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20/02/2013

Os militares não jantam, agitam-se

A mesma corporação de militares profissionais que comandou incompetentemente 200 mil camponeses analfabetos, mal equipados e mal treinados, nos campos de batalha da I guerra mundial, onde ficaram mais de 10 mil mortos e milhares foram estropiados.

A mesma corporação que fez o golpe de 28 de Maio de 1926 e colocou no poder uma ditadura retrógrada.

A mesma corporação que comandou com duvidosa competência centenas de milhar de soldados, dos quais lá ficaram mais de 8 mil, durante 13 anos de guerra colonial e os entregou ao comando no terreno de oficiais e sargentos milicianos, enquanto se refrescava no ar condicionado dos postos de comando.

A mesma corporação que fez o golpe de 25 de Abril de 1974 como consequência acidental de um protesto reivindicativo contra a promoção a capitão desses mesmos oficiais milicianos que davam o couro numa 2.ª comissão. A mesma corporação que fugiu como coelhos das colónias e as deixou à mercê de guerras tribais. A mesma corporação que depois do golpe partilhou o poder com forças políticas antidemocráticas.

A mesma corporação que assistiu num ruidoso silêncio ao longo caminho para a insolvência enquanto se batia pelas «promoções por arrastamento». Essa mesma corporação, ou, ao que parece, o topo aposentado dessa corporação, vai jantar na próxima 6.ª feira para «refletir sobre as medidas, como o corte de efetivos e as alterações profundas no dispositivo de defesa, e de que modo a sua concretização não poderá desarticular ou descaracterizar as Forças Armadas». Os militares jantam? Não exactamente. Segundo os representantes de outra corporação, a dos jornalistas de causas, os «militares agitam-se».

Não ignoro que houve no passado e haverá provavelmente militares profissionais que não se identificam com a doutrina oficial da corporação. Porém, até fazerem ouvir as suas vozes discordantes não é possível ter a certeza.