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19/02/2012

Uma Caixa de Pandora (2)

Uma espécie de continuação daqui.

Durante o salazarismo a Caixa desempenhou o papel de uma espécie de tesouraria do Estado Corporativo. Depois do colapso do ancien régime, os adoradores do Estado que se seguiram têm justificado a Caixa Geral de Depósitos com o «interesse estratégico do Estado». Ficámos a saber o que em que consiste este interesse quando assistimos à participação da Caixa no financiamento dos empresários do regime e sobretudo com o assalto ao BCP em que a Caixa participou com dinheiro e até emprestou a equipa de gestão chefiada pelo impagável Santos Teixeira e composta pelo incontornável Vara.

Se dúvidas subsistissem quanto ao «interesse estratégico», ficaríamos esclarecidos ao saber que a Caixa torrou 4,9 mil milhões de euros, o equivalente a 3% do PIB ou 40% da ajuda da troika para recapitalização dos bancos portugueses, para injectar nas suas sucursais de Espanha (2,9 mil milhões) e França (2 mil milhões), operações inviáveis mantidas sabe-se lá para quê. No caso de Espanha, a Caixa poderia ter aproveitado a oferta 150 milhões da Cajastur para ficar com o Banco Caixa Geral evitando assim torrar 2,9 mil milhões. Foi mais uma aplicação do efeito Lockheed TriStar.

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