Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

26/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: "A propensão demagógica para criar direitos e favorecer grupos"

«São nefastas as leis e as políticas destinadas a promover direitos de grupos especiais, a conceder privilégios que causem nova injustiça. Os direitos gerais devem ser promovidos de modo igual para todos. Os direitos são dos cidadãos, dos seres humanos, não de minorias ou de grupos, de velhos, de mulheres, de crianças, de doentes, de LGBTQ, de imigrantes, de negros, de ciganos, de transmontanos ou de ilhéus.

A promoção do imigrante, da mulher, do negro, do judeu, do trabalhador, do desempregado, do analfabeto, do recluso e do doente não deve fomentar a criação de novos grupos, mas sim aquilo a que se chama actualmente a inclusão. A inclusão deve aumentar a integração e não a construção de sociedades fragmentadas, em tabuleiros de xadrez ou em guetos.

É racista a lei que crie sistemas e dispositivos especiais para certos grupos com características ditas raciais particulares. É racista a política que crie e defenda privilégios, garantias e direitos especiais para qualquer grupo nacional. São sectárias e desiguais as leis e as políticas destinados a proteger direitos gerais a grupos especiais.

A última fantasia da União Europeia é a da aprovação de uma moção de apoio às pessoas ditas LBGTIQ+ e de condenação da legislação repressiva húngara. Muitos países assinaram. Portugal não assinou, mas disse que estava de acordo. Parece Bill Clinton, que fumou mas não engoliu. A verdade é que este texto, carregado de boas intenções, é mais um passo no mau caminho: o que gradualmente constrói uma nova ortodoxia, um mundo feito de fragmentos, de federações e de comunidades rivais.

A propensão demagógica para criar direitos e favorecer grupos tem levado a criar um Estado repleto de novos confrontos. Não se passa um dia sem que surjam novos direitos para novos beneficiários, aumentando ou insistindo na separação, em vez de integração. Direitos dos trabalhadores, das crianças, dos velhos, dos imigrantes, dos negros, dos ciganos, dos rurais, dos urbanos, dos residentes no interior, dos analfabetos, dos LBGTIQ, dos desempregados, dos estudantes e dos doentes são direitos sectários, desiguais, racistas e discriminatórios. Todos esses direitos e garantias podem simplesmente ser os direitos de todos, dos residentes, dos cidadãos ou simplesmente dos humanos. Caso contrário, transformam-se em privilégios. Que aliás são, entre nós, favorecidos pela Constituição, que consagra mais direitos parcelares e de grupos especiais do que se pode imaginar.»

Excerto de Livres e iguais, António Barreto

Dúvidas (311) - União Europeia, um clube a caminho da irrelevância do qual estamos condenados a ser sócios?

Fonte

Por muito que a nomenclatura bruxelense baptize de soft power a crescente impotência da União Europeia, o certo é que no desconcerto das nações nenhuma potência pode existir sem poder económico, isto é com grandes empresas multinacionais competitivas (gráfico 1), com peso relevante no PIB mundial e nos mercados de capitais (gráfico 2) e com empresas inovadoras (gráfico 3). E, claro, também não pode existir sem relevância no hard power militar.

As coisas são como são e ainda não foi descoberta a maneira de serem diferentes. A esta luz percebe-se melhor o Brexit, sendo claro que o Portexit não está alcance do Portugal dos Pequeninos que está condenado inverter a boutade marxista (do Groucho não do Karl) porque só pode aderir a um clube que o aceite como membro.

25/06/2021

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (7) - Fact checking ao fact check

Este post é o 7.ª da série: (1), (2), (3), (4), (5) e (6) e vem a propósito deste fact check do Observador quer conclui que é errada a frase «Câmara Municipal de Lisboa tem cerca 17 mil funcionários» que uma criatura botou no seu Facebook.

O Observador gasta 5 páginas de prosa rebarbativa para demonstrar que aquela frase é falsa, para o que bastaria um único quadro.
Achei piada porque este fact check é um exemplo de como o fact checking pode ser uma actividade inócua e praticamente inútil. Na verdade, é tão falso que a câmara de Lisboa tenha 17 mil funcionários, como 1,7 ou 170 mil. 

Os factos mais relevantes são:
  • A câmara de Lisboa tem cerca de 10 mil funcionários para cerca de 510 mil residentes, o que é o dobro dos funcionários por mil habitantes de Madrid ou Barcelona e mesmo quase mais um terço do que a câmara do Porto (3.200 funcionários para 215 mil residentes);
  • Entre esses 10 mil encontram-se mais de um milhar de licenciados, incluindo em áreas como Marketing, História, Línguas e Literatura, entre outras; 
  • E encontram-se também mais de uma centena de assessores (ver aqui uma lista de 2017, que entretanto já deve ter engordado).
Factos que nos permitem concluir que o socialismo camarário é um exemplo de sucesso da aplicação da lei de Parkinson à administração autárquica.

24/06/2021

ACREDITE SE QUISER: Plano Nacional de Desacorrentamento de animais de companhia

Três deputados do PAN apresentaram há dias no parlamento um projecto de lei  para regular o acorrentamento e o alojamento em varandas e espaços afins dos animais de companhia, dispondo entre outras medidas:
  • Os animais de companhia não podem ser deixados sozinhos, sem companhia humana ou de outro
  • animal, durante mais de 12 horas
  • Os animais não podem ser alojados em varandas, alpendres e espaços afins, sem prejuízo da sua presença ocasional nesses locais por tempo não superior a três horas diárias
  • O Governo, em colaboração com as autarquias locais, implementará um Plano Nacional de Desacorrentamento de animais de companhia, o qual incluirá a efetivação de soluções adequadas às condições de alojamento destes e, bem assim, apoios financeiros para o efeito em situações de vulnerabilidade social e económica.
Num país que tem dezenas de milhar de idosos abandonados pela família à sua sorte, este é um exemplo de alienação do mundo real de uma casta de urbanitas lunáticos encapsulados numa bolha e alucinados com a bicheza.

23/06/2021

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (55) - Falta de vacinas? Ó Sr. Almirante não será um exagero?

Fontes: TVI 24 e Relatório de Vacinação

Vivemos num estado policial? (20) - Sim, vivemos. E por isso os efectivos policiais, cujo número não sabemos ao certo, precisam de ser reforçados e os polícias precisam de ser respeitados

Outros casos de polícia.

Realizou-se na 2.ª feira em Lisboa uma grandiosa manif patriótica dos polícias em luta «exigindo respeito» e outras coisas mais práticas, como um subsídio de risco, e ainda a demissão do Dr. Cabrita, um objectivo nacional que só não é partilhado pelo Dr. Costa, o Dr. Cabrita e a sua Esposa. Para quem não entenda a justa reivindicação de um subsídio de risco, tenha-se em conta que um polícia é contratado para trabalho amanuense e se o governo quer que ele policie as ruas isso deve ser remunerado à parte.

Vem propósito recordar que, com 451 polícias por 100 mil habitantes, somos um exemplo para a Óropa.

Eurostat

Quando o Dr. Cabrita cumprir, se o deixarem, o seu objectivo de recrutar mais 10 mil chuis aumentando a bófia (Dr. Mamadou) para uns estratosféricos 50 mil, subiremos ao pódio da UE.

Infelizmente, o Eurostat não publica estatísticas sobre os sindicatos de polícias, para podermos confirmar que com 17 sindicatos na última contagem, tendo o último deles 27 polícias todos dirigentes sindicais, estamos na linha de frente também nesta matéria.

22/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: A espécie de democracia em que você vive (sem dar por isso?)

«Imagine o leitor um país. Nesse país, os juízes do Tribunal Constitucional são nomeados pelos partidos, podendo sair directamente desse Tribunal para o Governo. O ministro da Justiça toma posse, enquanto ministro, como juiz do Supremo Tribunal de Justiça, e na qualidade de ministro toma decisões sobre, por exemplo, os salários dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça.

Nesse país, um adjunto do ministro da Justiça pode sair do gabinete do Governo para ir directamente para o seu lugar de procurador e investigar, por exemplo, membros do Governo a que pertenceu por suspeitas de prática de crimes económicos. Outro adjunto pode também ser procurador e juiz e até ter sido condenado por pressionar outros procuradores para forçar o arquivamento de um processo judicial que investigava um primeiro-ministro, que veio a ser acusado de “mercadejar” a sua função, por causa de um projecto imobiliário. Um outro procurador, que trabalhou com este adjunto numa instituição internacional, foi nomeado, depois de uns “lapsos” no currículo, para uma outra entidade internacional pelo ministro da Justiça, que confirmou uma decisão de um Conselho Superior, onde já se tinha sentado o seu Secretário de Estado, depois de aquela entidade internacional ter decidido que havia outro candidato ao lugar que reunia melhores condições para ocupar o cargo. Este procurador nomeado era irmão de um antigo presidente de um instituto público que aprovou o tal projecto imobiliário que acabou investigado por suspeitas de corrupção do tal Primeiro-ministro acusado de “mercadejar” a sua função. E era ainda irmão de um outro procurador que era considerado influenciável pelo actual Primeiro-ministro para evitar a prisão de um membro do partido a que pertence este Primeiro-ministro.

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (54) - O Sr. Almirante é ele e a (infeliz) circunstância

Pela primeira vez em 6 meses a média móvel diária (7 dias) ultrapassou as 100 mil doses. Apesar dos progressos visíveis ainda estamos abaixo da média da UE, quer na 1.ª dose quer na vacinação completa.  

ECDC

Vejamos o ponto de situação dos objectivos para a vacinação:
 É perfeitamente alcançável, basta uma média diária acima de 70 mil doses.  
Só na última semana foi atingida e ultrapassada a média diária de 100 mil pessoas. Nada está garantido, sobretudo nos meses de Julho e Agosto.  
Como se confirma no diagrama do ECDC na terceira semana de Junho o objectivo ainda não está cumprido.
 

47% da população tem pelo menos uma dose. Para atingir os 70% no início de Agosto será necessário administrar 2,3 milhões de primeiras doses a uma média diária de 56 mil o que compara com as 1,8 milhões a uma média diária de 45 mil no período equivalente terminado ontem. Conclusão: é possível mas nada está garantido.

Uma última palavra para um fenómeno típico do Portugal dos Pequeninos ou dos Pedintes, da sua imprensa servil e dos seus jornalistas de causas, que é o ridículo culto da personalidade que os mídia estão a montar para o Sr. Almirante, culto em que ele não parece interessado (tiremos-lhe, pois, o chapéu). É certo que, se compararmos com a obra do apparatchik seu antecessor (média diária inferior a 10 mil), o Sr. Almirante é um génio. Comparado com a task force do Reino Unido com 74,6 milhões de doses administradas (43,1 milhões de 1.ªs doses e 31,5 milhões de 2.ªs doses) para uma população de 68 milhões, o Sr. Almirante pode considerar-se uma pessoa competente e determinada com uma circunstância desfavorável que é ter de arrastar atrás de si um exército pouco disciplinado e pouco motivado. Talvez não possa exigir-se-lhe mais.

21/06/2021

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (41) - Uma potência em Finanças? É quase tão exagerado como a notícia da morte de Mark Twain

Outros portugueses no topo do mundo.

A imprensa de hoje celebra euforicamente as quatro presenças de Mestrados em Finanças de universidades portuguesas no ranking do Financial Times: Nova (14.º), Católica (23.º), ISEG (35.º), ISCTE (51º) em 55.

Não questiono que, em si mesmo, isso é relevante e positivo para um país europeu em vias de subdesenvolvimento. Dito isso, vejamos as coisas mais de perto, porque o diabo costuma estar nos detalhes, segundo um ditado dos alemães que há dois dias deram uma lição de futebol à selecção portuguesa. 

Reparemos para começar que o ranking é o Masters in Finance pre-experience 2021 e que segundo a metodologia do FT:
  • «The pre-experience ranking measures average salary increase between the first post-masters job on graduation and today — a timespan of about three years» 
  • «Local salaries are converted to US dollars using purchasing power parity rates supplied by the International Monetary Fund.»
  • «There are 17 different categories in the pre-experience ranking, and alumni responses inform seven categories that together constitute 58 per cent of the total weight. The other 10 categories are calculated from the school data and account for the remaining 42 per cent»
  • «The current average salary of alumni has the highest weighting: 20 per cent.» 
Só para temperar a euforia vejamos os factores onde as escolas portuguesas pontuaram acima, em certos casos muito acima, do ranking global e que, portanto, o afectaram positivamente:
  • Factores relacionados com o salário, sobretudo «Salary percentage increase» e «career progress» (não esquecer que os salários são corrigidos pela paridade do poder de compra);
  • Factores relacionados com o "género", como «Female faculty %» e «Women on board (%)».
Por isso, titular que Portugal é «uma potência em Finanças» me parece quase tão exagerado como a notícia da morte de Mark Twain, e também porque em matéria de Finanças (Públicas), o Portugal dos Pequeninos é um dos dois maiores desastres da UE, e o outro está a caminhar rapidamente para deixar de o ser. É claro que a coisa se percebe à luz do complexo de inferioridade lusitano sempre à procura de um reconhecimento «lá fora».

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (90) - Em tempo de vírus (LXVII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

«Já posso ir ao banco?»

A pergunta retórica do Dr. Costa a Frau von der Leyen é provavelmente a melhor síntese dos resultados da governação socialista e diz quase tanto sobre o estatuto de pedinte em que essa governação colocou o Portugal dos Pequeninos - a partir de agora talvez melhor apelidado de Portugal dos Pedintes - como diz sobre o estatuto de benfeitor em que, graças aos «frugais», a UE se colocou.

A delação à Rússia como um paradigma da governação socialista

Os episódios da delação continuada pela câmara de Lisboa a várias embaixadas, nomeadamente à da Rússia de Putin, dos dados pessoais dos organizadores de manifestações, são um caso paradigmático da governação do PS com todos os ingredientes habituais: mentira, omissão de factos, manobras evasivas, manipulação dos mídia, irresponsabilidade e, em desespero, sacrifício de bodes expiatórios. Uma das últimas mentiras - a desculpa do Dr. Medina que a informação comunicada às embaixadas era uma prática do passado - caiu com estrondo pela mão de António Galamba, um militante socialista e antigo governador civil de Lisboa.

L’État c’est nous

Como conseguiu o PS colocar 118 apparatchiks nos 145 concursos da CReSAP, uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos? Por exemplo, colocando em regime de substituição esses apparatchiks em 83% dos casos e desses 69% durante mais de um ano.

O regime jurídico do arrendamento forçado de prédios rústicos com uma renda anual fixada pelo Estado que entra em vigor em 1 de Julho, tem tanto de despótico e arbitrário como de inútil. Terá o governo alguma ideia de qual o interesse de um privado arrendar um terreno abandonado precisamente porque o seu proprietário não tem nada para fazer com esse terreno?

O cerco à AML é inconstitucional?

O bastonário da Ordem dos Advogados considerou «claramente inconstitucionais as medidas anunciadas pelo Governo, no que toca à proibição de circulação de cidadãos sem estar em vigor o estado de emergência». O bastonário esqueceu que Constituição postula que a Portugal está «a caminho para uma sociedade socialista» e quem melhor que o Partido Socialista para saber o caminho?

20/06/2021

CASE STUDY: E se a melhoria nos níveis educacionais favorecer o voto nos partidos de esquerda?

Pelo menos foi essa a conclusão do working paper Brahmin Left versus Merchant Right:Changing Political Cleavages in 21 Western Democracies, 1948-2020 de Amory Gethin,Clara Martínez-Toledano e Thomas Piketty (sim, esse de O Capital no século XXI). Note-se que a base de comparação é temporal e não entre países. 

Para quem não tenha tempo ou pachorra para ler um um trabalho extenso de 150 páginas com anexos e imensos dados, abrangendo 21 democracias e mais de 300 eleições desde a II Guerra Mundial, recomendo o sumário no artigo Educated voters’ leftward shift is surprisingly old and international da Economist. O que não recomendo é arrumar o assunto com duas ou três generalidades e meia dúzia de chavões [*] só porque as conclusões não confirmam os pré-conceitos ou as opiniões.

Os três diagramas seguintes da Economist são bastante esclarecedores.
O paper de Piketty faz várias referências específicas a Portugal, uma delas é que não foi ainda observada uma tendência clara para inverter o que chamam «educational divide» em parte, a meu ver, porque a esquerda portuguesa tem tido um peso eleitoral maior do que na generalidade da Europa e as grandes questões que são bandeiras que a esquerda se apropriou e que atraem o eleitorado com maior nível educacional ("identidade de género", ambiente, discriminação racial) só recentemente começaram a ter relevância em Portugal.

[*] ou umas quantas teorias da conspiração

19/06/2021

Em matéria de corrupção, o Portugal dos Pequeninos é como uma espécie de ex-satélite da União Soviética


Se em matéria de gosto pelas liberdades já se tinha visto que o Portugal dos Pequeninos (PdP) poderia ser considerado como uma espécie de ex-satélite da União Soviética, a mesma conclusão temos de retirar da posição do PdP no ranking dos 27 países europeus considerados no estudo CITIZENS’ VIEWS AND EXPERIENCES OF CORRUPTION da Transparência Internacional.


  • Aumento da corrupção nos últimos 12 meses

Com 41% de pessoas que consideram ter aumentado a corrupção, o PdP é 6.º país apenas ultrapassado pelo Chipre e quatro ex-satélites

  • Corrupção do governo

Com 88% de pessoas que consideram ser este um grande problema, o PdP é o 4.º país, apenas ultrapassado pelo Chipre e dois ex-satélites

  • Utilização de relações pessoais para ter acesso aos serviços públicos

Com 48% de pessoas que usaram relações pessoais nos últimos 12 meses, o PdP é o 2.º país apenas ultrapassado pela República Checa

  • Controlo do governo por interesses privados

Com 63% de pessoas que consideram existir esse controlo, o PdP é o 8.º país apenas ultrapassado pelo Chipre e a Espanha e cinco ex-satélites

  • Receio de retaliação por denunciar a corrupção

Com 58% de pessoas que têm esse receio, o PdP é 7.º país apenas ultrapassado pela Itália e cinco ex-satélites.

Qed.

18/06/2021

Ser de esquerda é... (14)

... ser praticante da doutrina Somoza (que, reconheça-se, também se pratica à direita com um pouco mais de recato).

Não sei se por convicção, se por conveniência, não me lembro de nenhum direitista ter, publicamente pelo menos, nos últimos 47 anos feito a limpeza da folha do Estado Novo, e, naturalmente, muito menos feito a sua apologia.

É por isso para mim um mistério a hipersensibilidade ao mero reconhecimento de que nem tudo foram desgraças durante a longa noite fassista, como foi o caso da intervenção de Nuno Palma na convenção do MEL, baseado num estudo de que é co-autor aqui citado que demonstra sem margem para dúvidas que o salazarismo fez mais para combater o analfabetismo do que a baderna da I República. Reconhecimento que, como o próprio explicou repetidamente, não se confunde com a apreciação do Estado Novo, que condenou sem ambiguidades. 

E o mistério é ainda mais denso quando quem se manifesta hipersensível é alguém como o jornalista de causas / militante / comentador / analista, ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, ufa!, Daniel Oliveira, com o dedinho espetado às supostas «teses “revisionistas” do Estado Novo» e à suposta desculpa dos seus «assassinos, torturadores e censores».

É no mínimo difícil de entender vindo de quem pelo seu percurso não mostrou indignação comparável, muito menos proporcional, perante os milhões de «assassinos, torturadores e censores» a que recorreram os regimes de que ele foi ou é admirador.

É mais um caso, vulgar na esquerda, de adopção da doutrina Somoza.

Outros "Ser de esquerda é..."

CASE STUDY: Os pesos mortos que travam a competitividade do Portugal dos Pequeninos

IMD Country Overview

Mais interessante e útil do que celebrar a subida de um lugar de 37.º para 36.º no ranking IMD de competitividade como estão a fazer os mídia, é perceber o que afecta negativamente a competitividade portuguesa, usando precisamente os dados do ranking IMD.

Como se pode verificar no diagrama, os factores mais negativos por ordem decrescente de impacto são:
  • Finanças públicas
  • Fiscalidade
  • Práticas de gestão
Alguém está surpreendido?

17/06/2021

Bons exemplos (138) - O Supremo Tribunal americano como barreira à imposição do pensamento único

 Supreme Court Backs Catholic Agency in Case on Gay Rights and Foster Care

The unanimous ruling was further evidence that claims of religious liberty almost always prevail in the current court.

Decisão unânime, repare-se. O Juiz John Roberts escreveu:

 «it is plain that the city's [of Philadelphia] actions have burdened CSS's [Catholic Social Services] exercise by putting it to the choice of curtailing its mission or approving relationships inconsistent with its beliefs».

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (1) - O costume

Uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).

Tenho evitado escrever sobre o exercício presidencial de S. Ex.ª porque, fazendo-o, terei de ser muito crítico e no estado em que se encontra o Estado ocupado pelo PS, o PR é quase o único pequenino obstáculo no caminho para a sua completa captura pelo Dr. Costa e a sua trupe. Enough is enough e não vou deixar em branco duas intervenções de S. Ex.ª, qual delas a mais lamentável. 

Repara-se nas vacuidades que emitiu sobre a delação dos dados pessoais dos opositores russos a Putin, reduzindo um caso político gravíssimo de violação de direitos desses cidadãos a problemas burocráticos e leis obsoletas:
«Se essa proteção se assegura de forma a implicar uma alteração de comportamentos administrativos, então mudem-se os comportamentos administrativos; se é um problema de lei, porque está desatualizada, então repense-se e altere-se a lei; se é um problema de aplicação concreta da lei, então que não se adotem esses comportamentos» (fonte)
Na querela sobre a continuidade do confinamento onde, contrariado, caiu na cilada do Dr. Costa, respondendo-lhe com «o Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro», confirmando a desautorização e demonstrando fraqueza e incompetência na manobra palaciana, último reduto para quem não consegue ser nem frontal nem firme na luta política.

16/06/2021

PUBLIC SERVICE: "There is no moral obligation to obey the law, simply because it is the law"

«Sometimes the most spirited thing you can do with despotic laws like this is to ignore them. I think that if government persists long enough with locking people down, depending on the severity of the lockdown, civil disobedience is likely to be the result. It will be discrete civil disobedience int the classic English way. I don’t think that we are likely to go onto the streets waving banners. I think we will just calmly decide that we are not going to pay any attention to this. There are some things you have to pay attention to: you can’t go to a shop if it’s closed. On the other hand, you can invite friends round for a drink, whatever Mr. Hancock says. People are doing that so some extent already.  […] 

I feel sad that we have the kind of laws which public-spirited may need to break and I think that is unfortunate. But I have always taken a line on this. Which is probably different from that of most of my former colleagues [at the Supreme Court]. I do not believe that there is a moral obligation to obey the law. There is clearly a legal obligation that is tautologous. An I also think that you cannot complain if you break the law and are punished. But is there a moral obligation to do so as well? In my view there is no moral obligation to obey the law, simply because it is the law. You have to have a high degree of respect. Both for the object that the law is trying to achieve and for the way that I’s being achieved. And also I think for how the law has been made. Some laws invite breach. I think this is one of them. [… ] No, you wouldn’t see me doing that [leading a resistance movement] because I just don’t believe int that kind of political manifestation. What you will see people spontaneously doing is simply quietly ignoring the law. And I think that is in a sense how if one is going to have people ignoring the law, it should happen. I don’t think a great public issue should be made of it. I think that it should simply be understood that nobody respects the law enough to want to comply with it and that is one of the most effective ways of ensuring that the law is changed. [ ... ]

I will conclude that some of the fears that I have always had about the way that mass democracy works have proved to true in concrete detail, and sooner than I have expected. I will have learnt the enormous power of governments to influence opinion by promoting fear in a technical area, which many people could understand by in practice don't. And those are dismaying lesson I would want to learn from them about how we repair thing in the future. And my first proposal is that governments should not treat information as a tool for manipulating public behaviour. They should be calmer than the majority of their citizen, they should be completely objective. My second lesson would be that government dealing with scientific issues should not allow themselves to be influenced by a single caucus of scientists. They should always test what they are being told in a way that, for instance, judges test expert opinion by producing a counter expert, and working out which set of views stacks up best, those would be the two most specific lessons that I would derive from the particular way in chich thing have gone during the epidemic.»

Lord Sumption, Juiz jubilado do Supremo Tribunal britânico entrevistado pela revista digital UnHerd

Lost in translation (353) - "Recato e sensibilidade", disse ele, querendo dizer "vamos mudar de assunto e esquecer o desastre"

O Dr. Pedro Nuno Santos há 10 anos durante o resgate pela troika, tornado necessário pela governação irresponsável do seu partido que deixou o país na bancarrota:

«Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”». (fonte)

O mesmo Dr. Pedro Nuno Santos, numa outra encarnação, ontem em Faro falando da TAP, uma empresa falida nacionalizada por sua iniciativa, que ele gere pelo telefone:

«A situação é crítica e complexa, é demasiado difícil de gerir e era importante que todos nas suas funções tivessem o recato e a sensibilidade para a situação que muitos estão a viver.» (fonte)

15/06/2021

NÓS VISTOS POR ELES: Getting back from Portugal

The Spectator

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (53) - Alguém está à espera de milagres?

Parece haver um tecto da média diária por volta das 85 mil doses, o que a manter-se só seriam atingidos os 100% de vacinados em Novembro de 2021.
ECDC

Já foi anunciado o início da vacinação dos escalões abaixo dos 40 anos, contudo, como se vê no diagrama da ECDC, nem todos os +80 estão vacinados e nos conjunto dos dois escalões seguintes de maior risco apenas metade está completamente vacinada.

Em consequência, não estão atingido os dois seguintes objectivos:

14/06/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (195) - Talvez o silêncio resulte de já não haver gente honrada no PS

A comunicação pela câmara de Lisboa dos dados pessoais de organizadores de várias manifestações de protesto às embaixadas dos países a cujos regimes autocráticos as manifestações eram dirigidas incluíram Venezuela e Rússia e conseguiram ao PS, que ocupa ininterruptamente a câmara de Lisboa há 14 (catorze) anos, uma atenção dos mídia internacionais infrequente, por exemplo: 

E o que fazem o Dr. Medina e o seu padrinho Dr. Costa? Ambos lavam as mãos.

O Dr Medina leva a desvergonha ao limite comparando em entrevista à RTP a manif contra o regime putinesco com a manif de estudantes contra o governo de Cavaco Silva em que participou na adolescência e desencava uma manobra de diversão para estúpidos promovendo uma inauguração do Parque Gonçalo Ribeiro Telles que só estará pronto no próximo ano.

O Dr. Costa faz-se de morto durante vários dias e tenta matar o assunto com um «não vejo como possa haver responsabilidade política de algo que não passa do balcão da Câmara de Lisboa», declaração que seria comparável ao professor Marcelo Caetano, questionado sobre as informações sobre cidadãos portugueses arquivadas na Rua António Maria Cardoso, responder «não vejo como possa haver responsabilidade política de algo que não passa dos arquivos da DGS».

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (89) - Em tempo de vírus (LXVI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O Dr. Costa e os seus amigos revelam uma secreta admiração pelo Czar Putin

Que outra coisa poderia explicar a delação dos esbirros do Dr. Medina, o putativo sucessor dilecto do Chefe, à embaixada em Lisboa do Czar de Todas as Rússias dos nomes dos súbditos deste que organizaram uma manif de protesto contra a receita que o Czar aplica à oposição e tudo isto com o conhecimento e cumplicidade do amigo Dr. Cabrita e do braço direito Dr. Santos Silva? É como que uma homenagem ao Czar que não precisa da Carta de Direitos Fundamentais na Era Digital para calar a oposição.

Reconheça-se que o Dr. Costa é nesse desiderato ajudado pela inexistência de opinião publica, pelo coro amigo da opinião publicada, pela manada obediente do eleitorado e, até, pela própria oposição. Em boa verdade, a oposição que o Dr. Costa tem mais dificuldade de calar é a oposição interna, como agora mesmo se viu no episódio da delação em que, em contraponto aos apparatchiks que saíram a terreiro defendendo o Dr. Medina, a ministra Dr.ª Leitão veio sugerir que à câmara poderiam ser aplicadas coimas de 80 milhões.

L’État c’est nous

O Dr. Pedro Nuno, presumivelmente num gesto de apaziguamento com o Dr. Costa através do amigo Dr. Cabrita, vai nomear presidente da Autoridade ("independente") da Mobilidade e Transporte, a esposa deste último, Dr.ª Ana Paula Vitorino, ela própria antiga ministra de um governo de que o seu esposo fazia parte.

Pelo seu lado o Dr. Costa nomeia o Dr. Adão e Silva, militante socialista na clandestinidade (demitiu-se para ser comentador "independente") comissário-ministro da Propaganda para as comemorações em 2024 do 50.º ano do 25 de Abril, as quais se prolongarão por cinco anos e meio durante os quais, naturalmente, será exaltada a obra do consórcio socialista que inclui como subempreiteiros o Partido Comunista e o esquerdismo infantil do PREC, agora reunido sob a bandeira do berloquismo.

Take Another Plan. A gestão do Dr. Pedro Nuno

O Dr. Pedro Nuno admitiu que a defesa dos postos de trabalho da TAP passaria pelo despedimento colectivo, uma medida naturalíssima em qualquer empresário mas inesperada, digamos, numa criatura que ameaçava os banqueiros alemães de lhe pôr as perninhas a tremer.

Esse despedimento colectivo faz parte de um plano de restruturação que precisou de seis meses para ser preparado e um ano depois jaz há seis meses em Bruxelas à espera da aprovação.

O que Dr. Pedro Nuno chama ofensas ao Estado português não são ofensas e não são ao Estado português

O Dr. Pedro Nuno a quem o CEO da Ryanair Michael O'Leary deu uns açoites no rabito, veio depois da reunião fazer aquele número do "agarrem-me que eu vou-me a ele" e explicou que não gosta de «deixar ofensas ao Estado português sem resposta», chamando ofensas aos factos e às opiniões neles suportadas de O'Leary e confundindo o Estado português com a sua enfatuada pessoa.

13/06/2021

Em matéria de gosto pelas liberdades, o Portugal dos Pequeninos é como uma espécie de ex-satélite da União Soviética

Esclarecendo a dúvida anterior

Expresso

Repare-se como 14 anos de socialismo em 21 anos foram suficientes para reduzir os refractários à autocracia de 50% para 37% e, principalmente, registe-se como a aceitação da autocracia nos coloca próximos de satélites da União Soviética para onde a jangada de pedra poderia sem grande problema ter sido rebocada. Encontra-se assim outra explicação para o Portugal dos Pequeninos ser o único país europeu com um partido comunista que venera o estalinismo e participa das soluções de governação.

Qed.

Wolfgang Shäuble, a Schwarzes Biest fiscal da esquerdalhada, envia um recado ao Dr. Costa pelo FT

«We must therefore return to monetary and fiscal normality. The burden of public debt must be reduced. Otherwise, there is a danger that the Covid-19 pandemic will be followed by a “debt pandemic”, with dire economic consequences for Europe. With their ageing populations, EU countries will struggle to match the US and China in productivity and competitiveness if they allow excessive debt to jeopardise their financial flexibility. Thus, all eurozone members must engage in efforts to return to stricter budgetary discipline.

Experience shows that balanced budgets in countries with high levels of debt are almost unattainable without external pressure. Left to their own devices, members of a confederation of states are likely to succumb to the temptation of incurring debt at the expense of the community.»

12/06/2021

Lisboa e Moscovo, cidades geminadas

Mitos (312) - Os veículos eléctricos não têm impacto ambiental

É claro que os veículos eléctricos têm impacto ambiental, desde logo porque a fabricação de baterias é um processo com elevado impacto e a produção de uma parte importante da electricidade que usam tem igualmente impacto ambiental, em certos casos muito significativo, no caso da Alemanha que fechou as suas centrais nucleares e passou a usar mais intensamente as centrais a carvão.

Contudo, o impacto ambiental menos óbvio é o do fim da vida dos veículos eléctricos. Diferentemente dos veículos com motores de explosão, dos quais se consegue reciclar até 95%, em parte porque são compostos por 70% de metais ferrosos para os quais existem processos maduros de reciclagem, os veículos eléctricos contêm uma muito maior variedade de materiais e muitos componentes eléctricos difíceis de reciclar, como as baterias de íon-lítio que são inflamáveis.

Economist

Até que estejam operacionais processos economicamente viáveis de reciclagem em unidades capazes de dar conta do volume crescente de veículos eléctricos em fim de vida, muita água irá correr sob as pontes. Isso, porém, não é obstáculo à fé inabalável do ambientalismo utópico.

11/06/2021

Dúvidas (310) - 37%? Tantos?

Observador

Qual é a surpresa? Repare-se a conformidade da maioria com o diktat socialista, note-se que o Portugal dos Pequeninos é o único país europeu com um partido comunista que venera o estalinismo e participa das soluções de governação, lembre-se que é igualmente o único país europeu com uma maioria constituída por partidos de esquerda não democratas ou de democracia duvidosa. Nada de novo, há cinco décadas António Alçada Baptista já o tinha percebido:
«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.»

A doação de vacinas da administração americana vista à luz de teorias da conspiração

WSJ

A doação vista por
  • Um comunista - é uma oportunidade para a multinacional Pfizer ganhar fortunas à custa da classe operária americana
  • Um esquerdista - aprovo, o velhote foi influenciado pela vice Kamala que combinou tudo com a Ocasio-Cortez
  • Um trumpista - é uma kabala do pântano de Washington para disfarçar que o Donald ganhou as eleições
  • Um anti-vax - as vacinas vão causar autismo nas crianças e impotência nos adultos.

10/06/2021

O resultado de décadas de facilitismo escolar

José Neves, líder da Farfetch, uma das pouquíssimas start up portuguesas de sucesso, confessou em entrevista ao jornal Eco ter dificuldade em recrutar gente competente nas áreas das tecnologias de informação, em contracorrente ao discurso oficial que glorifica a excelência das escolas do Portugal dos Pequeninos e dos profissionais nelas formados. 

São as pesadas consequências indesejadas de um ensino pouco exigente e facilitista, agravada nos últimos anos pelas cedências do governo socialista ao esquerdismo para pagar as facturas da geringonça, transformando as escolas em centros de propaganda LGBT e identidade de género.

Libertemos os animais domésticos do jugo dos seus donos e condenemos o PAN que preconiza a sua castração

«Agora se queremos discutir o respeito pela natureza intrínseca dos animais, tenham paciência, é muito mais lógico defender a proibição de detenção de animais domésticos com excepções bem definidas, que proibir touradas: a falta de respeito pela natureza intrínseca dos animais é incomparavelmente maior na generalidade dos cães e gatos urbanos que em todo o ciclo de vida associado às touradas.»

Só posso concordar com Henrique Pereira dos Santos, invectivando os cruéis dirigentes do PAN e sugerindo que autoapliquem a solução que preconizam para a bicheza.

09/06/2021

Agarrados à saia da mãe (ou às calças do pai)

Quanto se olha com atenção este e este quadros publicados pelo Eurostat com dados da UE sobre a idade média dos jovens quando abandonam o aconchego do lar materno e a percentagem de jovens adultos que vivem com os pais, é visível uma correlação negativa significativa entre esses dados e o nível de desenvolvimento económico medido pelo PIB per capita PPC.

Vejamos o caso de Portugal: com 30,0 anos, mais 3,5 anos do que a média UE27, é o quinto país na idade média de saída de casa dos pais e com 81,2%, mais 11,4 pp do que a média UE27, é o sexto país na percentagem de jovens com 18-34 anos que permanecem em casa.

Não certamente por acaso, os outros países com valores mais elevados do que Portugal num ou nos dois indicadores são Croácia, Itália, Grécia, Eslováquia, Espanha, Malta, a maioria da Europa do Sul, com PIB per capita PPC abaixo da média UE27 e quase todos com uma cultura de tendência colectivista e o respectivo cortejo de consequências: compadrio, nepotismo, corrupção. 

É claro que colocar as coisas assim é simplificar, sobretudo no caso de Itália que, apesar do declínio duas últimas décadas, ainda apresenta um PIB per capita de 96% da média UE27. Mas a Itália são duas Itálias, a do Norte e a do Sul que está próxima do pelotão português.

Talvez possamos concluir que aqueles dois indicadores são apenas proxies do colectivismo que cultiva a dependência do grupo e do Estado, por oposição ao individualismo característico das sociedades liberais que proporcionam ambientes mais favoráveis à iniciativa, ao empreendedorismo e, em consequência, ao desenvolvimento económico e social.

08/06/2021

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (52) - Não é impossível cumprir os objectivos, mas nada está garantido

O governo definiu vários objectivos para a vacinação, nomeadamente os seguintes: 

Primeiro objectivo - é atingível desde que se mantenha uma média diária na ordem dos 74 mil, o que tem acontecido desde o dia 7 de Maio.
Segundo objectivo - nunca foi atingido de uma forma sustentada, sendo certo que por razões puramente ideológicas o governo não recorreu à rede nacional de farmácias com medo de tornar visível a incapacidade de resposta do SNS.

Terceiro objectivo - não foi atingido, nem mesmo para os maiores de 80 anos como se confirma no quadro seguinte.
ECDC

Quarto objectivo - em cinco meses e meio só 40% receberam pelo menos uma dose e para atingir este objectivo seria preciso administrar em menos de dois meses, que incluem períodos de férias, 3 milhões de primeiras doses, mais do que os 2,7 milhões administrados nos últimos dois meses.

07/06/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (88) - Em tempo de vírus (LXV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O PS oferece aos portugueses o pior dos dois mundos: pobreza e falta de liberdade

Nos últimos 26 anos, dos quais 19 sob governos socialistas, Portugal está a ser ultrapassado, ano após ano, pelos países da Europa de Leste que viveram 40 anos sob a bota soviética e estão a crescer mais depressa. Além de nos oferecer a pobreza relativa, o PS está a oferecer-nos a falta de liberdade, certificada recentemente pelo Democracy Report 2021 do V-Dem Institute que despromoveu a democracia portuguesa de “democracia liberal” para “democracia eleitoral limitada”.

Os contribuintes não pagarão nada e o nada já vai em 6 mil milhões (por agora)

Quando da venda dos restos do BES ao fundo Lone Star, o Dr. Costa garantiu que isso seria sem custos para os contribuintes, como os auto-estradas do Dr. Guterres, lembram-se? Agora, nas páginas autorizadas do semanário de reverência escreve-se que «o Novo Banco já recebeu quase 8 mil milhões de euros do Fundo de Resolução. Cerca de 6 mil milhões deste montante foram emprestados pelos contribuintes».

O estado do Estado sucial administrado pelos socialistas

Enquanto enche a boca e as páginas dos jornais amigos com a sua paixão pela Cóltura, o Dr. Costa e a sua ministra para a dita deixam o Museu Nacional de Arte Antiga fechar salas por falta de vigilantes e o Museu dos Coches definhar por falta de manutenção.

Não é só a Marinha que tem as fragatas inoperacionais, também a Força Aérea manda dizer que só um terço dos helicópteros de salvamento está operacional e dos C-130 apenas dois em cinco.

Take Another Plan. A obra do Dr. Pedro Nuno

Depois de serem conhecidos os prejuízos de 1.418 milhões em 2020, ficaram a conhecer-se os 365 milhões de prejuízos no 1.º trimestre deste ano. Também se ficou a saber que depois de aplicadas políticas socialistas de defesa do emprego dos 14 mil empregados da TAP restarão 8.100, segundo o Dr. Frasquilho, factótum do Dr. Pedro Nuno. Resto que ainda assim será demasiado quando se comparam os 17 milhões de passageiros da TAP antes da pandemia com os 149 milhões da Ryanair com 17 mil empregados.

Estava escrito que depois de tanta asneira para apaziguar os lóbis da igualdade de género tinha de ser escolhida para CEO uma mulher. Não ajuda muito saber que o último posto da escolhida Christine Ourmières-Widener foi CEO do Flybe Group, um operador regional ainda mais pequeno do que a TAP, entretanto falido - reconheça-se uma experiência relevante no caso da TAP.

06/06/2021

CASE STUDY: Sob o socialismo, na melhor hipótese as empresas são vendidas ao estrangeiro, na pior são transformadas em zombies

Jornal Económico

Tudo começou há 15 anos com a dupla Animal Feroz-Dono Disto Tudo a sabotar a OPA da Sonae à PT, a um preço 20% superior à última cotação da PT na Euronext antes do anúncio.

Desde então a PT transformou-se na rameira do regime, vendeu a sua extremamente lucrativa subsidiária brasileira Vivo à Telefónica, foi desnatada com distribuição das mais-valias pelo GES do DDT e com as sobras comprou através dos amigos de Lula a Oi, uma operadora falida. A partir daí foi sempre em queda até à compra da PT pela Altice que agora a tenta vender para reduzir o seu endividamento.

05/06/2021

Dúvidas (309) - Estarão os portugueses a ser vítimas da Síndrome de Estocolmo?

Aximage - Correio da Manhã

A síndrome de Estocolmo (Nils Bejerot) é um fenómeno psicológico em que as vítimas expressam simpatia, empatia e outros sentimentos positivos pelo seu raptor. A pergunta se os portugueses estarão a ser vítimas dessa síndrome é, portanto, uma pergunta retórica.

O exemplo do Anthochaera phrygia sugere que a proibição do piropo pelo politicamente correcto pode levar à extinção dos seus praticantes

Cantas mas não me encantas

O Regent honeyeater (Anthochaera phrygia) é um passeriforme do sudeste da Austrália ameaçado de extinção. Só restam 400 indivíduos numa área de equivalente a 3 Portugais dos Pequeninos, o que torna difícil os acasalamentos, dificuldade agravada pelo facto dos acasalamentos dependerem do macho seduzir a fêmea pelo canto e há cada vez menos machos a saberem cantar por falta de oportunidade dos machos jovens aprenderem com os mais velhos. 

Ross Crates e Robert Heinsohn, da Australian National University, que têm estudado esta passarada (Loss of vocal culture and fitness costs in a critically endangered songbird), concluíram que os machos jovens não sabem cantar ou adoptam cantos de outras espécies e assim não se tornam atractivos para as fêmeas que perdem o interesse de acasalar, agravando ainda mais os riscos de extinção.

Ora o piropo desempenha, ou desempenhava, no homo sapiens uma função semelhante à do canto do Anthochaera phrygia no acasalamento entre humanos (*). Não se admirem por isso que com a adopção pelos berloquistas dos códigos de linguagem inclusiva do politicamente correcto e em particular do cancelamento do piropo, esses indivíduos percam a capacidade de se reproduzir, o que pelo mecanismo da selecção natural pode levar à extinção dessa subespécie, o que num certo sentido até é positivo na condição do resto da humanidade não aderir a esses códigos.

(*) Entre os muitos exemplos, um dos meus piropos preferidos foi-me contado há muitos anos por uma amiga, por sinal muito bonita, que vestida de verde-alface ouviu de um magala com quem se cruzou «gostava muito de ser um coelhinho para petiscar essa alface». Naturalmente que isto hoje não seria possível ou, se fosse, determinaria a condenação por um tribunal militar do magala por violação da directiva de linguagem inclusiva.

04/06/2021

Fact checking a um dia de tretas do Dr. Costa

Na ridícula cerimónia de inauguração (ver a foto que ilustra a notícia do Avante da Sonae) do primeiro cabo de fibra óptica de alta velocidade entre Portugal e o Brasil, o Dr. Costa referiu-se ao Sines 4.0 como «o maior data center do Sul da Europa» e ao porto de Sines como «um dos maiores portos da União Europeia».

O Sines 4.0 será sem dúvida o maior data center do Sul da Europa se considerarmos que a Covilhã, onde se situa o data center da Altice considerado maior da Europa, se situa no Norte da Europa.

O porto de Sines poderá ser um dos maiores portos da União Europeia se os dados publicados sobre cargas movimentadas boicotarem o Portugal dos Pequenos (Top 15 container ports in Europe, Europe's Busiest Cargo Ports).

Dúvidas (308) - Serão os mesmos portugueses?

03/06/2021

ACREDITE SE QUISER: Outros governos reduzem a letalidade por Covid. O Dr. Costa ressuscita mortos por Covid - 20 num só dia

As raças e os tempos de espera nos serviços básicos nos EUA

Segundo um estudo de Stephen Holt, da Universidade de Albany, citado pela Economist, a raça e o rendimento são factores que influenciam o tempo que em média os americanos gastam para usar os serviços básicos como creches, saúde e mercearias e «sugere que os americanos brancos ricos conseguem o que querem rapidamente». E estranhamente sugere também que «entre os negros americanos, aqueles que ganham pelo menos US $ 150.000 na verdade passam mais tempo "arrefecendo os pés" do que aqueles que ganham US $ 20.000 ou menos. Isso pode ser porque apesar destes últimos viverem em bairros de maioria negra mal providos de serviços básicos, usam serviços como lojas e salões de beleza com mais frequência.» 

Se a realidade não fosse mais complicada do que os esquemas simplistas do áctivismo, poderia então concluir-se que não podendo ser branco rico é melhor ser negro pobre do que negro rico.

02/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: O serviço público da TAP e o serviço privado da Ryanair

TAP 14 mil empregados, 17 milhões de passageiros
Ryanair 17 mil empregados, 149 milhões de passageiros
[antes da pandemia]

No Novo Império do Meio o Imperador determina os nascimentos e as mortes

Durante uma geração inteira o Politburo proibiu os chineses de ter mais do que um filho, Dada a preferência dos chineses por terem filhos em vez de filhas, isso teve como consequência, além da redução drástica do número de nascimentos, uma alteração da relação entre nascimentos dos dois sexos com aumento do número de machos.

Em 2016 o Politburo permitiu um segundo filho. Ainda assim, a população chinesa com uma taxa de fertilidade de 1,3 estava ameaçada a prazo de redução, como se confirmou no último censo agora divulgado que mostrou uma queda de 20% dos nascimentos de 2019 para 2020. Face à redução do número de súbditos, o Imperador determinou agora que é autorizado ter três filhos.

No Novo Império do Meio, o Imperador determina quantos nascem e até quantos morrem. Como se concluiu num estudo publicado no British Medical Journal por investigadores chineses, considerando o excesso de mortalidade em Wuhan, segundo a Economist isso indicia um subregisto da mortalidade por Covid, ou seja mais um exemplo da habitual manipulação de estatísticas pelo governo/PC chinês.

01/06/2021

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (51) - Já agora, como compara o Sr. Almirante

Não compara mal, sobretudo com os mais retardados, mas é-se sempre bom comparado com os piores. A comparação que faz mais sentido é, porém, o resultado com o planeado:
Fonte

Vacinar jovens sem risco quando 10% dos idosos mais expostos ainda não têm a segunda dose?

Não há a certeza se Passos Coelho seria a melhor escolha para liderar uma alternativa vencedora à geringonça. Quem não tem dúvida são os geringonços

Entendamo-nos: Passos Coelho foi incomparavelmente melhor líder do PSD do que o Dr. Rio e muito melhor primeiro-ministro do que o Dr. Costa está a ser. Porém, para sermos honestos, temos que conceder que essa comparação vale pouco.

Como primeiro-ministro, Passos Coelho governou em condições penosas e num período muito difícil, tendo a bordo uma criatura inconfiável como o Dr. Portas, o da demissão irrevogável e do "argumentário". Não fez grandes asneiras, não sabemos se porque a troika não deixou ou de motu proprio. Fica para a pequena história a ridícula argolada de ter garantido que estava a ir além da troika, um disparate sem nome, porque não estava e ficou exposto à multidão dos idiotas açulados pela esquerdalhada que entendiam que uma troika só poderia querer a desgraça do Portugal dos Pequeninos - na verdade, estava a tentar salvar-nos de nós próprios, ou pelo menos das elites merdosas que nos governavam.

Por tudo isto, sendo uma escolha a considerar para uma sucessão higiénica do Dr. Costa, não está demonstrado que seja a melhor escolha possível. Quem não dúvidas que seja são os geringonços que espumam ódio só ao ouvir o nome da criatura e apostam contra ele todas as fichas. Se confiasse no discernimento da esquerdalhada concluiria que Passos Coelho é o melhor líder de uma alternativa vencedora à geringonça, mas não confio e não acredito que os inimigos dos nossos inimigos sejam necessariamente os nossos melhores amigos.