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08/05/2014

PUBLIC SERVICE: «Too big to fail» - another financial volcanic eruption in the making (2)

Ainda a propósito deste tema, da inerente fatalidade das crises afligirem o sistema financeiro e do provável contributo da intervenção militante dos governos resgatando indiscriminadamente bancos, anestesiando a percepção do risco com garantias elevadas de depósitos e injectando artificialmente liquidez com as impressoras dos bancos centrais, foi recentemente publicado «Money Mania» de Bob Swarup (ler esta review do FT) que conclui que sim, as crises financeiras são inevitáveis, desde a do Imperador Augusto – o primeiro keynesiano da história, segundo Swarup -, e cada vez mais frequentes à medida que os sistemas se tornam mais complexos.

É difícil não concordar com os remédios que Swarup prescreve, não para acabar com as crises, que segundo ele seria um propósito utópico, mas para as limitar na frequência, na extensão e na profundidade. O primeiro remédio é não tomar demasiados remédios, criando pesadas regulações financeiras – meu conselho pessoal: fazer uma fogueira com os milhares de páginas da lei Dodd-Frank (ver este post) e desmanchar a teia de aranha que lhe está associada.

A teia de aranha segundo a Economist
O mais importante, escreve Swarup e eu concordo, é limitar o volume de débito total na economia reduzindo a alavancagem dos bancos – meu conselho pessoal: abandonar as fantasias do capital do banco em função do risco (que ele próprio mede!) e regressar a uma percentagem prudente do activo total.

O segundo remédio é não deixar os bancos serem demasiado grandes (ver o artigo de Martin Wolf citado no post anterior) – aumentar o capital mínimo exigido em percentagem do activo vai nesse caminho na medida em que obriga os accionistas a meter a cabeço no cutelo em vez de alavancarem desmesuradamente os depósitos dos clientes.

Tomados os dois primeiros, o terceiro remédio é aceitar as crises como um facto inexorável resultante da natureza humana, consolando-nos com o facto histórico de várias crises terem eclodido em resultado de grandes inovações a que se seguiram períodos de especulação desmedida e optimismo irracional.

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