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08/03/2016

ACREDITE SE QUISER: Os «amores plurais» são cada vez menos singulares

Amores plurais
A capacidade inventiva do pensamento politicamente correcto na criação do newspeak orwelliano não tem limites. Leio um artigo com um título que é em si mesmo um manifesto («Amores plurais: A escolha da não-monogamia») e fico a saber que «o interesse romântico e/ou sexual por mais de uma pessoa é um dilema que a monogamia ainda não resolveu».

Seria pedir muito à monogamia resolver esse dilema. Aliás, seria inútil porque o dilema está resolvido pela poligamia e, já que estamos em igualdade, pela poliandria. Ou melhor, não se trata de um dilema, mas antes de um trilema: monogamia, poligamia/poliandria ou tudo ao molho e fé em deus a que a jornalista dilemática chama «amores plurais» onde inclui o swing.

Confirma-se assim a justeza do pensamento de um falecido amigo meu que, perante o espectáculo de meio mundo pretender ser diferente do outro meio mundo, disse um dia lapidarmente: «ser singular é cada vez mais plural». Pensamento a que, inspirado nos «amores plurais», acrescento «até que a singularidade deixe de ser singular».

Um dia virá em que teremos os casais monogâmicos não swingers condenados a ser uma minoria perseguida que luta pelos seus direitos. Nomeadamente pelo direito a dar, de vez em quando, discretamente, uma facadinha na monogamia.

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