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13/08/2014

Mitos (177) – O número de jovens diminui por causa da emigração

Com a publicação de um Destaque do INE dedicado ao tema população jovem, o jornalismo de causas agita-se com a redução do número de jovens residentes, redução apresentada como essencialmente devida à emigração e, de acordo com a cadeia de silogismos que suporta a lengalenga do costume, devida à crise e, portanto, implícita ou explicitamente devida à política de austeridade e, portanto, da responsabilidade do governo e da troika.

Se é certo que o número de residentes entre os 15 e os 29 anos diminui cerca de meio milhão entre 2001 e 2011, é igualmente certo que é uma tendência que vem de há três décadas e resulta da redução da natalidade que de 1960 para 1990 caiu para menos de metade e desde então reduziu-se de um terço (PORDATA). Em consequência, desde 1960 até 2011 a percentagem de crianças na população residente reduziu-se para metade (INE).
Fonte: A rarefação da população jovem portuguesa: uma análise a partir dos
censos de 2011,  Jussara Rowland, Observatório Permanente da Juventude
Evidentemente que a emigração contribuiu para a redução do número de residentes jovens, que se estima neste escalão cerca de 16 mil em 2011 e 26 mil em 2012 (emigrantes permanentes), contra a média anual de 10 mil em 2008-9 antes dos efeitos da crise (PORDATA).

Se, baseado naqueles dados, a emigração de jovens 15-29 anos no período de referência tivesse atingido 110 mil, mesmo com a ausência total de emigração o número de residente neste escalão ter-se-ia reduzido de 390 mil e, por isso, o factor determinante desta redução é a queda brutal da taxa de fertilidade que explica mais de três quartos da redução.

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