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30/04/2015

DIÁRIO DE BORDO: Uma vida que fazia um filme

Um exemplo de que as qualidades dos pais não são necessariamente transmitidas aos filhos é o caso de Catarina Salgueiro Maia que se prestou a servir de idiota útil para os tambores do jornalismo de causas declarando que «deixou Portugal em 2011, ano em que a troika chegou a Portugal e "em que o primeiro-ministro aconselhou as pessoas a ganhar experiência no estrangeiro", ironizou, recordando os apelos do Governo à emigração». Foi assim que o jornalista de serviço na Lusa descreveu as patetices autocomplacentes da criatura, prontamente circuladas em vários jornais (Público, jornal i, Expresso, entre outros).

Lembrei-me esta manhã desse episódio de exaltação dos direitos adquiridos pelas Conquistas de Abril ao ser abordado por alguém que me ofereceu a sua autobiografia em troca de um donativo para a construção do Centro Comunitário Senhora da Barra, uma obra social que a Paróquia de S. Julião da Barra em Oeiras está a levar a cabo. Eis o resumo da vida, pelas suas próprias palavras, desse alguém a quem não aconselharam a ganhar experiência no estrangeiro e que foi para fora cá dentro:


«Hermínia Ribeiro Nobre nasceu a 29 de Janeiro de 1940, filha de um casal de camponeses, a mais nova de nove irmãos, quatro rapazes e cinco raparigas, órfã de pai aos seis anos de idade. Casada há 39 anos, tem três filhos e três netos.

Licenciou-se em Estudos Superiores Especializados em Segurança Social. Fez todos os seus estudos em adulta, em horário pós-laboral, pois em criança só frequentou a escola durante um ano.

Aos cinco anos já trabalhava na agricultura, a desbastar e a colher milho. Aos dez era empregada doméstica; aos 14 obteve um Diploma de Corte e Costura e Bordados à Máquina. Foi costureira por conta própria, modista num atelier, mestra e encarregada-geral de um pronto-a-vestir, e modista por conta própria. Aos 37 anos entrou para a função pública, como auxiliar numa escola primária. Actualmente, é técnica superior no Ministério da Educação.»



Actualização:
Afinal Catarina Salgueiro Maia deu o dito pelo jornalismo de causas da Lusa por não dito e esclarece que as suas palavras eram «ironia» e que antes de ser «convidada» por Passos Coelho já tinha emigrado em Março de 2011 sem convite de José Sócrates que por essa altura ainda estava encalhado no PEC 4.