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05/11/2016

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: O Portugal dos Pequeninos visto pelo último dos queirozianos (7)

Outros excertos.

Mais um excerto de outra das crónicas, compiladas em «De mal a pior» (D. Quixote), de Vasco Pulido Valente, o último dos queirozianos, não no estilo mas na substância, com a sua visão lúcida, por vezes vitriólica, deste Portugal de mentes pequeninas e elites medíocres.

«O resultado da embaixada do Syriza ao mundo exterior foi, como não podia deixar de ser, a confusão geral. Jean-Claude Juncker, enternecido, deu um beijinho a Tsipras e, para o acalmar, lá o levou, de mão dada, para o seu escritório. Quem falou aqui em "crianças"? 

Um tropo obrigatório desta esquerda neo-romântica é o pagamento da dívida de guerra da Alemanha, que a Inglaterra e a América indexaram ao aumento de exportações da República Federal. O exemplo não serve. Em primeiro lugar, o exército americano e o exército inglês ocupavam a Alemanha e queriam o apoio dela para resistir à expansão soviética que, naquele tempo, parecia ameaçar a Europa. Em segundo lugar, a Alemanha estava fisicamente arrasada pelos bombardeamentos de 1943-1945 e o Ocidente não tinha dinheiro para a reconstruir e a alimentar: esquecer a dívida de guerra era do seu interesse (e, ao mesmo tempo, um bom passo político). Já a América não perdoou um tostão da dívida da Inglaterra, que pontualmente a pagou. As pessoas crescidas sabem disto. E a sra. Merkel também. Por isso avisou que não receberia Tsipras (para não aturar a mistura de chantagem e choradeiras com que ele anda por aí a maçar o mundo) e mandou o ministro das Finanças comunicar ao jovem que, para ele, não estava em casa

A sra. não está em casa, 06-02-2015

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