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15/02/2012

Mitos (64) – a excelência dos nossos emigrantes

Um dos mitos mais cultivados pelas nossas elites graxistas é o da excelência da nossa emigração que, segundo os graxistas, dá cartas nos países de acolhimento. Como muito bem refere o Insurgente, «lá se vai mais um mito» com a publicação dum paper (*) da OCDE, onde se fica a saber que «migrants from Portugal – a high-income OECD country – often face significant difficulties in labour market integration. This is partly attributable to their low education and has also been associated with poorer outcomes for their children».

E não se trata de um problema do passado porque «recent migrants from Portugal are predominantly low-educated and employed in medium and low-skilled occupations. They also face rather high unemployment. In contrast, migrants from Germany and from EEA countries other than Germany, Portugal and Italy are mainly highly-educated and find themselves overrepresented in highly-skilled».

Traduzindo os factos em números, 73% dos nossos emigrantes que representam 9% da emigração total na Suíça são «low-educated». Seria bom os fazedores de opinião local, em vez de dar graxa ao povo promovendo a pieguice nacional, o ajudassem a vencer o atraso confrontando-os com a medíocre realidade e incentivando-o a caminhar no caminho pedregoso da excelência. Ou, dito de outro modo, comportando-se como elites, das quais só adoptam os tiques e os ademanes.

(*) Liebig, T. et al. (2012), “The labour market integration of immigrants and their children in Switzerland”, OECD Social, Employment and Migration Working Papers No. 128, Directorate for Employment, Labour and Social Affairs, OECD Publishing

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