Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

12/09/2013

SERVIÇO PÚBLICO: Gestão de tesouraria socialista vs «neoliberal» (2)

Nos últimos tempos, políticos e opinion dealers, pela mão amiga do jornalismo de causas, têm vindo a insistir no aumento avassalador da dívida pública que, segundo eles, se deveria à derrapagem do orçamento. Ora a verdade é que o aumento da dívida tem estado a ser superior à simples adição dos défices, pelo que para a derrapagem orçamental poder explicá-la seria necessário adicionar-lhe um outro ingrediente: manipulação do défice, como nos tempos de José Sócrates e Teixeira dos Santos. Ingrediente que não foi adicionado, não por falta de vontade, mas porque seria quase impossível de acreditar com os controladores do Eurostat e da troika a esgravatarem a execução orçamental todos os meses.

A explicação que até ontem o governo não tinha dado é simples e já tinha neste post sido atribuída à diferença entre a gestão de tesouraria socialista e a «neoliberal». Enquanto a primeira deixou o Estado com a tesouraria seca, a segunda deixou-o no fim de Março desde ano com quase 17 mil milhões de euros ou seja cerca de 10% do PIB. Se a gestão de tesouraria socialista tivesse um saldo desse montante a dívida que teria deixado em Junho de 2011 teria sido superior em 10%.

Segundo a incompreensivelmente tardia explicação do governo, pela boca da ministra das Finanças, ontem no parlamento, o saldo de tesouraria deverá rondar agora os 13% do PIB - diferença entre 131% da dívida «nominal» que o BdeP divulgou e a dívida «real» de 118%. A ministra explicou aos deputados (metade deles pouco interessados nestas explicações) «num período de grande incerteza … as disponibilidades de tesouraria devem ser aumentadas (para que Portugal) nunca esteja confrontado com o risco de não cumprimento».

É claro que faz todo o sentido, acrescentando por minha conta que a troika só tem mais 2,8 mil milhões para emprestar, insuficientes para os compromissos a curto prazo e com as fintas do Dr. Portas, os direitos adquiridos do TC, os conflitos bélicos no horizonte e o nervosismo dos mercados, se não houver dinheiro no colchão estamos fritos.

Sem comentários: