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25/08/2014

Pro memoria (189) – Quase um quinto do PIB consumido em 6 anos para manter os bancos a flutuar

Relembrando que há quase 6 anos, no início da crise, Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças de Sócrates, garantiu durante vários meses que os problemas na banca se circunscreviam aos bancos americanos, mais tarde a alguns bancos europeus, mas que os bancos portugueses estavam a salvo. Em Novembro de 2008 informou que o governo iria nacionalizar o BPN, porque afinal sempre havia este banco português com a borda debaixo de água, e em vez de ter o bom senso de ficar calado garantiu no parlamento que «não há, para além do BPN, nenhuma instituição com problemas de solvabilidade».

Seis anos passados, os bancos portugueses receberam injecções de capital totalizando 23.533,5 milhões dos quais 12.083,5 milhões como aumentos de capital e 11.450 milhões de ajudas do governo (incluindo capitalização pelo Fundo de Resolução no caso do Novo Banco/BES), assim distribuídos (em milhões de euros; total = aumentos de capital + ajudas).
  • Millenium BCP   8.300   = 5.300 + 3.000 
  • Novo Banco(BES) 8.155   = 3.255 + 4.900 
  • Caixa           3.600   = 2.700 +   900 
  • BPI             2.190   =   690 + 1.500 (já reembolsados) 
  • Banif           1.288,5 = 138,5 + 1.150 
  • Montepio        1.140   = 1.140 +     0   
Ao total de injecções de capital de 23.533,5 milhões devemos ainda adicionar o custo da nacionalização do BPN, decidido pela dupla Sócrates-Teixeira dos Santos, que «não custou nada» (dizia Teixeira dos Santos) e o nada segundo as últimas estimativas pode chegar a 7.000 milhões.

São 30 mil milhões de valor destruído ou 18% do PIB para manter a banca a flutuar, banca que vale hoje apenas uma fracção do capital que consumiu em 6 anos.

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