passado aplicou com prodigalidade: a alavancagem da criação de empregos pelo Estado.

ARTIGO DEFUNTO: Se eles ao menos lessem os jornais onde escrevem (5)

A peça «A Aldeia da Roupa Suja» de Miguel Sousa Tavares que ontem aqui critiquei é tanto mais inaceitável quanto, no mesmo jornal onde MST escreveu o seu exercício de branqueamento de José Sócrates e Ricardo Salgado, há uma profusão de artigos relatando factos, a maioria deles indesmentíveis, que aos olhos de pessoas independentes e com um módico de massa encefálica suportam um juízo de culpabilidade de um e outro.

Apesar de MST reservar a presunção de inocência só para os seus amigos, devemos conceder uma semana para ter tempo de corrigir a sua peça publicada no Expresso de sábado passado depois de ter tido a oportunidade de ler o resto do jornal.

13/12/2014

ARTIGO DEFUNTO: MST lava mais branco quase sem esfregar

Esta semana, a peça de Miguel Sousa Tavares no Expresso tem um nome apropriadíssimo - «A Aldeia da Roupa Suja» - e é dedicada a branquear, uma vez mais, a folha do seu ídolo José Sócrates com elaborada filigrana jurídica e, novidade, a lavar as cuecas do seu compadre Ricardo Salgado. Este segundo exercício é ainda mais repugnante do que o primeiro, porque MST sucumbe a um nepotismo abjecto que, se visto em outras criaturas de quem ele não gostasse, o teriam feito bramir indignações.

Se a segunda parte da peça dedicada a Sócrates é vergonhosa para quem, como MST, dá como acusação provada qualquer insinuação por mais inócua ou ridícula que seja a respeito dos seus inimigos (leia-se o que ele escreveu sobre Relvas e o curso tirado à pressão), na primeira parte dedicada a desculpabilizar as patifarias do compadre, a assacar as culpas pela falência do GES e do BES ao governo e ao BdP, a vilipendiar Ricciardi e Queiroz Pereira, MST só não assassina a verdade porque fica longe demais para lhe infligir lesões. Ao ignorar o notório conflito de interesses, MST desqualifica-se irremediavelmente como jornalista.

CASE STUDY: Um imenso Portugal (17)

[Outros imensos Portugais]

A obra feita do pêtismo de Dilma Rousseff em 8 diagramas

Fonte: Revista Veja de 3 Dez.

Mitos (180) – A falácia da «distribuição do rendimento»

«Pay is not a retrospective reward for merit but a prospective incentive for contributing for production. Given the enormous range of thing produced and the complex processes by which they are produced, it is virtually inconceivable that any given individual could be capable of assessing the relative value of the contributions of different people in different industries or sectors of the economy. Few even claim to be able to do that. Instead, they express their bafflement and repugnance at the wide range of income or wealth disparities they see and - implicitly or explicitly - their incredulity that individuals could differ so widely in what they deserve. This approach has a long pedigree. George Bernard Shaw, for example, said:
A division in which one woman gets a shilling and another three thousand shillings for an hour of work has no moral sense in it: it is just something that happens, and that ought not to happen. A child with an interesting face and pretty ways, and some talent for acting, may, by working for the films, earn a hundred times as much as its mother can earn by drudging at an ordinary trade.
Here are encapsulated the crucial elements in most critiques of "income distribution'' till this day. First, there is the implicit assumption that wealth is collective and hence must be divided up in order to be dispensed, followed by the assumption that this division currently has no principle involved but "just happens," and finally the implicit assumption that the effort put forth by the recipient of income is a valid yardstick for gauging the value of what was produced and the appropriateness of the reward. In reality, most income is not distributed, so the fashionable metaphor of "income distribution" is misleading. Most income is earned by the production of goods and services, and how much that production is "really" worth is a question that need not be left for third parties to determine, since those who directly receive the benefits of that production know better than anyone else how much that production is worth to them - and have the most incentives to seek alternative ways of getting that production as inexpensively as possible.

In short, a collective decision for society as a whole is as unnecessary as it is impossible, not to mention presumptuous. It is not a question of rewarding input efforts or merits, but of securing output at values determined by those who use that output, rather than by third party onlookers

Thomas Sowell, Economic Facts and Fallacies