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26/08/2014

Um governo à deriva (19) – Neoliberalismo ataca o Dr. Costa onde mais lhe dói

Interrogo-me como pode um governo considerado por todos os portugueses como «neoliberal» (todos não, quase todos, com excepção dos liberais – uma espécie mais rara do que o lince da serra da Malcata) propor ao parlamento uma proposta de lei da cópia privada que obrigará os sujeitos passivos a contribuir com um imposto entre 5 cêntimos (CD não regraváveis) e 20 euros (fotocopiadores laser) para financiar os artistas e intelectuais a quem os sujeitos passivos não compram a obra.

Depois de muita matutação, descobri. Trata-se de puro maquiavelismo. Sabe-se que o Dr. António Costa, candidato a candidato a primeiro-ministro, é amigo dos artistas, e os artistas retribuem-lhe com gosto. Recordemos que 600 deles, número que se supõe esgotar o huis clos (fica sempre bem quando se fala da intelectualidade citar o Jean-Paul) da bem-pensância doméstica, assinaram um manifesto modestamente intitulado «A Cultura apoia António Costa».


Sabendo dessa atracção mútua entre Costa e os artistas, intelectuais e ofícios correlativos, o governo ensaia uma estratégia graxista tentando, assim, sapar o núcleo duro (enfim, retoricamente falando) da candidatura - a Cóltura. Não está mal pensado.

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