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04/03/2013

Ressabiados do regime (2) – O caso freudiano de Pacheco Pereira

Não deveria ser necessário recordar que JPP é um dos pensadores do regime tido em boa conta no (Im)pertinências desde a fundação no remoto ano de 2003, ainda antes deste vosso escriba ser contribuinte. Contudo, à cautela, aqui o registo. JPP até tem lugar cativo no «Sempre com um olho neles», pelo menos por enquanto, o que não o isenta do escrutínio, por vezes verrinoso, aqui praticado, e que tem estado incompreensivelmente ausente, apesar do cariz crescentemente freudiano dos seus escritos sobre a governação.

Não está em causa ser este governo mau no género bom, como temos vindo a classificá-lo, várias das políticas estão erradas, muitas medidas tomadas não deveriam sê-lo e outras que deveriam não são tomadas. Não estão igualmente em causa os Relvas e a mediocridade de uma parte da gente que rodeia e apoia o governo – sendo certo que, ainda assim, é capaz de suportar a comparação com a tralha cavaquista que esteve no poder entre 1985 e 1995, a mesma tralha responsável por começar a criar com desvelo o «monstro» e de onde saíram vários protagonistas de crimes de colarinho branco (BPN, entre outros) e até suspeitos de homicídio e outros crimes, como o antecessor de JPP na liderança do grupo parlamentar do PSD. Estão em causa apenas duas coisas:
  • Este governo, apesar de não estar a mostrar-se à altura de superar o estado calamitoso em que os governos socialistas deixaram o país, ao menos não prosseguiu esse caminho;
  • Não está visível, para nós e supõe-se para JPP, pelo menos não resulta das suas posições públicas, nenhuma alternativa melhor capacitada e, ainda que estivesse, são precisas eleições e não basta o seu veredicto, ou o da oposição ou o da rua.
Neste contexto percebe-se mal que JPP perca completamente a sua veia política e analítica, perca o distanciamento e lucidez que conseguiu manter enquanto os governos de José Sócrates prosseguiam políticas suicidas, e se dedique a exercícios fúteis de exegese catártica, como este – apenas um refinamento das dezenas que escreveu nos últimos tempos. É um desperdício de talento e um fortíssimo indicador de ressabiamento.

1 comentário:

Anónimo disse...

É como as manifestações dos comunistas, etc., desde que recebam alguma atenção já se sentem realizados.