Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

09/09/2015

DIÁRIO DE BORDO: Até um coxo (de uma perna, das duas é mais difícil) ACTUALIZAÇÃO


Há uns dez meses, por ocasião da ascensão do ungido Costa ao Olimpo do socialismo, publiquei este post onde considerava que seriam favas contadas ganhar as eleições contra um governo desgastadíssimo, odiado pelos milhões de dependentes do Estado Sucial (quase metade dos portugueses com mais de 15 anos recebem uma pensão ou são funcionários públicos) e crentes do mesmo e não amado pelos restantes. Daí o título «Até um coxo». Quanto mais o ungido.

Escrevi então que Costa foi trazido ao colo por uma imprensa amestrada a incensá-lo como um dom sebastião que chegará numa madrugada de nevoeiro para salvar este Reino de Pacheco (era uma alusão a Alexandre O'Neill e, não, não era uma piada ao Pacheco m-l, mas, agora, dez meses depois, até pode ser) e prognostiquei que seria o primeiro-ministro o mais tardar em Outubro do próximo ano. Até um coxo o seria, bastando dizer as patetices que os portugueses querem ouvir.


Dez meses passados e vendo a sondagem da Aximage publicada hoje que mostra as intenções de voto no PS 5,6% atrás da coligação PSD-CDS, confirmo que me enganei substancialmente completamente.

CASE STUDY: Um imenso Portugal (15)

A Internacional Socialista – Secção Lusófona


Uma reportagem de 6 páginas da Revista Veja publicada hoje

ACREDITE SE QUISER: Os comunistas nunca comeram criancinhas ao pequeno-almoço

«A Grécia e o modo como ali evoluiu a situação política, transformou-se numa bênção para o Governo português. A propósito ou a despropósito havia um fantasma a ser convocado: Grécia, Grécia, Grécia, Grécia. As vezes que forem necessárias até não haver dúvidas: a Grécia terá hoje, para a direita portuguesa, o mesmo valor simbólico contido na propalada imagem dos comunistas a comerem criancinhas ao pequeno almoço de outros tempos.»

Valdemar Cruz, no Expresso Curto, a propósito das larachas entre Catarina Martins e Paulo Portas ontem à noite

Clique para ampliar
Tem o articulista toda a razão, os comunistas nunca comeram criancinhas ao pequeno-almoço, ao contrário do que diziam fascistas portugueses.

Os fascistas portugueses em 50 anos, segundo as fontes e as doutrinas, assassinaram entre algumas dezenas e umas poucas centenas de oposicionistas e, portanto, não têm know-how nem credibilidade nesta matéria.

Quem apresenta trabalho feito e por isso merece crédito são os comunistas russos, chineses, coreanos, latino-americanos, africanos e outros que fizeram, tudo por junto, umas dezenas de milhões de mortos (só Pol Pot e os seus Khmers liquidaram uns 2 milhões).

Pro memoria (259) – Costa, o devedor de promessas (5)

Inventário

Em promoção:

«Costa promete repor cortes dos salários na função pública e as 35 horas semanais»

«Costa pede o voto a quem, nas ruas, lhe diz: "corra com eles, ponha-o na toca". E compara plafonamento da Segurança Social com o caso dos lesados do BES.»

Saldos:

«Costa defende que os presos devem passar o menor tempo possível nas celas e defende salários justos nas cadeias.» (21-05-2015)

«O secretário-geral socialista assegurou hoje, perante a Comissão Nacional do PS, que uma descida da Taxa Social Única (TSU) para empregadores e trabalhadores» (24-05-2015)

08/09/2015

Curtas e grossas (24) – Como a imbecilidade do jornalismo de causas promove a imbecilidade das opiniões públicas

De lucífer da austeridade a santa dos refugiados

Títulos inspirados (47) - Uma filha com um pai assim, mais valia ser órfã


Pro memoria (258) – Esclarecendo os conceitos e colocando em perspectiva a crise de migrantes e refugiados para a Europa

Esclarecendo os conceitos


Segundo a Convenção de Refugiados de 1951, refugiado é uma pessoa «temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da protecção desse país». «Migrantes, especialmente migrantes económicos, decidem deslocar-se para melhorar as perspectivas para si mesmos e para suas famílias. Já os refugiados necessitam deslocar-se para salvar suas vidas ou preservar sua liberdade.» (ACNUR)

Quantos serão de facto os refugiados entre a massa de pessoas que tentam entrar na Europa vindos de África e do Médio-Oriente?

Colocando em perspectiva (1)


«Entendamo-nos: o número de pessoas que está a chegar à Europa é ínfimo. Há quarenta anos, em Setembro de 1975, quatro mil portugueses provenientes de Angola desembarcavam diariamente nos aeroportos da Portela e Pedras Rubras. Portugal, um pequeno país viu chegar, entre 1974 e 1976, mais de meio milhão de pessoas às quais nunca reconheceu o estatuto de refugiados. Chamou-lhes retornados.

À época não vimos fotografias das crianças mortas, que as houve, nem das mulheres violadas, nem dos condutores queimados vivos. Vimos alguns corpos, geralmente de negros, amontoados nas ruas de uma Angola a soçobrar na guerra. E, claro, tivemos depois as imagens de gente amontoada no aeroporto, dos bebés de biberon na boca a entreter o sono e dos caixotes em frente ao Tejo

«Vamos lá trocar umas ideias sobre o assunto», Helena Matos no Observador

Colocando em perspectiva (2)


«To put this in perspective, the U.S., with a population of 320 million, has some 11 million undocumented immigrants. They make up about 3.5 percent of the U.S. population. The EU, by contrast, had between 1.9 and 3.8 million undocumented immigrants in 2008 (the latest available figures), or less than one percent of its population, according to a study sponsored by the European Commission. Put another way, nearly 13 percent of the U.S. population (some 41 million residents) are foreign-born -- twice the proportion of non-EU foreign-born people living in Europe

«The Refugee Crisis That Isn't», Kenneth Roth, Executive director of Human Rights Watch

07/09/2015

SERVIÇO PÚBLICO: A Internacional da Indignação (2)

«Quando redobraram as notícias sobre multidões que fogem para a Grécia e para a Europa em geral, pensei tratar-se de uma falha - nas notícias ou no GPS das multidões. Afinal, estivemos meses a aprender que na Grécia, e na Europa em geral, se vivia uma tragédia humanitária nunca vista. Contra todas as expectativas, havia tragédias assaz maiores já ali ao lado. E os que lamentavam a devastadora austeridade que nos caiu em cima são os mesmos que agora exigem a partilha da nossa ofensiva abundância com os desafortunados do Médio Oriente e de onde calha. De súbito, a Europa tornou-se rica e repleta de empregos, alojamentos decentes, mesas fartas, privilégios sem fim. É o lado bom da crise dos refugiados.

O lado mau é que os corpos dos refugiados, vivos ou mortos, continuam a dar à costa. Vale que a reacção dos europeus se revela de fulgurante utilidade: correr para o Facebook a partilhar a fotografia do cadáver de uma criança estendido na praia e a criticar a passividade da Europa. Ou a indiferença dos governos. Ou a desumanidade de um destinatário genérico que naturalmente exclui o próprio - e heróico - indignado em causa. Parece um concurso para apurar qual é o cidadão mais piedoso.

Por falta de candidatos, não é de certeza um concurso para apurar qual o cidadão que abriria as portas de casa ao maior número de refugiados. Descontadas as "dezenas" de voluntários de que falam as notícias, não vi muitas almas sensíveis passarem da sensibilidade à prática e afirmarem-se disponíveis para albergar, por um período transitório, dois sírios ou quatro curdos no quarto das traseiras. Possivelmente os refugiados perturbariam o sossego do lar, essencial para se alinhavar no Facebook manifestos de extrema preocupação com o destino dos refugiados. Esta atitude traduz a típica bravura moral de quem subscreve petições pelos pobres e não se digna olhar o mendigo que o interpela na rua. Ou de quem chora os "cortes" no SNS e não visita o amigo doente. Ou de quem protesta as touradas e não abriga um cão vadio. O sentimentalismo sem compromisso preza a higiene. E é, desculpem lá, uma treta.
»

«Sentimentalismo caro», ALBERTO GONÇALVES no DN

ACREDITE SE QUISER: Só muda de boina

«Um dos grandes acontecimentos da Festa do Avante foi a visita de Marcelo Rebelo de Sousa, que desembarcou no Seixal com uma boina parecida com as que Portas usava quando ainda declinava o substantivo lavoura. Marcelo optou por um padrão neutro, longe do ‘padrão CAP’ que Portas tanto usava em feiras.

E foi assim, de boina cocuruto, que Marcelo mostrou aquilo que todos já sabíamos. Pode ir ao Avante (onde já tinha ido sete vezes), a um encontro de monárquicos, de fanáticos de Hayek ou de adeptos vegan, e está sempre em casa. Só muda de boina.»

Ricardo Costa, no Expresso Curto

Conversa fiada (16) – O economista político pratica Economia Política

Numa entrevista do Expresso – que mais parece uma press release do PS - Mário Centeno afivela a sua nova máscara de político, cita inesperadamente Nietzsche («há homens que já nascem póstumos") e inevitavelmente Krugman («a espiral da morte»), diz uma série de banalidades e faz algumas críticas certeiras ao programa da coligação em linguagem colorida.

A propósito de uma eventual redução de impostos afirma ainda, surpreendentemente para um socialista, «não estamos a dar nada, o dinheiro é das pessoas… o dinheiro não é do Estado, é do sector privado».

Não pode deixar de ser uma frase pour épater le bourgeois. Se tirasse as conclusões do que disse, cairiam por terra as políticas passadas do PS e todo o seu programa com a receita habitual de subsídios, incentivos e investimentos com o dinheiro das pessoas, do sector privado.

CASE STUDY: Colocando em perspectiva a queda abissal das bolsas chinesas (2)

Com o seu pendor para o simplismo e o catastrofismo, os mesmos jornalistas e opinion dealers que veneram o intervencionismo dos bancos centrais a ditarem o preço do dinheiro e a entorná-lo na economia, fabricando lenta e seguramente a próxima crise, fizeram soar os alarmes com a queda das bolsas chinesas anunciando o crash galáctico, escrevi aqui há duas semanas.

Fonte: Bloomberg
Acrescento agora que, depois das quedas abissais dos últimos 3 meses, o valor do índice Shanghai Shenzhen CSI 300 era 3.365,8 no dia 2 de Setembro apresentando uma valorização de 38,4% em relação ao valor 2.432,4 de há um ano, ou seja tem ainda muito espaço para descer. Os valores de todos os outros principais índices estão agora abaixo de há ano. O que dirão os mesmos jornalistas e opinion dealers que já gastaram os adjectivos disponíveis há 2 semanas quando as bolsas chineses voltarem a cair?

06/09/2015

ARTIGO DEFUNTO: A tudologia e as estatísticas de causas

Regressado de férias, enfastiado por nada ter acontecido na sua ausência (as coisas só acontecem quando e porque ele por cá está, quase que escreveu ele na sua primeira crónica na rentrée), Miguel Sousa Tavares na sua crónica de ontem no Expresso no meio das suas elucubrações sobre o Novo Banco (ele deveria ter pudor e não escrever sobre os resultados das golpadas do compadre Ricardo) pergunta-se «o que pensam dizer aos 350.000 portugueses que emigraram nos últimos quatro anos?»

Acontece que, segundo o INE, o número de emigrantes nos últimos 4 anos é de 199 mil e por isso pergunto-me onde terá MST ido buscar os seus 350 mil? Terá partido dos 500 mil que a deputada socialista Ana Catarina Mendes citou no parlamento e feito um desconto de 30%? Pergunto-me ainda: o que pensa MST dizer aos 150 mil portugueses que segundo ele emigraram e segundo o INE ainda cá estão?

DIÁRIO DE BORDO: Até um coxo (de uma perna, das duas é mais difícil)

Há uns dez meses, por ocasião da ascensão do ungido Costa ao Olimpo do socialismo, publiquei este post onde considerava que seriam favas contadas ganhar as eleições contra um governo desgastadíssimo, odiado pelos milhões de dependentes do Estado Sucial (quase metade dos portugueses com mais de 15 anos recebem uma pensão ou são funcionários públicos) e crentes do mesmo e não amado pelos restantes. Daí o título «Até um coxo». Quanto mais o ungido.

Escrevi então que Costa foi trazido ao colo por uma imprensa amestrada a incensá-lo como um dom sebastião que chegará numa madrugada de nevoeiro para salvar este Reino de Pacheco (era uma alusão a Alexandre O'Neill e, não, não era uma piada ao Pacheco m-l, mas, agora, dez meses depois, até pode ser) e prognostiquei que seria o primeiro-ministro o mais tardar em Outubro do próximo ano. Até um coxo o seria, bastando dizer as patetices que os portugueses querem ouvir.

Dez meses passados e vendo a última sondagem e a evolução, tenho de reconhecer que me enganei substancialmente.

Pro memoria (257) – Costa, o devedor de promessas (4)

Inventário

Em promoção:

«Costa promete revogar taxas moderadoras no aborto se ganhar»

«Costa quer EDP e Banca a pagar mais impostos»

Saldos:

«Voltar a relacionar o valor máximo das rendas com o estado de conservação dos edifícios.» (20-05-2015) O passo seguinte será a fixação administrativa das rendas.

«O Partido Socialista (PS) propõe "reabilitar e redimensionar" a rede de carregamento pública de veículos eléctricos, a MOBI.E». (20-05-2015) Entretanto o governo PSD-CDS já cumpriu esta promessa e ressuscitou o projecto Sócrates.

05/09/2015

DIÁRIO DE BORDO: Deitar foguetes

Lançamento na 4.ª F de manhã de um satélite para a Marinha dos EUA (Fonte)

Pro memoria (256) – Costa, o devedor de promessas (3)

[Continuação de (1) e (2)]

Uma promessa fresquinha atacada à esquerda (por pressupor que os «refugiados» iriam trabalhar) e à direita (por pressupor que seria o Estado a dar-lhes emprego):

«Refugiados a limpar florestas? Costa acredita que seria uma “grande oportunidade”» (03-09-2015)

Continuação da repescagem de promessas porventura já esquecidas, a maioria delas tornadas públicas com a apresentação do programa do PS em 20-05 o que gerou uma pororoca mediática:

«António Costa rejeita as recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e promete fazer uma "política contrária"» (18-05-2015)

«O secretário-geral do PS assumiu hoje o compromisso de não privatizar setores estratégicos, classificados como bens de primeira necessidade, e defendeu o reforço da regulação das instituições financeiras.» (20-05-2015)  É uma promessa supérflua porque todos os bens de primeira necessidade são de produção privada, mas Costa ainda não teve tempo de perceber.

«PS admite suspender prova de avaliação dos professores». (20-05-2015)

«O PS quer aumentar para 600 euros, contra os 500 euros previstos, o apoio por pequeno agricultor. E quer, ainda, aumentar em 50% os pagamentos por hectare dos primeiros cinco hectares» (20-05-2015)

04/09/2015

Bons exemplos (104) – Mani pulite na Guatemala

Depois de vários meses de manifestações contra a corrupção, poucas horas depois do presidente da Guatemala ter apresentado a sua demissão o congresso aceitou-a e levantou a sua imunidade.

Otto Pérez Molina, um general e antigo director dos temidos serviços de informação, foi ouvido no tribunal e confrontado com mais de 6 horas de gravações confirmando o seu envolvimento numa fraude alfandegária de milhões de dólares que levou à sua prisão. (Fonte: NYT)

CASE STUDY: Um imenso Portugal (14)

Os efeitos combinados da versão Dilma Rousseff (uma versão piorada da versão Lula da Silva) das políticas do PT com a queda dos preços das matérias-primas estão afundar a economia e as finanças públicas brasileiras.

Fonte: The Economist Espresso

Pro memoria (255) – Costa, o devedor de promessas (2)

[Continuação de (1)]

Repescagem de promessas porventura já esquecidas:

«Socialistas defendem que 10% do Fundo da Segurança Social sirva para comprar casas devolutas e querem capitalizar empresas com dinheiro dos vistos Gold.» (18-02-2015)

«O secretário-geral do PS garante que se for primeiro-ministro vai mexer nos escalões do IRS para aumentar a progressividade do imposto.» (07-05-2015)

«António Costa quer renegociar as condições de privatização da TAP, caso vença as eleições, avança o Expresso. O objectivo é o de manter a maioria do capital da companhia aérea nas mãos do Estado, vendendo apenas 49%.» (24-05-2015)

«O secretário-geral do PS defendeu hoje em Oliveira de Azeméis que a competitividade das empresas exportadoras nacionais beneficiaria com uma ferrovia que agilizasse o acesso de mercadorias ao centro da Europa "tão breve quanto possível".» (29-05-2015)

(Continua)

03/09/2015

NÓS VISTOS POR ELES: «Pigs might fly»

«At the height of the 2008-09 financial crisis, a new acronym entered the lexicon of financial journalists: the PIGS. In sharp contrast to the (then) fast-growing BRICS, the PIGS represented the crisis-hit countries of Portugal, Ireland, Greece and Spain. While all suffered deep recessions, the dynamics in each of them were quite different. Portugal was often seen as the next most-vulnerable after Greece, but so far it has defied the sceptics by exiting its EU/IMF bail-out programme earlier than it needed to and refinancing many of its loans at lower rates by tapping private capital markets.

In part, this is due to a fairly high degree of policy consensus among Portugal's two main parties and strong public backing for continued euro zone membership. In contrast with many other EU countries, Portugal lacks a strong anti-euro party. When you consider the scale of the country's fiscal contraction—moving from a primary budget deficit of 8.5% of GDP in 2010 to an estimated surplus of 0.2% this year—that is remarkable.

All four PIGS countries are set to have elections in the next six months and Portugal will be going to the polls on October 4th. The first challenge for the next government—likely to be a minority administration led by the current centre-left opposition—is to continue reforms now that the external pressure has lessened. The second challenge is to prepare for Portugal's longer-term problems of demographic decline and stagnating productivity.»

Simon Baptist, Chief Economist, The Economist Intelligence Unit

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XXXVIII) – So far, not so good

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Infelizmente, as piores previsões que tenho vindo a fazer nesta série de posts, que já vai no seu 38.º, têm-se vindo verificar no essencial. No último post escrevi que o saco de gatos do Syriza está a romper-se e que Tsipras ao forçar novas eleições provavelmente ganharia mas teria de se coligar de novo com a extrema-direita do Anel ou com a Nova Democracia. A realidade parece estar a ultrapassar a previsão.

A popularidade de Alexis Tsipras, que já foi da ordem dos 70% de aprovação em Março, tem vindo a descer e, segundo uma sondagem de há dias, está em menos de 30%. Nesta 4.ª feira uma outra sondagem revela que a vantagem do Syriza para a Nova Democracia é agora de apenas 0,4% (no domingo era de 1,5% e nas eleições de Janeiro foi de 8,5%).

Imagine-se um novo governo de coligação a fazer o contrário do que o governo anterior tinha prometido no contexto de uma mais que duvidosa tolerância do povo grego para suportar uma disciplina financeira mais dura do que a anterior e de uma tolerância ainda mais duvidosa dos governos da Zona Euro, sob pressão dos seus eleitorados e da premência de encontrar soluções para o problema do afluxo de refugiados (a maioria são imigrantes e não refugiados, no sentido das convenções de Genebra).

02/09/2015

BREIQUINGUE NIUZ: Salvo pelo gongo

Com a declaração de hoje da senadora Barbara Mikulski do Maryland de que irá votar o acordo com o Irão, foi atingido o número mínimo de senadores para que não seja possível a maioria de 2/3 necessária para ser revogado o veto anunciado de Barack Obama que se seguirá à quase certa rejeição do acordo pelo Senado.

Parece assim afastado a ameaça do lunatismo e da demagogia de senadores, na maioria republicanos, que se propõem anular o acordo com o Irão, trocando uma solução medíocre por utopias ou... um possível conflito nuclear.

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Portugal é um país socialista

«Portugal é um país socialista. Os portugueses preferem a segurança à liberdade, igualdade em vez de iniciativa, renda antes de eficácia. Todos os nossos partidos, da extrema-direita à extrema-esquerda, têm de ser, e são, socialistas, corporativos, clientelares. Todos promovem a segurança, igualdade e rendas, enquanto dizem promover liberdade, iniciativa e eficácia. "Liberal" por cá é insulto. Isto é incontornável, opção nacional que devemos respeitar. O sistema, aliás, tem óbvias vantagens, de que todos gozamos, e os correspondentes defeitos.

(...)

A verdadeira finalidade da política educativa não são os alunos e famílias, mas os grupos profissionais que operam o mecanismo. Professores, funcionários, auxiliares, pedagogos, editoras, fornecedores, construtoras e múltiplos outros interesses são os que realmente inspiram as políticas e ocupam as manchetes do sector. Este é o problema que, potenciado pela tendência socialista, é realmente causado pelo compadrio, laxismo e oportunismo lusitanos. Que, afinal, é a verdadeira origem da opção nacional pelo estatismo e proteccionismo.»

«Gratuidade escolar», JOÃO CÉSAR DAS NEVES no DN

Pro memoria (254) – Costa, o devedor de promessas

[Quando tiver tempo e paciência farei uma repescagem de algumas promessas das muitas dezenas que Costa semeou desde que se propôs ser o Futuro Primeiro-Ministro de Portugal.]

«António Costa defende que o subsídio de Natal deve ser pago em Novembro e não em duodécimos. "É assim que deve voltar a ser na Administração Pública e no sector privado”.» (Fonte)

«O PS admite estudar a possibilidade de as portagens pagas na rede viária servirem para financiar a Segurança Social. O líder do PS acrescentou que "quem fala em vias rodoviárias também pode falar em taxas que recaem sobre a energia".» (Fonte)

Se a cornucópia de promessas for um indicador do pensamento político de Costa, a coisa pode ser pior do que se pensava.

01/09/2015

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «O ar hoje é bem mais respirável do que era em 2009 e em 2011»

«Podem dizer o que quiserem. Mas sob o ponto de vista do Estado de Direito, o ar é hoje bem mais respirável do que era em 2009 e em 2011.»

«A tempestade de Verão», Paulo Rangel no Público, respondendo aos rasgadores de vestes alegadamente indignados com a alegada crítica à alegada parcialidade do sistema judicial.

NÓS VISTOS POR ELES: Caí na real, gente!

Excerto da entrevista do Económico a Albert Jaeger representante do FMI que está a fazer as malas para ir embora.

O que alcançou o programa?

A primeira conquista, talvez a mais importante, é que o país recuperou a credibilidade. A segunda é que o consenso social foi mantido. No início, tínhamos aquele slogan: "Portugal não é a Grécia". Não sei se todos estávamos convencidos disso, mas revelou-se verdade. Divergiu-se nos detalhes, mas o consenso nunca desapareceu. A terceira é a recuperação económica iniciada em 2013. A economia deu a volta. Pode argumentar-se que a recuperação não foi suficientemente rápida, mas recuperou. A quarta é algo que ouço de colegas portugueses: o programa aumentou a transparência e a noção de que há constrangimentos orçamentais e não se pode aumentar a dívida para os ultrapassar.

Portugal não foi a Grécia. Também não foi a Irlanda.

Eram casos diferentes. O programa irlandês teve uma especificidade própria, os factores da crise eram diferentes.

O programa foi um sucesso?

Alcançou os grandes objectivos. Não alcançou duas coisas que talvez esperassem dele. Os níveis de endividamento do sector privado e público só estabilizaram, não se reduziram significativamente. E o crescimento ficou aquém. Um programa não coloca um país numa trajectória de crescimento rápido completamente diferente do passado. Cria um ponto de partida, com reformas estruturais.

Assumiram ao início que não se conseguiria reduzir a dívida?

No sector público é uma questão de aritmética. Começou-se com um défice muito elevado, reduziu-se, mas ainda se tem um défice, por isso continua a somar-se à dívida. E muita dívida que estava escondida apareceu. Era algo que não tinha sido antecipado.

Ficaram mesmo surpreendidos com isso?

Bom, na realidade... Depois de tantos anos com PPP, empresas públicas... não é incomum.

E no sector privado?

Aí foco-me nas empresas. Havia despesa excessiva face aos lucros. À medida que foi reduzida, os desequilíbrios atenuaram-se. Mas o endividamento continuou a subir, depois estabilizou e só agora começou a descer. Não se podia esperar que, nos três anos do programa, esses níveis de dívida descessem de forma significativa.

E agora vão descer? 

As empresas em Portugal precisam de crédito para investir. Há diferentes situações. Há empresas com baixa produtividade e elevado endividamento. Não produzem muito, representam quase 20% do emprego total, têm dívida elevada e muitas vão ter de fechar. Depois, há empresas com elevado endividamento, mas com produtividade aceitável ou elevada. São uma fatia grande da economia, quase metade do valor acrescentado e do investimento, mas também mais de metade da dívida. Não estão no seu potencial máximo. Uma empresa altamente endividada foca-se em sobreviver, não em produzir e vender, e está limitada no investimento. São empresas viáveis, mas têm de reduzir o endividamento.

Resolver o problema do endividamento implica esse processo darwiniano de empresas menos produtivas fecharem?

Sim. A questão é o ritmo a que o processo decorre, porque há um problema de recursos mal colocados. Temos de deslocar os trabalhadores para empresas com melhor performance.

E as outras, produtivas mas endividadas, vão absorvê-los?

Temos de os transferir para as produtivas não endividadas. Portugal tem um elevado número de empresas que estão bem, com baixo endividamento e boa performance. É para aí que temos de os transferir.

Onde fracassou o programa?

Ouvi sempre que havia demasiada austeridade. Mas a economia gastava mais 10% do que produzia, não podia continuar. Propôs-se reduzir o excesso para 3% em 2014. Era demasiado rápido? Indo devagar, continua-se a somar ao endividamento. E era preciso restaurar a confiança. A questão era tentar subir a competitividade no curto prazo, mitigando a perda de emprego. Uma ideia foi a desvalorização fiscal. A alternativa são reformas para subir rapidamente a produtividade. Algumas das laborais tentaram isso.

Mas não conseguiram.

Penso que não.

Dúvidas (119) - Tempo de confiança?

A ordem das confianças não é arbitrária.

Fontes: indicador de confiança - INE ; outdoor - Mouse Square School of Economics

31/08/2015

SERVIÇO PÚBLICO: A Internacional da Indignação

«Entretanto, lembro a curiosa retórica com que se recebe os refugiados que dia após dia chegam pelo Mediterrâneo e por onde calha. Segundo a voz corrente nos media, a responsabilidade pela tragédia (humanitária, é de bom-tom acrescentar) cabe inteirinha à Europa, a Europa que não recebe devidamente, a Europa que não integra adequadamente, a Europa que, em suma, não corresponde impecavelmente aos sonhos daqueles desgraçados, disponibilizando-lhes em cinco minutos casa decente, emprego digno, subsídio de assimilação e banda filarmónica. Os telejornais fervilham de repórteres a apontar o dedo indignado.

Quase ninguém explica que as dificuldades de resposta da Europa são inevitáveis perante a brutal, e desde há décadas incomparável, migração de centenas de milhares de pessoas (350 mil em 2015). Quase ninguém recorda que as dúvidas europeias são as próprias de gente civilizada, que tende a ponderar as consequências dos seus actos. Quase ninguém nota que a Alemanha, logo a Alemanha, tem liderado com a generosidade possível o processo de acolhimento. Quase ninguém refere a veneração que inúmeros sírios passaram a dedicar à senhora Merkel, logo à senhora Merkel. Sobretudo quase ninguém informa que os refugiados, na imensa maioria muçulmanos, escapam precisamente da selvajaria hoje recorrente nos países de origem e na religião que professam. Apesar do folclore jornalístico em contrário, que atribui ao bombeiro o fogo posto pelo pirómano, a verdade é que o drama dos refugiados começa no Islão, não na Europa.

A benefício da subtileza, também poderíamos falar dos refugiados que são de facto "infiltrados" do ISIS e agremiações similares. E dos refugiados que matam refugiados sob acusações de cristianismo. E dos perigos de abordar estas matérias com mais lirismo adolescente do que sensatez. Porém, dado que andamos ocupadíssimos a odiarmo-nos, não há tempo para detalhes. O importante é estabelecer que a culpa é nossa. Culpa de quê? Vê-se depois, ou nem isso. Certo é que a Europa é de fugir, embora os outros misteriosamente fujam para a Europa

«A Europa é de fugir», ALBERTO GONÇALVES no DN

CASE STUDY: Os amanhãs que cantarão, segundo o PS, ou o triunfo da fé e da esperança sobre a experiência (6)

Outros amanhãs.


Retomando os comentários ao relatório dos 12 sábios «Uma década para Portugal».

2.1 Desempenho macroeconómico

(continuação)

Um dos inúmeros exemplos da abordagem dos 12 sábios à dívida pública vista como algo independente do resto é quando escrevem sobre «o sentido desfavorável da evolução do peso da dívida pública no PIB» como se esta não resultasse inexoravelmente da acumulação dos défices orçamentais, défices que para eles eufemisticamente se devem «a fatores substantivos endógenos».

Criticam, com razão mas sem autoridade moral, a insuficiente redução dos défices sem se darem conta que a soma dos défices deste governo no triénio 2012-2014 foi 14,4% (5,5%+4,9%+4,0%), ou seja metade de 28,4% (9,8%+11,2%+7,4%) do governo anterior no triénio 2009-2011. Distraidamente, lá reconhecem que parte do aumento do défice se deveu «ao alargamento do perímetro das administrações públicas (pela incorporação de empresas públicas)».

Contradizem-se constantemente ao vilipendiarem a austeridade ao mesmo tempo que criticam que a despesa não se reduziu o suficiente sem reconhecerem que, em todo o caso, foi revertida a tendência crescente, como se vê no diagrama.

Fonte: Pordata


2.3 Os factores de crescimento


No que respeita ao ensino apontam o aumento do abandono e retenção no ensino básico sem perceberem que a única coisa que pode ter mudado em apenas 2 ou 3 anos foi o grau de facilitismo.

[O último parágrafo da página 17 em que se compara o ensino secundário em Portugal com a OCDE é completamente incompreensível.]

Uma vez mais, encontramos a exaltação da obra socrática, lamentando:

(Continua)

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (7) - A maldição do jornalismo promocional – sempre

Science4you é mais uma startup (com 7 anos de idade seria uma empresa madura mas no Portugal dos Pequeninos leva-se mais tempo a crescer) promovida por Nicolau Santos na sua página do caderno de Economia do Expresso. Considerando o registo das empresas de sucesso do complexo político-empresarial socialista promovidas pelo pastorinho da economia dos amanhãs que cantam, a Science4you é uma séria candidata ao insucesso nos próximos anos.

30/08/2015

ACREDITE SE QUISER: «Imaginem o PCP a falar de uma crise provocada pela queda da Bolsa de um país dirigido por um Partido Comunista»


«"A diferença entre ficção e realidade é que a ficção tem de fazer sentido". Penso ser essa a razão pela qual os partidos se esforçam por nos vender ficções a que tentam dar sentido. Porque o certo é que a realidade não faz sentido nenhum. Imaginem o PCP a falar de uma crise provocada pela queda da Bolsa de um país dirigido por um Partido Comunista!»

Henrique Monteiro, citando Tom Clancy, no Expresso

Exemplos do costume (33) – L’exception française

Se a Espanha governada pelos conservadores do PP poderá ser um bom exemplo, a França governada pelos socialistas poderá ser um exemplo do costume.

Como foi o caso da missão a Berlim de que foi incumbido Emmanuel Macron, o ministro menos colectivista do governo Hollande, para convencer em directo a audiência constituída por embaixadores alemães e em diferido os inquilinos do Bundeskanzleramt e do Reichstag de que a França está a fazer as reformas necessárias, mas para manter a Zona Euro são necessárias mais duas coisas: «maior convergência entre os membros e também transferências». Tradução: mais um salto em frente e a Alemanha paga a despesa.

Acontece que o ministro Macron tem toda a razão com uma década e meia de atraso e hoje não existem mais as condições económicas, sociais e políticas para saltos para a frente e o eleitorado alemão já não está pelos ajustes de pagar mais despesas.

29/08/2015

Bons exemplos (103) – De Espanha pode vir bom vento e até bom casamento

«Mariano Rajoy, Spain’s prime minister, ought to be feeling upbeat about the chance of regaining power at the country’s general election later this year. When his centre-right Popular party won office in 2011, Spain was widely seen as the eurozone member whose troubles were most likely to shatter the single currency. Today, it is one of the fastest growing economies in the bloc, with growth projected to be more than 3 per cent this year. As the Greek drama has twisted and turned this year, the Rajoy government has looked on with a degree of serenity that would once have seemed unimaginable.

(…)

But these risks on the horizon, while serious, should not detract from a positive assessment of what Spain has achieved in the past four years. The Rajoy government’s courageous economic reforms, helped by ECB action, have allowed Spain to defy the once widespread prediction that it would remain Europe’s economic laggard. Its turnround is a lesson — and not just for Greece — that remaining in the eurozone does not condemn a nation to economic failure.
»

«Spain’s reforms are a lesson for the eurozone», Financial Times

Uma lição para a Eurozona e para os lunatismos socialistas.

Mitos (210) – Os chineses só investem em países endividados

Na verdade o mito completo é: os chineses só investem em países endividados, aproveitando os saldos e com o propósito de controlarem essas economias vulneráveis. É um mito cultivado pela esquerdalhada doméstica em geral (que, como se sabe, cultiva 99% dos mitos inventariados), pelo PS (enquanto está na oposição) e até por alguns empresários que não gostam dos chineses (por exemplo Soares dos Santos).

Como todos os mitos, este está tão longe da verdade que é incapaz de lhe infligir danos corporais. Veja-se o diagrama seguinte publicado pelo Handelsblatt que dá tanta importância aos investimentos em Portugal que nem lhes faz referência.


Segundo os dados recolhidos pela Ernst & Young e citados pelo Handelsblatt, as companhias chinesas investiram em 79 projectos na Alemanha no ano passado (68 em 2013 e 46 em 2012); 38 por cento dos investimentos chineses na Europa são na Alemanha; em segundo lugar encontra-se a Grã-Bretanha com 40 projectos. Segundo a Ernst & Young «as empresas chinesas querem juntar-se no topo do mercado mundial com produtos de alta qualidade, e para isso eles precisam do know-how da Europa, e especialmente da Alemanha».

28/08/2015

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Não é um pouco esquizofrénico? (4)

Uma das minorias de que faço parte é a dos portugueses que acham ridícula e ligeiramente doentia a busca incessante de tugas bem-sucedidos fora de portas. Frequentemente, os patrícios encontrados ou não são patrícios, por terem nascido noutras paragens, ou só são reconhecidos no bairro onde vivem o que para nós faz deles personagens galácticas.

Um outro exemplar dessa minoria deve ser Ricardo Araújo Pereira. Registo-o com um certo embaraço, tratando-se de um esquerdalho que escreve humor na Visão com pouca visão bilateral. Isso não me impede (após um esforço para mostrar equidade) de citar e recomendar (também porque a recomendação não é boa para o currículo de RAP) a leitura da sua peça «Disseram bem de Portugal em Badajoz».

Nessa peça RAP dá-nos conta de que «a expressão "português no topo do mundo" (apresenta) vários milhares de resultados no Google» (5.900 segundo a minha pesquisa), enquanto “englishman on top of the world” só apresenta 1 (encontrei 6, mas 5 resultam da peça de RAP e dos comentários). Em contrapartida, "american on top of the world" apresenta 41.200 resultados o que é muito face à modéstia inglesa e pouco face à obsessão portuguesa, já que os americanos são 32,5 vezes mais numerosos do que os tugas.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Coisas que outros escreveram sobre Costa, as quais, por isso, já não precisam de ser escritas (20)

Outras coisas: «Para mim Costa não é um mistério», «Coisas que outros escreveram sobre Costa, as quais...»

«António Costa, nesta campanha, representa o “logo veremos”. Logo veremos se ele vai afrontar a mitológica Merkel, ou, pelo contrário, fazer tudo o que ela lhe mandar (o que quer dizer “uma postura activa na Europa, sem submissão nem aventureirismos”?). Logo veremos se vai acabar com a austeridade ou, pelo contrário, como o Syriza, aplicar uma dose ainda maior. Logo veremos como vai governar: sozinho, com a direita, ou com os comunistas. Logo veremos se mandará votar num candidato presidencial “radical” (Nóvoa), ou num candidato “moderado” (Maria de Belém). Em “eleições decisivas”, António Costa fez do PS uma escolha que deixa tudo por decidir.

Não vou acusar Costa de quaisquer limitações pessoais. Não é isso que está em causa. O que está em causa são as limitações políticas do líder de um partido que chamou a troika e assinou o memorando, para depois o renegar; que colocou Portugal na moeda única europeia, para depois, enquanto governou, nunca cumprir os pactos de estabilidade do Euro.
»

Excerto de «Carta de um indeciso aos seus semelhantes», Rui Ramos no Observador


«V. Ex.ª dirigiu a carta ao “eleitor indeciso” e esta convenceu-me. Não sou mais um eleitor indeciso: ter lido até ao fim permitiu-me decidir, com toda a assertividade, que V. Ex.ª não tem estofo intelectual para ser detentor de qualquer poder de decisão

«Re: Re: Re: Re: Cartas o *******», fecho de um post de Vítor Cunha no Blasfémias

27/08/2015

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (44) – Minas de carvão para todos e carruagens só para mulheres

Jeremy Corbyn, o homem que se propõe enterrar o New Labour, segundo o Público, e o Old Labour segundo outros, incluindo eu, nacionalizar os transportes, reabrir as minas de carvão fechadas há 30 anos, tem segundo as projecções o voto da maioria dos eleitores registados do Labour, incluindo conservadores que se registaram para votar nele, gastando 3 libras na esperança que ganhe, dizem.

Jeremy Corbyn propõe-se também, quando um dia for aiatola prime minister, criar carruagens de metro e de comboio só para mulheres para evitar o assédio.

Carruagem chinesa em Teerão e em breve em Londres
É claro que criar carruagens só para mulheres é a mesma coisa que criar carruagens só para homens, uma ideia que se fosse proposta por um conservador faria desencadear uma onda de indignação nos mídia e nas redes sociais.

DIÁRIO DE BORDO: Schäuble visto por ele próprio

Algumas boutades de Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças e bête noir da esquerdalhada, a seu próprio respeito num documentário televisivo (citada pelo Politico) onde mostra uma notável auto-ironia:
«Você sabe que eu não sou de baixa manutenção» para Angela Merkel quando esta lhe propôs o ministério das Finanças em 2009, que é como quem avisa ó Angela vais ter de me aturar.
Ich wünschte, ich hatte einen Schal wie das Ihre
 «Não sou tão atraente para a mídia. Sou um velho, muito cansado e às vezes mal-humorado e não posso competir com tal popstar», referindo-se à primeira conferência de imprensa com Varoufakis. 
«Tenho mais marcas e cicatrizes do que quaisquer outros especialmente por conflitos de interesses públicos». 
«Dizem que sou um pouco teimoso… Mas sou leal em relação às minhas responsabilidades democráticas. Não uso o poder da minha posição contra a pessoa que me convidou para a ocupar», referindo-se às relações com Anela Merkel.

SERVIÇO PÚBLICO: Da próxima vez também não vai ser diferente (5)

[Uma espécie de continuação de «Too big to fail» - another financial volcanic eruption in the making (1) e (2) e de «Da próxima vez também...» (1), (2), (3) e (4)]

Já aqui referi que nas bolsas americanas aditivadas pelo quantitative easing e as taxas de juro da Fed, os valores do P/E Ratio (price-to-earning ratio, isto é a relação entre a cotação das acções e os dividendos pagos) atingiram níveis insustentáveis e, de facto, não sustentados pelo fraco crescimento dos lucros em 2014.

Fonte: NYT

O diagrama anterior com a evolução dos PER baseados na média móvel de 10 anos de dividendos das cotadas do S&P 500 mostra que os valores actuais são dos mais altos nos últimos 60 anos com excepção do período da bolha tecnológica nos anos 1995-2000. Um PER de 25 significa que a rentabilidade da aplicação em acções é aproximadamente de 4%, o que parece muito face às taxas da Fed, mas é insuficiente para um activo de risco como as acções.

26/08/2015

Dúvidas (118) – Qual é a urgência?

Qual é a urgência de subconcessionar em 12 dias por ajuste directo os transportes colectivos do Porto que estão concessionados a empresas públicas há 70 (STCP) e 15 anos (Metro do Porto)?

Chávez & Chávez, Sucessores (34) – Filas, prateleiras vazias e bancos sem dinheiro, o paradigma do socialismo bolivariano (e, mais tarde ou mais cedo, de todos os socialismos)

Recordando os queridos líderes, o preso e o falecido, respectivamente
(Uma concessão pontual à demagogia)
«As autoridades da capital venezuelana proibiram neste domingo os cidadãos de fazerem fila à porta dos supermercados fora do horário de funcionamento, principalmente à noite, por considerarem que estimula a especulação e as vendas ilegais». (Observador)

«O principal banco da Venezuela reduziu de cinco mil para três mil bolívares (de 22,73 para 13,63 euros) a quantia que pode ser levantada diariamente na sua rede de caixas multibanco.» O câmbio oficial do dólar vai 6,3 a 200 bolívares, no mercado paralelo (isto é no mercado) é de 701 bolívares. (Observador)

Uma constante da visão socialista: a inversão das relações causais.

CASE STUDY: Colocando em perspectiva a queda abissal das bolsas chinesas

Com o seu pendor para o simplismo e o catastrofismo, os mesmos jornalistas e opinion dealers que veneram o intervencionismo dos bancos centrais a ditarem o preço do dinheiro e a entorná-lo na economia, fabricando lenta e seguramente a próxima crise, fizeram soar os alarmes com a queda das bolsas chinesas anunciando o crash galáctico.

Fonte: Bloomberg
O catastrofismo seguiu-se à aceitação com grande naturalidade da subida vertiginosa dos índices chineses nos 6 meses anteriores a Junho, subida que nunca poderia ser explicada pelos fundamentais da economia e que resultou igualmente do intervencionismo do banco central chinês. Como explicar de outro modo que as empresas chinesas cotadas passaram a valer o dobro do que valiam 6 meses antes? Como tudo o que sobe, mais tarde ou mais cedo, desce… poderá descer ainda mais porque o índice Shanghai Shenzhen CSI 300 continua acima do nível do início da injecção de anfetaminas do banco central chinês em Novembro do ano passado.

Capitalização bolsista [Fonte: Bank of America Merrill Lynch (via Market Watch)]
O outro aspecto da questão é a capacidade de propagação do crash bolsista chinês quando se sabe que a capitalização das bolsas chinesas vale menos de 30% das japonesas e menos de 5% das americanas. A razão principal do pânico se ter propagado às outras bolsas tem mais a ver com o sentimento da volatibilidade das bolhas criadas pelo intervencionismo dos bancos centrais americano, britânico e europeu do que pela importância relativa dos mercados de capitais chineses.

25/08/2015

CASE STUDY: Dissecando a mente de um grande aldrabão (4)

Outras dissecações: (1), (2) e (3)

Há uns 6 anos o Pertinente interrogou-se se José Sócrates seria um mitómano delirante ou simplesmente um vendedor de banha-de-cobra. À época eu não via o querido líder como um mentiroso compulsivo mas apenas um vendedor de banha-de-cobra, isto é mentiroso utilitário, e nessa convicção publiquei nos últimos 10 anos um bom número de posts onde as palavras Sócrates e mentira aparecem juntas. Gradualmente fui percebendo a compulsividade da mentira que ficou mais transparente depois da prisão.

A nossa intelligentsia, sempre fascinada com líderes fortes, ainda hoje tem dificuldades a descolar-se do animal feroz - há casos do domínio patológico como Miguel Sousa Tavares e Clara Ferreira Alves. Mesmo uma rebelde (muitas vezes sem causa) como Filomena Mónica tardou. Tardou mas arrecadou com um artigo no Expresso com o título «Será Sócrates mitómano?» onde a novidade foi a sua conclusão de que a criatura «não só não havia apresentado a tese como, muito menos, a defendera perante um júri académico». Surpresa? Nem por isso. É apenas mais do mesmo que vimos no passado da criatura.

SERVIÇO PÚBLICO: Da próxima vez também não vai ser diferente (4)

[Uma espécie de continuação de «Too big to fail» - another financial volcanic eruption in the making (1) e (2) e de «Da próxima vez também...» (1), (2) e (3)]

A intervenção militante dos governos através dos seus bancos centrais, primeiro dos anglo-saxónicos Fed e BoE, seguidos pelo ECB, resgatando indiscriminadamente bancos, anestesiando a percepção do risco com garantias elevadas de depósitos e injectando artificialmente liquidez com a impressora do quantitative easing, tem-se feito através terapêuticas para debelar uma crise que, como tenho vindo a insistir, criam as condições para gerar a próxima.

É claro que também estão agora em curso factores alheios a essa intervenção, como o arrefecimento da economia chinesa com efeitos sobre a procura mundial de matérias-primas que está a afectar as economias dos BRICS e dos países da OPEP.

Recentemente, temos assistido aos primeiros sinais de que a bolha criada por essas terapêuticas pode não estar longe de rebentar. Aliás, com o comportamento das bolsas chinesas, que em poucas semanas sofreram quedas abissais, o que foi pretexto para o governo chinês adoptar medidas do tipo «centralismo democrático» nos mercados de capitais - com pouco sucesso, aliás - , o bubble prick pode estar até mais próximo do que se pensava.


Esta segunda-feira esses sinais avolumaram-se com a propagação do pânico às bolsas seguindo os fusos horários: primeiro as asiáticas, depois as europeias e finalmente as americanas. Por várias razões, não é muito provável que se siga um crash, mas a volatilidade continuará e é um sinal muito forte de que se pode esperar o pior com taxas de juro próximas de zero e injecções maciças de liquidez.

24/08/2015

CASE STUDY: Os amanhãs que cantarão, segundo o PS, ou o triunfo da fé e da esperança sobre a experiência (5)

Outros amanhãs.


Retomo os comentários ao relatório dos 12 sábios «Uma década para Portugal», interrompidos para tratar dos 207 mil empregos simulados.

2. Diagnóstico económico e social


Este capítulo começa pela aceitação do que se negara no capítulo anterior e reconhece-se que antes da adopção do euro o investimento já se havia reduzido pela redução da taxa de poupança. Reconhece-se ainda que a taxa de poupança é baixa, apesar de se insistir em aumentar o consumo reduzindo-a ainda mais.

Continua-se o delírio de classificar as infra-estruturas como «instrumentos competitivos da economia portuguesa (que) decorrem de investimentos materializados antes do atual governo», como se dos muitos milhares de milhões torrados em auto-estradas e outros elefantes brancos se tivessem multiplicado no PIB e não na dívida pública e privada, como de facto aconteceu. Exemplificando a manta mal-amanhada com retalhos socráticos cosidos no meio do pano dos «novos economistas», na mesma página do referido delírio já se reconhece a «excessiva concentração de investimento em sectores de bens não-transacionáveis».

2.1 Desempenho macroeconómico


Mais contradições: a taxa de poupança que duas páginas antes «atingiu valores preocupantes no auge da actual crise» atinge duas páginas depois «valores superiores em 2 p.p. aos verificados antes da crise». Reconhece-se que a «correcção acelerada dos desequilíbrios externos», porém, segundo os sábios, tal «não resultou de aceleração das exportações». No parágrafo seguinte voltam as contradições , para puxar o lustro à governação socrática: «as exportações de bens e serviços registam desde 2005 uma evolução muito positiva». Voltemos ao mundo real e vejamos os diagramas seguintes.

Fonte: Trading Economics

Fonte: Trading Economics

Tentando tapar o sol com a peneira socialista, lá voltam a admitir na página seguinte que afinal «o comportamento das exportações» até terá sido positivo mas «mais justificado pela entrada em funcionamento de alguns grandes projetos em implementação desde antes da crise». Quais projectos, minha nossa senhora, impulsionaram as exportações? Terão sido o TGV e o aeroporto Jamais Alcochete?

Assinala-se a queda de mais de 20% do emprego na indústria transformadora, mas esquece-se que o PIB gerado na indústria está de novo muito próximo dos valores anteriores ao resgate, significando uma melhoria da produtividade.

Fonte: Trading Economics
Para concluir, por hoje, destaco o padrão analítico dos 12 sábios do PS: os resultados da execução do programa de ajustamento que o PS tornou indispensável, negociou e assinou têm sido uma desgraça, excepto nos aspectos que resultaram da governação miraculosa do preso 44.

(Continua)

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XXXVII) - So far, so good?

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

A troika chegou a acordo com o governo grego sobre as condições do novo resgate, o parlamento grego aprovou as medidas, os bancos gregos reabriram com o dinheiro fresco do BCE, mais 86 mil milhões (36% do PIB) vão ser entornados na economia grega. A Grécia está, pois, no bom caminho. Certo? O mais provável é estar errado.

Uma semana depois, o parágrafo anterior parece ultrapassado pela ratificação do resgate pelo Bundestag e pelos outros parlamentos. Contudo, convirá não esquecer que dos 585 membros do Bundestag 454 votaram a favor, 18 abstiveram-se e 113 votaram contra, incluindo 63 deputados da coligação CDU-CSU, mais 3 do que no segundo resgate e mais 60 do que no primeiro.

Ainda assim, à primeira vista poderá parecer que se está no bom caminho, até porque o governo alemão insiste que o FMI irá participar, apesar do FMI dizer que só o fará com um haircut e governo alemão manter que o Tratado de Lisboa não autoriza o haircut (é claro que não). Talvez a coisa se resolva com uma garantia financeira da Zona Euro ao FMI.

Na frente política interna, o saco de gatos do Syriza está a romper-se e Tsipras demite-se para forçar novas eleições que tudo indica o Syriza, depurado do lunatismo mais exacerbado, irá ganhar, ainda que para formar governo terá de ser coligar de novo com a extrema-direita do Anel ou com a Nova Democracia.

Se, um grande se, tudo isso correr bem, resta o principal obstáculo ao sucesso do resgate do Estado grego: o governo grego a fazer o contrário do que tinha prometido e a duvidosa resiliência do povo grego para suportar mais 3 anos de resgate e um número indeterminado de anos de disciplina financeira. Resta também o obstáculo que é tolerância evanescente da maioria dos governos da Zona Euro pressionados pelo descontentamento crescente dos seus eleitorados.

Entretanto, as falanges domésticas de apoio ao Syriza propagam a ideia que tem sido a Alemanha quem mais lucrou com a crise grega ao financiar-se a juros baixos, em resultado da dívida alemã funcionar como um refúgio para as incertezas da Zona Euro. Felizmente, no mar dos delírios do jornalismo de causas resistem algumas ilhas profissionais, como Eva Gaspar do Negócios que desmistifica aqui essa falácia e demonstra que se alguém ganhou com a crise grega foram… os gregos, a quem foram perdoados 100 mil milhões de euros e que beneficiaram de uma redução de juros equivalente a 4,7% do PIB em 2013 e 4,4% em 2014.

23/08/2015

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um jornalista bom no género mau pode vir a fazer o upgrade para o género bom (V)

Secção Res ipsa loquitur

Já fiz apreciações negativas do trabalho do jornalista Ricardo Costa [(1), (2) e (3)], que foram evoluindo para apreciações positivas (aqui, aqui, aqui e aqui) a que acrescento agora mais uma pelas suas análises recentes e em particular pela peça especialmente lúcida e informada sobre as eleições britânicas «Como esfolar um gato... ou acabar sem pele» na Revista do Expresso deste fim-de-semana. Espero que António Costa não leia esta peça ou, se ler, não lhe dê importância - sempre poderia ajudá-lo a «vender» melhor a suas más políticas.

Não aprovo o trabalho de Ricardo Costa pelo facto de algumas das suas opiniões e conclusões serem compatíveis com as que por aqui defendemos - outras não o são - mas porque, até as que considero erradas, são apresentadas e defendidas da forma certa.

Sei por experiência própria e sobretudo alheia que não é fácil manter as distâncias num país muito dado ao nepotismo, e por isso a independência em relação ao partido de que o seu irmão é líder e ao líder têm um valor muito especial.

Não admira por isso que lhe atribua mais quatro afonsos.

DIÁRIO DE BORDO: O direito a contaminar

Para alguém que olhe sem preconceitos negativos ou positivos para os comportamentos dos humanos, é razoavelmente evidente que a fixação dos lóbis gays no casamento unissexo, finalmente legalizado em Portugal há 5 anos, tem pouco a ver com a instituição do casamento em si mesma e muito mais com a necessidade de «normalizar» o seu status social.

De facto, como aqui escrevi, para a «comunidade» gay, com décadas de casamentos em atraso, mil e seiscentos casórios em 5 anos deveria ser uma decepção, sobretudo nestes tempos em que os casais normais no sentido gaussiano já quase deixaram de se casar, convencidos por décadas de propaganda politicamente correcta que o casamento era uma instituição burguesa decadente e não significava nada, a mesma propaganda politicamente correcta que convenceu os gays que o casamento significava tudo.

Algo semelhante se passa com a adopção numa época em que os casais «normais», além de cada vez menos se casarem, têm cada vez menos filhos cada vez mais tarde, por uma série de razões conhecidas. A menos que se descobrisse uma pulsão maternal e paternal «anormal» nos gays, a fixação dos seus lóbis na legalização da adopção tem com toda a probabilidade a mesma explicação - a necessidade de «normalizar» o seu status social.

A terceira vertente da «normalização» é a dádiva de sangue. Não parece que os gays individualmente considerados tenham uma pulsão para a dádiva de sangue mais forte do que a dos heterossexuais que, como é sabido, são relutantes em se deixarem sangrar. Outra vez ainda, são os seus lóbis que fazem a despesa da «luta», frequentemente usando a chantagem sobre os gays ainda dentro do armário em posições influentes para usarem essa influência.

Contudo, neste domínio a coisa fia mais fino porque o uso de sangue contaminado com HIV tem óbvios riscos para os receptores. A exemplo do que se passa nos EU, onde a FDA continua a não autorizar a dádiva por homossexuais, também em Portugal não é autorizada. Pois bem, tudo indica que o lóbi gay está em vias de conseguir infligir uma derrota à saúde pública: «o relatório "Comportamentos de risco com impacto na segurança do sangue e na gestão de dadores", a que a Lusa teve acesso, estabelece "a cessação da suspensão definitiva dos candidatos a dadores homens que têm sexo com homens (HSH) [homossexuais e bissexuais] ", uma decisão tomada por unanimidade entre os oito elementos do grupo de trabalho». Do relatório para a lei vai um passo que o lóbi gay jornalístico já deu, uma vez que anuncia que a «dádiva de sangue por parte de homossexuais vai passar a ser permitida».

Perguntar-se-á, mas os heterossexuais não têm HIV e não doam sangue? Claro que podem ter e têm HIV e podem doar e doam sangue. A enorme diferença é que, para utilizar o caso dos EU, os homens gays e bissexuais representam aproximadamente 2% da população e 57% das pessoas com HIV diagnosticado, ou seja a probabilidade a priori de um gay estar infectado é 65 vezes maior do que um não gay. Assim, sendo o risco tão desproporcionado a dádiva de sangue por um gay deveria no mínimo estar condicionada à apresentação de um teste negativo válido.

Por miopia e falta de coragem de ir contra a corrente do pensamento politicamente correcto, as luminárias domésticas confundem o direito à união legalizada (inadequadamente denominada casamento) com os «direitos» à adopção e à dádiva de sangue, que, se fossem direitos, seriam das crianças alvo da adopção e dos receptores de sangue.

22/08/2015

SERVIÇO PÚBLICO Os doutoramentos não têm sexo. Têm género: o género bom e o género mau

Fiquei a saber pelo artigo «A ideologia de género, que género de ideologia é?» do padre Portocarrero de Almada que foi aprovada pelo ISCTE com distinção uma tese de doutoramento cuja tema central é «o género de cada um depende da identidade de género e não de características do corpo, como a genitália».

Se não fosse a alienação terminal ou, na melhor hipótese, o pavor de serem criticadas por práticas discriminatórias, seria impensável as sumidades académicas dedicadas às ogias que hoje infectam os currículos das universidades aceitarem uma tese sobre tal tema baseada em 22 entrevistas a transexuais, «79 artigos publicados nas edições electrónicas dos quatro principais diários», «uma extensa reportagem de uma revista semanal» não identificada, «o debate parlamentar» que antecedeu a aprovação da correspondente lei; «a transcrição de um programa de televisão emitido pela RTP» não citado; «a mensagem do presidente da República», e «quatro comunicados emitidos pela maior organização de direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgénero (LGBT)».


Estamos, pois, no domínio da ideologia em estado quimicamente puro, ou seja em pleno campo do politicamente correcto. Como escreve Portocarrero de Almada, «a ideologia de género não engana: o seu carácter predominantemente ideológico. Se se tiver em conta que já Engels afirmava que a primeira luta de classes é a que ocorre no âmbito do matrimónio e que a dialéctica do feminino e do masculino deve ser abolida, não é temerário afirmar que a ideologia de género é neo-marxista.»

Dúvidas (117) – Porque será que não fiquei surpreendido?

Entrevista do SOL a António Costa
Um das consequências positivas da liderança de Passos Coelho foi o contributo possivelmente involuntário para a clivagem entre uma visão socializante, que abrange com diversas nuances desde o Bloco de Esquerda até ao CDS, passando pelo PS e pelo PSD, e uma visão liberalizante (em rigor, deveria escrever menos socializante) que inclui parte do PSD e algumas pessoas do PS e do CDS.

Desfaz-se assim parte dos equívocos e da opacidade doutrinária e fica claríssimo que Freitas do Amaral, Basílio Horta, Adriano Moreira, entre outros do CDS, por um lado, Manuela Ferreira Leite, António Capucho, e, à sua maneira narcisista, Marcelo Rebelo de Sousa, entre muitos outros, são compagnons de route do socialismo.

21/08/2015

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (115) - A pulsão para o aparelhismo

«O enfraquecimento dos partidos políticos tradicionais favoreceu uma autonomização dos magistrados relativamente à política no tratamento da criminalidade económico-financeira, em particular da corrupção. Essa ruptura foi possível graças a contextos históricos em que a legitimidade dos políticos se encontrava fragilizada e contestada, permitindo, como foi o caso em Itália e é hoje no Brasil, a legitimação de uma posição de contrapoder do campo judicial apoiada numa longa tradição onde a razão jurídica é por essência mais nobre do que a razão política sempre ameaçada de fazer prevalecer interesses particulares sobre o interesse geral. Perante a legitimidade electiva dos políticos os magistrados jogam uma autoridade moral e uma competência fundadas numa outra legitimidade: a legitimidade técnica.»

Quem escreveu a peça «A função política da justiça» a que pertence o excerto citado foi Estrela Serrano, doutorada em Sociologia da Comunicação, da Cultura e da Educação pelo ISCTE, mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, que desempenhou vários cargos de nomeação política incluindo assessora para a comunicação de Mário Soares e vogal do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social nomeada pelo governo do preso 44.

Ficamos a saber o que podemos esperar de um governo socialista e da tralha com que encherá o aparelho de estado para «regular» os excessos de «autonomização dos magistrados relativamente à política no tratamento da criminalidade económico-financeira, em particular da corrupção.»

SERVIÇO PÚBLICO: Os adversários estão na outra bancada. Na mesma bancada estão os inimigos

«O que é que Maria de Belém tem? (teorias da conspiração)»


«Por que razão correm as mais diversas teorias da conspiração acerca de uma militante católica do PS, de aspeto frágil e voz quase inaudível que de repente pôs o PS em polvorosa? A mim ocorre-me uma frase de Marx a completar um aforismo de Hegel: a história repete-se, a primeira como tragédia e a segunda como comédia. Estamos pois numa espécie de comédia da guerra Soares/Zenha, a velha guerra do PBX, com protagonistas de terceira categoria.

Hoje mesmo o 'Público' informa-me que a candidata Maria de Belém tem atrás de si (e cito) "nomes importantes da banca, da indústria e até das sociedades secretas". Há uma diretora da Associação Nacional de Farmácias ex-diretora da farmacêutica Merck, um gestor do BES Numismática (que nem eu sabia existir), ex-presidente da ESEGUR, um presidente do Conselho Fiscal do BPI, o presidente da Amorim Turismo, uma administradora do Grupo Altis e um gestor do Instituto Português de Estudos Maçónicos, que é ligado à Maçonaria do GOL.

Ontem, Alfredo Barroso informava-me que ela pode ser o "cavalo de Troia da Igreja", ligada ao frade Melícias e ao padre Lino Maia, além de ter sido nomeada ministra pelo "beato Guterres" (expressão de Barroso).

Um email anónimo refere que ela está, no fundo, a cumprir uma estratégia de Passos Coelho. Devo dizer que se tudo isto fosse verdade, a senhora mereceria ser eleita, sem dúvida. Seria a presidente de todos os portugueses...

O PBX ("partido berdadeiramente xuxialista ") era como os soaristas se referiam jocosamente àqueles que achavam que o PS não era suficientemente à esquerda. Entre eles estavam muitos eanistas e uma parte substancial do PS que se reunia num sótão de Guterres. Nessa altura Alfredo Barroso era a favor de Soares, que era a direita, assim como Vítor Ramalho, que hoje está ao serviço de Sampaio da Nóvoa. Sampaio, que entrara para o PS, juntamente com os seus amigos dissidentes do MES, na mesma altura em que o PS se aliara ao CDS, mantinha uma certa distância. Mas isto é história. Uma história que desembocou num partido apadrinhado por Eanes, o PRD, e por muitos ex-socialistas, como Medeiros Ferreira, e conseguiu uma candidatura do histórico Zenha, apoiado pelo PCP, contra a candidatura moderada de Mário Soares, apoiada pela direção do PS. O PRD deu cabo do PS pelos anos da maioria absoluta de Cavaco, ao passo que Zenha ia derrotando Soares. Este, ao passar à segunda volta, depois dos escassos 25°/o obtidos na primeira, derrotou depois o então 'fascista' Freitas do Amaral, por um estádio da Luz, nas mais renhidas eleições de sempre.

Passaram 30 anos.

Hoje temos Sampaio da Nóvoa no lugar de Zenha, a tentar unificar a esquerda. Tem o lugar, mas não a estatura nem a história, nem a coragem. E Maria de Belém no lugar de Soares (que entretanto é a favor de Nóvoa porque mudou - e muito - de posição). Também tem o lugar, mas não o estatuto, a história e a coragem. É a farsa, ou comédia da repetição.

Porém, desta vez, a direção do PS não está alinhada com uma das candidaturas - cada qual apoia o seu. É mais farsa ainda. Costa gere como pode, empurrando com a barriga para depois das Legislativas. Se conseguir uma vitória, terá a legitimidade para apoiar quem achar melhor. Se não a conseguir, o que ele disser já não conta para nada, porque será imediatamente substituído.

A minha tese, embora a não possa provar, é menos conspirativa e mais simples: Sampaio da Nóvoa, ex-assessor de Sampaio, depois de ter feito honoris causa pela Universidade de Lisboa todos os ex-presidentes da República vivos, foi 'vendido' por Sampaio como grande solução a Costa, razão pela qual o atual presidente do PS, Carlos César, o apoia fortemente, assim como os amigos próximos de Soares e ainda a ala mais esquerda do PS.

Maria de Belém era, há muito, a cartada que António José Seguro queria jogar. Por isso, ao contrário do que afirmou Miguel Sousa Tavares ela não aparece apenas por vontade própria, nem a sua inclusão nas sondagens é inocente. A luta (em volta do PBX) continua. E, até agora, quem mais razões tem para se rir da farsa é Seguro.»

Henrique Monteiro, no Expresso