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07/03/2016

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (22)

Outras avarias da geringonça.

Ao contrário do que a geringonça propalou, o governo PSD-CDS não aumentou o financiamento do ensino privado através dos contratos de associação. Ao contrário, foi diminuindo anos após ano de 173 milhões em 2011 para 144 milhões em 2015. É também mentira que o aumento verificado no orçamento da geringonça em 2016 tenha resultado dos compromissos do governo anterior, visto que esse financiamento até diminuiu de 144 para 139 milhões em 2016 – na verdade, resultou do facto do ensino artístico ter passado a ser financiado pelo OE em vez de fundos comunitários. (Fonte: «Mentiras com perna curta», Alexandre Homem Cristo no Observador)

Durante a semana assistimos à inacreditável peixeirada de João Soares, uma personagem insignificante e grosseira nas palavras de Vasco Pulido Valente, que fez o possível e o impossível para levar à demissão da presidência do CCB António Lamas, um sujeito com um passado de competência, para o substituir por Elísio Summavielle, um amigo, compincha do PS e irmão da Maçonaria.
Lembram-se da lengalenga do bater o pé a Bruxelas? Ficou-se a saber pela carta do presidente do Eurogrupo que «as autoridades portuguesas comprometeram-se a não reverter reformas passadas tomadas durante o programa de ajustamento antes que seja feita uma avaliação completa dessas reformas». Lembram-se da lengalenga da redução da TSU? Fazia parte do Documento dos Doze Sábios do PS e era para avançar mas já não é.

O que dirão os outros sócios da geringonça? Cada vez que tomo conhecimento de mais um equilibrismo de Costa a contar estórias diferentes em cada sítio, lembro-me do aforismo: é possível enganar todos durante algum tempo, é possível alguns sempre, mas não é possível enganar todos toda vida - não tenho a certeza que o aforismo seja válido em Portugal, onde a versão melhor adaptada terminaria é possível enganar muitos toda vida.

Quem não parece disposto a ser enganado é o Conselho das Finanças Públicas que no seu relatório sobre a Proposta de Orçamento mantém as reservas que já tinha apresentado ao borrão de orçamento e aponta os riscos de uma elevada dependência do optimismo na construção do cenário macroeconómico. Sem esquecer as trapalhadas que continuam a surgir com mais gralhas e números errados.

Se o realismo deste orçamento da geringonça parece uma miragem, a terceira ponte sobre o Tejo é que se houvesse dinheiro (um pantagruélico se) não seria uma miragem, como escreve a Visão, dando conta das movimentações dos autarcas comunistas da Outra Banda. Se fosse pelo dinheiro, que não há, nem haverá, estaríamos a salvo, mas não podemos esquecer as PPP - as parcerias da dívida pública com as rendas privadas, matéria em que os socialistas mostraram obra feita que iremos pagar nas próximas décadas.

Contudo, o mais grave não é o orçamento da geringonça per se. O mais grave são as políticas assentes na fé da esquerdalhada que a economia portuguesa crescerá à custa do consumo interno que é preciso incentivar, apesar de toda a evidência das últimas décadas. É por isso que no final deste ano, apesar do PIB estar ainda 3% abaixo do de 2010, as importações estarão 10% acima das de 2016. O que vai mesmo crescer, fora de qualquer dúvida, é o desequilíbrio das contas externas e, consequentemente, o agravamento da dívida externa que no final de 2015 já atingiu mais de 182 mil milhões, superando o PIB.

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