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04/12/2015

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Para memória futura

Linguagem gestual
«Mas vale a pena registar para memória futura que o PS procurou e, mais do que isso, aceitou depender de uma máquina que só dura hoje em Portugal e que é sem dúvida uma das piores aberrações do século XX. António Costa insistiu na “democratização” dos socialistas (ou seja, nas “primárias”) para remover Seguro e se instalar ele no cobiçado assento de secretário-geral. Infelizmente os resultados 4 de Outubro apagaram esses compromissos, que se julgavam sérios, para permitir uma aliança torpe e o levar depressa a primeiro-ministro, dignificando de caminho um método político, o “centralismo democrático”, que matou milhões. 

Mas, tarde ou cedo, Costa pagará esse erro infame. Está agora suspenso das lutas da meia dúzia de potentados que mandam no PC. Nem ele pode por puro desconhecimento intervir nelas, nem se pudesse o deixariam intervir. Fica assim à mercê de um corpo estranho que ele próprio instalou na sua maioria, insensível a qualquer argumento que venha de fora ou a qualquer tipo de sedução. Não há em última análise um governo socialista. O que há são dois governos sob a estranha designação de “maioria”: um do PS, sem força própria para se sustentar, e outro do PC, que estará quieto e cooperante, enquanto lhe derem o que ele pedir (conste ou não conste o que ele pedir das ridículas “posições conjuntas” que por formalidade assinou). Costa e a sua gente vão aprender muito nos próximos meses.»

Os dois governos, Vasco Pulido Valente no Público

1 comentário:

Anónimo disse...

Ninguém é ISENTO. Todos temos a nossas visões dos factos.

Common sense is that layer of prejudices which we acquire before we are sixteen (albert Einstein).

Vasco é sem dúvida um homem inteligente. Pode ter as suas preferências e pode abusar delas pois nós topamos logo. O artigo é muito bom, sobretudo porque ele, em jovem, também andou pelo PC e conhece-os de ginjeira.