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15/04/2015

Pro memoria (228) – TAP, uma máquina de destruição de valor

Não vai ser isso que abalará a fé dos tapistas, mas a TAP acrescentou em 2014 mais 79 milhões de prejuízos aos capitais próprios negativos de 373 milhões.

Não sendo novidade, a administração tem mostrado uma louvável imaginação para explicar um facto recorrente sem se repetir. Desta vez foi: «O resultado apresentado pelo grupo situou-se abaixo das expectativas, largamente influenciado pelo impacto das greves na operação, pelo custo associado ao fretamento de aviões e, na vertente dos proveitos, pela redução de ‘yield' [receita média por cliente] no Brasil e na Europa, fenómeno transversal à globalidade da Indústria».

Para mim a explicação é bastante mais simples e está patente nesta radiografia (números de 2013):


Actualização: A Air Europa, um dos interessados na compra da TAP, acaba de anunciar a desistência porque «não é possível gerir ou sanear» uma empresa com um endividamento tão elevado. Lá teremos, nós os sujeitos passivos, de vender o mono aos tapistas. Alguém telefone para o realizador António Pedro Vasconcelos ou outro tapista qualquer para começarem a reunir fundos.

Actualização n.º 2:
Entretanto, os pilotos convocaram uma greve de 10 dias em Maio, que se estima causará prejuízos de dezenas de milhões de euros, com o propósito de garantirem uma participação de 10% a 20% na privatização da TAP. Em vez de lhes oferecer uma participação de 100% numa empresa que segundo o Código das Sociedades Comerciais estaria falida, o governo queixa-se que os pilotos não estão a respeitar o acordo e, lamenta o ministro com melhor imprensa que gostava de poder ser simpático na governação, «os homens de palavra cumprem acordos, que resultaram de um processo de diálogo e de franqueza».

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Sim a democracia deve evoluir para incluir a responsabilidade pelos prejuizos só imputavel a quem o defende.(mas sem subsidios estatais como nos filmes)