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12/08/2014

TRIVIALIDADES: Indignações a propósito de nomeações

Andam por aí umas almas indignadas pelo facto de a «Mãe da Estratégia de Lisboa» como escreveu um seu admirador na entrada «Maria João Rodrigues» da Wikipedia (na versão inglesa, note-se!), pelo facto de a Senhora ter protestado com veemência no artigo biográfico-promocional que o Expresso lhe proporcionou publicar contra a nomeação de Carlos Moedas.

Indignação porquê? Então não pode ter legítimas aspirações face à sua brilhante carreira? Ora veja-se o referido artigo da Wikipedia. E sua pertença ao círculo da esquerda bem pensante não significa nada? Pois não é desse círculo que devem sair os nossos dirigentes? Não é lá que reside a legitimidade para nos governar. O resto são arrivistas sem pedigree vindos do interior do Alentejo ou de outras paragens ignotas e nalguns casos fazendo um tirocínio de exploração do povo na Goldman Sachs.

Entretanto, com o desmentido por «fontes comunitárias ouvidas pelo Expresso» (segundo o princípio do equilíbrio de lóbis, a seguir ao artigo da Dr.ª Maria João teria de aparecer uma notícia plantada pela outra tendência), «a senhora Rodrigues, a eurodeputada que tem estado a escrever artigos nos jornais, nunca esteve na wish list do senhor Juncker. A senhora Albuquerque sim, ela não.»

Agora que já gozei com o assunto, acrescento que tratando-se de políticos podem estar todos a mentir. A diferença é que uns mentem melhor. Talvez o Jean-Claude tenha apalpado previamente a Maria João, como deve ter apalpado muitas outras senhoras para tentar fazer a quota. Isso não impede que seja muito estúpido a Maria João vir queixar-se de assédio nas páginas no Expresso. E também não impede que seja muito censurável e de mau gosto vir deitar abaixo outro português só porque não pertence ao clube dela.

Esclarecimento:
Uma senhora insultou-me por ter usado o verbo «apalpar» que, segundo ela, seria ofensivo da dignidade feminina. Expliquei que o verbo «apalpar» tinha sido usado no sentido de «sondar» e tendo a minha alma ultrapassado há décadas os dilemas inerentes à «condição feminina» e à igualdade de sexos, usei o termo que usaria se o objecto da apalpação pelo Jean-Claude fosse o Carlos Moedas.

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