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21/03/2013

Estado assistencialista falhado (9) - Cultura de pedintes

«Tratar os pobres como coitadinhos, ser complacente com a pobreza, tolerar e encorajar uma cultura de pedintes não pode ter sido aquilo que Deus desejou para a humanidade. A pobreza mata.

Nós próprios, em Portugal, se não tivéssemos feito a figura de pedintes perante a UE - algo perfeitamente compatível com a nossa cultura católica - ao longo dos últimos 25 anos, não estaríamos agora na situação em que nos encontramos. Os pedintes, além de permanecerem pobres, acabam sem independência. Toda a gente sabe disso, não é preciso ir às Escrituras.

Na altura, escrevi artigos para jornais, fiz comentários na rádio e na televisão, contra a aceitação dos subsídios comunitários. Eu não podia compreender como é que um país de homens e mulheres válidos, sem que quaisquer circunstâncias anormais o afectassem, como uma guerra ou uma peste, podia andar naquela pedinchice. Hoje compreendo, é cultural. Que não, que não, diziam-me, era para construir auto-estradas, portos e pontes. Ora, eu acabara de regressar de um país, talvez duzentas vezes maior que Portugal, e onde havia auto-estradas, portos e pontes, mas pagos com o dinheiro dos contribuintes do país. Notei que as pessoas ficavam às vezes a olhar para mim de olhos muito abertos e talvez a pensar: "Por qué no te callas? Então eles querem-nos dar dinheiro e nós vamos dizer que não?". E foi isso que eu acabei por fazer - calar-me. No fim de contas, era esta última pergunta que revelava a mentalidade do pedinte

Pedro Arroja, Cultura de pedintes no Portugal Contemporâneo

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