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31/08/2025

ARTIGO DEFUNTO: A distribuição de dividendos do BCP vista pelo Avante! da Sonae


A peça acima é do Público, um jornal sustentado pela família Azevedo, eventualmente porque é o preço que paga à esquerdalhada (em particular os comunistas e, por isso, também é conhecido por Avante! da Sonae) para não os chatearem demasiado. Aparentemente parece uma coisa factual e inócua mas é tudo menos objectivo e está cheio de mensagens subliminares.  

Em primeiro lugar, o título tem implícito que os accionistas não têm direito à proporção do lucro da empresa de que são proprietários e que, em consequência, se estão a apropriar ilegitimamente de dois terços. Em segundo lugar, tem igualmente subentendido que se a Fosun e a Sonangol «são as principais beneficiadas» por terem usurpado 40% dos lucros, apesar de terem 40% do capital do BCP, que lhes dá o direito a disporem de 40% do dividendo distribuído a todos os accionistas. Em terceiro lugar, que os outros 120 mil pequenos accionistas deveriam ter uma proporção maior dos dividendos do que a correspondente à sua participação no capital, como se não fosse inevitável que um accionista que tem 10% do capital tenha um dividendo 10 vezes maior do que outro que só dispõe de 1% do capital. Em quarto lugar, insinua que os accionistas «chamuscados pela guerra de poder de 2007» o foram por algum desígnio oculto e não por simplesmente serem então accionistas. 

Curiosamente, mas não surpreendentemente, a peça não faz qualquer alusão ao desígnio oculto, ou seja, à génese da guerra de poder de que resultou a venda de participações à Fosun e à Sonangol depois de lá terem sido torrado 8,3 mil milhões  (5,3 em aumentos de capital e  3,0 mil milhões em "ajudas") de dinheiro dos contribuintes (*).

______________

(*) Ver mais de uma centena de posts que se publicaram sobre o assalto ao Millenium bcp e, em particular o resumo «sequelas do assalto ao Millenium bcp.

12/05/2022

Pro memoria (421) - Berardo quer contribuir para a educação dos banqueiros e dos políticos do regime que o alimentou

Flash back (há 13 anos):

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do BCP. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Ver também os posts da etiqueta Porque ri Berardo?

Fast forward (13 anos depois):

«Joe Berardo diz que todo o processo das dívidas à banca lhe provocou elevados danos morais, inclusivamente uma profunda depressão, e reclama uma indemnização de pelo menos 100 milhões de euros, com a qual pretende, em parte, financiar bolsas de estudo a gestores bancários e cursos de ciência política aos deputados.

Na ação que colocou contra Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Novobanco e BES, o comendador diz-se vítima de quem o quer rotular de “Responsável Disto Tudo”, de quem o acusa de ser o causador de “todos os males da banca” que teve de ser socorrida pelos contribuintes, numa estratégia concertada para mascarar as falhas das próprias instituições financeiras, do Banco de Portugal e do Governo.»

12/06/2019

Pro memoria (391) - Filipe Pinhal, o primeiro que não teve um apagão de memória

«Filipe Pinhal, que foi afastado do BCP na luta de poder dentro da instituição financeira, diz que as mudanças na administração do banco privado só aconteceram porque tiveram o apoio do “triunvirato” José Sócrates, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio.» (Negócios)

Finalmente, alguém não teve um apagão de memória a respeito do assalto do BCP, tema que inspirou resmas de post aqui no (Im)pertinências, como por exemplo o seguinte de há 10 anos:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

21/05/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Distraído, mentiroso ou medroso? (3)

Uma continuação por outras palavras daqui

Secção Musgo Viscoso

Tentando lavar a sua roupa interior ainda com vestígios da sua obra e da que foi cúmplice enquanto ajudante de Sócrates para as Finanças, obra que começou pela nomeação de Vara para a administração da Caixa, recusada pelo seu antecessor Campos e Cunha, demitido por essa razão por Sócrates, e continuou com o assistir impávido ao assalto ao BCP (*), Teixeira dos Santos aproveitou o Fórum Desafios e Oportunidades para dizer que «não nos podemos esquecer do que há 20 anos se tornou quase um paradigma, pelo menos entre as elites bem pensantes económicas, que achavam que precisávamos de ter centros de decisão nacional» o que, segundo ele, explicaria o expediente «de os bancos arranjarem empresários portugueses que personificassem estes tais centros de decisão nacional e de os financiarem para que pudessem existir.»

Com esta narrativa para estúpidos, digna do seu chefe Sócrates, uma vez mais Teixeira dos Santos merece cinco urracas pela falta de tomates, cinco bourbons por continuar igual a si próprio, cinco pilatos por ter passado o tempo a lavar as mãos das responsabilidades, e cinco ignóbeis por desta vez já ter percebida que não é distraído, é mentiroso e medroso.

Em alternativa ao estilo Berardo que se ri, com toda a razão e a maior desfaçatez, nas trombas dos deputados tendes o estilo songamonga do cúmplice de Sócrates na bancarrota do Estado Sucial que insulta a vossa inteligência. Pela minha parte, se me obrigarem a escolher, prefiro o Berardo.

(*) Para recordar o caso BCP releiam-se as seguintes séries de posts: «A parte submersa do iceberg Millenium bcp»; «Cronologia de um golpe»; «La strategia del ragno»; «Móbil do assalto ao BCP»; «Sequelas do assalto ao Millenium bcp».

14/05/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (85) - Até para comentador televisivo é demasiado

Outras preces

«Na altura comentador político televisivo, Marcelo Rebelo de Sousa elegeu Joe Berardo a figura do ano 2007 na economia portuguesa, pelo papel que tinha tido na definição do futuro do BCP.»

É claro que nos finais de 2007 não se sabia tudo o que se sabe hoje. Mas já se sabia imenso, desde que se quisesse saber, o que já se sabia e confirma-se agora não era então o caso do comentador televisivo, nem é hoje o caso do presidente. Ora releia-se o que por essa altura se escreveu no (Im)pertinências sobre a figura do ano de 2007:

09/04/2006 DUAS ESTÓRIAS, DUAS MORAIS E UM APELO: é a Cóltura, estúpidos (again)
O senhor Joe Berardo fez um acordo com o governo que o Impertinências ainda não teve ocasião de perceber, mas que à primeira vista parece consistir em usar o dinheiro dos «sujeitos passivos» para dar ao senhor Joe um local para ele arrumar as suas tralhas durante dez anos e, de caminho, lhe comprar mais uns milhões de euros de óbjectos cólturais para a sua colecção.

06/01/2007 ARTIGO DEFUNTO: o megafone é a alma do negócio
Conheceis algum outro país onde um empresário que impingiu ao governo a ideia de lhe financiar um salão de exposições para as suas tralhas artísticas e tem esperança de lhas vender dentro de 10 anos, proponha negócios a esse mesmo governo através dum jornal? Eu não.
(Teoria da conspiração: o senhor comendador está a pagar ao governo a renda do armazém onde guarda as tralhas)

08/03/2007 CASE STUDY: uma OPA é uma opa (2)
A Sonaecom procedeu à alienação de 11.291.657 acções da Portugal Telecom (cerca de 1%) a um preço médio de 9,62 euros. Realizou uma bela mais-valia, todavia insuficiente para pagar os 40 milhões que lhe custou a OPA. O mercado deveria pagar-lhe o diferencial entre o custo da OPA e a mais-valia que realizou para retribuir o valor que foi acrescentado à PT pela iniciativa da Sonaecom e pelos efeitos positivos para o mercado resultantes da separação das redes, do spin off da PT Multimédia e last but not least pela nomeação do doutor Granadeiro em substituição do Visconde Barão Doutor Horta e Costa, a Enfatuada Vacuidade do double windsor e do roupão de seda com brasão.
Se a PT vale mais de que os 10,50 oferecidos pela Sonaecom, porque está a ser negociada a cotação muito abaixo da OPA (9,69 hoje)? O que sabe o senhor Joe Berardo, o doutor Ricardo Salgado e as outras luminárias que o mercado não sabe?

30/04/2007 SERVIÇO PÚBLICO: cada um tem o que merece?
Depois dos governos anteriores terem gasto, entre 1996 e 2005, 1,5 milhões de euros para albergar peças do Berardo em Sintra, o governo socialista do engenheiro Sócrates cedeu-lhe o ano passado o centro de exposições do CCB por 10 anos, prometeu pagar meio milhão de euros em cada um desses 10 anos, para ajudar à festa da fundação, e obrigou-se a comprar a colecção no final, se o Sr. Berardo lha quiser vender.
Para não se pensar que só o governo português faz mecenato com o dinheiro dos sujeitos passivos, recorda-se que, se nós temos o Berardo, os espanhóis tiveram o Thyssen, Heinrich e têm a sua 5.ª consorte Tita, antiga miss Espanha. Em 1989, o governo de Felipe Gonzalez (sempre o polvo socialista), pagou as pesetas equivalentes a 350 milhões de dólares por metade da colecção Thyssen que albergou nesta esplêndida galeria.
Se dizem da colecção Thyssen que tem obras menores de artistas maiores e obras maiores de artistas menores, que haveremos de dizer da colecção Berardo?

04/01/2008 ESTADO DE SÍTIO: do conúbio do estado napolónico-estalinista com o empresariado de olho vivo e pé ligeiro
A manobra orquestral no escuro à volta do controlo do Millenium bcp, convenientemente justificada pelo «interesse nacional», é o exemplo do perfeito casamento de conveniência entre o omnipresente estado napolónico-estalinista, momentaneamente encabeçado por dois dos seus mais fervorosos adeptos e permanentemente ocupado pela coligação de interesses pudicamente chamada Bloco Central, e um empresariado preguiçoso, pouco empreendedor e subserviente, mas de olho vivo e pé ligeiro. Tudo o que até agora se sabia já era suficientemente grave. Ficou mais grave com o que hoje se ficou a saber: accionistas do Millenium bcp, incluindo o inefável comendador Berardo, reforçaram as suas participações com dinheiro emprestado pela Caixa, que além de emprestar o dinheiro e de ser um dos accionistas mais importantes do banco, emprestou igualmente o seu ex-presidente e um dos seus administradores, por feliz coincidência amigo do peito do primeiro-ministro (ver notícia do Público).

23/01/2019

Dúvidas (253) - Como é que foi possível? pergunta ele

Pergunta-nos Pedro Santos Guerreiro, o director do semanário de reverência, no email Expresso Curto:

«Como é que um relatório de auditoria sobre 15 anos de gestão na Caixa Geral de Depósitos revela agora o que 15 relatórios de auditorias anuais não revelaram?

Como é que tantas notícias publicadas naqueles anos sobre os casos agora confirmados não conseguiram que alguém entrasse por ali adentro para verificar o desmando?

Como é que apesar dessas notícias foi possível que os dois administradores mais importantes da Caixa, ambos ligados ao PS de Sócrates que então governava, saltassem para o BCP, liderando assim os dois maiores bancos portugueses?»

Assim de repente, ocorre-me responder que talvez tenha sido porque, devido a razões que me escapam, a audiência do (Im)pertinências ainda é menor do que a do Diário de Noticias e limita-se a umas poucas milhares de almas que essas, sim, leram pelo menos alguns das muitas dezenas de posts que aqui publicámos a esse respeito, entre os quais os seguintes, na primeira década de vida do (Im)pertinências:

27/09/2004 SERVIÇO PÚBLICO: O clientelismo como política de clientes.
02/08/2005 ESTÓRIA E MORAL: uma primeira impressão com segundas intenções
03/08/2005 SERVIÇO PÚBLICO: a ventoinha do PS começa a trabalhar (ACTUALIZADO)
12/08/2005 TRIVIALIDADES: salto à vara
04/01/2008 ESTADO DE SÍTIO: do conúbio do estado napolónico-estalinista com o empresariado de olho vivo e pé ligeiro
09/01/2008 A parte submersa do iceberg Millenium bcp
02/10/2008 A mão pesada versus a mão invisível
08/10/2008 Deserto? Jamais! Pescadinha de rabo na boca.
21/12/2008 O toque de finados para os elefantes brancos
21/02/2009 ESTADO DE SÍTIO: La putain de la republique
27/02/2009 ESTADO DE SÍTIO: La putain de la republique (2) - sans virgules
14/05/2009 Mais um a caminho
12/06/2009 CASE STUDY: Sócrates & Pinho, uma dupla de sucesso nos negócios – o caso La Seda
28/07/2009 CASE STUDY: Sócrates & Pinho Santos, uma dupla de sucesso nos negócios – La Seda (ACTUALIZAÇÃO)
05/10/2009 Estado empreendedor – (10) sequelas do assalto ao Millenium bcp
12/11/2009 SERVIÇO PÚBLICO: «Cronologia de um golpe»
19/12/2009 Lost in translation (14) - uma espécie de condicionamento industrial socialista
12/02/2010 ESTADO DE SÍTIO: la strategia del ragno
23/02/2010 Lost in translation (32) – Rigor? Já fizemos engenharia orçamental no passado. Voltaremos a fazê-lo no futuro, queria ele dizer. (V)
26/03/2010 O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (13) – amarrados ao Vara
05/07/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Os objectivos e a estratégia
23/07/2010 O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (21) – cada tiro, cada melro
04/10/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime
06/10/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime (2)
25/07/2011 Lost in translation (114) – esta manhã acordei e senti-me um homem novo, terá dito ele com os seus botões
14/02/2012 Uma Caixa de Pandora
19/02/2012 Uma Caixa de Pandora (2)
10/04/2012 A defesa dos centros de decisão nacional (7) - a procissão já saiu do adro mas ainda há muitos penitentes com promessas por pagar
10/08/2012 Estado empreendedor (68) – outro PIN auto-abortado
02/10/2012 Uma Caixa de Pandora (3)
22/10/2013 Estado empreendedor (76) - Sequelas do assalto ao Millenium bcp (III)
25/08/2014 Pro memoria (189) – Quase um quinto do PIB consumido em 6 anos para manter os bancos a flutuar

Outra pergunta pertinente, desta vez de Rui Rio, o líder que teve uma epifania nocturna a semana passada: «Governo já sabia de irregularidades na CGD? Se sim, “é grave”» Mais outro que não frequenta o (Im)pertinente.

08/07/2017

Lost in translation (293) - "Crise" neste contexto pode traduzir-se por Sócrates e o PS


Ora leia-se o que escrevi há 8 anos no post «Estado empreendedor – (10) sequelas do assalto ao Millenium bcp»:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

10/03/2017

ESTADO DE SÍTIO: A costela jacobina do PS e o «assalto ao castelo»

Com o beneplácito de Belém, o PS cerca os últimos vestígios de independência e procura minar o Conselho de Finanças Públicas. Comunistas e berloquistas vão mais longe e propõem a sua exterminação.

Como o BdP não se pode exterminar, nem a geringonça quer correr o risco de demitir Carlos Costa invocando falha grave e entrando em rota de colisão com o BCE, tenta-se, com o ruidoso apoio da tropa de choque comunista e berloquista, obrigar a criatura a demitir-se acusando-o de inacção no caso do BES (leia-se a propósito este artigo de João Vieira Pereira), recusando as suas propostas de nomeação para a administração e, cereja em cima do bolo, nomeando para o Conselho Consultivo do BdP Francisco Louçã, o tele-evangelista do trotskismo, inimigo da Europa e do euro, acompanhado por Murteira Nabo e Luis Nazaré, duas luminárias da nomenclatura socialista.

Enquanto isso, a imprensa amiga faz rufar os tambores. «Carlos Costa tem de se demitir» titula, por exemplo, Daniel de Oliveira, jornalista de causas/militante/comentador/analista, ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, cobrindo assim todo o leque da geringonça.

E, para o caso do homem não se demitir, colocam-se de reserva falhas graves. Só o pastorinho da economia dos amanhãs que cantam Nicolau Santos coleccionou sete. Sim, é o mesmo pastorinho que enfiou o barrete do vigarista Baptista da Silva, e que, como aqui escrevi há nove anos, fez o frete de limpeza dos detritos do Millenium bcp dos ombros do ministro anexo Constâncio, escrevendo no Expresso um artigo laudatório com o assombroso título «Greenspan defende Vítor Constâncio».

Ao mesmo tempo, Carlos César, presidente dos socialistas, com o descaramento habitual, considera que as «falhas do BdP “foram em segunda instância falhas da governação” de Passos», sem tirar as consequências do que diz que seria considerar os governos de Guterres e Sócrates responsáveis pelas falhas de governação do ministro anexo Vítor Constâncio, uma personalidade, agora estacionada em Frankfurt, que entre 1986 e 1989 saltitou entre a liderança do PS e a governação do BdP, voltando a esta em 2000 durante dez anos consecutivos.

29/01/2017

Um dia como os outros na vida do estado sucial (30) - Conflito de interesses

Paulo Macedo, o novo presidente da Caixa, onde terá um salário de mais de 400 mil euros por ano acrescido de eventuais bónus, pediu ao BCE para manter a sua posição no Millenium BCP, a cujos quadros pertence há mais de 23 anos, argumentando que isso não representaria um conflito de interesses à luz da lei. É claro que o BCE, para quem conflitos de interesses tem outro significado, não foi na conversa e Paulo Macedo vai ter de terminar a relação contratual com o Millenium BCP.

Não vou fulanizar a questão e concluir que Paulo Macedo, um profissional competente, de repente se converteu num chico-esperto e aproveitador. Nada disso. Possivelmente Paulo Macedo, como português genuíno e pouco «estrangeirado», viu a manutenção dessa relação contratual, desse «vínculo», como no luso-juridiquês se diz (e quer dizer imenso, só por si), como algo não só legal mas eticamente aceitável neste país.

E é no eticamente aceitável que está o busílis. Porque se, para uma criatura com o status de Paulo Macedo, não há conflito de interesses nessa acumulação, para o português comum conflito de interesses será uma figura de retórica sem aplicação prática numa lusofonia onde só há conflito de interesses num caso de polícia.

20/03/2016

ESTADO DE SÍTIO: Costa, o Zé Du do Puto

1.ª página do Expresso de 18-03
Quem tenha ouvido falar de Christine Deviers-Joncour e não tenha perdido a memória dos assaltos da clique sócio-socrática ao BCP perceberá que um título alternativo para este post seria: «BCP, la putain de la République».

Para recordar o caso BCP releiam-se as seguintes séries de posts: «A parte submersa do iceberg Millenium bcp»; «Cronologia de um golpe»; «La strategia del ragno»; «Móbil do assalto ao BCP»; «Sequelas do assalto ao Millenium bcp».

Quem não tenha perdido a memória reconhecerá nos últimos meses o padrão habitual das Orchestral Manoeuvres in the Dark a desenrolarem-se no Expresso agora mais visíveis nas primeiras páginas e no chuto para cima do mano Ricardo (que aliás estava a mostrar-se mais independente do que o costume).

25/08/2014

Pro memoria (189) – Quase um quinto do PIB consumido em 6 anos para manter os bancos a flutuar

Relembrando que há quase 6 anos, no início da crise, Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças de Sócrates, garantiu durante vários meses que os problemas na banca se circunscreviam aos bancos americanos, mais tarde a alguns bancos europeus, mas que os bancos portugueses estavam a salvo. Em Novembro de 2008 informou que o governo iria nacionalizar o BPN, porque afinal sempre havia este banco português com a borda debaixo de água, e em vez de ter o bom senso de ficar calado garantiu no parlamento que «não há, para além do BPN, nenhuma instituição com problemas de solvabilidade».

Seis anos passados, os bancos portugueses receberam injecções de capital totalizando 23.533,5 milhões dos quais 12.083,5 milhões como aumentos de capital e 11.450 milhões de ajudas do governo (incluindo capitalização pelo Fundo de Resolução no caso do Novo Banco/BES), assim distribuídos (em milhões de euros; total = aumentos de capital + ajudas).
  • Millenium BCP   8.300   = 5.300 + 3.000 
  • Novo Banco(BES) 8.155   = 3.255 + 4.900 
  • Caixa           3.600   = 2.700 +   900 
  • BPI             2.190   =   690 + 1.500 (já reembolsados) 
  • Banif           1.288,5 = 138,5 + 1.150 
  • Montepio        1.140   = 1.140 +     0   
Ao total de injecções de capital de 23.533,5 milhões devemos ainda adicionar o custo da nacionalização do BPN, decidido pela dupla Sócrates-Teixeira dos Santos, que «não custou nada» (dizia Teixeira dos Santos) e o nada segundo as últimas estimativas pode chegar a 7.000 milhões.

São 30 mil milhões de valor destruído ou 18% do PIB para manter a banca a flutuar, banca que vale hoje apenas uma fracção do capital que consumiu em 6 anos.

22/10/2013

Estado empreendedor (76) - Sequelas do assalto ao Millenium bcp (III)

Continuação de (I) e (II).

Recapitulando, Joe Berardo compra acções do BCP com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, mais tarde transferido para o BCP, no âmbito do assalto socrático ao BCP, sucedendo a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento de Filipe Pinhal da administração, o próprio BCP pela mão de Santos Ferreira financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco.

A coisa correu mal porque as acções do BCP, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos há 4 anos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do BCP. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

E assim chegamos, à actualidade com a participação de Berardo no BCP comprada a mil milhões a valer 66 milhões e os bancos que financiaram a compra (CGD, BCP, BES e Santander) a terem de registar as imparidades correspondentes e a limitarem a sua capacidade para financiarem a economia.

02/10/2012

Uma Caixa de Pandora (3)

Uma espécie de continuação dali e daqui.

Agora que a falta de dinheiro parece ter levado o governo a considerar a possível venda de uma parte da Caixa Geral de Depósitos, voltaram a ouvir-se os argumentos contra o «enfraquecimento e/ou desmantelamento de todos os mecanismos de intervenção do Estado na sociedade e na economia» (Nicolau Santos no Expresso).

Mais uma vez, é precisa uma fé à prova da realidade para passar ao lado do desastre súbito que foi o PREC, quando o Estado teve nas mãos todos os mecanismos de intervenção na sociedade e na economia, e do desastre lento que foram as décadas posteriores em que o Estado continuou a dispor de muitos desses mecanismos.

O papel da Caixa na intervenção do Estado na economia tem consistido no financiamento de projectos do regime sem viabilidade e servir de instrumento de influência e controlo dos partidos que estão no poder, servindo interesses de lóbis político-financeiros, como foi o caso do assalto ao Millenium BCP, ou disponibilizando sinecuras a figuras do regime. A coisa foi-se aguentando enquanto o dinheiro abundou. Agora que acabou, vendem-se as jóias e o pechisbeque a preços de saldo e registam-se pela primeira vez em décadas perdas (500 milhões de euros em 2011).

Percebe-se, por isso, o que perderiam os partidos e o complexo político-empresarial socialista se a Caixa fosse gerida com uma lógica empresarial e de mercado. Não se percebe o que perderia o país.

07/09/2011

Estado empreendedor (52) - sequelas do assalto ao Millenium bcp (II)

Este post é uma sequela deste outro.

Há pelo menos 2 anos era sabido já estar Joe Berardo encravado por ter participado no assalto ao BCP em má companhia. Desde então o seu encravanço só se agravou. Enquanto se mantiveram as suas dívidas à CGD (400 milhões), ao BES (200 milhões) e ao próprio BCP (400 milhões), a cujo Conselho de Remunerações e Previdência pertencia (não é extraordinário um banco emprestar dinheiro a um seu accionista e membro dos órgãos sociais para comprar as suas próprias acções?), a sua posição no BCP comprada por mil milhões vale hoje menos de cem milhões.

28/11/2010

ESTADO DE SÍTIO: a privatização do chefe dos espiões

Quais as qualificações mais adequadas a um chefe de espiões? Ora que pergunta! Evidentemente experiência numa organização secreta, por exemplo a loja maçónica Mozart da Grande Loja Regular de Portugal. Qual o momento mais oportuno para o chefe dos espiões anunciar a sua demissão? Sem dúvida, nas vésperas duma cimeira da NATO na capital do país em causa. Para onde deve ir um chefe demissionário dos espiões usar as competências adquiridas como chefe dos espiões? Obviamente para o complexo político-empresarial socialista, por exemplo a banca do regime (BES ou Millenium bcp, que o disputam) ou, melhor ainda, para um dos apêndices da banca do regime (Ongoing) dirigido por um correlegionário da mesma loja (Nuno Vasconcelos).

Nem um protesto, nem uma indignação, apenas o reconhecimento do ex-ministro da Defesa Paulo Portas da necessidade de «reflexão». Quereis melhor prova de maturidade da nossa democracia?

[Estória contada pelo Expresso a propósito da saída anunciada de Jorge Silva Carvalho do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa]

12/11/2010

ESTADO DE SÍTIO: os parceiros de negócio do estado socialista (actualização)

Primeiro foi «Espanha, Espanha, Espanha». Depois foi Rússia e fez-se de Portugal a casa Venezuela. Seguiu-se Angola, mais recentemente Líbia, a seguir o Irão e por último a China que se espera empreste dinheiro ao Estado «social» falido, equilibre as relações comerciais, nos monte às cavalitas para entrar nos PALOP (onde já está há muito - seria preferível aproveitar a boleia deles), coopere com a banca, meta dinheiro no buraco do Millenium bcp e na EDP. Fazendo juz à sua energizante gestão, o energizante Mexia já mandou adaptar a bandeirinha da EDP.


É caso para gritar: fora o FMI, venha o PCC!  E a Coreia do Norte? Quando vamos ter os dois queridos líderes a confraternizar?

[Diferentemente do que se passou com as outras aproximações ao mundo totalitário, aparentemente quase só as empresas do complexo político-empresarial socialista se excitaram com as tretas socráticas. Será mais um sinal?]

08/06/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Receba agora e pague depois ou a cosmética do défice em preparação

O método receba agora e pague depois é irresistível para qualquer governo em estado de pré-falência. Uma vez mais, ao que parece, retorna a manobra da transferência para a Segurança Social das responsabilidades por pensões dos bancários. É uma manobra mutuamente interessante para o governo, que enche o pipeline com os fundos de pensões dos bancos e reduz como por milagre o défice, e para os bancos que se livram das insuficiências dos fundos e do risco de imparidades dos activos dos fundos.

Para se perceber melhor, vejamos alguns factos há 5 anos aqui referidos, a propósito da manobra no Millenium bcp ainda com Jardim Gonçalves, e agora actualizados :

1.º facto - este chuto para a frente da transferência de responsabilidades e dos correspondentes fundos para a Segurança Social já foi dado muitas vezes no passado recente, com destaque especial para o caso da CGD (ver o inventário no final);

2.º facto - esta eventual transferência dos fundos de pensões é altamente conveniente, agora e sobretudo no futuro, para o Millenium bcp que, tendo recorrido maciçamente à antecipação de reformas do pessoal dos bancos que comprou, ficou com o volume gigantesco de responsabilidades por pensões no regime de «benefícios definidos»;

3.º facto - isso obrigou e obrigará no futuro a dotar o fundo para compensar menos-valias durante as fases de bear market (veja-se o que se passou com os fundos de pensões ingleses que têm insuficiências de biliões de libras);

4.º facto - esta eventual transferência dos fundos de pensões dos bancos é altamente conveniente para o governo actual, porque lhe permite minimizar o défice durante algum tempo;

5.º facto - essa transferência é altamente inconveniente para a sustentabilidade da Segurança Social pois faz entrar imediatamente dezenas de milhar de reformados com pensões muito superiores à média e aumenta as responsabilidades futuras pelas pensões de outras dezenas de milhar de activos que transitariam para o regime geral;

6.º facto - como a Segurança Social vive num sistema de pay as you go, as dezenas de milhar de milhões de euros (só o Millenium bcp tinha em 31-12-2009 responsabilidades de 5,4 mil milhões) irão financiar a despesa corrente com pensões, subsídios de desemprego, doença and so on e, talvez (um grande talvez), uma pequena parte fosse afectada ao fundo de estabilização da segurança social.

Nos finais de 2005, O Insurgente inventariava as transferências de fundos de pensões para a Segurança Social (a maior parte dos quais da responsabilidade do governo de Durão Barroso):

  • Caixa Geral de Depósitos, S.A (CGD) [Decreto-Lei n.º 240-A/2004, de 29 de Dezembro, e Decreto-Lei n.º 241-A/2004, de 30 de Dezembro];
  • Aeroportos de Portugal, S.A. (ANA, S.A.) [Decreto-Lei n.º 240-B/2004, de 29 de Dezembro]
  • Empresa Pública Navegação Aérea de Portugal (NAV Portugal, E.P.E.)[Decreto-Lei n.º 240-C/2004, de 29 de Dezembro]
  • Imprensa Nacional – Casa da Moeda, S.A. (INCM, S.A.) [Decreto-Lei n.º 240-D/2004, de 29 de Dezembro]
  • CTT - Correios de Portugal, S.A. [Decreto-Lei n.º 246/2003, de 8 de Outubro]
  • Casa do Douro [Decreto-Lei n.º 277/2003, de 6 de Novembro]
  • Radiodifusão Portuguesa, S.A. (RDP) [I] [Decreto-Lei n.º 291/2003, de 19 de Novembro]
  • INDEP [Despacho do Secretário de Estado do Orçamento de 21/10/2002]
  • Radiodifusão Portuguesa, S.A. (RDP) [II] [Decreto-Lei n.º 90/99, de 22 de Março]
  • Dragapor [Decreto Lei n.º 10/98, de 17 de Janeiro]
  • Banco Nacional Ultramarino, S.A. (BNU) [Decreto-Lei n.º 227/96, de 29 de Novembro]

29/04/2010

«Se os mercados nos estão a atacar é porque nos pusemos a jeito»

«É evidente que nos estão a atacar, mas isso não pode criar em nós uma sensação de injustiça … é necessário fazer alguma coisa [visto que a situação] não vai lá com conversa, … se não fizermos nada, alguém fará por nós. O País tem que fazer o trabalho de casa. É preciso trabalhar para pôr as coisas em ordem. É um problema de médio e longo prazo.»

É difícil não concordar com Santos Ferreira. Suspeito que vindas de alguém que gere tão sabiamente as suas relações com os poderes, tais palavras heréticas signifiquem que o presidente do Millenium bcp já está a trabalhar para o futuro.

19/04/2010

ESTÓRIAS E MORAIS: pôs a boca no trombone depois de a orquestra ter arrumado os instrumentos (2)

Estória (sequela desta)

Não vou recontar a estória do Millenium bcp, estória a que o (Im)pertinências sempre deu a devida atenção numa centena de posts sobre o tema. Vou apenas recordar que é um dos melhores exemplos do complexo político-empresarial socialista, que Filipe Pinhal, o antigo braço direito de Jardim Gonçalves, já em tempos tinha denunciado com o caso das manobras conjuntas do governo e da banca do regime no assalto ao Millenium bcp.

Infelizmente para a sua credibilidade, Filipe Cunhal guardou de Conrado o prudente silêncio demasiado tempo a respeito dessas manobras e continua a guardar silêncio sobre as trapalhadas em que ele próprio esteve envolvido como administrador do Millenium bcp. Silêncio que voltou agora a quebrar, mas apenas quanto às manobras alheias, com a publicação do seu livro «A bem dizer», onde faz algumas considerações que ajudam a perceber a teia urdida pela banca do regime com a baba do socialismo de estado, como esta:

«Um simples grupo financeiro, criado para servir a economia, nos seus diferentes domínios - da banca de retalho à banca especializada, dos seguros aos operadores do mercado de capitais -, não chega. Pode servir o País, a economia, as empresas e os particulares, mas não basta. Pode ter sucesso, mas não permite voos mais ambiciosos. Faltam-lhe as pontes com o poder político, que é faltar muito, e faltam-lhe as alianças, os compromissos e as compensações, que contam ainda mais».

Na apresentação Filipe Pinhal acrescentou outras considerações sobre emanações recentes do que chama a «economia de influência».«É difícil imaginar casos mais marcantes de promiscuidade entre os dois poderes, como o affair Luís Figo e as manobras de bastidores que envolveram a escolha do presidente da Cimpor. Depois do que se passou no caso PT/TVI, com o primeiro-ministro a ligar à administração da PT para impedir o negócio, ninguém vai acreditar que o primeiro-ministro não esteve envolvido nas escolhas para o BCP.»

Moral (outra vez)

Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

15/04/2010

A defesa dos centros de decisão nacional (4) - a procissão começou a sair do adro

[Continuação de (1), (2) e (3)]

Com a habitual duplicidade que a caracteriza, a administração em exercício do Millenium bcp (*) propôs aos accionistas a «desblindagem parcial» dos estatutos permitindo o exercício do direito de voto até uma participação de 20% (era 10%), que segundo a vulgata da governação teria como propósito «dar resposta às melhores práticas de bom governo das sociedades». A excelsa administração não explicou porque só agora, quando o banco precisa desesperadamente de capital e a palhaçada accionista está sem cheta, sentiu o chamamento do bom governo.


Bom governo, uma ova. O que administração fez foi ceder às (razoáveis) exigências da Sonangol para lá enfiar a tão necessária grana no inevitável aumento de capital e na compra de acções aos actuais accionistas para que possam tirar algumas jóias do prego, depois de resultados medíocres, explicados pelo presidente-comissário político como resultantes das operações internacionais. Presidente que aproveitou para salientar que o banco é aquele «cujo valor das acções menos desce em 2010», esquecendo-se de explicar que é difícil descer mais para um banco que desde 2000 caiu de mais de 5 euros por acção para menos de 85 cêntimos.


Em resumo, para além do habitual exercício de retórica corporativa, o resultado mais substancial foi a confirmação de que mais um bastião dos celebrados centros de decisão nacional vai ser alienado, desta vez à nomenclatura angolana.

(*) Por amor à verdade, deve admitir-se que a conversa beata da anterior administração também não inspirava confiança.