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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

06/03/2013

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Não é um pouco esquizofrénico?

Devemos ser quase o único país do mundo que nos momentos de depressão fabrica vídeos para mostrar a outro país o quão importante somos, se auto-classifica com «o bom aluno» e nos momentos de euforia grita «Portugal está na moda» e em todos os momentos se refere aos clubes de futebol estrangeiros como o Inter (já tinha sido o Barcelona e o Real Madrid) de Luís Figo, o Real Madrid de Cristiano Ronaldo (já tinha sido o Manchester United) ou o Real Madrid de Mourinho (já tinha sido o Chelsea).

A acrescentar a tudo isso, temos ainda a obsessiva procura de «portugueses» em lugares de destaque. Escrevo portugueses entre aspas porque alguns deles, em boa verdade, nunca cá puseram o pé. Como, por exemplo, o americano Ernest Moniz, um físico do MIT, nascido de pais açorianos em Fall River no Massachussets, agora nomeado Secretário de Estado da Energia, sem que o Washington Post faça, como é natural, a menor referência à pseudo-portugalidade da criatura, notícia que o Expresso dá sob o pomposo título «Obama nomeia português para o seu Governo» e onde já anuncia uma entrevista.

Imaginemos os mídia de um pequeno país como a Irlanda também contaminados por este vírus. Encheriam páginas de jornais de Dublin com os nomes de descendentes de potato eaters que se encontram em qualquer administração americana desde os Founding Fathers. Se o Expresso se publicasse em Dublin, era bem capaz de após a eleição de Clinton ter um título como «An Irishman in the White House».

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