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31/08/2014

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim (2)

Repetindo-me: durante mais de dois anos publiquei a série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade estão a comprometer os progressos feitos.

O orçamento rectificativo veio confirmar os sinais de fumo que aqui mencionei. Apesar da redução dos efectivos na administração pública, as despesas com o pessoal resvalaram em cerca de 1,5 mil milhões dos quais menos de 1/3 se justificam pelo chumbo do Tribunal Constitucional. Não é grave é gravíssimo e revela uma estória mal contada. O défice só não dispara porque a já pesadíssima carga fiscal aumenta 1,2 mil milhões o que reduz a consolidação fiscal a uma mera operação de extorsão fiscal.

Em conclusão, se este é um governo liberal, quando chegar o governo socialista pode logo convocar uma assembleia de credores. Se nem sob a pressão da intervenção externa o país foi capaz de se reformar, devemos suspeitar que o país é irreformável.

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