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08/12/2015

SERVIÇO PÚBLICO: Empurrai-os para fora da zona de conforto (2)

Nem de propósito, Henrique Raposo veio (sem o saber) em meu socorro. O post de ontem foi acusado de crueldade intolerável, como o título do filme do canastrão Clooney.

Pergunta-se Raposo no Expresso, a olhar para o quadro da Revista de sábado que completei no meu post, «Porque é que o trintão português não sai de casa dos pais?» e responde:

«Talvez fosse inteligente mudar já a premissa da pergunta: porque é que o trintão português não sai da casa da mamã? É que a questão não é económica, não está relacionada com desemprego ou oportunidades de carreira, não está no bolso, está na cabeça ou talvez no coração. Com a ajuda da avó, a mamã portuguesa estraga com mimos e roupa lavada o rapazola que já devia ter saído de casa. Não, não comece a abanar a cabeça, porque é verdade. Na palhota ou no palácio, a minha geração ainda foi educada no velho molde oitocentista: o menino não devia aprender a lida da casa; um rapaz a estender roupa era sinal inequívoco de mariquice; estrelar um ovo estava ao nível da física atómica. Ao invés, a menina tinha de aprender tudo, assumia-se que a lida da casa era da sua exclusiva responsabilidade, mesmo se trabalhasse fora de casa. É por isso que Portugal ainda tem uma assimetria terceiro-mundista no campo da partilha do trabalho doméstico. Elas trabalham 5 horas por dia em casa. Eles “ajudam" pouco mais do que uma hora. Não macem o rapaz com loiça por lavar ou fralda por mudar, que ele não pode perder um minuto com minudências.»

Assinaria por baixo a resposta não fosse o caso de Raposo ter caído naquela armadilha do «género», porque sendo certo que os rapazolas são bastante mais idiotizados pelas mães, as raparigas também se deixam ficar no colo da família (no caso delas mais no colo do paizinho). E, já agora, o problema não acabou na geração de Raposo - a luta continua.

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