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06/12/2015

ACREDITE SE QUISER: Os pensadores da Mouse School of Economics ainda podem ganhar um Nobel

Porque não? Joseph Stiglitz ganhou o Nobel em 2001 com a teoria dos mercados com informação assimétrica, trabalho meritório que mina os fundamentos das elucubrações teoréticas sobre a perfeição dos mercados e proporciona mais um exemplo do chamado efeito de halo: o enviesamento cognitivo que nos leva a concluir que se uma criatura fizer algo de notável numa área significa fará igualmente coisas notáveis noutras áreas.

Stiglitz veio cá perorar na Gulbenkian, nesta altura, com o mesmo propósito que já tinha vindo o outro Nobel Paul Krugman - dar crédito às teses da esquerdalhada. Se com Krugman a coisa correu mal – acabou por confessar, com enorme desgosto de Soares, que, nas mesmas circunstâncias em que se encontrava o governo de Passos Coelho na altura (Março de 2012), faria mais ou menos a mesma coisa – com Stiglitz a coisa correu bem melhor.

Desta vez, com grande gáudio da esquerdalhada, Stiglitz disse o que se esperava que dissesse e prescreveu a medicina que, mais tarde ou mais cedo, a geringonça, se continuar no governo, vai adoptar: aumentar os impostos. Nas suas próprias palavras no final da conferência:
«A estratégia de crescimento tem de ser baseada em parte (*) na possibilidade de aumentar impostos de forma a não prejudicar a economia e eu acredito que há maneiras progressivas de aumentar os impostos não prejudicando os pobres o que tem sido o problema no passado».
Quanto mais, menos (Fonte: Pordata)
Alguém deveria mostrar o diagrama acima a Stiglitz e informá-lo que a estratégia que ele preconiza vem sendo adoptada há décadas com grande zelo por todos os governos, com especial relevo para os governos socialistas, com os resultados conhecidos.

(*) Certamente não por acaso, o Público omite na tradução do vídeo «em parte».

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