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06/08/2014

TRIVIALIDADES. A intervenção no BES e os despautérios do pensamento nacional

Sem pretensões de ser exaustivo, dou conta de algumas das pérolas reflexivas sobre este tema que mais me impressionaram pela sua profundidade.

«Inaceitável [a banca responsabilizar-se pela dívida] de alguém [Ricardo Salgado] que fez o que fez e está de férias», confessa-nos um dirigente anónimo da banca agora responsabilizada, não explicando se seria aceitável se o Dr. Salgado tivesse feito o que fez e resistido ao apelo das férias.

Também para o PCP, a solução é inaceitável mas neste caso porque receiam serem os portugueses a pagá-la, coisa que, como todos sabemos, nunca aconteceria numa nacionalização.

«Quando o tempo e o contexto permitirem uma análise objectiva e serena do que precipitou a queda abrupta do valor do BES e a consequente intervenção do Estado», o Dr. Ricardo Salgado falará, garante o próprio, sem explicar porque não falou do assunto antes de ir de férias.

«O governo não pode garantir que não há riscos» disse o professor doutor em Economia Francisco Louçã, deslumbrando-nos com a sua iluminada clarividência. Clarividência partilhada, sem surpresa, com o politólogo Viriato Soromenho-Marques que também concluiu que eles (o governo) «não podem garantir que vai correr bem», garantia que, como todos sabemos, existiria caso o BES fosse nacionalizado.

«A solução anunciada pelo Governador do Banco de Portugal e pelo Ministério das Finanças cumpre para já a exigência do PS, mas há que manter a vigilância e há questões por responder e que o Governo já devia ter esclarecido», ilumina-nos para já Eurico Brilhante Dias, o secretário nacional do PS, antes de nos iluminar definitivamente depois de ter respostas às questões, nomeadamente a explicação da reunião secreta ao domingo sem anúncio prévio.

Por mim, «diria [com o Insurgente Carlos Guimarães Pinto] que é preciso muito cuidado para não confundir alegria com alívio por a solução apresentada expor menos os contribuintes a perdas no BES do que se esperava. É preciso não confundir alegria por entre as alternativas possíveis no contexto político português, esta não ter sido das piores

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